
Volume 4 - Capítulo 137
Life Hunter
Depois de algumas horas, Arima já havia dissipado todos os seus pensamentos paralelos, os círculos mágicos haviam se tornado muito complicados para serem resolvidos por uma mente secundária.
Quando restavam apenas dez círculos, Chulainn e Karma pararam de descriptografar a matriz, já que esses dois eram os que tinham menos conhecimento técnico.
Karma recebeu senciência de Arima, mas sua habilidade nessa área não poderia ser comparada à de Noturno, que era a besta da alma de Arima. Quanto a Chulainn, ele simplesmente não era adequado para esse tipo de trabalho.
As únicas pessoas que eram capazes de continuar eram Lanya, cuja mente tinha sido impulsionada por Chronepsis, Noturno, Lilis e, claro, Arima, que tinha uma compreensão inacreditável da magia, embora ele tivesse nascido em um mundo sem ela.
Depois de mais algumas horas, restavam apenas dois círculos e todos, exceto Arima, não puderam deixar de desistir. A dificuldade era muito alta e o foco necessário era desumano.
— Como ele pode continuar assim? — Noturno murmurou enquanto suava.
Lanya inalou para tentar recuperar alguma força mental e olhou para as costas de Arima. — Não sei. Seu foco vai além de tudo o que eu posso imaginar.
— Sim, aposto que ele não poderia nem nos ouvir se falássemos com ele agora. — Acrescentou Lilis. Enquanto isso, Karma e Chulainn se sentiram um pouco desajeitados, já que saíram muito antes.
— De onde ele tira essa energia, afinal? Às vezes ele é excessivamente descontraído e outras vezes ele é incrivelmente preguiçoso. Tenho certeza de que ele poderia nos tirar daqui se tentasse um pouco, mas ele insiste em quebrar a matriz. — Chulainn comentou e Arima transformou um círculo em um verde.
Ele então tocou o último círculo sem qualquer outro comentário. Quando ele interagiu, todos os círculos verdes ao redor se fundiram com o último. Depois de alguns segundos, o último círculo vermelho tornou-se um enorme com um diâmetro de dez metros. Arima revirou os olhos em círculo antes de retomar.
— Acho que ele faz as coisas até o fim assim que as inicia. — Lilis esperou que Arima continuasse antes de responder a Chulainn.
— Hm, se você diz assim… — Chulainn respondeu e olhou para Lilis. — Tenho uma pergunta para você. Você visitou o Jardim do Tempo?
Os olhos de Lilis se arregalaram de surpresa e olhou para o cachorrinho. Ela hesitou por um momento e assentiu.
— Então, você viu? — Chulainn seguiu.
— Sim.
— Viu o quê? — Lanya perguntou. Ela ficou perplexa com o que eles estavam falando.
— O passado de Arima. — Declarou Chulainn e a mão de Arima tremeu. O círculo brilhou e todo o braço de Arima foi esmagado por uma força desconhecida. Seu grupo reagiu e estava prestes a ir em sua direção, mas ele acenou com a mão e disse-lhes para não se moverem.
— Apenas um rebote. — Disse ele e olhou para Lilis por um segundo. — Vou apenas te dizer isso. Meu passado não é algo que eu gosto de ouvir ou contar. — Sua voz ressoou claramente nos ouvidos de todos e Lilis percebeu perfeitamente como um aviso. Arima sacudiu o braço e o curou antes de voltar ao trabalho.
— Não posso acreditar. Ele ainda estava prestando atenção à conversa… — Chulainn murmurou.
Depois disso, todos apenas olharam para Lilis. Agora, eles estavam todos curiosos sobre o passado de Arima. Especialmente Lanya, que agora se interessava por isso. Mas, ela entendeu, tanto quanto todos os outros, que não receberia nenhuma resposta do próprio Arima. Lilis sorriu ironicamente e deu de ombros para eles.
— Ele riu?
Essa pergunta de repente saiu da boca de Chulainn e Lilis congelou. Ela olhou para ele com os olhos bem abertos. — Como sabe disso?
Chulainn apenas suspirou e balançou a cabeça. — Meu pai, o Kerberos anterior, era muito mais forte do que eu. Ele era possivelmente o mais forte no Inferno, ainda mais poderoso que o próprio Hades. Ele me levou ao Jardim uma vez. Lá, ele me disse que havia um segredo por trás do Jardim do Tempo. Veja, aquele lugar não é algum tipo de formação mágica intrincada. Uma besta mítica e antiga havia sido selada lá. O meu pai disse que provavelmente já havia morrido há muito tempo, mas sua vontade e alma ainda permaneciam. Diz-se que a besta nasceu ao mesmo tempo que o Deus original. Era temido não apenas por sua força, mas também por sua visão sobre o futuro e o passado. Ele essencialmente sabia de tudo. Também é dito que Jormungand é sua descendente.
Lilis e todos os outros ouviram silenciosamente e Chulainn respirou fundo. — Aquela besta era perversa. Um que só encontrou prazer na destruição e no sangue. Engoliria um planeta inteiro e seus habitantes apenas para se divertir… Em última análise, durante uma reminiscência dentro do Jardim do Tempo, se você ouvir risos, isso significa que a besta está satisfeita e divertida. Significa… que a destruição dentro do passado exibido é ‘deliciosa’ para ele.
Lilis não sabia o que dizer quando Chulainn concluiu. Ela estava prestes a acrescentar o fato de que ela não só ouviu risos, mas também palavras claras, mas parou. Ela apenas virou a cabeça para observar Arima, que não reagiu às palavras de Chulainn e permaneceu em silêncio. Sentindo o humor pesado, ninguém falou.
Uma hora muito tranquila depois, Arima finalmente completou o último círculo e toda a matriz se quebrou como vidro. Apenas um segundo depois disso, todos começaram a sentir que o fluxo de água estava puxando-os para baixo. E foi ficando mais forte a cada segundo.
Arima franziu a testa. — Essa atração é estranha. É como se toda a água ao nosso redor fosse…oh. — Ele não terminou sua frase e imediatamente nadou para cima a toda velocidade. Ele não precisava dizer nada para que todos o seguissem.
À medida que subiam, as correntes ficavam ainda mais estranhas e caóticas. Quando todos chegaram à superfície, viram um céu totalmente diferente do Inferno. Tinha a cor usual que você veria em quase todos os mundos; um azul claro.
Arima não se preocupou em olhar para cima e imediatamente olhou para baixo. Seu grupo também imitou sua ação.
— Mas que… — Chulainn murmurou enquanto testemunhava o mar lentamente se afastando dele. Mas não era ele subindo, mas o próprio mar descendo.
Depois de um tempo, um enorme som ressoou em todos os lugares, como se um meteorito tivesse acabado de cair. A água vermelha começou a vaporizar e lentamente começou a se dissipar. Então, algo “emergiu” da água. Era um pico de montanha.
Depois desse ponto, era apenas uma questão de tempo. À medida que a água continuava desaparecendo, montanhas, rochas, árvores e até casas eram reveladas. O mar foi drenado até que o solo ficasse visível. O grupo de Arima admirava a cena.
— Ei, há pessoas lá embaixo. — Observou Noturno enquanto olhava para baixo.
O grupo seguiu seus olhos e, de fato, notou as pessoas observando ansiosamente o céu como se estivessem esperando por algo.
— Que estranho. Aquelas casas não sofreram nenhum dano pelo que acabou de acontecer. — Lilis comentou e apertou os olhos. — Além disso, essas pessoas são fracas…
— Você está certa. — Lanya assentiu enquanto seus olhos brilhavam com uma luz azul-dourada. — O mais forte que vejo está apenas no terceiro nível do Reino Mortal.
Chulainn cantarolou e flutuou em direção ao ombro de Arima antes de se sentar nele. — Ei, Arima, eu não sei nada sobre a verdadeira colocação da Origem. Mas tenho certeza de que deve estar além do mar vermelho. Não sei quem disse isso primeiro ou há quanto tempo foi, mas tenho certeza de que não é infundado, considerando que em todo o inferno foi dito a mesma coisa.
— Além disso, há uma coisa que posso dizer sobre este lugar. — Chulainn acrescentou e Arima assentiu.
— Este é um mundo de bolso.
— O que é um mundo de bolso? — Karma inclinou a cabeça e perguntou.
— Um mundo de bolso é essencialmente um mundo menor que existe nos limites de um mundo muito maior. — Respondeu Lilis. — A analogia popular é uma bolha em um sabão. Neste caso, o inferno é o sabão e este lugar é a bolha. Arima, que tal…
Arima se teletransportou para longe antes que Lilis pudesse terminar sua pergunta. Ela suspirou e o seguiu junto com todos os outros.
O lugar em que eles reapareceram era no meio de uma pequena aldeia. Arima ignorou as pessoas olhando para ele e sussurrando umas para as outras enquanto caminhava em direção a uma das muitas casas comuns. Ele colocou a palma da mão na parede e runas brancas se revelaram.
— Entendo, então é isso que os protegeu da pressão da água. — Disse Chulainn e tentou ler as runas. — Essa coisa é bastante intrigante; não usa nenhuma linguagem conhecida.
— É mais do que isso. — Arima respondeu e todos olharam para ele. — Não importa como eu veja isso, não consigo encontrar uma maneira de quebrá- lo. — Afirmou ele e deu um passo para trás.
— O que você quer dizer com você não consegue encontrar uma maneira? — Lilis perguntou.
— Literalmente, não consigo encontrar nenhuma maneira de quebrar isso. Este encantamento é perfeito. Eu sinto que o material em si é a natureza de sua defesa. Nesse caso, a única maneira de destruir isso seria a energia bruta. Mas mesmo assim… Não posso dizer com certeza que é possível. Isso parece mais uma Lei Mundial neste momento. — Explicou Arima e seu grupo ficou sem palavras.
Enquanto conversavam, a multidão ao seu redor continuou se tornando maior até que se separou para deixar passar uma velha em uma cadeira de rodas empurrada por uma jovem.
— Viajantes, posso perguntar sobre o propósito de sua visita? — A idosa perguntou com um leve sorriso de boas-vindas.
Arima olhou para ela e franziu a testa. Ele caminhou até ela e se agachou para fazer contato visual. A expressão da velha se transformou em surpresa. Os olhos de Arima brilharam e ela engoliu em seco enquanto sentia toda a sua existência sendo estudada.
— Você tem o mesmo tipo de encanto em seu corpo. O mesmo para aquela garota atrás de você. Vocês deveriam ser capazes de respirar e viver debaixo d ‘água com isso… — Arima murmurou e se levantou. — “Essas runas parecem ter um poder divino que é ainda mais forte que o de Azes.”
— “Origem é um artefato criado pelo Deus Original. Posso assumir que foi ele quem desenhou essas runas?” — Arima se perguntou e olhou para a velha. — Você sabe alguma coisa sobre a Origem?
Quando Arima mencionou Origem, a compostura da velha desmoronou. — Então você realmente veio aqui para isso? — Ela perguntou com a voz trêmula.
— Sim. — Respondeu Arima e a expressão da mulher afundou. Arima ergueu uma sobrancelha com a reação dela. —Qual é o problema? Você só tem que me dizer onde está.
— Eu não vou te dizer para sair ou qualquer coisa… Eu posso te dizer onde está a Origem. — A velha fez uma pausa. — Mas você não é o primeiro a tentar. Muitas pessoas vieram aqui na esperança de obtê-la. Mas a maioria deles morreu. Enquanto os sobreviventes… eles estão cercando você no momento em que falamos.
— Entendo… — Arima olhou em volta e viu os muitos “aldeões” olhando para baixo. — Parece que não só você não pode deixar este lugar, mas também drena sua força vital. Interessante. Agora, cuspa já. — Ele concluiu indiferente e Chulainn bufou de diversão.
A velha suspirou e assentiu. Ela entendeu que Arima não se importava com o que ela tinha a dizer.
— Tudo bem, para isso, eu gostaria que você se submetesse a um pequeno teste. — Ela anunciou e sinalizou para a garota atrás dela. A jovem acenou com a cabeça e deu um passo à frente. — Sua linhagem foi concedida a capacidade de ver se um indivíduo tinha a disposição necessária para usar a Origem. Se você passar no teste, ela lhe dará uma marca que o levará à Origem. Sua localização está em constante mudança. E só alguém que possua essa marca pode encontrá-la e desafiar o julgamento.
— Por favor, relaxe. — Disse a jovem e agarrou a mão de Arima antes de fechar os olhos. Ela respirou fundo e cantou em silêncio. Depois de alguns segundos, ela lentamente abriu os olhos para olhar para Arima. Mas o que se refletia em seus olhos era algo que a fazia tremer incontrolavelmente.
Na frente dela, dentro de um mundo cheio de sangue e escuridão, um esqueleto diabólico estava lá. Tinha dois chifres em seu crânio e sua estatura nem parecia humana; seus ossos pareciam ter sido moldados para receber dois corações.
A jovem se abraçou. O esqueleto abriu a boca e um grito vociferante perfurou suas orelhas. A jovem gritou, e sua mente voltou à realidade onde Arima estava olhando para ela estranhamente.
— O que aconteceu, Emilia? — A velha perguntou apressadamente.
— E-Eu não sei. Eu vi algo aterrorizante e… perverso… — Emilia sussurrou e estremeceu antes de recuar atrás da velha. — Se eu fosse capaz de ver alguma coisa, isso significa que ele tem as qualificações, mas…
— Entendo. — A mulher assentiu e observou Arima. — Sinto muito, mas posso te perguntar…?! — Ela engoliu as palavras quando o olhar de Arima caiu sobre ela.
— Ouça, apenas me dê essa marca. — Disse Arima friamente. — Ou, talvez você prefira que eu assuma o controle da mente dessa garota e a force a me dar? Qual você escolhe?
A velha empalideceu e assentiu lentamente para Emilia. A expressão da jovem escureceu, mas ela mesmo assim obedeceu. Ela habilmente desenhou um símbolo com o dedo no ar e o fez gravitar em direção a Arima. Este último fez uma careta e pegou o símbolo com a mão. Ele brilhou por segundo antes de aparecer nas costas de sua mão.
— Viu só? Não foi tão difícil. — Disse ele e imediatamente voou para longe quando detectou uma presença.
— Sinto muito por isso. — Lanya sorriu e se desculpou com os aldeões. Ela abriu as asas antes de sair com todos os outros.
— Pare de intimidar essas pobres pessoas. — A voz de Lilis soou enquanto eles estavam se afastando da aldeia. A velha suspirou quando eles deixaram sua visão.
— Eles provavelmente falharão como os outros. — Lamentou ela como se fosse uma certeza. Emilia balançou a cabeça.
— Eu não acho que será como em qualquer um dos tempos anteriores. — Ela retrucou. — O que eu vi em sua alma não foi apenas terrível, mas também extremamente poderoso. Para essa pessoa não ser já louco é a prova de sua fortaleza mental.
A velha senhora arregalou os olhos e olhou para a pupila. — Se é o que você diz. Mas quando você está naquele lugar, qualquer tipo de força é inútil.
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O grupo de Arima chegou ao seu destino em menos de um minuto. O lugar onde Arima foi levado pela marca era, de fato, imensas ruínas. Quando eles pousaram no meio disso, eles imediatamente perceberam que não estava realmente em ruínas por si só. Era o que parecia. A verdade era que nada aparecia destruído e que cada coluna e pedra eram colocadas em ordem.
A coisa toda formou algo semelhante a um círculo e Arima entrou naquele círculo sem qualquer hesitação. O que ele viu lá era uma pequena área circular, com cerca de vinte metros de largura. Havia apenas grama cobrindo-a, e uma armadura preta estava de pé no centro. Quando Arima pisou na grama, a marca em sua mão brilhou e se dissipou.
A armadura negra sacudiu abruptamente e virou a cabeça para o grupo de Arima. Os orifícios do capacete emitiam uma luz vermelha enquanto a armadura puxava sua espada longa.