
Volume 3 - Capítulo 92
Life Hunter
Arima tossiu um pouco de sangue e limpou o que fluía em seu lábio. Ele sofreu danos internos e até mesmo alguns de seus ossos foram quebrados. Ele particularmente sofreu um enorme corte no peito. A dor não foi suficiente para fazê-lo reclamar, mas quando tentou se levantar, ele amaldiçoou.
— Porra. — Ele se sentou e suspirou. Arima fechou os olhos e o encanto em suas roupas começou a funcionar com força total, ele também canalizou sua mana e impulsionou sua regeneração natural.
Enquanto isso, Noturno e Karma começaram a conversar, totalmente imperturbáveis. — {Isso foi surpreendente.} — Comentou o primeiro.
— {Verdade. Claro, eu esperava que o Portão do Inferno fosse algo fora deste mundo. Mas o que aconteceu com Arima agora foi realmente surpreendente.} — Comentou Karma.
— {Sim, quando tocamos aquele portão, aquele crânio irritante instantaneamente abriu a boca e gritou algo. Os ossos então se moveram para atingir Arima. O problema foi a velocidade com que isso aconteceu. Bastante assustador.} — Noturno relembrou.
— {Entendo, então deve ficar tudo bem se destruirmos esses ossos primeiro, não?} — Karma se perguntou e sugeriu.
— {Duvido muito que seja assim tão fácil.} – Devolveu o companheiro.
Arima abriu os olhos e se levantou, totalmente curado e esticado. — Por que diabos vocês estão conversando tão despreocupadamente? Eu estava machucado naquela época, sabe?
— {Ah?} — Os dois intervieram ao mesmo tempo com uma voz realmente confusa e inocente.
— {Arima? Do que você está falando?} — Karma perguntou.
— {Preocupar-se com você é provavelmente a ação mais sem sentido para fazer no mundo agora. E você deve se lembrar que meu corpo também é seu nessa forma, preocupar-se com seu estado significaria se preocupar comigo.} — Noturno deu sua opinião honesta e Arima gemeu.
Ele estalou a língua e olhou para o céu — De qualquer forma, não podemos destruir essa coisa. Para ser exato, é fundamentalmente indestrutível.
— {Por quê?} — Perguntou Karma.
— Deve ser protegido pelo LOM ou algo assim. Eu senti isso quando me usou para defender. Não é algo que pode ser quebrado, pois é algo com o qual nem podemos interagir. — Arima olhou para o portão enquanto explicava.
— {O quê?} — Karma exclamou em choque. — {Então você está me dizendo que temos que assistir enquanto ele faz o que quer?}
— {Não.} — Noturno respondeu. — {É apenas um portão, afinal. Embora seja à prova de Arima, acho que só pode fazer uma coisa: seu dever básico.}
— {Dever?} — Karma perguntou um pouco confusa.
Arima riu e seguiu as palavras de Noturno — Você já se esqueceu? É um ritual de convocação. Para o que você usa um portão geralmente?
Logo depois, como se provasse suas palavras, o crânio brilhou com uma luz vermelha e dourada e depois se dividiu em dois bem no meio. Agora que o portão havia perdido o que o mantinha fechado, ele lentamente começou a se abrir.
Enquanto se abria lentamente, Arima acenou com a mão e milhares de pessoas apareceram na mesma cratera que ele. Todos olharam em volta incrédulos para suas casas destruídas.
— {Quem são eles?} — Karma perguntou quando ela viu isso.
— {Eles são as pessoas que estavam na zona destruída pelo acidente de Arima…} — Noturno respondeu a ela. — {Arima os enviou para outra dimensão antes que o acidente ocorresse para resgatá-los… E você deve aprender seriamente a ser mais observadora Karma.}
— Vocês todos, fujam o máximo que puderem! — Arima falou casualmente, sem sequer olhar para as pessoas que ele acabara de salvar. — Espalhe a palavra e diga a todos que vocês encontrarem para correr na direção oposta daquela coisa.
Ele não precisava apontar para o portão para os ouvintes entenderem. Todos assentiram prontamente e começaram a fugir. Alguns estavam em torno do terceiro e quarto nível e saíram o mais rápido que puderam. Durante todo esse tempo, os olhos de Arima nunca saíram do portão. Já estava meio aberto.
Arima bateu levemente as asas e voou. Ele se aproximou do portão e parou a alguns quilômetros de distância dele.
Mesmo quando estava meio aberto, Arima não conseguia ver nada por trás. Era apenas uma densa tela de escuridão. Ao observar os movimentos do portão, sua expressão de repente azedou.
— Oh merda. — Ele xingou mais uma vez e bateu as asas. Ele se dirigiu para a direção oposta do portão. A força que ele usou para acelerar provocou um estrondo sônico e até criou uma onda de choque que danificou a parte vazia da cidade.
Apenas meio segundo depois, o portão foi aberto e uma poderosa onda sonora se espalhou por toda a cidade, mas especialmente ao redor do próprio portão. Arima não estava longe o suficiente e ele quase caiu novamente por causa do choque intenso dirigido ao seu espírito e aura.
Mas isso não foi o fim, uma explosão ocorreu ao mesmo tempo e tudo ao redor do portão foi instantaneamente demolido, até mesmo o castelo real. Felizmente, o último estava vazio, visto que foi evacuado a tempo.
Era apenas uma questão de tempo até que Arima sentisse uma imensa aura vindo daquele portão. Mesmo ele não pôde deixar de sentir o desejo de fugir imediatamente. Era apenas um instinto natural diante de um ser mais forte.
Arima riu ironicamente. — Já faz um tempo desde que me senti assim. — Ele sorriu e observou com um olhar firme. Karma e Noturno permaneceram em silêncio desta vez.
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Não muito longe da Cidade Central, Karez estava observando o portão do Inferno de um pequeno prado nos arredores da cidade.
Seus olhos ficaram frios e, como geralmente estavam vazios, essa frieza era a única coisa que refletia em seus olhos agora, acentuando o ódio que se podia sentir exalando dele.
— Ele está aqui. — Murmurou Karez, em seguida, desviou os olhos ligeiramente e olhou para a figura no céu, olhando para o portão. — Então, ele é o Demônio Gentil, hein? Espero que dure o suficiente para atrasá-lo. Eu preciso chegar a esse portão.
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Por trás do véu da escuridão, houve um movimento repentino e algo passou. Era uma pata gigante que pisava no ar como se fosse terra firme. Logo foi seguido pelo antebraço.
Já naquele momento, a expressão de Arima estava se contorcendo. “…— Esse cara não é brincadeira. Ele é uma lenda conhecida por todos, mesmo no meu mundo. Que tipo de força ele teria se fosse real?”
Depois disso, era óbvio. Um nariz, então o focinho emergiu da escuridão. Mas não era só um. Eram três. Arima olhou solenemente para três cabeças de cachorro de aparência perigosa. Os três pareciam estar bem calmos, examinaram os arredores juntos.
Então, a segunda perna finalmente apareceu e o resto do corpo seguiu. Mas antes que a coisa toda estivesse fora, a cabeça de uma cobra espiou para fora do véu.
Quando toda a criatura estava fora do portão. Sua figura completa estava lá para todos testemunharem. Todos na cidade viram, mesmo que não quisessem. Eles não podiam escapar da aura ameaçadora vinda do monstro.
O cão de três cabeças tinha uma pele preta e as chamas vermelhas queimavam continuamente em seu corpo como se ele estivesse coberto de fogo. Sua estatura era quase tão grande quanto o portão. Ele tinha cerca de oitenta metros de altura e seu corpo se estendia por mais de cem metros de comprimento. Os três pares de olhos vermelhos estavam estranhamente cheios de calma, mas cheios de domínio. Sua cauda era uma grande cobra preta com olhos verdes.
Arima ergueu uma sobrancelha. — Kerberos… Em outras palavras, Cerberus… Se fosse para lutar contra o cão de Hades, eu teria preferido lutar contra um portão invencível. — Ele brincou e Kerberos se virou para ele quase instantaneamente.
— Você parece ser o ser humano mais forte deste planeta. Foi você quem invocou o portão? — A cabeça no meio perguntou. A voz foi suficiente para dar a Arima o desejo de tapar os ouvidos, já que era extremamente alta e poderosa.
Arima olhou para ele. — Eu não fiz. — Ele respondeu e os dois silenciosamente se entreolharam.
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Enquanto isso, Karez pegou um pergaminho e o rasgou. Os pedaços queimaram e as cinzas se espalharam.
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Os olhos de Arima se estreitaram. Os familiares que ele enviou para perto das masmorras morreram. Todos eles ao mesmo tempo. Ele olhou para Kerberos e ponderou. Ele queria trancar todos os monstros em outra dimensão, mas ele não sabia se aquele cão iria deixá-lo fazer isso.
— Kerberos, me diga uma coisa. Você vai fazer um movimento neste planeta? — Arima perguntou e as três cabeças olharam para ele, surpresas.
— Você é um sujeito interessante. Nenhum ser humano jamais ousou se dirigir a mim tão diretamente. — A cabeça à esquerda ergueu a voz.
— Espere, eu me lembro de pessoas como você. Um veio para o inferno uma vez. Você é um Caçador de Vida. — Comentou a terceira cabeça.
A cabeça no meio ponderou. — Eu pensei que eles estavam extintos. Já se passaram milhares de anos desde a última vez que vi um… Para responder a sua pergunta; já que o portão do Inferno foi convocado aqui, é meu dever destruir todo este planeta agora. É meu destino.
Arima estalou a língua. — Eu não pensei que precisaria usá-lo tão cedo. — Ele murmurou e fechou os olhos. Sua aura começou a aumentar e as três cabeças de Kerberos franziram a testa.
— [Ecce ego dominatus rationibus imponeret meum] (Aqui eu imponho meu domínio).
— [Hoc iusiurandum] (Aqui eu faço um juramento).
— [Hic forte envolvam te cum argento] (Aqui eu te destruo com esta prata).
A marca em suas costas brilhava fortemente e era projetada acima dele.
— Um Imperador de Prata… — As três cabeças comentaram ao mesmo tempo.
— [Omniformis] (Omniforme). — Arima terminou de cantar e seus arredores explodiram. Uma luz prateada e roxa explodiu. Antes que alguém soubesse o que estava acontecendo, uma figura com longos cabelos prateados e olhos roxos brilhantes já estava de pé na frente do Cão do Inferno.
Arima estendeu a palma da mão em direção a Kerberos. — Desculpe, mas você vai precisar esperar por um momento.
A força carregada por sua voz estava agora em torno do mesmo nível que o cão e faria desmaiar qualquer um que não fosse digno de ouvi-la.
— [Altera Rationem Terram] (Território da Próxima Dimensão).
— [Plenum Officii Sint] (Quitação Completa).
Arima cantou e um círculo mágico envolveu Kerberos. Este último franziu o olhar e tentou se teletransportar, mas depois percebeu algo.
— Magia dimensional… — Ele disse com uma voz calma. Ele sabia perfeitamente que as teorias dimensionais eram muito difíceis de combater, já que basicamente significavam cortar a conexão com a superfície do Espaço-Tempo. Ele apenas olhou para Arima antes de ser enviado para outra dimensão. Ele então tentou destruí-la por dentro com sua própria magia dimensional.
Arima evidentemente sentiu isso. — Se eu não me apressar, esse cara vai destruí-la. Eu tenho dez minutos ou menos. — Ele determinou e, em seguida, imediatamente se teletransportou para longe.
Ele foi para cada masmorra e puxou todos os monstros para a outra dimensão. Ele também enviou alguns deles para a mesma posição que o Cão do Inferno. Ele estava tentando impedi-lo pelo menos, mesmo que fosse impossível. Muito provavelmente, os monstros morreriam por causa de sua voz ou fugiriam diretamente.
Depois disso, Arima foi transferido para a mesma corte que ele havia deixado antes para ir atacar o portão. Seus alunos ainda estavam lá.
Quando ele reapareceu diante deles, quase todos caíram de joelhos. Só de ver a figura de cabelos prateados os fez estremecer. Todos viram as escamas negras iluminadas por uma luz prateada e revestidas por uma espécie de brilho roxo.
Arima deu um tapinha no ombro de Arister e transmitiu o que ele tinha a dizer diretamente em seu cérebro. Arister esfregou as têmporas por um segundo e assentiu com um suspiro.
Arima não disse uma palavra. Apenas essa ação simples prejudicaria a todos na escola. Ele ainda não estava familiarizado com o poder dado pela magia prateada e já havia restringido sua aura ao máximo. Ele deu uma última olhada em Lanya também antes de entrar na dimensão onde Kerberos estava.
Arister coçou a cabeça. Ele estava atualmente sob o disfarce de ‘Ares’. Poucos segundos depois que Arima saiu, ele voltou à sua verdadeira aparência e enfrentou os alunos perplexos.
— Arima acabou de me dizer para levá-la a um campo de treinamento. — Ele sorriu ironicamente e declarou.
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Um pouco antes, quando Arima saiu para cuidar do transbordamento de monstros, Karez chegou ao portão do Inferno e tentou entrar no véu da escuridão. Mas ele foi rejeitado e os ossos no portão tentaram derrubá-lo.
Karez apenas acenou com a mão e uma aura estranha impediu que os ossos o atacassem. Ele olhou para o portão com olhos frios e enterrou as mãos na escuridão.