O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 357

O Cavaleiro em Eterna Regressão

357. Aprendendo enquanto ensina

— Hah!

Encred bloqueou o primeiro[?25h ataque de Andrew.

Era um corte vertical descendente honesto.

Lâmina encontrou lâmina. O olhar de Encred cruzou com o de Andrew além das espadas.

Uma boca firmemente fechada e olhos arregalados.

‘Será que ele melhorou?’

Ainda não tinha certeza.

Ele tinha apenas lembranças vagas de quão bem Andrew lutava antes.

Em vez de atacar novamente, Encred empurrou a lâmina e recuou.

Andrew imediatamente desferiu uma estocada. Encred aparou suavemente o golpe e mudou a posição dos pés.

Ele colocou o pé esquerdo à frente.

Andrew não percebeu. Isso porque a espada que ele estocou e brandiu diagonalmente foi bloqueada pelas faíscas contidas na “mão esquerda” de Encred.

Recentemente, Encred vinha treinando para usar apenas o tempo de reação e seus sentidos ao empunhar a espada.

Era um movimento que se assemelhava à esgrima do povo fada. Era natural, já que era um estilo de espada que utilizava a delicadeza de Shinar.

Embora ainda não estivesse totalmente internalizado em seu corpo, a diferença de habilidade era clara, então não era difícil usar a espada daquela forma.

A espada de Andrew colidiu com as faíscas e, com um baque surdo, a direção da força foi desviada e fluiu para o lado.

— Ugh!

Andrew respirou fundo e usou toda a sua força para conter a trajetória da espada.

Enquanto isso, Encred colocou força no dedão do pé esquerdo e impulsionou-se contra o chão, como se o agarrasse.

Boom!

Ele lançou o corpo para a frente usando o pé esquerdo como eixo. Não houve necessidade de pensar nem por um segundo.

Encurtando a distância, deu um passo à frente com o pé direito, deslocando também o seu centro de gravidade. Ao mesmo tempo, empurrou as palmas das mãos em um movimento que se estendia dos tornozelos até a cintura.

Era um golpe que combinava as artes marciais do estilo Balaf com a explosão do estilo Audin.

Ele não deu tudo de si. Do contrário, os intestinos de Andrew explodiriam e ele morreria.

Ele não usou a força de sua pegada para aumentar o impacto, nem contraiu e relaxou todos os músculos do corpo.

Continha apenas a essência do golpe de impacto.

Dessa forma, a palma da mão de Encred tocou o estômago de Andrew.

Tum!

Ouviu-se o som de um tambor de couro estourando.

— Kugh!

O corpo de Andrew voou para trás. Seus pés flutuaram no ar.

‘Será que pesei a mão?’

Foi um pouco forte demais. Andrew, após dar um passo para trás, soltou um longo suspiro. Ainda assim, levou um tempo

 para recuperar o fôlego.

Mesmo assim, ele não soltou a espada.

‘Ele melhorou.’

Foi nesse momento que Encred ficou olhando fixamente.

— Jovem Mestre Andrew!

Mac aproximou-se correndo, assustado. Mac, que antes era uma espécie de babá, agora era o mordomo.

Conforme o local e a situação mudavam, o comportamento de uma pessoa também precisava mudar.

Ele havia se tornado um vassalo a serviço de Andrew.

Enquanto Mac se aproximava com uma expressão preocupada, Andrew acenou com a mão.

Parecia um sinal de que estava bem, mas ele ainda estava tossindo e arquejando mesmo assim.

— Você está querendo matar o garoto?

Rem perguntou.

— Eu não faria isso.

— Então por que ele está tossindo desse jeito?

— Acho que me empolguei um pouco.

— ...Isso é desculpa?

As últimas palavras foram acrescentadas por Ragna, que assistia a tudo.

Nessas horas, por que esses dois pareciam se entender tão bem?

Andrew respirou fundo algumas vezes e dispensou Mac.

— Está tudo bem.

A voz dele falhou um pouco, mas não tinha sido um golpe tão grave.

Foi um golpe semelhante ao de um martelo de algodão.

Claro que, por "martelo de algodão", ele se referia ao martelo envolto em panos que Audin usava para golpear Encred.###TAG###<



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— É uma pena terminar assim, não acha?

Andrew respirou fundo e esperou pela resposta de Encred.

Por aquele olhar, Encred adivinhou que Andrew tinha algo guardado na manga.

Isso era algo pelo qual ele estava ansioso.

— Tudo bem, vamos continuar.

— Sim, vamos lá.

Andrew também tinha cruzado a linha da morte para chegar até aqui.

Andrew, mudando sua postura em ângulo, deu um passo à frente.

Várias batalhas se seguiram, mas, claro, Encred venceu todas.

Andrew, que havia encurtado a distância no meio do confronto, tentou uma ombrada, mas Encred respondeu com maestria.###TAG###<



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— Você aprendeu luta livre ou artes marciais?

— Você se lembra do Audin, certo?

— Aquele soldado que parece um urso?

— Sim.

— Foi o Audin quem me ensinou.

Andrew sabia muito bem que Encred havia aprendido técnicas com os soldados sob seu comando.

Andrew sentiu-se aliviado, embora a técnica que tanto se esforçara para desenvolver ao longo de vários anos tivesse s

sido superada.

Para ser honesto, hoje em dia não havia ninguém que pudesse pressioná-lo daquela forma.

Depois que superou Mac, ele não tinha ninguém com quem treinar confortavelmente.

Apesar de ser um barão, a partir do momento em que se juntou ao lado de Kraang, ele passou a viver como se estivesse

 em umailha deserta.

Todos se davam bem e formavam suas próprias panelinhas, mas ele estava sozinho.

Ele tinha um desejo ardente de competir com cavaleiros ou guerreiros poderosos.

Sentia que suas habilidades haviam estagnado ultimamente.

Nessa situação, a aparição de Encred foi como uma chuva abençoada após uma longa[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l[?25lseca. Mais do que simples contentame

ento, uma profunda euforia o preencheu.

— Por que você não fica mais alguns dias?

Naturalmente, essa sugestão surgiu.

Os olhos dos cinco aprendizes da família Gardner que assistiam à luta também brilharam.

Era um treino do qual se podia tirar muitas lições apenas observando.

Na verdade, embora não conseguissem enxergar cada detalhe com clareza, ficavam maravilhados de ver que alguém tão tal

lentoso tinha relações com o chefe da família deles.

Será que não haveria algo para aprender, mesmo que fossem apenas migalhas?

Encred olhou para aquelas cinco pessoas de olhos brilhantes.

Na opinião dele, com o nível que os cinco tinham, deveriam estar apenas balançando uma espada de treino o dia inteiro

o.

Não era hora de aprender técnicas avançadas, mas sim de consolidar o básico.

Mas será que ele deveria ignorar aquelas expectativas?

Sem motivo aparente, uma lembrança antiga lhe veio à mente.

Para ser exato, era uma lembrança de quando ele chegara à capital no passado.

— Você quer aprender a usar a espada? Então são dez moedas de ouro.

O instrutor de esgrima era um canalha que só queria tirar vantagem dos espadachins novatos.

Ele era o tipo de cara que se gabava de estar logo abaixo do nível platina no mundo dos mercenários, e que, se tivess

se continuado nessa vida, teria se tornado um mercenário de platina.

Embora fosse pura fanfarronice, suas habilidades eram realmente notáveis.

— Ei, eu te ensino uma técnica, mas traga aquela garçonete de antes para a casa do Van hoje à noite.

Ele também era o tipo de canalha que provava que habilidade e caráter não são profissionais.

Encred recusou e, naquele dia, foi espancado quase até a morte.

Não, a outra pessoa realmente tinha a intenção de matá-lo, mas ele conseguiu sobreviver.

Deu sorte. Alguns guardas que passavam por ali viram e o impediram.

Foi uma sorte um guarda ter passado por aquele beco por acaso.

Naquelas memórias do passado, ele enxergou seu antigo eu naquelas pessoas.

Era impossível para Encred ignorar alguém que tivesse o desejo de aprender.

Assim como os olhos de Andrew transbordavam determinação, os cinco aprendizes dos Gardner também pareciam arder em en

ntusiasmo.

Para Encred, he realmente não podia virar as costas.

— Claro.

— O quê? Você vai ficar? Então mande prepararem algo delicioso para mim. Ele disse que era um nobre, afinal.

[?25h

Dunbakhel reagiu assim que ouviu isso.

Os outros não pareciam se importar muito se ficariam ali ou se voltariam.

Depois disso, decidiram ficar por mais alguns dias.

Encred respeitava a determinação deles. Por isso, começou imediatamente, a fim de retribuir aquela paixão e entusiasm

mo conforme havia decidido.

— Desfiram mil golpes descendentes.

— ...Como?

Como as palavras foram direcionadas aos aprendizes, uma mulher de rabo de cavalo e sardas na frente deles perguntou d

de volta.

— Mil e cem vezes.

Andrew já tinha experiência com Encred. Sabia que aquela gente não era louca por acaso. Ele agiu rápido.

— ...Façam o que ele disse. Pratiquem.

Ao som da voz de Andrew, os aprendizes ergueram suas espadas um por um.

Enquanto todos começavam a brandir suas espadas desajeitadamente por reflexo, a boca de Encred se abriu de novo.



Era algo entre disciplina e ensinamento, com uma pitada de provocação.

Pelo menos era assim que aqueles que o recebiam se sentiam.

— Golpeie com todas as forças, com a determinação de cortar o oponente ao meio. Está certo disso? Sua postura está to

oda errada. Você tensionou a coxa, não foi?

Pof!

Enquanto dizia isso, ele golpeava a coxa do aprendiz com a lateral de seu gládio. Um som doloroso escapou da boca do

 jovem atingido.

— Gritando só por causa disso?

Encred conhecia a tristeza do passado, quando queria aprender e não conseguia.

Ele havia decidido ficar ali e fazer algo por eles.

Esta era a primeira lição: treinar o básico.

Quanto mais rigoroso for agora, mais fácil será o passo seguinte. Ele sabia disso por experiência própria.

[?25h

Falta de mentalidade adequada? Era só moldá-la à força.

Com socos, chutes e a ajuda de Rem.

— Rem?

— Eu posso ajudar.

Dunbakhel assistia em silêncio e segurou um dos aprendizes.

— Ei, você tem tempo para olhar para os lados? Quer que eu arranque isso para você?

Ela fez o que Rem a ensinou. O rosto do aprendiz ficou apavorado quando ela puxou as unhas e fingiu arrancá-las bem n

na frente dele.

— Hã, capitão?

Andrew não conseguia entender por que ele estava agindo assim de repente.

Não conseguia nem acreditar que aquilo era por uma boa causa.

No entanto, ele não podia mandá-los embora agora.

Ele olhou para o rosto do aprendiz por um momento e depois desistiu de intervir.

De qualquer forma, se eles superassem aquela provação, iriam melhorar e evoluir.

Afinal, até ele mesmo mudara completamente antes e depois de levar uma surra daquela bárbara chamada Rem.

[?25h

Assim, Encred se instalou na residência de Andrew por um tempo.

* * *

Acordar pela manhã e praticar técnicas de isolamento, seguidas de treino e combates amistosos.

Encred imediatamente estabeleceu sua rotina diária.

— Ragna, venha. Eu escolhi você.

— Ótimo.

Um grande campo de treinamento fora construído atrás da mansão, mas, por causa disso, parecia não haver espaço para u

um jardim.

Era perfeito. Encred estava satisfeito.

O chef da mansão preparava a comida para cada refeição, e o sabor não era nada ruim.

Esther ficou fascinada por uma almofada de lã.

Ela se transformou em leopardo e não saía de cima da almofada de jeito nenhum.

Até mesmo seu companheiro parecia ter gostado muito daquele lugar.

Era como ser o líder de vários cavalos ou passear entre várias éguas à noite.

Era, de fato, um macho.

Encred seguia com seu cotidiano; isto é, tudo o que fazia era comer, beber, preparar-se, descansar e treinar.

[?25h

Enquanto isso, alguns aprendizes sonhavam em fugir.

— Oportunidades como esta não surgem facilmente.

Andrew era bom em acalmá-los. Mas até mesmo ele treinava repetidamente, com o rosto pálido de exaustão.

Era natural, já que Encred vinha exigindo ao máximo do corpo de Andrew desde o amanhecer.

Dava para sentir a credibilidade de suas palavras pelo modo como seus braços tremiam. Havia sinceridade ali.

[?25h

O treinamento que Andrew realizava definitivamente não era fácil.

Tudo começou com um comentário de Encred.

— Sinto que seu corpo amoleceu um pouco. Você acumulou bastante gordura.

Era um absurdo de se ouvir, mas Andrew não tinha o que responder.

Quando tomaram banho juntos, ele viu que o corpo de Encred era uma verdadeira arma.

Especialmente aquela terceira perna, que era uma arma e tanto.

— Por que tem que ser tão injusto?

A ponto de fazê-lo pronunciar tais palavras.

— O quê?

— Nada não.

Depois disso, os treinos continuaram ininterruptamente.

Quando se passaram dois dias desse jeito, Rem perguntou:

— Mas está certo vir até a capital apenas para treinar?

Para ser honesto, Rem também sabia. Encred era o tipo de cara que se contentava facilmente com coisas assim.

[?25h

Então, qual era o motivo de trazer esse assunto à tona?

— Por quê?

— Por que você não vai conhecer a capital?

— Estou pensando em sair hoje à tarde para comprar uma armadura.

Ragna continuou.

Não era divertido apenas treinar e duelar?

Encred pensava assim, mas respeitava a opinião de todos.

— Ragna, você deve me levar junto. Não se afaste mais do que cinco passos de mim.

— Isso é incômodo.

— É porque se eu partir agora, não sei quando poderei ver você de novo.

— Embora a capital seja complicada, eu já me familiarizei com as ruas.

Ragna balançou a cabeça e tentou recusar.

— Que bom.

— Você enlouqueceu?

— Bateu com a cabeça?

Saxony, Rem e Dunbakhel acrescentaram seus comentários, nessa ordem.

— Se estou dizendo para me levar, leve-me.

Encred foi firme. Ragna teve que concordar a contragosto.

— Acho que também posso me divertir um pouco. Para que viemos até aqui, afinal?

— Pois é.

Encred planejava ficar assim por cerca de três ou quatro dias e depois partir.

Saxony saiu logo no primeiro dia, dizendo que tinha alguns negócios para resolver.

Dunbakhel também observou em silêncio e depois se moveu.

— Eu também vou sair para conseguir algumas lâminas.

A lâmina da cimitarra estava muito danificada. Agora, o problema não podia ser resolvido apenas com uma pedra de amol

lar.

Como estavam na capital, deveria haver bons ferreiros e ótimas armas.

Mesmo que não pudesse forjar uma nova, provavelmente conseguiria encontrar uma arma que se ajustasse bem à sua mão.###TAG###/p>###TAG###

Encred achava que seria difícil encontrar uma arma melhor do que a espada que ele já empunhava.

Além disso, hoje não era o único dia.

Em vez disso, seria melhor dedicar seu tempo àquelas pessoas, que estavam cheias de entusiasmo e determinação, assim

 como seu antigo eu.

— Vocês moram aqui, então não precisam sair.

Encred decretou o que parecia ser uma sentença de morte para os que ficaram.

— O senhor não vai conhecer a capital?

Alguém reuniu coragem para perguntar.

— Não vou.

Encred continuou irredutível.

‘Seguir em frente.’

Era preciso avançar. Ensinar os outros não significava que Encred negligenciava seu próprio treinamento.

Muito pelo contrário.

Não diziam que se aprende ao ensinar?

‘O básico.’

Ele não havia esquecido que o básico era o mais importante.

Quando visitara a capital anteriormente, ouvira tanto aquilo que seus ouvidos chegaram a doer.

— O básico! O que você vai fazer se não consegue dominar nem mesmo o básico?

A base deve ser sólida para se avançar. E era exatamente isso que Encred estava fazendo.

Enquanto ensinava os cinco aprendizes, he refletia sobre suas próprias experiências.

Foi uma sorte inesperada.

Ensinar e relembrar as coisas lhe dava um direcionamento muito melhor do que apenas ficar pensando.

Além disso, recentemente havia a explosão concentrada de Audin, a espada rápida e pesada de Ragna, o uso de qualquer

 arma por Rem, a esgrima elástica de corpo inteiro de Dunbakhel e as habilidades com o escudo de Teresa.

Eram muitas coisas aprendidas de uma vez. Não houvera tempo de digerir tudo.

Mas será que era mesmo necessário digerir tudo?

Os pensamentos fluíam uns após os outros. Era um momento em que ele queria mergulhar profundamente nas ideias que sur

rgiam.

Fiu!

Seu sentido de esquiva foi ativado devido à sua percepção aguçada.

Não havia necessidade de virar a cabeça.

Era uma flecha. Ele deduziu a trajetória pelo som e girou o corpo a meio caminho.

Vapt!

A flecha em pleno voo foi capturada pela mão de Encred.

Alguém estava sobre o muro. Mesmo sendo pleno dia, ele avistou um garoto abusado de pé ali, orgulhosamente.

[?25h

— Quem é você?

Encred perguntou.

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