O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 785

O Cavaleiro em Eterna Regressão

785. Diferente



Uma feroz serpente de fogo decepou seu tornozelo, e seu corpo foi partido ao meio a partir de seu ombro negro, que emanava chamas negras.

[?25h

— Foi divertido. Até a próxima.

Balrog o cumprimentou como em qualquer outro dia. Suas palavras, “Até a próxima”, não significavam que ele repetiria o dia de hoje, mas que o prenderia em um labirinto.
Embora os significados fossem diferentes, eles ainda se entendiam. Encred assentiu e morreu. Foi a resposta para o “Até a próxima”. E assim chegou a sua vez de receber o décimo no dia.
A lua que continha fogo perdeu o brilho e caiu, e o barqueiro em seu barco o saudou.

“Ggggggggg.”

O barqueiro abriu a boca, esboçando uma risada. Era uma boca que não passava de um buraco totalmente escuro e sem língua. O riso foi curto e grosso, e apenas passou.
Então, cada vez que a escuridão absoluta surgia e desaparecia, o barqueiro transmitia suas intenções.

“Estou preso neste dia.”
“Está sofrendo? Você buscou isso para si mesmo.”
“Você acabará se apagando depois de lutar tanto.”
“Não há chama que queime para sempre.”

Ranger, o barco gemeu ao balançar no rio. O som roçou meus ouvidos.

“Você nunca conseguirá sair daqui.”

O barqueiro apareceu várias vezes, e em todas elas falou de um futuro certo. Encred leu o significado que permeava a vontade do barqueiro, ao contrário do habitual. Não era exato. Era apenas uma sensação. Será que o domínio da intuição e da percepção, treinado na realidade, estava influenciando este lugar? Ou era apenas porque ele o via com tanta frequência?
O motivo não im[?25lportava de verdade.

“Quer que eu supere?”



Entre os olhos pretos do barqueiro, globos oculares cinza-escuros giraram várias vezes. Não, eram pupilas de uma cor que não podia ser definida como cinza-escuro. Elas
ficaram douradas,[?25h depois vermelhas, depois azuis, depois verdes, e então todas essas cores se misturaram e se tornaram pretas.
Os olhos do monstro eram pretos, e os do barqueiro também. A diferença entre os dois era que os olhos do monstro pareciam tingidos de preto, ao passo que os olhos do barqueiro estavam emaranhados e aglomerados, fazendo-os parecer pretos.

“Consegue superar?”

O barqueiro perguntou, mas Encred não respondeu. Sem abrir a boca, o barqueiro transmitiu sua intenção novamente.

“Existe um caminho para passar do dia de hoje. Se quiser saber, me avise.”

Força, opressão, intimidação, coerção, supressão.
Não havia um único traço de tal significado.
Os dois olhos no rosto do barqueiro eram esverdeados, e o preto parecia impregnado de verde. Aquele verde-escuro. Comparado aos olhos verde-claros de Shinar, o brilho deles era opaco demais, mas a determinação naqueles olhos era algo que nunca tinha visto antes em um barqueiro.
Era um vislumbre de pena, compaixão e simpatia.
O espírito e a determinação de Encred eram sempre firmes e inabaláveis. Ele sabia como acalmar a mente mesmo em momentos como este. Caso contrário, teria caído na brincadeira de Shinar há muito tempo.

“…… Quase fui enganado.”

Encred murmurou e ignorou gentilmente as intenções do barqueiro. O verde opaco nos olhos do barqueiro pareceu que iri

ia desaparecer por um momento, mas, em vez de vacilar, permaneceu firmemente no lugar.

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“Você é realmente louco.”

O tom de voz era um pouco diferente de antes. A princípio, o barqueiro era como um objeto inanimado que não enxergava

a nada, como de costume, e o barqueiro que sugeriu o método mostrou um vislumbre de compaixão.
Ele havia reparado tant

to no estado emocional de Shinar que percebeu isso sem se dar conta. Os fragmentos de emoção que fluíam das palavras do b

barqueiro eram tão delicados e insignificantes. Mas agora, ele via claramente a raiva. Para ser exato, era irritação e in

ndignação.
Não sei por que estou pensando nisso agora.
Houve um tempo em que ele andava juntando Cronas aqui e ali

 e, por sorte, ganhou bastante. Não foi vendendo suas técnicas de espada, mas ele acabou com um saco de moedas de ouro.###TAG###

br>###TAG###Naquela época, Encred visitou uma escola de treinamento bastante famosa. Havia muitos monstros e espíritos malignos no

o continente e, sob essas circunstância[?25l[?25l[?25ls, era natural manusear pelo menos uma arma desde a infância.
Por isso, havia m

muitas escolas e centros de treinamento na cidade. Encred foi procurar um instrutor famoso entre eles com seu saco de moe

edas de ouro.
A instrutora também o aconselhara a desistir de ganhar a vida com a espada no início, usando um tom poli

ido.
Encred ouviu as palavras dela por um ouvido e as deixou sair pelo outro, obcecado por técnicas e coisas do tipo.###TAG###<



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“É melhor parar. Embora eu seja apenas uma instrutora aqui, não sou boa o suficiente para ser considerada uma potênci

ia de nível urbano em todo o continente. Posso ganhar a vida ensinando.”

Embora ela falasse com humildade, era uma mulher que outrora fizera parte da unidade de escolta no topo de Lengadis.

 Suas habilidades eram reais. Encred queria aprender de verdade.

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“Então, o que devo fazer a seguir?”

A pergunta de Encred não se desviava muito daquele teor.
A certa altura, as sobrancelhas dela, que vinha falando m

mansamente, começaram a tremer.

“Eu disse que era melhor parar.”

A fala dela ficou um pouco mais curta.

“Encred, você solo ouve o que quer ouvir. Você realmente tem ouvidos muito convenientes.”

Havia um toque de crítica misturado.

“Você não entende o significado da palavra ‘parar’?”

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Ela se irritou.
Ele apenas se lembrou daquela época. Parecia se sobrepor ao barqueiro atual.
Olhava para ele co

om pena, depois se irritava e, por um momento, as memórias do passado o atingiram. Encred apenas deu de ombros, deixando

 seus pensamentos se dissiparem. Era uma resposta ao barqueiro que o chamara de louco.
O gesto de Encred parecia signi

ificar que ele já sabia disso, e também parecia questionar que diferença isso fazia. Ambas as reações eram expressões de

 quem nem sequer ouviria o que o outro tinha a dizer.

“É, acho que ficar preso na prisão de hoje não é tão ruim.”

Com essas palavras, os olhos verde-escuros embaçaram e se afastaram. Encred sentiu seu corpo flutuar no ar. Sem que e

ele pudesse sequer piscar, o ambiente ao redor se distorceu e, ao abrir os olhos além da escuridão, o processo de abrir o

os olhos terminou mais uma vez.
Era hoje novamente.
Enquanto conversava com o barqueiro, o resquício da dor se esma

aeceu. Devido às várias conversas, Encred agora tinha pouco tempo para pensar. Ele demorou a se recuperar da luta enquant

to tentava se adaptar ao comportamento inesperado que o barqueiro lhe demonstrara.
As táticas que ele acreditava que t

teriam algum sucesso, mesmo que não fossem perfeitas, foram despedaçadas.

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‘Os cálculos também não estavam errados.’

Encred encontrou a melhor linha de ataque em todos os cálculos, e Balrog não, de modo que ele estava à frente em perc

cepção.

“Temos visitas?”

No momento em que o oponente ia falar, Encred estava prestes a golpeá-lo de uma só vez, mas como achava que ele não e

era uma grande ameaça de qualquer forma, olhou para o oponente com indiferença e falou.

“Espere um minuto. Deixe-me pensar.”
“…… O quê?”

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Ele não deu ouvidos à perplexidade que o outro demonstrava.

“Se avançar mais, vou tocar o sino, então espere.”

Pressão, a pressão intangível que se materializa. Ele lutou dezoito vezes contra o demônio do combate, que até mesmo

 o reino demoníaco evitava.
Além disso, aquele demônio, Balrog, tentava suprimir Encred com sua pressão a cada luta. S

Só depois de suportar isso é que ele conseguia, de fato, empunhar sua espada.
Aquele era o teste do próprio Balrog. En

ncred o superava todas as vezes.
Nesse processo, a rejeição que se contorcia e reagia dentro dele mudou aos poucos. O

 primeiro método que ele aprendeu para usar a Vontade existia no campo do inconsciente, não do consciente, mas era difíci

il afastar a pressão de Balrog facilmente apenas com aquilo.

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‘Se o processo de se tornar um cavaleiro consiste em usar a vontade de forma inconsciente.’

Quando você se torna um cavaleiro novamente, deve treinar a Vontade conscientemente. Era uma das teorias que se estab

beleceu gradualmente sob o nome de Treinamento da Vontade. É assim que se afasta a pressão de forma consciente.
A form

ma da pressão de Balrog é uma corrente de chamas ardentes. Desde o momento em que o enfrentava, você sentia como se sua c

carne fosse ser cozida e queimada pelo calor e, se ficasse minimamente distraído, morreria sob a pressão. Encred costumav

va se livrar das correntes e liberar sua própria pressão, e demonstrou isso agora.
A forma de sua pressão é uma parede

e, uma parede muito espessa cuja espessura não pode ser medida. É uma parede que bloqueia qualquer tipo de pressão, e é u

uma parede que não pode ser superada com algo como um espeto de ferro na mão.
O oponente ignorou as palavras de Encred

d e parou de andar. Apenas por não recuar, ele provou sua coragem e habilidade.
No entanto, ele não se aproximou mais.

. Ele enfrentou a parede erguida por Encred e viu a sombra de Balrog, e se lembrou de que resistir ao medo gravado em sua

a alma era o destino de um ser inteligente. Ele
tinha que fazer isso se quisesse evitar ceder e curvar a cabeça.
Ma

as seria este o momento de ceder? Ele havia curvado a cabeça inúmeras vezes diante de Balrog, mas agora não era o momento

o. Ele começou a lutar contra a pressão de Encred.
Enquanto ele ganhava tempo, Encred relembrava a luta.
Não era im

mportante ficar relembrando a luta em si várias vezes. Em vez disso, ele investigou a fundo. Em vez de repetir a lembranç

ça, ele investigou minuciosamente tudo, incluindo os movimentos antes e depois, e o estado psicológico, em uma única luta

a.
No entanto, isso parecia uma espécie de tolice. Não havia necessidade de investigar tão a fundo.
A realidade era

a simples e clara. Encred capturou o fio de seus pensamentos que vagavam aleatoriamente e os organizou com clareza.

[?25h

‘Em termos de possibilidades, está à frente.’

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Calcular, estimar e golpear. Todo o processo parecia um sistema estabelecido por alguém que lidou com números a vida

 inteira.
Não havia desperdício. A lâmina movia-se suavemente ao longo da trajetória traçada, os movimentos para isso

 eram claros, e a esgrima mesclada com tamanha lógica era bela.
A lâmina, que momentaneamente captou a luz, parecia ca

apaz de fender um dos cristais num piscar de olhos.

‘Você não consegue ir além disso.’

Quem avançou, como se estivesse se encaixando perfeitamente nos cálculos de Encred, foi o chicote de chamas chamado S

Salamandra. O chicote desfrutou da luta na água como se ostentasse seu próprio ego. Então, Balrog bateu as asas, brandiu

 punhos, pés e espada, movendo-se livremente dentro do cenário previsto.
Naquele momento, Encred misturou a espada da

 coincidência. Era o processo de prender novamente com teias de aranha o demônio que havia escapado dos cálculos. E ele n

não conseguiu conter Balrog, que se movia dentro do limite dos cálculos.

‘Era diferente.’

A esgrima de Balrog era diferente. Era rápida, pesada e poderosa o suficiente para desafiar cálculos e expectativas p

por um momento.

[?25h

— Veja.

No meio da luta, Balrog enviou sua mensagem por telepatia.
Sua mão direita surgiu à vista por conta própria. Era u

uma espada ardendo em chamas negras, uma espada mágica chamada Urt.
A espada mágica expelia chamas repetidamente. Encr

red desviou de todos os ataques, sabendo que, uma vez acesa, ela nunca se apagaria.
Sua franja foi chamuscada, e he te

eve que arrancar a manopla de pano que usava na mão esquerda e jogá-la fora, mas de alguma forma conseguiu aguentar. Leva

aria muito tempo para reviver a luta.

‘Trabalho desnecessário.’

Não fazia sentido atribuir significado ao processo. O resultado da luta não era determinado por cálculos.
Em vez d

de acender uma chama, a Urt de Balrog afundou para dentro. Em seguida, ela tomou forma sobre a lâmina carmesim.

[?25h

‘lâmina.’

Em vez de queimar e arder, tinha o formato de uma lâmina. Aquela espada negra não podia ser detida. Era algo que não

 podia ser calculado.
Aquilo era diferente.
E Encred viu algo ali.

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‘diferença.’

Eu já vi essa diferença não apenas em Balrog, mas também em outros. Senti isso na lâmina de Ragnar, na armadura de Au

udin, no machado de Rem, na estocada de Saxon.

O que é diferente? O que era diferente?

Agora que realizei alguns dos meus sonhos do passado, penso naqueles que me ajudaram a chegar onde estou hoje. Contin

nuo fazendo isso como um louco,
voltando às minhas memórias, relembrando e revivendo cada uma das coisas que eles me m

mostraram naquela época.

“Ugh!”

O oponente tinha acabado de superar a pressão de Encred. Ele tirou a espada da manga e a segurou com as duas mãos.###TAG###

p>###TAG###

“De onde diabos você veio!”

Ele fingiu correr em minha direção enquanto gritava, então atirou duas adagas. Foi astuto. Era incrível como ele cons

seguia atirar adagas enquanto segurava espadas em ambas as mãos.

Clang!

Na mão direita, a Danjo da Alvorada; na esquerda, a Penna.
Encred enfrentou o oponente com espadas em ambas as mão

os. A luta foi curta. Ele subjugou o adversário antes que ele pudesse usar sua habilidade especial. Repetir isso mais de

 dez vezes o fez ver as fraquezas de seu oponente com mais clareza. Os pontos fortes dele se dissiparam, e as fraquezas f

ficaram evidentes.
Ele avançou novamente. Seus pensamentos nunca cessavam. Sua recuperação ainda estava em andamento.###TAG###<


Encred enfrentou outro dia e morreu de novo.
###TAG###A espada vermelha com chamas condensadas não conseguia cortar nada. A

A lâmina da Vontade que Encred vira era capaz de bloqueá-la.

‘mas.’

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