
Capítulo 945
O Cavaleiro em Eterna Regressão
945. Não gosto disso, não vou fazer.
[3;1HA Raiz Demoníaca devora a vida ao redor, gerando energia mágica. Era um ser que, ao transformar diversas feitiçarias, consumia tudo à sua volta e sobrevivia. Era[1C[?25hum indivíduo, uma colônia, uma colônia e um indivíduo.
Rem sabia muito bem disso e via a situação atual sob uma perspectiva mágica.
‘Comer força vital e convertê-la em magia.’
Os pensamentos fluíram naturalmente. Meus pensamentos aceleraram, levando-me a uma conclusão.
‘O tesouro da vida.’
Uma colônia autossustentável, devorada e transformada em energia demoníaca.
Não era assim que o monarca do Reino Demoníaco via o continente?
É apenas um pensamento. Sentindo-se aliviado, satisfeito e alegre por ter colocado fim ao silêncio, a confiança de que poderia acabar com os territórios demoníacos restantes cresceu, e sua mente naturalmente se voltou para essa direção.
Era o fim do silêncio e o início da viagem de volta. Juol, montado no Velóptero[1], não conseguiu esconder sua empolgação por três dias seguidos.
— Sinto a vida na terra ao redor.
O Oeste era estéril por causa do território demoníaco. As mudanças que ocorreram agora que o território demoníaco havia sumido eram surpreendentes.
Plantações cresciam nas terras ao redor em tempo real, e Juol observava tudo aquilo.
Ele não dormia direito há três dias. A excitação o dominava.
Encred, por outro lado, dormiu bem. Mais precisamente, seguiu a regra de ferro de descansar quando necessário. Embora tivesse lutado com uma técnica de espada que parecia natural para ele, estava exausto.
Além da diversão, ele fizera muitas coisas que sobrecarregaram seu corpo.
Rem e Dunbakel não eram exceção.
Se alguém tivesse testemunhado a luta que se desenrolou lá dentro, teria composto dezenas de canções.
— A esta altura, não há razão para lutar contra as tribos vizinhas.
Incapaz de conter sua empolgação, Juol repetiu as mesmas palavras pela décima segunda vez. Encred não ignorava o significado delas.
A escassez gera guerra. Recursos limitados são o que leva as pessoas a apontarem suas espadas uns contra os outros. Por outro lado, a abundância traria um breve momento de paz.
Encred acenou com a cabeça diante das palavras de Juol. No ent[?25lanto, ele não acreditava ingenuamente que não haveria mais conflitos no Oeste.
Mesmo com mais riqueza, quem gosta de brigar continuará brigando.
‘Fim da guerra.’
[32;1HComo ele poderia acabar com a guerra?
Não seria a[?25hlcançado com apenas um golpe de espada. Isso era certo.
O que pensaria o rei a quem considerava seu amigo próximo? Teria de tocar no assunto na próxima vez que se encontrassem.
O que ele diria? Não diria que não sabia.
Afinal, o próprio Kreis não havia vislumbrado o futuro inúmeras vezes?
É claro que ele era um homem pessimista e, mesmo com os Cavaleiros Loucos e sua fé em si mesmo, não via um futuro brilhante.
— Bem, antes de tudo, unificar o continente é um absurdo. No mínimo, os líderes de todas as nações continentais teriam que confiar uns nos outros. Caso contrário, não faria sentido. E então teríamos que chegar a um acordo. Teríamos que criar algo que nos permitisse competir em vez de ir à guerra, sob a premissa de que não trairíamos uns aos outros pelo resto de nossas vidas. Mas isso não seria fácil. Realmente não seria fácil.
###TAG######TAG###Mesmo sendo pessimista, é típico de Kreis encontrar um vislumbre de esperança nas palavras "não será fácil".
Ele é
[39;120Hé um pessimista esperançoso.
Um homem que sonha um sonho suave em um mundo cruel.
— Assassino de magos.
Juol, que estava acordado há três dias, murmurou ao seu lado. O brilho em seus olhos reluzia ainda mais do que antes.
[39;120H.
O salvador Encred era agora o homem que matara o Espelho Demoníaco.
O homem trazido por Rem, conhecido como o mai
[39;120Hior talento do Oeste, tinha posto fim ao Espelho Demoníaco. Ele havia realizado o desejo acalentado há tanto tempo pelo O
[39;120HOeste.
Seria estranho se seus olhos não se enchessem de lágrimas. Os homens do Oeste não choram facilmente, mas, a ess
[39;120Hsa altura, ele bem que poderia chorar alto.
Claro, Juol não fez isso. Comovido, ele apenas olhou para ele com os olhos
[39;120Hs marejados e curvou a cabeça em sinal de respeito. Estava ansioso para voltar à cidade e contar a novidade.
Encred sa
[39;120Habia que o amanhã no Oeste poderia ser um campo de batalha novamente, mas, por enquanto, pelo menos, estava contente.
[39;120H>Não haveria mais lutas nesta terra por um tempo.
Seria uma era de dar e partilhar.
Naquela noite, Rem concentrou-s
[39;120Hse em contemplar o próprio corpo e se recuperar, enquanto Dunbakel bebericava o vinho que Juol guardara.
A voz do gato
[39;120Ho Mo-myo[2] podia ser ouvida ao longe. Até isso parecia cantar a paz.
— Todo o Oeste abençoa você.
Juol murmurou bêbado enquanto estava com Dunbakel. Ele então discutiu doze maneiras de comemorar suas conquistas e fe
[39;120Heitos. Ele era realmente apaixonado.
Nesses[1C[?25lmomentos, Rem poderia tê-lo criticado por ser excessivo, mas ela apenas ri
[39;120Hiu baixinho.
[40;114H[?25h— Eu também deveria agradecer. Mas o que foi aquela estocada?
Assim como Encred demonstrava interesse nas habilidades de Rem, Rem também se interessava pelas dele.
— Você a criou apenas para aquele momento?
Essa pergunta era óbvia demais.
Rem possuía um talento que desafiava o próprio termo "gênio". Além disso, a julgar
[39;120Hr pela percepção dela, ela provavelmente era a melhor da Ordem dos Cavaleiros.
Ela havia compreendido a essência da es
[39;120Hsgrima de Encred.
Era uma técnica baseada em ondas, silenciosa e implacável. Como ela conseguia fazer aquilo? Para que
[39;120Hem olhava de fora, parecia que ela havia dominado e utilizado a técnica em tempo real.
###TAG######TAG###— Acho que o verdadeiro talento é outra coisa.
Finalmente, essas palavras saíram da boca de Rem. Era o reconhecimento de seu capitão. Encred respondeu.
— Desmaiei por um momento, mas um dos ancestrais que protegiam esta terra apareceu e me ensinou a técnica de espada.###TAG###<
[39;120H
— ……Isso é algo que nem mesmo um farsante diria.
Mesmo o farsante, que atrai as pessoas repetindo tudo o que ouve, não iria tão longe a ponto de dizer algo como: "Par
[39;120Hre de falar bobagens".
A verdade às vezes existe em um reino difícil de acreditar.
— Bem, mas ao ver você falar de forma tão séria, consigo entender o que quer dizer.
Rem assentiu. No Oeste, há um ditado que diz que os sonhos são mais importantes do que a sua interpretação. Ela era h
[39;120Hhabilidosa em interpretar sonhos. A frase "uma feiticeira verdadeiramente excepcional" surgiu naturalmente.
— É assim que funcionam a iluminação e a inspiração. Às vezes elas nos mostram alucinações, às vezes nos fazem ouvir
[39;120H vozes. Lembro-me de uma vez em que um machado voou sozinho e me atacou.
[39;120H>
Às vezes, a sensação de abaixar a arma faz isso com você. Rem lembrou-se do momento em que essa experiência a levou a
[39;120Ha um novo patamar.
Claro, as experiências de ambos eram bem diferentes, mesmo que estivessem em trajetórias distintas.
[39;120H.
Encred fechou os olhos, contemplando as luas gêmeas que estavam excepcionalmente brilhantes hoje. O cansaço acumulad
[39;120Hdo, o calor de sua armadura de couro aquecida, um jantar farto e a bebida se misturaram, fazendo Encred adormecer rapidam
[39;120Hmente.
balançando—
Uma mulher segurando uma lamparina em um barco que balançava sorriu para ele. O sorriso em seu rosto combinava perfei
[39;120Hitamente com a palavra "alegre". Ela abriu a boca.
— Obrigada.
— Também foi a minha luta.
— Mesmo assim, obrigada.
Uma marinheira, ou melhor, uma ancestral do Oeste cujo nome eu não conhecia.
Ela se parecia com um urso, especialm
[39;120Hmente em tamanho. Eu acreditaria se dissessem que era irmã de Audin. Será que ela também tinha o apelido de "Mulher-Urso"
[39;120H" em vida?
— Você tem um rosto estranhamente pensativo.
— Por um momento, lembrei-me do povo do Oeste.
Ele não estava errado. Bem, Encred era o melhor em fingir inocência na Ordem dos Cavaleiros.
A Raiz nasceu como um
[39;120Hma árvore imbuída de magia, floresceu em uma flor e se transformou em uma colônia. A Raiz daquela era era chamada de Ninh
[39;120Hho do Dragão.
Dentro da árvore, ela gerou e deu à luz um dragão apodrecido. Aquele dragão não cuspia fogo, mas possuía
[39;120Ha tamanho e força suficientes para esmagar e destruir tudo. E um odor fétido.
O barqueiro diante dele viveu naquela er
[39;120Hra, repetindo o mesmo dia de novo e de novo.
###TAG######TAG###— Agora vou embora. Não nos veremos novamente. Estou satisfeita por meu desejo ter se realizado.
Com essas palavras, a mão que segurava a lamparina começou a ficar acinzentada. Então, um capuz subiu por trás dela,
[39;120H obscurecendo seu rosto e corpo. Sua pele rachada e de um branco acinzentado foi revelada, e seus olhos tornaram-se burac
[39;120Hcos negros sem fim.
— Você está de fato realizando o nosso desejo há muito acalentado.
O barqueiro transformado falou. A atmosfera de gratidão desapareceu sem deixar vestígios.
Enquanto o barqueiro fal
[39;120Hlava, uma sombra se ergueu, ondulando como uma chama soprada pelo vento.
Encred estreitou ligeiramente os olhos. O que
[39;120He era aquilo?
Era uma cena que naturalmente levantava dúvidas. A sombra crescente do barqueiro pareceu se alongar, ent
[39;120Htão o barco se expandiu e outro barqueiro surgiu sobre ele.
Um barqueiro pendurou uma lamparina no ombro, enquanto out
[39;120Htro se apoiou na proa.
Um barqueiro relativamente pequeno aproximou-se de Encred, ergueu a cabeça e olhou fixamente pa
[39;120Hara ele, enquanto outro barqueiro com o dobro do seu tamanho surgia.
O barco, expandindo-se, tornou-se grande o sufici
[39;120Hiente para acomodar dezenas de pessoas. O barco continuou a se expandir, e o número de barqueiros continuou a aumentar.###TAG###
[39;120H/p>###TAG###
— Você também vai realizar o nosso desejo?
As vozes dos barqueiros se sobrepuseram. Encred não conseguia ver todos eles mesmo virando a cabeça totalmente.
Os
[39;120Hs muitos barqueiros falaram como um só.
— Entre. Entre.
— Por favor, eu também.
— Eu também.
— Eu também.
— Eu também.
Todos eram igualmente fervorosos.
— Se você apoia os sonhos de todos.
— Nós também.
— Nós também.
— Nós também.
Todos estavam desesperados.
Uma mistura harmoniosa de desespero e aflição. O barqueiro se apegava às crenças e ide
[39;120Heologias que Encred sempre defendera.
Ele era como uma sanguessuga, relutante em cair antes de sugar todo o seu sangue
[39;120He.
E havia muitos deles. Centenas, milhares de sanguessugas, entregando-se a sonhos. Naquele lugar, eles confiavam sua
[39;120Ha vontade apenas ao livre-arbítrio que restava. Eles se sobrecarregavam com desejos e anseios antigos, ansiando por sua p
[39;120Hprópria satisfação. Eram como uma matilha de cães selvagens famintos há dez dias.
— Quero cortar uma mulher.
A multidão de barqueiros, que antes parecia um único bloco, se dispersou. Um deles expressou de repente o seu desejo,
[39;120H,
e o outro, por sua vez, transmitiu sua intenção por vontade própria.
— Só preciso que você encontre uma pessoa.
— Meus descendentes estão vivos?
— Minha esposa acabou vivendo sozin
[39;120Hnha?
— Há apenas cinco pessoas que preciso matar. É o suficiente. Mate-as por mim.
— Eu tinha muitas riquezas para
[39;120H deixar aos meus filhos, mas não consegui entregar tudo a eles.
— Certifique-se de que meu tesouro ainda está lá. Não
[39;120H o pegue. Apenas garanta que esteja lá.
— Encontre a fada do lago.
[39;120H###TAG###
Era como se centenas de pessoas estivessem gritando em seus ouvidos. Se ele tivesse visto isso na primeira vez em que
[39;120He o dia se repetiu, teria se importado?
A repetição do dia de hoje é uma maldição. A cena atual era a prova disso. Ess
[39;120Hsa maldição consumiu inúmeras pessoas.
Alguns deles, por pura força de vontade, resistiram e resistiram até serem fina
[39;120Halmente aprisionados, mas muitos outros ficaram presos sem conseguir suportar sequer uma vez.
Encred ouviu em silêncio
[39;120Ho o que diziam. Escutou cada palavra, então direcionou sua vontade para a deles e respondeu.
— Não vou fazer isso.
… … .
Um breve silêncio caiu sobre o barco repleto de barqueiros.
A luz, dependendo de sua intensidade, é consumida por
[39;120H outra luz. Com o som não é diferente. Sons menores são abafados pelos mais altos.
E a vontade?
A vontade enraizada
[39;120Ha no ressentimento dos barqueiros foi consumida pela rejeição de Encred.
###TAG######TAG###— Por quê?!
Um barqueiro baixinho correu e agarrou a perna de sua calça. Encred, olhando diretamente para o barqueiro que se agar
[39;120Hrrava a ele como um carrapato, recusou mais uma vez.
— Não gosto disso.
A expressão de sua vontade foi tão vívida que alguns dos marinheiros insignificantes se dispersaram como neve derrete
[39;120Hendo ao sol. Eles se dissiparam no ar como areia escura, infiltrando-se na proa.
O barco encolheu novamente, reduzindo
[39;120Ho seu tamanho para se adequar ao número de marinheiros que haviam sumido.
###TAG######TAG###— Você realizou os desejos de outros marinheiros, menos os meus?
Alguém reclamou. Talvez fosse uma mudança de abordagem. O capitão argumentou por justiça.
— Tanto faz.
Encred, tomado por um sentimento de culpa, recusou.
Com um sopro, o número de barqueiros que se dispersavam na are
[39;120Heia negra aumentou mais uma vez.
###TAG######TAG###— Não quero. Não vou fazer.
Encred recusava repetidamente. As ações dos barqueiros eram como bater com as palmas das mãos em muralhas que resisti
[39;120Hiram até mesmo a lançadores de pedras.
Conforme o número de barqueiros diminuía, o mesmo acontecia com o tamanho do na
[39;120Havio. No final, restavam não mais do que dez barqueiros, sete no total.
Um deles sentou-se no convés e expressou sua v
[39;120Hvontade.
— Eu só quero ficar por um dia de paz.
###TAG######TAG###Seu tom, sua expressão, sua forma de manifestar sua vontade eram familiares.
Ele era o barqueiro que repetidamente
[39;120He me insistira para ficar.
— A vida é uma sucessão de sofrimentos, não é? Então, se você aprender a desfrutar do sofrimento, ficará bem. Não há
[39;120H necessidade de estar em paz.
O barqueiro riu abafado enquanto falava.
Desta vez também parecia familiar. Era natural, considerando minha vasta
[39;120H experiência com os barqueiros.
O barqueiro para quem eu expressava minha determinação naquele dia costumava ser aquel
[39;120Hle que ria e menosprezava minhas convicções.
— Não me importo. É divertido assistir.
Aqui, o barqueiro tinha uma atitude calma que causava certa estranheza.
— De qualquer forma, o final já está decidido.
Sempre pessimista.
— Deixe de ser estúpido.
###TAG######TAG###— Então, agora que seu desejo se realizou, você se sente aliviado? Isso é interessante.
Um barqueiro que às vezes me demonstrava bondade.
— Até onde você vai?
O último era familiar. Era o barqueiro que fazia perguntas, mas não ouvia as respostas.
Talvez tenha sido essa dis
[39;120Hstinção que os tornou diferentes.
Os sete, separados, olharam diretamente para Encred e depois se reuniram. Eles se es
[39;120Hspalharam como areia negra, atraídos em direção ao barqueiro no centro.
— O coração de cada um é diferente, mas uma coisa é igual.
###TAG######TAG###O barqueiro falou. Encred esperou em silêncio por suas próximas palavras.
— Todos acham divertido observar você.
Será que o fim deste território demoníaco foi uma surpresa para eles?
Ou seria o fato de um deles ter realizado um
[39;120Hm desejo há muito acalentado?
De qualquer forma, foi uma experiência revigorante.
Encred respondeu.
— Então, por favor, envie-me o mapa novamente da próxima vez.
###TAG######TAG###O tom era simples, mas o conteúdo estava cheio de desejo.
Assim como a barqueira lhe dissera desta vez, ela queria
[39;120Ha que ele compartilhasse o que sabia.
A boca do barqueiro se abriu de orelha a orelha. Ele riu e se afastou. Encred ab
[39;120Hbriu os olhos, sentindo uma sensação de flutuar. Ele já havia notado antes, mas não havia apenas um barqueiro. E todos ti
[39;120Hinham seus próprios desejos.
Essa foi a mensagem que ele extraiu desse sonho.
[1] - Velóptero: Criatura voadora ou montaria utilizada no universo da obra para deslocamento rápido.
[2] - Gato Mo-myo: Uma criatura mágica semelhante a um felino, nativa deste mundo de fantasia.