Life Hunter

Volume 2 - Capítulo 24

Life Hunter

Já fazia uma hora desde que Arima havia partido e ele ainda estava cruzando os mares. Mesmo com sua velocidade extrema, ele ainda precisava de pelo menos três horas para chegar ao seu destino. Ele não poderia teleportar, porque não sabia onde iria aparecer.

Enquanto estava voando, ele girou no ar de repente e interrompeu seu movimento forçadamente. A parada brusca causou uma depressão na superfície da água.

Havia um tentáculo gigante bloqueando seu caminho. E depois disso, sete outros tentáculos surgiram da água e o cercaram.

“Maldito Kraken.” Arima disse e olhou para baixo. Uma sombra estava gradualmente aumentando embaixo da superfície da água e uma enorme boca circular emergiu e ameaçou engoli-lo.

Superbia. ” Ele chamou seu rifle e apontou para a boca do monstro. “ Canhão Elétrico.

Arima entoou e apertou o gatilho. Um grande pilar de energia negra cercado por raios penetrou através do corpo do enorme polvo e destruiu seu cérebro. A grande criatura morreu instantaneamente e seu corpo começou a flutuar acima da água. Seu corpo tinha cerca de trinta metros e cada um de seus tentáculos media vinte metros.

Arima olhou para a carcaça e ponderou por um minuto antes de pousar em sua cabeça.

{O que vai fazer?} ” Noturno perguntou.

“Normalmente, sua força vital ficaria aqui por um tempo. Pensei em tentar isso.”

Arima posicionou sua mão no polvo. “ Caça à Vida. ” Ele entoou e seus olhos brilharam. Ele sentiu seu corpo ficando um pouco mais forte.

“É insignificante comparado à quantidade que recebi do Papa. Talvez seja porque ele era um portador do poder de Deus que eu recebi aquela quantidade.” Arima adivinhou e olhou para o cadáver do polvo. Ele balançou sua mão e o guardou em seu armazenamento após congelá-lo.

Enquanto estava usando magia de gelo, ele sentiu algo estranho. Quando checou o que era, sua mente ficou em branco.

{Arima?}

“…Não é só meu corpo e mana que melhoram, minha afinidade e habilidade com os elementos também mudam. Acabei de checar. Minha habilidade com magia de luz aumentou pelo menos em dois e agora minha habilidade com água aumentou em alguns níveis também.”

{Então isso não significa que você pode conseguir controle absoluto sobre os elementos?}

Arima gunhiu. “Esse poder… Não sei de onde vem, mas parece ser interessante. Mas eu acho que só é vantajoso quando eu absorvo a força vital de pessoas tão fortes quanto, ou mais fortes que eu.” Ele alegou e continuou sua viagem.

Durante as duas horas restantes do voo, ele se encontrou com alguns outros monstros marinhos. Ele os matou e tomou suas forças vitais. Quando finalmente detectou terra firme no horizonte, ele já havia colhido sete grandes bestas e sua afinidade com a água havia dobrado.

Quando Arima chegou no continente, ele pousou na praia e usou vento para se limpar da areia e da água. Para onde ele olhasse, só conseguia ver áreas rochosas. Ele considerou escanear o local, mas desistiu da ideia. Pelo que havia lido, as pessoas desse continente eram, sem dúvidas, mais fortes que ele. Aparentemente, os ranks da guilda alcançavam os SS e SSS aqui.

Arima decidiu adentrar o continente. Pelo que ele leu, esse continente era do tamanho da Rússia do mundo antigo.

Arima continuou a avançar em terra por dez minutos até chegar em uma área florestal. Ele franziu o cenho e entrou. Ele se deparou com alguns monstros insetos lá dentro. Ele podia matá-los com uma única bala de Ira. Graças ao oricalco, o poder de suas armas havia aumentado em grande quantidade.

Ele continuou assim até achar um monstro que pudesse aguentar suas balas. Era um aracnídeo gigante. Ele olhou para Arima como se ele fosse uma presa. A aranha abriu sua boca e fez um barulho estridente.

“Cala a porra da boca.” Arima murmurou e atirou um raio negro na cabeça da aranha, que explodiu em uma chuva de sangue azul claro. Ele então abaixou sua arma, que ainda tinha faíscas ao redor dela.

“Nunca gostei de aranhas mesmo.” Ele grunhiu e continuou a andar até sair da floresta. No momento em que ele saiu da sombra das grossas árvores, ele chegou na fronteira de uma terra árida. Até onde seus olhos puderam ver, só havia deserto.

“Que merda tem de errado com a formação natural daqui? Essa é a geração de bioma de um jogo ruim?” Arima surtou, mas mesmo assim pisou na areia com uma expressão serena. A razão por ele estar andando ao invés de voando era para poder sondar o terreno.

Quando ele deixou as proximidades da floresta, o chão tremeu e uma quantidade de terra emergiu. Arima não conseguiu ver nada até a areia cair. Suas pupilas tremeram e estreitaram quando ele reconheceu a coisa que pulou da areia. Na frente dele tinha uma enorme centopeia o encarando e estava pronta para atacar. Suas presas e antenas se moveram e ele fez um som nojento.

A expressão de Arima se contorceu algumas vezes antes dele se teleportar para longe. Ele reapareceu no céu, quase um quilômetro de distância do chão.

{…É só eu ou você estava com medo agora?} ” Noturno estava segurando o riso ao perguntar.

“…” Arima estava quieto quando esfregou o rosto. “Você tá vendo aquela coisa lá embaixo?”

{Hm? O que que tem?}

“Imagina a mesma coisa, só que menor. Suponha que existem centenas delas. Imagine elas rastejando na velocidade da luz enquanto fazem esse barulho e sobem no seu corpo e….”

{Ok! Entendi seu ponto.} ” Noturno o interrompeu antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.

Arima suspirou e olhou para o chão. Uma pessoa normal não seria capaz de ver tal coisa, mas para ele era fácil demais.

“Eu deveria ter feito isso desde o começo, afinal de contas. Começamos bem.” Ele reclamou um pouco e olhou em volta. Ele localizou uma pequena cidade algumas dúzias de quilômetros de distância de onde estava agora. Bem próxima ao deserto.

Arima mergulhou e voou naquela direção a uma alta velocidade. Conforme ele se aproximava, sua expressão mudava drasticamente. Ele balançou suas asas e pousou gentilmente em frente ao portão da cidade.

Ele olhou para os guardas com o cenho franzido. “O que é isso?”

Os guardas no portão não eram humanos. Ele eram goblins, kobolds, gnomos, golens, pequenos mortos vivos… Em resumo, eles eram monstros classificados como os mais fracos.

Quando Arima apareceu diante deles, ele ainda estava em sua forma dracônica. Ele surpreendeu os guardas e eles logo começaram a gritar.

“Inimigo!”

Quando Arima ouviu aquilo, sua já estranha expressão se transformou ainda mais. Ele os escutou falarem agora mesmo. Ele não ligava sobre esse fato em particular. Afinal de contas, se eles conseguiram construir uma cidade, eles com certeza tinham um meio de comunicação.

O que chocou Arima era que ele os escutou como se fossem humanos reais falando português fluente. Ele começou a achar que Deus talvez tivesse dado a ele algo muito mais extravagante.

“{O que foi isso?}” Noturno questionou confuso.

“{Parece que acabamos em um território de monstros. Talvez tenhamos nos desviado demais da rota original enquanto estávamos caçando.}” Arima coçou a cabeça.

Esse continente era especial em sua divisão territorial. Basicamente, ele tinha três territórios diferentes. Um deles pertencia, é claro, aos humanos e todas as outras raças. O segundo era lar apenas das bestas. O último era o que Arima estava agora, território dos monstros.

Arima terminou sua ressonância e observou a torre e as expressões rígidas dos monstros a protegendo. Quando Arima se tornou um humano normal de novo, um nobre dragão preto e vermelho estava ao seu lado. Os monstros quase desmaiaram com a visão.

“Ei, se você tem um chefe, traga-o até aqui. Eu quero falar.” Arima se pronunciou. Ele assumiu que se ele podia entende-los, eles também poderiam entender suas palavras.

Como esperado, os monstros ficaram inquietos quando ouviram um humano falando sua língua, mas ainda sim chamaram o chefe. Eles o fariam de qualquer jeito mesmo.

Em apenas um minuto, um estranho monstro apareceu. Era um monstro velho e pequeno com a pele azul. Arima reconheceu aquele monstro como um goblin sábio, um goblin irregular que era inteligente e dotado de magia.

“Por que você me chamou, humano?”

Arima sorriu. “Nada demais, parece que os livros não conseguiram descrever bem a situação correta desse continente, então gostaria de lhe fazer umas perguntas.”

O velho goblin fechou seus olhos e inspirou. “Entre.” Ele disse e virou as costas para Arima conforme adentrava a cidade novamente.

Arima o seguiu e todos mantiveram distância. Noturno se transformou em um lobo novamente. Ultimamente ele começou a se acostumar com esse corpo ao ponto de o achar mais confortável que sua forma original.

Arima rapidamente avaliou as moradias enquanto seguia o goblin. Elas eram todas feitas de argila, pedra ou madeira. Eram apenas construções rústicas, para ser honesto.

O velho goblin levou Arima até uma casa feita apenas de madeira. Considerando o trabalho artesanal, era bem luxuosa em relação as outras casas. Lá dentro, Arima se sentou em uma cadeira de madeira e o velho chefe andou pelo cômodo.

“Então, o que quer saber?” O goblin perguntou após jogar um pedaço de lenha na lareira. Ele se sentou e esperou Arima falar.

“Bem, primeiro, onde eu estou agora?” Arima perguntou e os olhos do goblin se expandiram.

“Dali?” Ele exclamou, mas seguiu dizendo a Arima onde estavam.

A cidade era chamada Rolec. Era situada na retaguarda do país. Os monstros mais fracos viviam ali. Aparentemente, se você for profundamente dentro do continente, você irá encontrar monstros mais fortes que estão batalhando contra os humanos e bestas todos os dias. Existiam o que você poderia chamar de linhas de frente separando cada território. Mas não era realmente uma guerra. Era apenas algo que se tornou natural, lutar nas fronteiras.

“Então vocês são monstros que não lutam e ficam na retaguarda do território?”

O goblin sorriu sarcasticamente. “Sim, você poderia dizer isso.”

“Quero te perguntar uma coisa. Você é um monstro. Não duvido do que estou vendo com meus próprios olhos. Mas nunca ouvi falar de monstros que eram capazes de viver civilizadamente.”

“Você não está errado, mas ao mesmo tempo está.” O velho goblin sacudiu sua cabeça. “Nós monstros somos do tipo que possui desejos carnais ao nascer. De início, vivemos por isso. Mas algo assim também pode ser dito sobre os humanos. Se vocês humanos fossem crescer na natureza, vocês também se tornariam como nós em uma extensão. Nos tornamos monstros em primeiro lugar porque fomos tratados assim pelos outros.”

Arima refletiu por um segundo. “Justo.” Ele descansou as costas na cadeira e sorriu. Ele pegou alguns doces de seu armazenamento e começou a comer.

“O que devo fazer?” Arima murmurou para si mesmo. Ele olhou para o goblin azul. “Me diga sobre as motivações de cada lado.”

“Motivações?” O goblin inclinou sua cabeça.

“A razão por estarem lutando uns com os outros.”

O goblin ponderou por um momento antes de responder desconsertadamente. “As bestas querem vingança contra os humanos por terem sido usadas como armas vivas… Os monstros também querem vingança contra os humanos…. E a partir disso, bestas e monstros também lutam entre si por nem sempre estarem de acordo… Eu acho que esse é o motivo principal.”

“Se quer dizer algo, diga.” Arima mordeu seu chocolate e insistiu que o velho goblin verbalizasse seus pensamentos.

O goblin estava quieto. Ele abriu sua boca após alguns segundos. “…É culpa dos humanos.”

Arima explodiu em gargalhadas e Noturno suspirou. “É engraçado. Realmente.” Arima restringiu sua risada e sorriu.

“É realmente hilário como os humanos são capazes de sempre serem o problema em tudo.” Ele exalou preguiçosamente. “Por que sinto que o mundo está me pedindo pra tomar conta dele?”

“O que você quer dizer?”

“Esqueça isso. Me dê cada pedaço de informação que tiver sobre os líderes dos humanos, das bestas e dos monstros.”

O goblin pegou um papel bruto para escrever e começou a contar tudo que havia aprendido de seus precursores.

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