
Volume 1 - Capítulo 14
Life Hunter
Quando Arima chegou ao salão, James já estava esperando por ele.
“Sr. Blade, por favor, me siga.” James pediu para Arima o seguir e deu meia volta. Ele parecia já ter superado seu medo inicial e estava agindo normalmente diante de Arima.
“Pare de me chamar assim. Arima está bom. Da última vez que alguém me chamou do jeito que está me chamando, ele tentou me assassinar. Eu tive que matá-lo no final.”
E mais uma vez sua compostura foi destruída. ‘ Ele está fazendo isso de propósito ou o quê?! ’ James gritou em sua mente.
Arima o seguiu com Noturno atrás deles, ele havia voltado a assumir a forma de lobo. Eles logo alcançaram um tipo de tesouraria com uma pilha de moedas arrumadas perfeitamente sobre a mesa.
“Esse é o seu prêmio, mil ouros. Você pode pegar, ou se preferir prata branca, você pode pedir.” James sorriu, mas Arima congelou.
“O quê?”
“O que foi?” James estava confuso e Noturno inclinou sua cabeça.
‘ Verdade! Eu estava tão focado na audiência com a família real que eu esqueci sobre o prêmio. E é de mil ouros! Somente isso já foi suficiente para compensar pela minha participação. ’ Arima fingiu uma tosse.
“Nada. Sombra, Devore ” Ele guardou todas as moedas douradas dentro de sua sombra.
“Entendo, tudo bem. Agora, eu irei agir como um emissário e te conduzir até o castelo. Podemos ir?”
“Claro.” Arima imediatamente concordou.
“Então vamos.” Eles deixaram o coliseu juntos e seguiram em direção ao centro da cidade. Assim que se aproximaram, eles conseguiram ver o castelo mais claramente.
Ao chegarem, Arima avaliou o palácio e pensou que se assemelhava em muito aos antigos castelos Europeus. James se aproximou dos portões e conversou com os guardas estacionados lá. Um deles adentrou o forte e retornou cinco minutos depois. E então autorizou a entrada de ambos.
Após passar pelos portões, eles passaram por um corredor cheio de decorações, caras e baratas. Lá, um velho mordomo os deu as boas-vindas.
“Saudações, senhores. A Rainha e a princesa irão recebê-los em breve. Me sigam, por favor.” O velho mordomo então os levou até uma luxuosa sala, que era, aparentemente, uma sala de espera. E por ter concluído seu trabalho, James deixou o palácio.
Dez minutos depois, Arima foi chamado. Ele quase pegou no sono enquanto esperava. Ele foi levado a um enorme corredor pelo segundo andar. A sala do trono tinha aproximadamente 2.500m2 e uma das paredes era feita inteiramente de vidro, deixando o ambiente iluminado pela luz do sol. Também havia um corredor de pilares do outro lado, o que deixava o lugar ainda mais majestoso.
Existiam três assentos no fundo. Um era o trono do rei e os dois outros, provavelmente eram da rainha e princesa. Mas, agora, o trono era ocupado pela rainha e um dos assentos menores estava vazio. Como esperado, o rei não estaria presente.
“Você é Arimane Blade?” A Rainha perguntou calmamente.
“Sim, eu sou. É um prazer conhecê-la.” Arima estava no meio do salão, ele não estava se curvando ou ajoelhando, mas ainda possuía uma postura respeitosa. Noturno se sentou sem se importar com a situação. Alguns membros da corte presentes estavam insatisfeitos com essa atitude, mas decidiram não falar nada se a rainha também não mencionasse.
“Parabéns pela vitória no torneio. Você parece ser bem forte, de acordo com o que ouvi. Pelas palavras de meus soldados, você nem estava usando toda a sua força.” Ela o elogiou.
“Obrigado,” Aroma sorriu e assentiu. “E então?” Seu tom mudou e ele perguntou de cara.
A rainha estremeceu, mas suspirou no final. “Parece que é bem inteligente também. Não vou enrolar, então. Você irá ajudar o reino?” A Rainha curvou sua cabeça. Esse sinal de respeito era o melhor que ela podia fazer em público como a governante temporária.
Arima sorriu maliciosamente. “E se eu te disser que posso destruir o Império pra você? Acreditaria em mim?”
“O quê?” A Rainha não pôde evitar o choque diante dessas palavras. Até a princesa que estava escutando por trás, e que não havia demonstrado nenhuma reação até ali, estava estupefata. As outras pessoas presentes levantaram suas vozes. Algumas soavam desacreditadas.
A rainha gesticulou com sua mão e os silenciou. “Por que está dizendo isso?” Ela achou estranho. Era verdade que ela queria achar novos talentos com o torneio. Era sua última esperança. Ela sabia que existiam pessoas cuja força faria um continente inteiro tremer com o medo. Mas não havia motivo para o homem em sua frente fazer esse tipo de proposta.
“Porque eu posso. Mas tenho medo de que isso seja apenas uma possibilidade. Agora, não irei fazer nada. Somente queria chamar sua atenção. Ao invés de te ajudar com essa guerra, me deixe ver o rei. Eu posso ajudá-lo.”
Por fim, a rainha perdeu a compostura ao ouvir o título de seu marido. “….Por que eu deveria confiar em você?”
“Que tal isso? Se eu não conseguir curá-lo, irei te ajudar na guerra sem pedir por nada em troca. Você não sairá perdendo nada, não é?” Ele sorriu. “Também não existe risco de eu tentar assassinar o rei, porque se estou certo, o rei vai morrer em breve não importa o que eu faça.”
Com isso, ela congelou. Se o homem em sua frente pudesse realmente curar o rei, esse seria o dia mais feliz de sua vida. Ela cerrou os dentes. “Tudo bem, eu o deixarei vê-lo. Não, quero que o salve, por favor.”
“Majestade!” O primeiro ministro gritou urgentemente.
“Basta! Já tomei minha decisão.” Ela vociferou. “Venha comigo, Arimane.” Ela se levantou e foi em direção aos quartos atrás da sala do trono, sua filha a seguiu e encarou Arima.
“O que está tentando fazer?” Noturno perguntou.
Arima sorriu. “Negócios.”
A rainha os conduziu a uma porta enorme feita de madeira maciça. O quarto por trás, ocupava o equivalente a metade da sala do trono, até mesmo uma cama Queen-Sized parecia um móvel comum neste quarto.
‘Sério? Esse quarto é maior que minha antiga casa.’ Arima pensou. ‘ Bom, obviamente, não tanto quanto meus aposentos atuais, mas ainda sim…. ’
A rainha e sua filha caminharam em direção a cama com olhares preocupados, Arima também se aproximou da cama. Deitado lá, estava um homem de meia idade, corpulento e com boas feições, porém, sua pele estava pálida, sua testa cheia de suor e ele estava respirando pesadamente.
Arima olhou para a rainha e ela assentiu. Arima posicionou sua mão acima do rei.
“Os melhores curandeiros do país tentaram, mas não conseguiram curá-lo. Como você planeja fazer isso?” A princesa falou pela primeira vez, e era para menospreza-lo.
Arima olhou para ela com as sobrancelhas franzidas. “Não estou usando magia de cura. E a partir de agora, não fale nada.” Ele odiava pessoas que estragavam o momento e começavam a dar suas opiniões estúpidas. Ele geralmente era gentil com crianças, mas somente àquelas que se comportavam bem.
A princesa estava prestes a explodir, mas parou quando recebeu o olhar de sua mãe.
“Avaliação” Arima proferiu sua magia e uma luz azul escaneou o corpo do rei. Na mente de Arima surgiu um modelo detalhado do corpo do rei. Da pele ao osso, estava tudo lá. Ele inspecionou por um momento.
“Oh!” Arima exclamou.
“Você achou alguma coisa?” A Rainha logo perguntou.
“Bem, sim, eu achei o problema.” Arima apontou seu dedo e enviou mana através do corpo do rei. Como ele estava inconsciente e fraco, a mana pôde facilmente penetrar suas defesas naturais. E então no momento seguinte, uma fumaça preta se tornou visível acima de seu abdômen.
A expressão da rainha escureceu gravemente. “O que é isso?”
Arima balançou a mão na fumaça e conseguiu capturar uma parte dela antes de se dissipar. “Maldição. Magia de atributo morte.”
“U-uma maldição?” A princesa estremeceu. A expressão de sua mãe desabou.
“… Como você sabe?”
“Eu já me envolvi com magia da morte até certo ponto. Mas a aura de morte que saía de mim era tão forte que quase perdi o controle.” Ele disse, enquanto pensava. “Eu estava quase libertando uma maldição de tamanho imensurável.” Ele admitiu casualmente.
“O quê?” Mãe e filha não sabiam como reagir. Mas a rainha logo colocou suas prioridades a frente. “Você consegue dissipar a maldição?”
“Sim, mas essa maldição é um pouco especial. Se não fosse, os outros curandeiros já teriam detectado e dissipado.” Ele explicou. “Mas, enfim, o que estou prestes a fazer é algo que vocês não deveriam ver. Escuridão ” Arima e toda a cama foram engolidos por uma caixa preta e a rainha e sua filha ficaram esperando do lado de fora.
“O que é isso?” A princesa olhou para a parede escura em sua frente.
“Vamos esperar…” Sua mãe disse com uma expressão sombria.
Dentro da caixa preta, Arima pegou uma faca e fez uma incisão no abdômen do Rei. Ele usou magia para esterilizar o ar, a faca, e para diminuir o fluxo sanguíneo do rei. Ele cortou até que o estômago estivesse aberto, colocou sua mão dentro dele e tirou algo de lá. Ele curou a incisão, limpou o sangue e desfez a caixa preta.
O que a rainha e sua filha viram primeiro foi Arima segurando uma espécie de pedra negra em sua mão, emanando a mesma fumaça preta de anteriormente. A segunda coisa que viram, foi o rei, que aparentava ter recuperado a cor e estabilizado sua respiração. Agora parecia que ele estava apenas dormindo.
“Querido!” A Rainha correu de encontro a cama para checar seu marido. Quando percebeu que ele estava curado, ela ficou com os olhos lacrimejantes. Sua filha se animou também, ela olhou para Arima. “O que é essa pedra?”
Arima olhou para ela. “É uma pedra encharcada com magia de morte. Estava escondida em seu estômago e não importa quantas vezes a maldição fosse dissipada pelo lado de fora, porque ela sempre voltaria de dentro por causa dessa pedra.”
Ele levantou a pedra e a inspecionou minuciosamente. “ Expelir ” A pedra foi coberta por uma luz azul e voltou ao estado de uma pedra cinza comum.
“Eu expeli a magia de dentro, é só uma pedra agora.” Arima disse enquanto brincava com ela. “Deve ter entrado no corpo dele em forma de pó. Então esse pó se condensou dentro do corpo dele e virou uma pedra. E como estava no estômago, você deveria encontrar os indivíduos que entraram em contato com a comida do seu marido.”
A rainha deixou o lado de seu marido e se curvou gentilmente em direção à Arima. “Muito obrigada. Vou fazer o que disse.”
“Ele deve acordar logo.” Arima adicionou e então se virou. “Então, tchau.”
“Quê? Espera! Por que está indo tão rápido? Temos que recompensá-lo.” A Rainha disse apressadamente.
“Não há necessidade. A propósito, me deixe te dizer algo. Uma mensagem para seu Rei: ‘Tenha cautela antes de virar suas costas para alguém.’ É algo que sempre me manteve vivo.”
Após dizer isso, ele partiu com Noturno.
Do lado de fora do castelo, Arima estava relaxando encostado em uma parede olhando o castelo de longe enquanto comia doces.
“O que foi aquilo no final?” Noturno perguntou.
“Você não entendeu? É simples. Agora que eu curei o rei, eles me devem um favor. Porque acha que fui embora tão rápido? Assim, eles não podem me recompensar e eu tenho um débito com eles por fazer algo que não me deu trabalho nenhum. E agora que o rei está vivo, esse país deve sobreviver. E se eu um dia ajudá-los de novo, vou poder pedir duas coisas.”
“Você fez tudo isso só por isso?”
“É claro. É um hábito que tenho, de fazer pessoas importantes me deverem favores.”
“Um hábito? Que tipo de hábito é esse?” Noturno expressou uma reação confusa.
Arima o ignorou. “Então, o que faremos agora? Acho que podemos ir até a Aliança. Eu de verdade não quero ir até o Império, e além do mais, Lifa me deve um favor também.” Ele parou e sorriu para Noturno. “Viu? Tudo fica mais fácil quando as pessoas te devem um favor.”
“Verdade, verdade…” Noturno apenas concordou.
Arima levantou a cabeça e olhou para o céu. “Vamos para a pousada, vamos partir amanhã.” Ele disse e começou a andar primeiro.
Noturno o olhou por trás. “Como eu acabei com esse cara?”
Ele gargalhou amargamente quando se lembrou que havia nascido de sua alma e então foi atrás dele.