
Volume 4 - Capítulo 168
Life Hunter
Em um planeta cheio de natureza e vida, sem qualquer tipo de construção no horizonte, um dragão terrestre estava correndo pelo deserto quando, de repente, parou para olhar para o céu iluminado por três sóis diferentes.
A temperatura naquele planeta era muito alta, quase acima de 50°C, mas as plantas ainda podiam crescer e florescer.
Este planeta era o território dos dragões, Fantasia. E era chocantemente grande. Para comparação, o planeta era ainda maior do que o Sol no mundo de Arima, enquanto as três estrelas em torno das quais orbitava eram pelo menos dez vezes maiores.
O dragão ruivo franziu a testa enquanto olhava para o céu. A atmosfera parecia ser semelhante à da Terra como o céu era de uma bela luz azul. Desse céu claro, pontos intrigantes de luz branca brilhavam e caíam como flocos de neve no chão.
O dragão apenas piscou por uma fração de segundo e antes que ele percebesse, havia uma criatura de trezentos metros de comprimento no céu.
Os dois pares de asas brancas estavam brilhando e sua presença divina atordoou o dragão. Então, de repente, ele viu uma sombra caindo da criatura gigante.
— Ah. — Ele proferiu inconscientemente quando a figura preta e prateada caiu no chão.
***
Quando Deva terminou o salto dimensional, o brilho era tão resplandecente em comparação com o Inferno que Layla e Karma cobriram seus olhos por reflexo. Quando os abriram novamente, observaram sem expressão enquanto a figura de Arima caía das costas de Deva.
— Ah. — As duas meninas exclamaram e não reagiram a tempo.
— {Ah?} — Noturno ficou confuso e sentiu o impacto quando o corpo de Arima criou uma cratera na vasta planície. Enquanto estava deitado lá, Arima de repente abriu os olhos com uma expressão irritada.
— O quê?? Diabos? Caramba.
— Desculpe, o salto dimensional te derrubou. — Noturno se desculpou e Arima gemeu enquanto ele se levantava com uma dor de cabeça.
Ele olhou para Deva com os olhos semicerrados e sinalizou para ela pousar. Deva assentiu levemente e começou a descer lentamente. O dragão terrestre olhando de longe apertou os olhos e se virou para sair. Arima olhou preguiçosamente em sua direção e bocejou.
— {A propósito, Arima…} —Noturno chamou. Seu tom soou um pouco estranho. — {Você notou?}
— {Sim.} — A expressão de Arima afundou.
— {… Estamos presos, não estamos?} — Noturno se pronunciou e Arima rosnou. Ele bufou e produziu um vendaval ao seu redor. Logo depois disso, Deva alcançou o chão e a terra tremeu apenas com seu peso.
Layla e Karma saltaram de suas costas e imediatamente foram para Arima. Layla inclinou a cabeça e inclinou o pescoço para olhar para Arima.
— Por que você ainda está nessa forma? É um pouco difícil encarar você, sabe?
O olho de Arima se contraiu e ele desviou o olhar dela como se estivesse fugindo de seu olhar. Layla fez uma careta e olhou para ele. — O que foi?
— Estamos presos! — Já que Arima não estava respondendo, Noturno respondeu por ele.
— Presos? — Layla estava confusa e Karma abriu a boca enquanto pensava em algo.
— {Não podemos voltar desta forma…} — Noturno respondeu e Layla congelou. — {Bem, você sabe… nós forçamos a Ressonância Final porque não éramos capazes de fazer isso em primeiro lugar.} — Ele fez uma pausa. — {Então, agora, não podemos liberá-la…? Hahaha…haaam} — Ele suspirou.
— {Espera, espera, espera! Isso é permanente?} —Karma e Layla estavam confusas. Ambas por suas razões.
— Quem sabe? — Arima encolheu os ombros. — Duvido muito. Eu só tenho que encontrar uma maneira de estabilizar o nosso estado de alguma forma, em seguida, trabalhar em revertê-lo.
As duas garotas ficaram sem palavras, então os olhos de Karma se arregalaram por algum motivo. — {Isso significa que eu não vou ser capaz de provocar Noturno?}
Ela disse isso tão genuinamente que Arima riu.
— {Quê?}
Enquanto conversavam, Deva fechou os olhos e parecia pronta para dormir a qualquer momento.
— Hã? — Arima examinou os arredores e balançou a cabeça. —Apareçam logo. É vergonhoso! — Disse ele e numerosas presenças apareceram ao redor de seu grupo.
Junto com o dragão terrestre que Arima havia visto antes, havia pelo menos outros vinte dragões ao redor deles. Eles eram todos muito pequenos em comparação com Arima, mas havia um dragão nobre entre eles que era forte o suficiente para quase estar a par com aqueles no Reino Celestial.
— Posso perguntar quem você é? — Esse mesmo dragão levantou a voz para se dirigir a Arima. Ele parecia ser muito cauteloso com suas palavras.
Arima sorriu. — Arimane R. Blade. Podem me chamar de Arima.
O nobre dragão tremeu. Ele não sabia como responder. Em primeiro lugar, ele acabara de vir aqui porque um deles havia visto uma criatura misteriosa carregando um dragão muito forte nas costas. Ele foi obrigado a verificar quem era e determinar se ele era uma ameaça. Ainda mais, porque monstros desconhecidos parecidos com lama apareceram em seu território.
Mas com aquela pequena troca de palavras, o dragão tinha certeza disso. Arima era mais forte que ele. Ainda mais forte do que todo o seu grupo juntos. Parecia que ele poderia matá-los no local, se quisesse.
Arima sorriu. Embora estivesse cansado e ferido. Seu nível de força já ia além do Terceiro Divino. Era estritamente impossível para qualquer criatura viva ir contra ele se estivesse sob o Reino Celestial.
— Deixe-me confirmar. — Arima falou e todos os dragões ficaram tensos. — Aqui é Fantasia, a Terra dos Dragões?
— Sim.
— Entendo. — Arima assentiu. Ele olhou para Deva e cantarolou. — Bem, em primeiro lugar, você sabe sobre Chronepsis? — Ele perguntou e as reações que recebeu falaram por si mesmas. — Vou aceitar isso como um sim. Bem, eu só estou de passagem porque ele me pediu um favor. — Acrescentou. — Leve-me ao seu líder. Eu quero conversar um pouco.
***
Enquanto isso, do outro lado do plano, todos os mundos estavam descobrindo a existência da Téra. Por exemplo, no planeta para onde Arima foi transmigrado, havia alguns indivíduos que notaram a presença da Téra antes de todos.
Entre eles estavam Jorga e o dragão do céu que morava na montanha nevada. Ambos sentiram a ameaça iminente, mas nenhum deles estava ansioso com isso. A razão não era que eles estavam confiantes em sua superioridade, mas porque havia uma entidade muito mais forte do que eles neste planeta.
A identidade daquela potência não era outra senão um pequeno gato preto pendurado no ombro de Lifa o tempo todo.
Assim, todos os mundos que compõem este plano de repente se viram sendo invadidos pela Téra. Mesmo os poucos mundos sem circuitos mágicos foram afetados após a abertura de Pandora e alterados à força para receber mana.
O mundo de Arima não foi exceção. As pessoas lá e o ‘Império’ que ele havia construído estavam trabalhando duro para descobrir o que aconteceu e o que eram os Téra.
***
***
— Este é o planeta que você escolheu, Kerberos?? — Hades perguntou enquanto sondava o planeta vulcânico em que estavam. Dezenas de milhares de demônios e diabos os seguiram pelo portão.
— Sim. Este é o maior planeta que pude encontrar que era adequado para nós! — Respondeu Chulainn e sentou-se enquanto olhava ao redor. — Deve ter cerca de… 700 milhões de quilômetros de largura… — Afirmou ele e Hades assentiu em satisfação.
— Pelo número de pessoas que conseguimos trazer, isso é mais do que suficiente. — Disse ele e suspirou quando pensou no colapso do Inferno. — Eu me pergunto para onde os deuses foram…
— Eu acho que sei.— Observou Chulainn. — Lembro-me de um certo lugar em outro mundo. Se eu não estou errado, deve ser o substituto perfeito para o céu.
***
Chulainn estava certo, o lugar que Zeus escolheu para ir era um dos planetas mais verdes de todo o plano. Também era bastante grande, com um diâmetro de 500 milhões de quilômetros.
Quando Gabriel pisou no chão do planeta, ele inalou e suspirou logo depois. — Não é ruim, mas longe da pureza do Céu…
— Pare de reclamar, isso foi o melhor que pude encontrar, considerando que precisávamos de um planeta habitado. — Zeus fez uma careta para ele, que fez beicinho em resposta.
— De qualquer forma, temos que reivindicar este planeta. Deveria haver Téra aqui também, então vamos nos livrar deles o mais rápido possível. — Disse Azes e todos assentiram antes de começarem a explorar todo o planeta.
***
Arima foi levado ao ponto mais alto de uma montanha. Eles se cruzaram com muitos dragões no caminho. Ele não estava acostumado a ver tantos dragões, então ficou um pouco surpreso. O mesmo aconteceu com Karma e Layla, que haviam subido em seus ombros. Deva permaneceu de volta ao lugar onde pousou, dormindo.
Quando chegaram ao topo plano da montanha, Arima viu um velho dragão com escamas rachadas sentado lá. Ele caminhou até ele e sorriu.
— Eu não esperava que alguém do seu nível ficasse aqui. — Comentou ele. — Segundo Divino. Dragão ou não, é raro encontrar um como você em um mundo mortal.
O velho dragão abriu lentamente os olhos e suas pupilas se estreitaram quando viu Arima. Ele tremia de medo e admiração.
— Carcus me informou da sua chegada. Você disse que Lorde Chronepsis pediu sua ajuda… isso é verdade?
— É! — Arima sorriu e sentou-se.
— Ele está…
— Mortos? Sim. — Arima respondeu imediatamente e apontou para o ombro dele. — A linda garota aqui é sua herdeira.
Os olhos do velho dragão se arregalaram quando ele observou Layla. — Então era verdade… — Ele encontrou refúgio na alma de um humano. — Ele murmurou e olhou para Arima. — Desculpe pela minha introdução tardia. Meu nome é Oulan, sou o Dragão Ancião deste território. Se me permite perguntar, qual foi o favor do Lorde Chronepsis?
Arima encolheu os ombros. — Eu não tenho ideia. — Ele respondeu e Oulan piscou. — Para ser exato, ele apenas me disse para salvar Fantasia do perigo futuro. Mas ele não foi capaz de determinar o que era exatamente. Então, eu não sei do que eu deveria proteger todos vocês.
Oulan tinha uma expressão estranha. — Será que isso possivelmente tem algo a ver com essas criaturas desconhecidas que de repente apareceram?
Arima balançou a cabeça. — Duvido muito. Os Téra são realmente perigosos, mas não acho que representem uma ameaça séria para vocês, dragões. — Ele retrucou. — Pelo contrário, pelo que senti ao vir aqui, há algo muito mais precário para todos vocês no momento.