
Volume 2 - Capítulo 36
Life Hunter
No dia seguinte, Arima acordou com a visão de Lilis dormindo na segunda cama enquanto usava Lanya como travesseiro para abraçar. Lanya tinha uma expressão desconfortável como se estivesse tendo um sonho ruim.
“Elas já estavam assim quando eu acordei.” Noturno comentou de um dos cantos do quarto.
Arima encarou as duas garotas. “Lilis, acorde Lanya. Temos que partir logo. Não me façam perder meu tempo.” Ele proferiu e saiu do quarto. Lilis estremeceu e se sentou na cama. Ela riu sinceramente.
“Eu fui descoberta?”
Noturno encarou através dela e deixou o quarto após isso. Já que ele não conseguiria passar pela porta, ele teve que usar um teletransporte de curta distância.
Dez minutos depois, Lanya e Lilis deixaram o quarto e se encaminharam para o bar do restaurante da pousada. Lá, Arima estava silenciosamente bebendo chocolate quente e Noturno estava alegremente comendo um prato cheio de carne cozida.
Arima avistou as duas garotas e engoliu o resto de seu chocolate quente. Noturno limpou seu prato em uma mordida e lambeu os lábios. Arima se levantou, “Vamos, então.” ele afirmou e conjurou um círculo de transferência.
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O grupo reapareceu em um campo vasto. A flora parecia resplandecente e o sol estava brilhando. Mas lá havia um domo gigante de pedra feito de névoa no meio da paisagem.
“…. você poderia ter nos deixado tomar café antes de nos trazer aqui.” Lilis reclamou e Lanya assentiu em concordância.
“Lanya, como entramos?” Arima a ignorou e apontou para o domo antes de levantar seu questionamento. Aquele enorme domo era uma barreira feita por toda a cidade dos espíritos.
“Mh,” Lanya refletiu e andou para frente e para trás do domo. “Aqui.” Ela disse e estendeu seu braço. Ela enterrou sua mão na neblina e ela brilhou prateada. Uma pequena porção do domo se dispersou e um túnel para dentro foi revelado.
“Ai está,” Lanya disse e sorriu.
Arima assentiu. “Obrigado.” Ele acariciou Lanya e entrou primeiro.
Lilis observou isso de trás. Ela piscou e se inclinou para Noturno, “Ei, eles são namorados, ou algo assim?” Ela murmurou e Noturno a contornou para evitá-la.
“Não.” ele respondeu. “A melhor comparação seria o relacionamento entre um pai e filha.” ele declarou e seguiu Lanya, que entrou depois de Arima.
Lilis inclinou sua cabeça, “Pai e filha, huh?” Ela deu de ombros. “não me parece uma descrição inadequada, mas nada é definitivo.” ela riu e foi atrás deles.
Eles levaram um minuto para chegar ao final do túnel.
“Isso é bem impressionante.” Arima pontuou enquanto observava a vista.
O lugar que eles tinham acabado de chegar, era um vasto campo florido. Todos os tipos de plantas estavam desabrochando. Oferecendo uma multidão de cores e combinações e sensações relaxantes.
O grupo dos quatro usou um caminho de pedra que estava percorrendo todo o campo. Arima e Noturno continuaram olhando em curiosidade.
Lanya sorriu. “Não mudou muito desde a última vez que visitei. As pessoas espirituais sempre adoraram ser cercados de verduras e flores.”
“Mh, eu nunca vi claramente esse lugar de cima. É fascinante.” Lilis comentou enquanto tocava uma flor azul no pavimento de pedra.
“Ah, mais da metade das plantas são, na verdade, flores carnívoras. Então, você deveria ser mais cuidadosa.” Lanya exclamou quando notou o que Lilis estava fazendo. A deusa orgulhosa gritou e pulou para trás em surpresa.
Ela corou e tossiu desajeitadamente. “Eu fiquei um pouco surpresa.”
Arima também foi surpreendido. Ele não havia sentido nada deste campo de flores e não conseguia sentir a presença de plantas carnívoras, de forma alguma. O fato de nem mesmo Lilis ter detectado elas, mostrou o quão escondidas elas estavam.
“Talvez porque é apenas um produto da mãe natureza.” Noturno adivinhou e Arima concordou.
“É por isso que você precisa saber como passar da barreira corretamente. Do contrário, você vai se achar nesse campo de flores sem um caminho de pedras em que estamos passando agora. Isso nos deixaria bem no meio de um exército de plantas.” Lanya sorriu e explicou.
Após meia hora admirando o cenário, eles finalmente chegaram em uma cidade. Não havia paredes externas. As casas eram feitas ou de pedra, madeira, terra, ou coisas como água, gelo e folhas. Também existiam casas construídas em cavidades de enormes árvores.
“Wow” Noturno suspirou em admiração e Arima assobiou.
“É adorável.” Até Lilis deu sua impressão honesta. “Embora, não tanto quanto o Paraíso.”
Lanya estava perplexa. “Paraíso?”
Lilis riu. “É o nome do lugar de onde venho.”
“É mesmo? Deve ser um lugar bom.”
“Um lugar bom, huh?” Arima ouviu a conversa delas por alto e murmurou.
Lilis se virou para ele. “O que? Você está dizendo que não é?”
Arima não respondeu imediatamente e andou na frente de todos. “Inalcançável e falso. Você nunca será capaz de criar um Paraíso. Você sempre olhará para cima do Inferno….você já ouviu isso?”
Lilis congelou e seus olhos se estreitaram. Ela encarou Arima de uma forma extremamente séria. No final, ela sorriu misteriosamente e o alcançou. “Isso é uma citação interessante? É sua?”
“Talvez.” Arima respondeu indiferentemente e Lilis riu.
“…o que isso significa exatamente?” Lanya perguntou e Lilis sorriu.
“É simples. Significa que não importa onde esteja, você nunca estará no Paraíso e se você encontrar um lugar que tenha o mesmo nome, significa que você ainda está no Inferno. Basicamente, tudo é o Inferno e o Paraíso é como um sonho impossível.”
Lanya não sabia o que dizer diante disso, então Noturno tranquilamente adicionou algo. “Você esqueceu a parte de ‘criar’. Quando ele disse, ‘você nunca será capaz de criar um Paraíso’ nos indica o fato de que se você tentar, estará criando o Inferno no lugar.”
Arima balançou sua cabeça. “ ‘Paraíso’ e ‘Inferno’. Conceitos tão bobos. Para ser honesto, nenhum desses existe e nunca irão existir. A noção de ‘Paraíso’ em si é contraditória em tantos aspectos e o principal problema é que você precisa estar morto para entrar nesses lugares. Mas se você virar para mim e dizer que você viu o Paraíso ou o Inferno, eu apenas te socaria. Que tipo de merda você pode jorrar quando você está perfeitamente vivo na minha frente? Não importa se você é um fantasma ou um Deus da Morte, se você ainda é capaz de abrir sua boca para expressar seus pensamentos, você está vivo.”
Os olhos de Lilis se expandiram e Lanya teve o mesmo tipo de reação.
“Bem, eu posso dizer uma coisa que você esqueceu.” Arima riu. “O Inferno é sem dúvidas o mais perto de ser real.”
Após um debate ambíguo, eles entraram na cidade. As pessoas vivendo lá instantaneamente os viram. As pessoas espírito eram diferentes daqueles que falamos sobre quando alguém menciona magia espiritual. As pessoas espírito são conhecidas por serem capazes de nascer sem pais. Eles podem nascer de qualquer coisa; ar, água, terra, fogo, madeira, plantas, etc.
As pessoas que estavam encarando o grupo de Arima eram extremamente diferentes uns dos outros. Alguns poderiam ter pele azul ou verde. Outros poderiam crescer chifres e caudas. Eles poderiam ser pequenos como maças e ter uma aparência humana. A maioria deles tinha aparência de pequenos animais. A única característica comum que sempre aparecia todas as vezes, era o par de asas de fada em suas costas.
“Eu meio que gosto deste lugar.” Arima expressou do nada e Noturno o direcionou uma encarada. Enquanto eles estavam andando pela cidade, um tipo de soldado local com pele amarela veio encontrar Lanya e se curvou em respeito.
“Lady Leana, já faz muito tempo.”
“Sim, faz muito tempo.” Lanya sorriu e acenou para o soldado se levantar.
“Você mudou muito. Eu quase não a reconheci. Mas o caminho de pedra que usou foi o especial que a princesa te deu. Ela sentiu instantaneamente e me ordenou a escoltá-la.”
“Entendo. Eu vim com alguns amigos. Diga a Viria que vamos visitá-la logo.” Lanya sorriu gentilmente e o soldado estremeceu.
“Entendido.” Ele respondeu e foi embora imediatamente para entregar a mensagem.
Arima murmurou. “A próposito, quem é Viria?”
“É a primeira princesa desta Cidade Espiritual. Ela também é quem me resgatou trinta anos atrás.”
“Uma princesa, huh? Você tem sorte.”
“Sim, eu também acho.” Lanya sorriu enquanto se lembrava do passado. “Agora que eu penso sobre isso, talvez tenha sido mesmo o dia em que tive mais sorte em toda minha vida. Pessoas espirituais são conhecidas por raramente saírem de suas terras natais. Mas eu conheci a princesa fora daqui.”
“Isso foi favorável de fato.” Lilis disse e abruptamente enrolou seu braço ao redor de Lanya. “Então, existe alguma história ou lugar notável nessa cidade?” Ela perguntou e a expressão de Arima se enrijeceu por algum motivo.
“Huh? Sim, tem uns que eu conheço. Mas eu não sei se eles ainda estão lá,” Lanya respondeu depois de penar um pouco.
“Tudo bem. Espíritos vivem muito. Tenho certeza de que eles estão no mesmo lugar. Se não estiverem, nós procuramos outros.” Lilis sorriu e a tranquilizou.
“Agora vamos.” Ela alegremente adicionou e puxou Lanya com ela.
Arima sentiu como se ele não tivesse escolha e as seguiu silenciosamente com Noturno.
“Arima, eu acho que estamos sendo pressionados. Ênfase nisso. Existem duas garotas bem ali que querem ir às compras. Uma dela é a herdeira de um Deus Terrestre e a outra é uma Deusa Celestial. O que somos? Podemos ser chamados de trapaceiros ou erros. Como você quer lutar contra isso?”
Arima surtou e Noturno se virou para ele em choque. Arima possuía uma expressão ansiosa. A única coisa falando era suor.
“O que há de errado? Eu nunca te vi assim.}”
“Só… um tipo de trauma, eu acho. De quando eu era criança.” Arima grunhiu e reverteu de volta ao seu rosto normal.
“Quando eu tinha treze anos, minha mãe me arrastou por uma semana direto. Tudo porque ela disse que não conseguia encontrar algo que ficasse bem em mim.”
“Oh.” Noturno estava profundamente interessado. Essa era a primeira vez que Arima havia falado de seu passado e soava, surpreendentemente, jovial.
“Se ela te arrastou por tanto tempo só por isso, pode significar que ela se importava muito com você. Eu acho isso ótimo.}”
“…Sim, como você disse. Ela era uma ótima mãe. Honestamente…}” Arima disse a Noturno com um tom suave incomum e se silenciou depois disso.
Noturno o encarou e não perguntou por mais nada. Ele olhou de novo e logo percebeu que ele tinha um grande dilema para se preocupar. Lilis já havia empurrado Lanya para uma loja.
Arima e Noturno grunhiram ao mesmo tempo.
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Duas horas depois, era em torno de meio dia, Lanya finalmente liderou o grupo em direção ao ‘castelo’ da cidade.
“Hummmmmm” A reação de Arima era obviamente exagerada. “O que é aquilo?” ele apontou para ‘aquilo’ e perguntou.
Lanya não conseguia dizer o que havia incomodado Arima e inclinou sua cabeça. “Isso é onde a família real vive e o lugar preferido das pessoas espirituais.”
“Eu…, entendi…” Arima respondeu com um pouco de dificuldade.
O ‘castelo’ que Lanya os levou tinha, primeiro, um grande jardim na frente. Toda a área tinha em torno de dez quilômetros. A segunda coisa que vinha a vista após o jardim era uma estranha estrutura atingindo as nuvens, que era construída para formar um monte de loops e longos caminhos em declive. Fora isso, também havia uma estrutura circular, que se mantinha girando e atraia muita atenção também.
Abaixo de tudo isso, no chão, havia várias pessoas caminhando alegremente. Entrando em diferentes barracas. Havia uma coisa em particular que as crianças gostavam muito. Era uma instalação bizarra, com figuras de diferentes tipos de suportes girando ininterruptamente ao redor do pilar.
Também podiam ser vistos uma multidão de pequenas lojas vendendo lanches, comida, tickets e lembrancinhas.
As sobrancelhas de Arima se contorceram, “Não importa como vocês olhem para isso, isso não é um merda de parque de diversões?”
“Arima você não parece perturbado ao segurar esse algodão doce em sua mão.” Noturno casualmente retrucou.
“O que? Eu gosto desses.” Arima disse despreocupadamente. “Ainda sim, esse lugar é realmente apropriado para a família real residir?” Ele perguntou a Lanya enquanto comia seu algodão doce.
“Não sei dizer. Mas, se não estou errada, esse lugar foi construído a partir da descrição que as pessoas espirituais leram em uma escritura antiga.”
“Uma escritura… antiga?” Arima estava confuso. “(Não, não, não… é sem dúvidas um parque de diversões. Até mesmo esse algodão doce. É muito para ser apenas uma coincidência.)”
“Ah, então foram os espíritos que encontraram.” Lanya murmurou algo e Arima não pôde omitir isso.
“Oi, o que isso quer dizer?”
Lilis estranhamente riu. “Bem, em resumo, um grupo de deuses, que eu faço parte, achou que essa ideia de parque de diversões criado por alguns mundos, incluindo o seu, era atraente. Então, por diversão, nós derrubamos uma tabuleta descrevendo uma dúzia de mundos ou mais. Aparentemente, são os espíritos que fundaram o que deixamos cair nesse mundo.”
“Sério? Vocês deuses não têm nada melhor para fazer?”
“O que? Isso foi durante as longas férias esperadas que vem a cada mil anos.”
Arima o encarou apreensivo. “E você? Por que você tem tempo para estar aqui?”
Ela inspirou e estufou o peito. “Eu sou uma das deusas raras nascidas a partir das emoções dos mortais. Então, eu só preciso existir. É o meu único trabalho. Também, às vezes, eu ofereço bençãos. Por exemplo, a elfa que conheceu antes, o poder que ela tinha de ver emoções foi dado por mim.”
“É mesmo?” Arima mastigou o algodão doce e deu meia volta.
“Ei, não me ignore! Foi você quem perguntou!”