O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 345

O Cavaleiro em Eterna Regressão

345. Que tipo de pessoa um rei deve ser?

—[?25hQue tipo de pessoa um rei deve ser?

Marcus perguntou de repente.

Encred não pensou profundamente.

Como alguém que sempre vivera para conseguir o que queria, ele apenas disse o que diria de qualquer forma.

— Quem quer fazer, faz.

Em resposta, Marcus disse outra coisa em vez de comentar.

— Eu também pensava assim há alguns meses.

— E então?

Quem deveria fazer isso se não fosse a pessoa que quer?

— Posso responder a isso?

Era do lado de fora do restaurante.

Marcus não viera sozinho. Os olhos de Encred se voltaram para o lado de fora do restaurante.

— Você atraiu atenção sem querer, Marcus Weissar.

Um homem gritou do lado de fora do restaurante.

— Essa também era a minha intenção. Eu gosto desse tipo de atenção, então não se preocupe com isso.

Marcus respondeu, virando o corpo para o lado.

O homem do lado de fora chamou a atenção de todos.

Para o senhor do castelo, era um rosto desconhecido; Kreis achou que já o tinha visto em algum lugar; e, para Encred, era um rosto familiar.

Era um homem loiro.

Enquanto o homem rondava por ali, o soldado que vigiava a entrada do restaurante perguntou com o olhar se podia deixá-lo entrar.

Não havia curiosos por perto.

Não era um duelo, apenas um encontro em um restaurante para tomar uma xícara de chá, então o que haveria para ver?

Kreis também pedira para dispensar os curiosos com discrição.

Não se sabia o que seria dito, então era melhor que houvesse pouca gente ouvindo.

Esse era o mesmo motivo pelo qual dois soldados de confiança estavam posicionados na frente del restaurante.

O homem do lado de fora sorriu abertamente ao olhar para os dois soldados.

Era um sorriso que parecia pedir para entrar.

Suas roupas não eram as de um aristocrata; ele vestia uma camisa marrom simples e calças folgadas.

O soldado estava confuso.

Devia expulsá-lo?

— Deixe-o entrar.

Encred deu a resposta. O senhor do castelo também não disse nada. Ele parecia não conhecer Marcus?

As botas do homem ecoaram contra o chão de pedra do restaurante.

O homem loiro se aproximou e parou na frente de Encred.

Ele tinha estatura média, e seus olhos azuis e tristes se destacavam.

O homem abriu a boca.

— Há quanto tempo.

— Você está aqui como um nobre?

Encred levantou-se e falou em tom firme.

Da última vez que estiveram no mesmo alojamento temporariamente, ele era um soldado. E agora? A pergunta de Encred tr

razia essa implicação.

— Vá com calma. Agora sou apenas um andarilho, um viajante.

— O nome continua o mesmo?

— É Krang.

O homem ajeitou os cabelos loiros para trás e fez uma saudação formal. Ele estendeu a mão, oferecendo um aperto de mã

ãos.

O aperto de mão era um cumprimento que surgira como prova de que nãohavia armas nas mãos de nenhum dos dois.

Encred apertou-a, sacudiu-a de leve e a soltou.

Só então Kreis se lembrou de quem era.

Kreis raramente esquecia um rosto, mas já fazia muito tempo desde que o vira, e apenasde passagem.

Ainda assim, por ser Kreis, ele conseguiu se lembrar.

— Aquele alojamento de plantão daquela época?

Kreis perguntou por reflexo.

— Exato. Você é um soldado com uma memória excelente.

Krang respondeu e também cumprimentou de leve o senhor do castelo com os olhos.

— Quem é você?

Graham perguntou, erguendo o corpo avantajado com hesitação. Marcus respondeu imitando as palavras de Krang.

— Um andarilho, um viajante... E deixe-me acrescentar mais uma coisa a isso, hum...

Marcus tentou tomar um gole de chá sem falar, mas ao perceber que o gosto estava terrível, limpou a garganta e abriu

 a boca.

— Um bastardo.[1]

Marcus não parecia ter a menor intenção de se levantar. O senhor do castelo, vendo isso, levantou-se hesitante e volt

tou a se sentar na cadeira.

Encred e Kreis também se sentaram. Krang, naturalmente, também se acomodou.

O senhor do castelo não percebeu, mas a expressão de Kreis mudou por um instante, como se tivesse notado algo ao ouvi

ir a palavra "bastardo".

Krang olhou para todos e sorriu. Ele tinha o mesmo sorriso de antes.

Era um sorriso um tanto travesso, mas que também demonstrava uma simpatia capaz de fazer qualquer um sentir que podia

am se tornar amigos facilmente.

Encred pôde notar uma leve cicatriz na bochecha dele, mas sua expressão continuava a mesma de antes.

— Este inverno tem sido particularmente frio. Vocês estão bem?

Krang perguntou.

Encred respondeu à pergunta inesperada.

— Quando se está rolando em um saco de dormir no acampamento, a gente se esquece do frio.

— Ouvi dizer que você passou por momentos bem quentes.

— Mas parece que você também teve um período bem confortável por aí?

— Eu queria passar a vida inteira vestindo um casaco de couro aquecido no inverno e contemplando as flores na primave

era.

Krang falou com um sorriso no rosto, e Encred apenas se impressionou com o homem.

Um bastardo... filho de quem?

Como esperado, um bastardo que usaria um membro da família Weissar como chamariz.

Uma família nobre e uma linhagem que podia ser considerada parte da família do Polegar.

— Você é da realeza.

Kreis deu a resposta.

Para começar, o outro não parecia ter a menor intenção de esconder isso.

Era uma conversa que deixava muito espaço para especulações.

O fato de o inverno ser frio referia-se ao campo de batalha pelo qual Encred passara; por outro lado, embora Krang nã

ão tivesse ido ao campo de batalha, ele dava a entender que lutava uma guerra semelhante nos bastidores.

Krang apenas sorriu diante da resposta de Kreis.

Graham começou a se perguntar se deveria mesmo estar ali.

— Graham, você não tem um bom chá no seu escritório? Vamos tomar uma boa xícara de chá lá.

Marcus salvou Graham.

— Sim, temos. Vai agradar perfeitamente ao seu paladar.

Ele guardara algumas folhas de chá caras, imaginando se poderia oferecê-las a Marcus, que lhe havia transferido o ca [?25l[?25lr

rgo de senhor do castelo.

Sob a orientação de Marcus, apenas o escolta com o chicote permaneceu, e os demais se levantaram.

— O que significa isso, Marcus?

Graham sussurrou para Marcus enquanto saíam.

— O que parece para você?

— Parece melhor fingir que não sei, mesmo sabendo.

— Faça isso então.

Graham era um homem que conhecia bem o seu lugar. Marcus apreciava especialmente esse ponto.

Mesmo que sob seu comando houvesse homens como Encred, ele era um homem cuja determinação não se curvaria nem quebrar

ria.

— Sirva-me o chá.

— Sim, vamos.

Graham apressou os passos sem dizer mais nenhuma palavra.

Mesmo depois que Howie e Graham saíram após levarem uma bronca de Marcus, Kreis não se mexeu.

Mesmo se eu saísse dali, meu capitão não acharia estranho.

Não, não importava as loucuras que dissessem ou fizessem, o capitão não era do tipo que escolheria um lado de repente

e.

Mas e se acontecesse o inesperado?

Sempre havia essa possibilidade.

Com a imaginação ansiosa fervilhando, ele achou melhor pelo menos observar de perto.

Desde o momento em que percebeu que o oponente era o filho bastardo da família real, Kreis cogitou dezenas de possibi

ilidades ao mesmo tempo.

Era natural que ele também pensasse em formas de reagir a cada uma delas.

Por exemplo, se o homem pedisse para se juntarem a ele imediatamente.

Como se filiar a uma ordem de cavaleiros que sequer fora estabelecida ainda.

Dizendo que deveriam jurar lealdade à família real.

Ou oferecendo uma grande quantia de Cronas.

‘Não, será que isso seria bom?’

Se a quantia de Cronas fosse suficiente, não haveria problema em fingir lealdade por um tempo?

E se aquelas Cronas fossem suficientes para abrir cinco salões na capital?

‘Não.’

A velocidade de raciocínio de Kreis era tão rápida quanto a de Encred manejando uma espada, e ocorria de forma tão si

imultânea quanto a de Rem usando várias armas ao mesmo tempo.

Em outras palavras, assim que começava a refletir sobre algo, ele logo chegava a uma conclusão.

‘Não se deve confiar no que os políticos dizem.’

O outro homem sentou-se ali tendo Marcus às suas costas. Um famoso articulador, ele era quem trouxera a família do Po

olegar, uma das cinco famílias que apoiavam Naulilia, para chamar a atenção.

Ele também pôde compreender como um membro da família real fora parar ali. As roupas e o comportamento diziam tudo.###TAG###/p>###TAG###

‘Ele está andando por aí escondendo a identidade.’

Qual seria o motivo para se esconder?

‘Ele está sendo perseguido.’

Se sua vida estivesse em perigo, ele desejaria a espada de Encred, suas mãos e tudo o que ele havia conquistado.



Então, como deveríamos encarar essa pessoa agora?

Se estamos falando de uma guerra civil, o bastardo à nossa frente está fingindo ser outro rei?

Será que o rei da fronteira e o rei bastardo estão disputando o trono?

‘De que lado eu deveria ficar?’

O que seria mais vantajoso?

Por ora, tudo ficaria suspenso. Exatamente. Não importava o que o bastardo real lhe oferecesse, mesmo que fosse uma m

montanha de moedas de ouro, ele deveria recusar chorando lágrimas de sangue.

‘Ou quem sabe aceitar o adiantamento e dar no pé?’

Kreis desistiu da ideia assim que sentiu o arrependimento bater.

Não havia a menor chance de seu capitão fazer algo assim.

Sem alterar em nada sua expressão, Kreis organizou seus pensamentos.

Agora era o momento de estar pronto para aceitar qualquer proposta.

— Você sabia que o nosso reino perdeu a sua "língua"?

Mas que bobagem era aquela?

Era uma pergunta difícil de decifrar.

Não, na verdade nem sequer era uma pergunta.

Krang não estava propondo enigmas ou algo do tipo.

Ele apenas continuou a falar com fluidez. Kreis achou que a voz daquele homem chamado Krang não era desagradável de s

se ouvir.

Era uma voz peculiar, que prendia a atenção.

A impostação era única, assim como a pronúncia.

Parecia haver um poder mágico que forçava os outros a ouvi-lo.

Kreis já tinha visto pessoas assim algumas vezes.

‘Talento inato.’

Eran pessoas que sabiam prender a atenção dos outros.

A voz era assim, e até mesmo seus gestos eram assim.

Krang continuou, batendo levemente na mesa.

— Por que todas as palavras usadas no continente são as mesmas?

Kreis sempre dependera de sua mente para sobreviver desde jovem.

Fazia isso para sobreviver e conseguir Cronas.

Por isso, nunca havia pensado em algo daquele tipo. Também era a primeira vez que ouvia falar sobre o assunto. Se tiv

vesse refletido a respeito ao menos uma vez, provavelmente saberia, mas nunca lhe dera atenção.

Ele sabia apenas o mesmo que as outras pessoas sabiam.

— Quer dizer que são todas iguais?

Encred murmurou, como se falasse consigo mesmo.

— Sim, são iguais. É um tanto frustrante. Quer caminhar um pouco? O céu está limpo hoje. É uma pena ficar trancado nu

um dia como este só porque estou sob ameaça de assassinato.

Encred levantou-se sem dizer uma palavra.

Assassino? A palavra agora lhe era familiar. Quantas vezes ele próprio já não tinha enfrentado tamanha hostilidade?###TAG###/p>###TAG###

A primeira vez que cruzara com um assassino fora justamente por causa de Krang.

De qualquer forma, se ele ainda estava sendo perseguido, era porque alguém desejava a morte do bastardo real.

[?25h

Mas seria a mando do atual rei ou da rainha? De quem seria aquele filho? Era uma dúvida trivial. Ele a deixou para de

epois.

Isso não era o mais importante.

— Você já se perguntou como é possível que a maior parte do continente fale idiomas tão parecidos?

— Nunca.

— Sim, todo mundo é assim. E então, já ouviu falar da comissão desesperada em busca da língua da família real?

[?25h

— Ouvi falar de passagem.

Na verdade, em algum lugar do mercado, ele vira algumas pessoas segurando algo parecido com um dicionário de termos,

 em vez de escrituras sagradas.

Kreis também as vira.

Para usar as palavras de Gilpin, eles não eram baderneiros.

Diziam que eram apenas pessoas que se davam bem umas com as outras.

Krang levantou-se da cadeira e foi para o lado de fora.

Como ele dissera, o tempo estava ensolarado.

— Pode ser mais perigoso lá fora.

Howie alertou.

— Mas ficar aqui dentro é sufocante.

Krang pegou um cantil na cintura e saciou a sede.

Havia coisas que também podiam ser percebidas apenas observando aquele comportamento.

Significava que ele não conseguia sequer comer ou beber com tranquilidade.

Ele provavelmente só consumia o que ele mesmo preparava, evitando qualquer água ou comida servida.

Encred caminhava no próprio ritmo ao lado de Krang.

— Não se aproxime demais.

Howie advertiu.

— Não se intrometa.

Krang, na verdade, o calou.

— Você vem conosco?

Krang perguntou a Kreis. Kreis olhou para o seu capitão por um instante.

— Acompanhe-o.

— Sim.

O próprio Kreis demonstrou claramente de quem estava seguindo as ordens.

Foi apenas com a permissão de Encred que ele se juntou ao grupo.

— Não se preocupe tanto, soldado. Eu não vim aqui para forçá-los a nada.

Krang disse, com os olhos ligeiramente semicerrados. Era um sorriso sutil que lhe caía muito bem.

Se não era para recrutar o meu capitão, por que tinha vindo ali?

— Vim apenas para me divertir.

Encred não disse nada, e Kreis apenas assentiu, demonstrando concordância por fora, mas tornando-se ainda mais descon

nfiado por dentro.

O filho bastardo da família real, o pivô da guerra civil.

Por que um sujeito desses viria apenas para se divertir?

Mas, talvez para ser fiel às suas próprias palavras, era exatamente assim que Krang agia.

Ele simplesmente caminhava pelo alojamento, com o campo de treinamento à sua direita, conversando.

Além disso, não fez nenhuma menção a pedir que ficassem do seu lado.

— É por causa do império. O império enterrou a língua real. Acabou com ela.

— Unificar o idioma não deixa de ser uma grande conquista.

No decorrer da conversa, Kreis fez uma pergunta natural. A unificação da língua do império era elogiada como um grand

de feito.

Sim, era verdade.

Mas, para fazer isso, eles tiveram que enterrar a língua real.

— O que você quer dizer com "língua", soldado?

— As palavras, os termos, a fala... bem.

Embora de forma breve, refletir profundamente era a especialidade de Kreis. Sua estrutura de pensamento era diferente

e da dos outros, assim como diferiam os pensamentos daqueles chamados de sábios.

— A cultura. Uma parte da cultura desapareceu.

— Exato, soldado.

Krang abriu um sorriso largo. Olhando para aquele sorriso, Kreis pensou que seria ótimo ter aquele homem como um freq

quentador de salões se ele não fosse um membro da família real.

A língua real fora soterrada pela tirania do império.

O motivo? Fortalecer o controle.

Mas por que o império faria isso?

Para tentar unificar o continente?

Não, era para observar os reinos lutando entre si e lucrar com isso.

Por algum outro benefício que não fosse a unificação do continente.

Quais seriam esses benefícios? Ele não sabia. No entanto, o esboço geral da situação já se desenhava em sua mente.###TAG###

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E quanto a eliminar o idioma? Servia para manipular o reino conforme desejassem através desse controle.

De uma perspectiva política, era uma jogada brilhante.

— É uma bela dor de cabeça.

Ouvindo as palavras de Krang, Kreis sentiu um certo desconforto.

Era isso.

‘Ele está desenhando o futuro partindo do pressuposto de que se tornará rei.’

Aquele futuro rei já havia definido o império como seu inimigo.

E estava correto. Krang estava confiante em sua vitória. Dava como certa a sua ascensão ao trono.

E se falhasse?

O que significaria o fracasso? Significaria tornar-se um membro da realeza apenas após a morte.

— O Conde Molsen não é bastante implacável?

Encred também apontou o ponto crítico. A mensagem era: você não está preocupado?

— Bem, de alguma forma as coisas vão se ajeitar.

Será que ele tem algum plano?

Kreis se perguntou o que aquilo significava.

— É possível que seja "de alguma forma"?

Esse foi o momento em que Kreis fez aquela pergunta absurda.

Krang parou de caminhar.

Ele ficou parado ali e mostrou as palmas das mãos por trás das costas.

Encred, Howie e Kreis viram o sinal e pararam.

Ele deu mais um passo à frente, mantendo uma distância de dois passos dos companheiros.

— O reino está em guerra interna, pessoas cobiçam o trono a todo instante, e o continente transborda de monstros e fe

eras. Dentro da família real, a voz da nobreza passa por cima da autoridade da rainha, e faltam braços para contê-los. Os

s chamados cavaleiros mal conseguem dar conta das lacunas no mundo da magia. Há pessoas por toda parte que abandonaram a

 lealdade em nome da própria ganância.

Uma voz de volume moderado espalhou-se pelos arbustos ao lado do alojamento.

A voz alcançou os ouvidos dos três que haviam parado.

Parecia que a luz se concentrava em um palco escuro, iluminando apenas um ponto.

Tinha um magnetismo que atraía toda a atenção ao redor.

Krang conseguira aquilo com apenas alguns passos, alguns gestos de mãos e poucas palavras.

Após capturar a atenção de todos à sua volta, Krang abriu a boca novamente.

— O meu trabalho é garantir que nada disso aconteça.

fantasia,

[1] - No original coreano, a palavra "서자" (seoja) significa tanto "filho bastardo" quanto "vamos nos levantar". Mar

rcus usa o termo com o sentido de "bastardo" para revelar a identidade de Krang, mas o Senhor do Castelo a confunde com a

a sugestão de se levantar, o que gera o mal-entendido.

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