O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 930

O Cavaleiro em Eterna Regressão

930. Sala de Oração do Abismo

Teresa achou mais difícil abrir os lábios do que erguer uma rocha maior do que o próprio corpo. Sentia como se uma rocha pesada tivesse sido arremessada contra seu coração. Ou seria[?25h uma adaga? Parecia que o sangue estava jorrando. Dava medo olhar para baixo. Teresa abriu a boca, com o olhar fixo no imperador santo.

“Como?”

Noah falou com uma expressão vazia, deixando de lado o sorriso que havia mostrado antes.

“Isso importa?”

Tudo bem eu estar aqui?

“Eu apenas ouvi falar. Nem mesmo o Lorde Overdeer sabe disso.”

Noah ergueu sua xícara de chá. O vapor subiu do topo da xícara e se espalhou pelo seu rosto.

“Sério? Você era uma cultista?”

Ouvi dizer que os cultos têm causado muitos problemas dentro da Legião ultimamente.
Também ouvi dizer que aqueles que afirmam ter virado completamente as costas para o grupo, jurando que se libertaram, de repente mudam de lado e atacam. Também ouvi falar
que houve várias operações recentes para erradicar os remanescentes do culto.

‘Um único feitiço e você enlouquece, a ponto de nem reconhecer o próprio filho.’

Ouvi o que o Lorde Overdeer disse a Audin. Ele pode ser igual. A suspeita é justificada.

“Preciso de uma resposta.”

Sua voz não estava alterada, sua postura era a mesma e ele até bebia chá, mas as palavras do Imperador Santo eram cheias de pressão. Teresa sentiu suas mãos e pés enrijecerem.

‘O que eu deveria dizer?’

Não? Está tudo bem? É verdade que eu estava envolvida em um culto, não é?
Não foi apenas uma estadia temporária. Vivenciei todo tipo de coisa lá e lutei por eles. O passado não muda. As pupilas de Teresa se dilataram. Seus olhos não olhavam para o presente, mas para o passado.
Lembranças que ela queria esquecer dilaceravam sua mente, cavando, perfurando. Eram as marcas cortadas por uma lâmina em brasa. Sua cabeça parecia quente.

‘Há dois guardas na porta.’

O Imperador Santo deixou sua escolta para trás e falou com ela a sós. Se ela avançasse contra ele assim, ele não seria capaz sequer de esboçar uma resistência adequada.
Ela instintivamente buscou uma saída para se salvar. Era uma resposta tática arraigada em seus instintos, graças ao seu treinamento rigoroso nos Cavaleiros. Ela poderia tomar o Imperador Santo como refém ou matá-lo para criar caos. Ela tinha duas opções. No entanto, não escolheu nenhuma delas.

“Isso mesmo. Você era uma cultista.”

O santo fala. Teresa abaixou a cabeça. As veias nas costas de sua mão saltaram. A tensão tomou conta de seu corpo. Ainda com a cabeça baixa, a boca de Teresa se abriu.

“Fui.”

Noah esperou em silêncio que ela continuasse a falar.

“Esta pessoa não deveria estar aqui.”

Noah não a forçou a nada. Mesmo estando ocupado, não esqueceu o motivo de estar ali.

“Por quê?”

Noah perguntou de volta.

“O quê?”

Teresa ergueu a cabeça novamente.

“Por que você não deveria estar aqui?”

Noah perguntou novamente. Os olhos de Teresa tremeram.
Ele não estava trazendo à tona o passado dela, os seus peca

ados passados?

“Por favor, responda.”

O Imperador Santo endireitou as costas. Ele juntou as mãos sobre os joelhos e olhou para Teresa. Ele devia ter deixad

do escapar um resquício de intimidação inconscientemente, mas a postura de Noah permaneceu inabalável.

“Eu nem conheço meus pais.”
“Comigo é a mesma coisa.”

O Imperador Santo também era um órfão. Por muito tempo, a lâmina cruel da guerra assolou o continente, deixando muito

os órfãos neste mundo.

“Era uma seita.”
“Sim, eu soube.”

“Isso é grande coisa?”
O Imperador Santo parecia estar dizendo. Teresa inclinou a cabeça.

“Você não está me julgando.”

Só então o Imperador Santo sorriu abertamente.

“Eu julgar você? De jeito nenhum.”

O Imperador Santocontinuou a falar com um sorriso.

“Eu sou o Imperador Santo, mas não sei usar a divindade de forma alguma.”

Embora os músculos ainda estivessem tensos, a resposta tática reflexiva havia desaparecido.

“O que você diria agora se lhe perguntassem quem você é?”

Teresa não hesitou diante da pergunta do Imperador Santo.

“Teresa da Guarda da Fronteira, Teresa dos Cavaleiros Loucos.”

Uma discípula do urso Audyn e uma cavaleira sob o comando de Encrid. Essa era a raiz do seu coração.

“Para aqueles que desejam amar os o[?25l[?25lutros, amem a si mesmos primeiro. Aqueles que são severos consigo mesmos não podem

m ser generosos com os outros.”

Essa era a tradução de uma parte das escrituras do templo. O Imperador Santo recitou mais algumas palavras. Enquanto

 ouvia, Teresa relaxou. Ela relaxou os músculos tensos e escutou.
Sua boca se abriu naturalmente. Ela confessou todos

 os pecados que havia cometido no passado. Alegavam
que houvera coerção e opressão, mas foram as suas próprias mãos qu

ue agiram. Ela também falou de sua própria dor.
Felizmente, talvez, ela não tivesse matado os indefesos e miseráveis.

 Ela tinha tentado salvá-los. Ainda assim, os pecados que ela ignorou permaneceram.
Noah ouviu sua história. Era o Sac

cramento da Confissão, um processo de arrependimento, confissão e perdão.
Era o Sacramento da Penitência. Foi a primei

ira vez que ela experimentou isso.
Teresa derramou algumas lágrimas enquanto falava, mas Noah fingiu não ver.
Teres

sa também não enxugou as próprias lágrimas. A longa história havia terminado. Era a história da vida de uma meio-gigante.

.

“O Senhor olha por nós.”

Depois que Noah falou, um momento depois Teresa perguntou.

“Você não se sente relutante em ter uma reunião privada comigo?”
“Por que eu estaria relutante?”
“Eu era uma me

eio-gigante e uma cultista.”

Existem gigantes com inteligência excepcional, mas nenhum com paciência excepcional. É um ditado bem conhecido. A pac

ciência era o elemento do qual ela era mais distante.
Embora não fosse temida dentro da Guarda da Fronteira, o receio

 daqueles fora dela era uma ocorrência diária.
Ela conseguiu acalmar isso cantando hinos na Frente Sul, mas depois que

e tudo acabou, sentiu secretamente uma sensação de distanciamento.

“E você é uma cavaleira sob o comando do Lorde Encrid e uma irmã que serve ao deus da guerra.”

Disse Noah. Encrid é um amigo próximo. Se ele confia, ele também confia. Não havia nenhuma mácula no coração de Noah.

. Ele simplesmente olhou para a frente e falou.

‘O Grande Santo.’

Uma pessoa que tenta ver tudo como realmente é.
Entre as histórias que ouvi de vários lugares, havia muitos relato

os sobre como a teimosia do Imperador Santo causou vários problemas.

‘Nunca desista das pessoas.’

Ele é cercado de amor. Seu coração está cheio de generosidade.

‘Uma pessoa que não consegue usar nem um pouco de divindade, mas que sopra luz no coração de todos.’

De repente, lembrei-me do capitão da Guarda da Fronteira. Ele tinha muitas semelhanças com o Imperador Santo. Ambos a

abraçavam todos ao seu redor com as mesmas convicções.
Lembranças de quando me confiei a Encrid também vieram à tona.###TAG###<



###TAG###

“Assuma a responsabilidade por si mesma.”

Essas foram as palavras de Encrid. Foi o fim de uma conversa que começou com ele prometendo lutar e provar a si mesmo

o.
Muita coisa aconteceu desde então e, embora tivessem chegado ao presente, em algum momento Teresa caiu na autoavers

são. Noah apontou isso.

“O Senhor Audyn estava muito preocupado com você, Irmã.”

Suas palavras criaram a situação atual. Teresa assentiu. Era a primeira vez que ela se confessava, mas derramar tudo

 o que estava dentro dela trouxe-lhe conforto.

‘Eu me odiava.’

Eu odiava ser mestiça, ter sangue de gigante em minhas veias, não ser capaz de controlar meus instintos assassinos, e

estar envolvida em seitas.
Eu odiava tudo. Odiava porque tentei esquecer, mas falhei. O passado permanece para sempre.

. Não pode ser cortado de forma limpa com uma faca. Por isso eu tinha que aceitá-lo e abraçá-lo.

“Ame a si mesma. Se quiser amar os outros.”

As palavras de Noah novamente arrancaram a adaga do coração de Teresa. Em vez disso, colocaram uma lareira acesa no m

meio do inverno dentro dela. Conforme ela
reformulava seus pensamentos, uma mudança começou a se estabelecer dentro de

ela.
Mais precisamente, era o instinto de gigante que ela vinha suprimindo à força. Ela temia que, se o despertasse, p

perderia a razão.

‘Isso não vai acontecer.’

Não há ilusão para aqueles que confiam em si mesmos.

“Você tem bons olhos. Consegue amar os outros agora?”
“Sim.”

Teresa respondeu. Ela agradeceu ao santo. Noah simplesmente sorriu. Não era algo que ela esperava. Audyn havia falado

o a Noah sobre o sofrimento e as andanças de Teresa, e Noah apenas ofereceu algumas palavras para ouvi-la.
Teresa se f

fortaleceu e olhou para um futuro brilhante.

‘Quando eu voltar, poderei dar uma surra em Pell, Lawford e Shinnae.’

Eu estava falando sério. Eu costumava pensar que a santidade e os instintos de gigante eram contraditórios, mas não e

eram. Percebi que ambos estavam dentro de mim.

* * *

‘Você se sairá bem, irmã.’

Audyn deu um passo à frente, pondering sobre o pensamento. Agora não era o momento de se preocupar com os outros, mas

s ele ainda resistiu ao impulso de afastar o pensamento que lhe veio à mente.
Era uma escadaria que levava ao subsolo.

. Ficava nas profundezas e, sem uma única tocha pendurada na parede, ele foi recebido por uma escuridão total. A
única

a fonte de luz era a tocha que ele segurava na mão. Audyn pisou nos degraus, confiando na luz.
A chama em sua mão não

 iluminava toda a área, então seus passos eram tênues, mas mesmo sem a visão, ele podia sentir o fluxo do ar, permitindo

 que caminhasse sem dificuldades.

“Você realmente tem que ir lá?”

Pouco antes de chegarem, o Lorde Overdeer expressou sua preocupação. Ele estava indo para um lugar secreto conhecido

 apenas por ele mesmo e pelo Imperador Santo.
Seu nome era Oratório do Abismo,
também conhecido como Oratório sem S

Sol.
O dono do oratório na verdade chamava sua morada de prisão.
Chegava-se lá descendo por uma passagem subterrâne

ea oculta na capela central da cidade sagrada de Legion.
A escadaria curva e descendente parecia um caminho direto par

ra o inferno.

‘Sempre foi tão longa assim?’

Como um sacerdote marcial, Audyn aprendeu os caminhos do treinamento e, com seu talento transbordante, aprimorou suas

s habilidades e disciplina.
Muitos mentores, incluindo seu pai adotivo, o Santo Maltrapilho, o ensinaram, mas Audyn se

e sentia inadequado, e foi ali que conheceu um novo mestre.

Venha me ver.

Era um lugar para o qual eu fora atraído repetidamente pelas palavras que instigavam meus sentidos.
A melhor manei

ira de manter um segredo era limitar o número de pessoas que sabiam dele. A Legião fazia o mesmo.
Colocar guardas sign

nificaria admitir que algo estava sendo escondido ali, por isso ninguém guardava a Sala de Oração do Abismo. As passagens

s subterrâneas eram habilmente ocultadas, e os segredos mantidos.
Essa era a melhor maneira de manter este lugar escon

ndido. E era por isso que, quando Audyn veio procurá-lo e desceu, ninguém tentou impedi-lo ou vigiá-lo.

Venha me ver.

As mesmas palavras ecoavam dentro dele. Mais precisamente, ecoavam em seu coração.
Foi em uma época em que ele hav

via acabado de despertar para a divindade e estava inebriado com a arte de canalizá-la.
Audyn estava confiante de que

 não sucumbiria a nenhuma tentação. Se o demônio estivesse espreitando sob ele, ele estava totalmente preparado para enfr

rentá-lo.

‘Não se parece com o demônio.’

Audyn agiu por instinto. Ele não sentiu malícia no chamado. Tampouco seu coração foi abalado pelo desejo.

[?25h

‘Se houver qualquer problema...’

Ele havia se preparado para todo tipo de eventualidade enquanto descia.
O mestre da sala de oração usara seu poder

r divino para vibrar a terra, transmitindo sua vontade apenas para os alvos pertencentes. Audyn reconheceu isso.

[?25h

‘Quem é?’

Ele nunca tinha visto ninguém com tal talento. Sua curiosidade foi aguçada. Um sentimento de triunfo também surgiu.###TAG###br>Assim, ele foi atraído para a capela subterrânea pelo chamado.

###TAG###

Quem poderia ser?

Um demônio escondido na capela subterrânea da Legião? Algo possuído pelo mal? Uma travessura de Deus, tentando testá-

-lo e prová-lo?
O caminho que descia até a cripta era escuro e silencioso. Descendo os degraus de pedra, ele encontrou

u uma porta com o dobro do seu tamanho esperando por ele.
No momento em que a tocou, uma dor lancinante disparou por s

sua palma e entrou em sua mente. Ele forçou a porta a se abrir, e o dono da sala de oração o cumprimentou.

— Você está aqui.

Suas emoções eram imperceptíveis. Suas intenções eram indecifráveis. Tudo o que ele transmitia era uma vontade incolo

or.

— É um talento que eu não via há muito tempo.

Era um corpo feito de luz, mas não era ofuscante. Correntes pendiam de seus braços e pernas, e ele estava preso a uma

a espada. Ele
não tinha olhos nem nariz. Era um ser feito de luz, mantendo-se a duras penas em forma humana.
Sem bo

oca, não tinha língua. Falava vibrando o ar.
Era um feito notável.

“O que é você?”

Audyn perguntou.

— Eu sou o último cavaleiro guardião da legião.

Sua resposta foi dupla.

— E também um tolo inebriado pela divindade.

Aquele que dorme na Sala de Oração do Abismo é um viciado em luz. Ele é alguém que, inebriado pelo divino, acabou por

r absorver uma porção de Deus em seu próprio corpo. Ele também é alguém que, nas profundezas do subsolo, mal sobrevive, d

dependendo da generosidade divina.
Seu desejo é a morte, e ele aguarda aquele que irá matá-lo.

* * *

As memórias do passado se dissiparam. Este era o segundo encontro.

— Você voltou.

O viciado no divino falou com Audyn.

“Sim.”

— Parece que você não está pronto para cumprir sua promessa.

Este era o seu domínio. Era um santuário que ele havia criado, um espaço onde seu poder era projetado. Ele sentiu o n

nível de Audyn apenas por ele dar um passo para dentro. O paladino, que era praticamente seu discípulo, ainda não possuía

a o poder para matá-lo.

“Ame a promessa ainda não foi feita, mas vim porque preciso da minha armadura.”

Quando Audyn falou,
a massa de luz inclinou a cabeça sem olhos. Era uma luz especial, ainda desprovida de brilho.

 Vibrações emanavam de seu centro, transmitindo sua vontade.

— Então você planeja seguir o mesmo caminho que eu.

A luz falou.

“Não, não é isso.”

Audyn respondeu.
Qualquer um que descesse seria esmagado até a morte pela pressão. Era por isso que a conversa oco

orria em um espaço raramente visitado por alguém.

Comentários