
Capítulo 846
O Cavaleiro em Eterna Regressão
846. Hoje sou melhor do que ontem.
A técnica de esgrima que o barqueiro havia demonstrado anteriormente para derrubar o gigante podia parecer diferente por fora, mas, em sua essência, era a mesma do Vórtice.
‘Reunir t[?25hoda a sua força e determinação em um único golpe.’
Claro, um olhar mais atento revela uma diferença. Se o vórtice é rotação, o que o barqueiro demonstrava era uma diferença de altura.
‘Usar a elasticidade e o peso de todo o corpo.’
Talvez quem praticava essa técnica de espada originalmente usasse uma armadura completa forjada em ouro. Se não, provavelmente usava algum outro método.
‘Uma técnica que só faz sentido se você ganhar peso.’
A cena dele saltando alto e golpeando para baixo era vívida. Ele havia decapitado o gigante com aquele golpe.
‘Será que o Salgueiro consegue aumentar o peso corporal?’
Isso seria difícil. No entanto, se você concentrasse sua determinação no momento do impacto e golpeasse, seria um golpe muito pesado, como se todo o peso tivesse se deslocado.
Vários pensamentos se entrelaçaram em busca de uma resposta. Encred pensava como se isso fosse óbvio.
Temares observou que o talento de Encred para o uso do corpo físico era surpreendentemente limitado.
Já tendo alcançado o nível de um cavaleiro, era natural que ele se desviasse do comum, mas não via nada mais especial do que isso. Em vez disso, Encred refletia, ponderava e explorava.
Esse era um traço natural, algo no qual ele se tornava mais habilidoso a cada dia que passava.
Ele naturalmente repetia seus pensamentos, mergulhando em tudo o que tinha visto, sentido e vivenciado, dissecando e analisando cada detalhe.
A Espada da Queda.
O movimento inevitavelmente seria amplo. Uma brecha certamente apareceria. Supondo que ele empunhasse a Espada da Queda, será que ele, um mestre da esgrima, permitiria que uma fraqueza tão óbvia ficasse exposta?
‘De jeito nenhum.’
Esta é uma técnica de espada criada por um cavaleiro. Não podia ser verdade. Então, o quê?
Ele tivera tempo de sobra para ponderar. Para criar uma nova esgrima, expandir seus conceitos e perspectivas era essencial.
Os olhos de Encred se arregalaram. Não no sentido físico, mas no sentido mental.
Ele nunca se esquecia de aprender, nunca se esquecia de ouvir.
Ele sintetizaria tudo o que aprendera, experimentara e percebera, e chegaria a uma conclusão.
‘Pressão com a Vontade.’
A base da Espada da Queda é o uso da pressão para imobilizar o oponente. De certa forma, é semelhante à esgrima de Asia. Ela usa a pressão para prender o oponente, restringindo seus movimentos antes de cortá-lo e golpeá-lo.
Esta técnica é chamada de Espada da Detenção. Embora Asia não use uma espada pesada, seu estilo de esgrima é semelhante.
‘Seria útil fazer a Asia treinar com uma espada pesada mais tarde.’
Durante esse processo de reflexão, de repente percebo uma coisa. Ninguém é perfeito. Além disso, o meu eu de hoje e o meu eu de amanhã são diferentes. Conforme avançamos dia a dia, estamos sempre mudando.
Se eu soubesse disso na época, teria dito mais a Asia.
Deixei de lado os pensamentos sobre Asia, que haviam interrompido minha concentração, e retornei à minha esgrima.
‘O princípio de matar é diferente.’
Mas os fundamentos seriam diferentes? Não exatamente. Encred misturou ao vórtice os golpes letais e os golpes de queda que o barqueiro lhe ensinara.
Se ele já havia estruturado isso em sua cabeça, era hora de agir com o corpo. Ele movia a mão como se fosse uma espada, mesmo sem empunhar nenhuma.
— O que você está fazendo?
O barqueiro perguntou.
Agora, assim que entrava no sonho ou no mundo das imagens, ele treinava sem dizer uma única
[39;120Ha palavra. O barco rangia e balançava. Encred não prestou atenção.
— Como está?
Eu havia perguntado o que ele estava fazendo, mas a pergunta retornou para mim. A luz da lamparina que o barqueiro se
[39;120Hegurava piscava repetidamente, enfraquecendo e brilhando de novo. Era como um piscar de olhos.
— Nada mal.
O barqueiro comentou. Encred assentiu, aparentemente impassível.
— E quanto a isso?
Ele então demonstrou várias[1Ctécnicas de esgrima que aprendera com Yong-in. Os fundamentos eram cinco:
rompe-ondas,
[39;120H, esgrima tradicional, lampejo, coincidência e até o vórtice.
Ele misturava o que havia aprendido e dominado. Encred a
[39;120Hachava esse processo incrivelmente prazeroso e divertido.
Ele não conseguia parar, mesmo confrontado pelo barqueiro do
[39;120Hos seus sonhos.
— Veja.
O barqueiro falou e gesticulou, e Encred desembainhou a espada seguindo aquele gesto. A arma já estava em sua mão.###TAG###
[39;120Hp>###TAG###— Se a detenção é sufocante.
Ele continuou.
Encred, seguindo as instruções do barqueiro, manifestou naturalmente a Espada da Detenção. Para ser
[39;120Hr exato, era o início do Vórtice, uma técnica de espada pesada. Ao reunir forças, ele exibiu uma aura de intimidação e su
[39;120Huprimiu seu oponente.
O barqueiro ergueu os cantos da boca por baixo de suas[1Cvestes. Um pouco de pele cinzenta e morta[?25l
[39;120Ha descascou de seu rosto.
Ao mesmo tempo, ele estendeu a espada fina como um espeto que tinha em mãos. A estocad [40;115H[?25h[?25l[?25l[?25l[?25la que
[39;120H ele desferiu perfurou a Detenção.
‘E ao mesmo tempo, um espadachim.’
O barqueiro não parou na estocada, mas torceu o pulso ao golpear, alterando o ângulo da lâmina. A
vontade que ele
[39;120H havia liberado para deter o inimigo fluiu ao longo da lâmina retorcida. Era semelhante à espada fluida que Yong-in havia
[39;120Ha mostrado.
Não se tratava apenas de desviar ataques físicos; tratava-se também de canalizar a vontade contida ali den
[39;120Hntro.
— Uma agulha afiada pode perfurar até mesmo o couro grosso.
As palavras do capitão ecoaram em sua mente. Encred as ruminou.
‘Agulhas e couro.’
Para evitar que uma agulha perfure o couro, ele deve ser mais espesso que a agulha. Por outro lado, para perfurar qua
[39;120Halquer couro, ela deve ser longa e forte.
— As pessoas usam a esgrima, você entende isso, não é?
O barqueiro continuou. Encred assentiu. O mestre do barco no Rio Negro acabara de lhe dar algumas dicas sobre o essen
[39;120Hncial da esgrima. Após a instrução, the boatman revelou seu próprio propósito.
— Isto é generosidade.
— Isto é compaixão.
— Isto é pena.
As vozes dos barqueiros se misturavam. Cada voz sobreposta representava uma personalidade distinta.
— Você se arrependerá de não ter ficado preso hoje.
O barqueiro disse: — Estou discutindo esgrima porque tenho pena de você.
Encred compreendeu o ponto e ponderou por
[39;120Hr um momento.
‘Se eu fingir ser digno de pena, você me dirá mais?’
Era um pensamento que só um louco poderia conceber. O barqueiro havia lido a mente de Encred novamente. Não porque ti
[39;120Hivesse algum tipo de talento de leitura mental como um dragão, mas porque
Encred tinha uma expressão que revelava seus
[39;120Hs verdadeiros sentimentos.
No entanto, Encred nunca havia fingido pena uma única vez. Suas sobrancelhas se franziram.
[39;120H Ele estava imerso em pensamentos.
Para ser totalmente sincero, Encred nem sabia por que deveria inspirar pena agora.###TAG###<
[39;120H
Os seis demônios do Reino Demoníaco estavam atrás dele?
###TAG###Era o que ele desejava, de qualquer forma. Ele também esta
[39;120Hava atrás deles. Então era isso. Dava no mesmo.
O que mais restava? Enquanto ele ponderava, o barqueiro falou.
— Você sentirá os sinais da guerra. Será capaz de proteger tudo o que busca? Será que esta perda o deixará como você
[39;120H é hoje?
O barqueiro de repente sentiu o impulso de extrair uma parte de si mesmo e compartilhar uma memória.
Ele queria lh
[39;120Hhe contar sobre a dor da perda. Se perdesse tudo e ficasse sozinho, que sentido haveria no dia de hoje?
Encred vislumb
[39;120Hbrou uma mulher de cabelos trançados e uma lança atrás do barqueiro.
Mas, independentemente disso, ele cruzou os braço
[39;120Hos sobre o peito robusto e perguntou:
— Você sente pena de mim?
Não importava o que o barqueiro dissesse, ele estava apenas quebrando a cabeça para tentar parecer digno de pena.
[40;120H— ......Esse garoto enlouqueceu?
O barqueiro não aguentou mais e começou a praguejar.
Encred recordou seu encontro com o barqueiro na noite anterior. Ele fora expulso, mas as informações compartilhadas a
[39;120Haté então haviam sido úteis o suficiente.
— Armas gravadas recebem a vontade de seus donos. Portanto, embora seja improvável que sofram danos graves, ainda ass
[39;120Hsim é melhor mantê-las bem cuidadas.
Tang, tang.
De longe, o discípulo de Eitri batia o martelo. Fazia algum tempo desde que vira Eitri, e o rosto do ferreiro estava
[39;120H mais magro do que antes. Parecia que ele havia passado por mais provações do que quando estava forjando a Alvorada.
[40;120H— Há algo errado?
Encred perguntou. O que havia de errado com a expressão dele?
— Nada.
Encred encarou fixamente os olhos de Eitri. Seriam aqueles os olhos de uma pessoa normal?
— Recentemente, o Lorde Saxon e vários outros vieram me visitar e encomendaram algumas armas. O Lorde Kryss até me de
[39;120Heu kronas suficientes para viver o resto da vida.
Se Eitri quisesse viver acumulando ouro, não estaria vivendo daquela maneira. Ele tinha aspirações e as realizou. Ser
[39;120Hria por isso que seus olhos continham um certo vazio? Estaria ele, como costuma acontecer com quem alcança seus objetivos
[39;120Hs, sem energia?
Não. Seus olhos ainda brilhavam com uma luz radiante.
Clang!
Em meio à trilha sonora do martelo de seu aprendiz, os olhos de Eitri refletiam as chamas do braseiro. O artesão, há
[39;120H muito tempo um companheiro do fogo, acariciou a lâmina da Alvorada com as pontas dos dedos calejadas.
— É uma boa espada, não é?
Ele perguntou. Não havia necessidade de perguntar duas vezes.
— Claro.
Eitri inclinou a cabeça e lubrificou cuidadosamente a lâmina, examinando atentamente cada detalhe, até mesmo as junçõ
[39;120Hões da Alvorada, antes de virá-la.
O calor sufocante que engenharia da forja afastava a brisa fresca que anunciava a c
[39;120Hchegada do outono. Lá dentro, o ar ainda estava tão quente quanto na estação das salamandras.
O coração de Eitri ecoav
[39;120Hva esse sentimento.
— Se quiser alguma coisa, é só falar.
Encred disse. Aquele era o homem que lhe dera a arma gravada. Ele estava disposto a ouvir qualquer pedido.
[40;114H[?25h— Sim, é verdade.
Eitri respondeu calmamente, sem esboçar um único sorriso, como de costume. Aquele ferreiro não era de demonstrar suas
[39;120Hs emoções facilmente.
O Yong-in observou o humano que havia forjado a Alvorada.
O Yong-in, Temares, sabia que não e
[39;120Hera comum algo despertar seu interesse. A experiência passada já havia provado isso.
‘Lá está de novo.’
Mas ali, ele via outra pessoa assim. Um homem que havia dedicado toda a sua vida ao seu ofício.
Seus cabelos começ
[39;120Hçavam a embranquecer e seus olhos mostravam sinais de anormalidade. A esclera estava turva. Esse era o dano causado por v
[39;120Hviver em meio às chamas por tanto tempo.
Ainda assim, a pureza da determinação em seus olhos era notável. O Yong-in le
[39;120Heu uma parte da mente dele.
Aquele homem nem sequer sabia o que queria. Estava apenas preenchido por uma paixão ardent
[39;120Hte.
O que aconteceria se essa paixão encontrasse uma direção?
Para o Yong-in, essa determinação pura e paixão eram
[39;120H intrigantes. Devia ser um nível realmente raro.
‘Tudo provém desse homem.’
O Yong-in também sabia que nada daquilo era coincidência. Tudo havia começado com o homem chamado Encred.
[40;113H[?25h— Então...
Quando Encred se virou para sair, Eitri perguntou:
— Alvorada... deve haver uma razão para ela se chamar assim, certo?
A Forja da Alvorada, uma espada que brilha como a luz do amanhecer.
— Por quê? Não gostou?
— Não. Ainda é um bom nome.
Encred sentiu que Eitri estava escondendo alguma coisa. Seu discernimento estava muito acima da média. Tornar-se um c
[39;120Hcavaleiro aguçara ainda mais seus cinco sentidos, e até mesmo o sexto. Mas ele não perguntou. Eitri falaria quando chegas
[39;120Hsse a hora.
Seu aprendiz, que martelava, fez uma pausa e olhou ao redor. O mesmo fez Frock, que mexia em suas joias lo
[39;120Hogo ao lado.
— Sim, o que foi?
Enquanto isso, um anão entrou na forja. Era um velho conhecido. Encred falou, vasculhando a memória.
— Olhos podres.
Todo o resto estava borrado, mas ele se lembrava do principal.
— Meu nome é Argan.
Os anões são inerentemente teimosos e arrogantes, mas isso varia de pessoa para pessoa. Argan, um anão que há muito t
[39;120Htempo havia se integrado ao mundo dos humanos, desenvolvera uma adaptabilidade comparável à deles.
Ele não provocava o
[39;120Hos outros de forma imprudente. Especialmente o homem à sua frente; provocá-lo seria uma péssima ideia. Como tinha sido o
[39;120H primeiro encontro com ele? Não havia sido nada agradável.
— Você já pagou sua dívida com Martai?
Encred perguntou, lembrando-se de outro incidente com o anão. Kryss nunca esquecia nada relacionado a kronas. Ele hav
[39;120Hvia explorado o anão chamado Argan de forma implacável.
A raiz de tudo era a dívida do anão com Martai.
Quantas vez
[39;120Hzes Kryss já havia mencionado isso? Mais de dez vezes.
— Eu já paguei tudo há muito tempo. Isso é coisa que se pergunte?
O anão olhou de relance para Encred e seus companheiros. Frock, o elfo e o dragão estavam lá. Saxon já havia partido
[39;120H para cuidar de seus próprios assuntos.
— Vocês estão indo a algum lugar para capturar o Rei Demônio ou algo assim?
Era metade piada, metade sério. O Rei Demônio era brincadeira, mas ver todos reunidos daquele jeito fazia as palavras
[39;120Hs saírem naturalmente.
— Não, apenas um passeio.
Encred disse casualmente e se afastou. Havia coisas tão importantes quanto o treinamento. Ampliar os horizontes e ver
[39;120Hr o mundo.
Será que Encred sabia o que Esther havia percebido?
— Se esses dois não estivessem aqui, seria um encontro.
Shinar, que estivera observando em silêncio até então, acrescentou.
— Podem fingir que não estou aqui. Apenas ficarei observando.
O Yong-in disse.
— O que você vai ficar olhando? Isso soa meio estranho, Temares.
E Prok estava apenas ajudando Temares a se adaptar à vida ali.
O anão Argan era tão perspicaz quanto um humano. El
[39;120Hle observou o rosto de Eitri e a reação de Encred, compreendeu a situação e permaneceu em silêncio.
Um momento depois,
[39;120H, Encred e seus companheiros partiram.
— Você não entregou para ele?
Argan perguntou. Ele agora era um anão que havia aceitado seus próprios sentimentos e habilidades, vivendo em harmoni
[39;120Hia com Eitri. Ele soubera recentemente da espada que Eitri havia forjado.
— Não entreguei.
Eitri respondeu.
Ele passara os últimos meses forjando uma espada que rivalizaria com a Alvorada de Encred.
‘O nome da espada é Crepúsculo.’
Menos de um mês após forjar a arma gravada de Encred, Eitri sentiu um enorme arrependimento.
‘Hoje sou melhor do que ontem.’
Então, ele começou a forjar sua segunda espada.
Encred empunhava duas espadas, por isso pensou que aquela lhe cair
[39;120Hria bem. Sem o aroma do céu noturno infundido pela bruxa, nem o espírito do próprio elfo, ele forjou uma espada semelhant
[39;120Hte. Ele até a chamou de Ocaso, para combinar com a Alvorada. Mas não ficou satisfeito.
A espada que criara era fruto d
[39;120Hde um acordo. Era tão excelente quanto a Alvorada? Não. Apenas parecia ser.
— Derreta-a.
— O quê?
Eitri abriu mão da espada que ele mesmo havia forjado. Seu discípulo se assustou. Argan ficou igualmente atônito.
[40;120H— Ei, isso...
Até Prok, que estava em um canto da ferraria, tentou intervir. Era um objeto forjado com tanto esmero que parecia con
[39;120Hnter a própria alma do artesão gravada nele. Todos os que testemunharam isso sabiam muito bem.
— Não é isso.
Eitri nunca desejou um crepúsculo misturado com a alvorada. Por isso, ele quebrou a espada que estivera afiando.
[40;120H— Esta é uma mensagem de Sua Majestade, o Rei.
Enquanto Encred estava fora, Kryss recebeu um mensageiro enviado por Krang.
— Movimentamos tropas do sul.
O mensageiro falou. Kryss escutou calmamente.
Ninguém demonstrava a ansiedade de antes. Até mesmo Kryss havia muda
[39;120Hado.
— É uma expedição.
Kryss respondeu ao mensageiro.