O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 791

O Cavaleiro em Eterna Regressão

791. O treino foi longo.

— Você é habilidoso.

O lev[?25he sorriso no rosto de Oara desapareceu ligeiramente. Ela nem sempre sorria. Não estava completamente assustada, mas o piscar de olhos repetido era uma reação que qualquer um perceberia. Era natural. Mesmo sem muitos rounds, não seria difícil notar que ela era diferente. Seu inabalável Will-Usuke, sua esgrima, sua atitude, até mesmo seu uso da Vontade. Encred estava muito diferente de quando se conheceram em Mil Tijolos, a cidade agora conhecida como Oara. Momentos antes, Oara havia brandido sua espada, e Encred a desviou com uma estocada. Oara então conteve a espada, empurrou-a de volta e, com um movimento rápido do pé, ele dissipou a força restante. O cavaleiro que havia rebatizado a cidade permanecia fiel às suas habilidades. Encred confirmou isso, e Oara reconheceu que o homem diante dela havia mudado drasticamente. Um sorriso voltou ao rosto de Oara. — Isso não é mais divertido do que eu pensava? Ver o Encred transformado, enfrentar esse homem com sua espada. Foi o único momento desde a captura de Balrog em que um sorriso sincero pôde ser visto.

— Eu não te aconselhei a descartar algo naquela época?

A pergunta surgiu de uma lembrança. Não havia nenhuma intenção por trás dela. Encred respondeu casualmente. Responder imediatamente parecia o mais natural.

— Ah, eu perdi a oportunidade.

Oara sorriu e aceitou as palavras de Encred.

— ... Esse garoto é bom de provocação.

Também aprendi algo novo sobre Oara que não havia notado quando a encontrei pela primeira vez na cidade. Essa baixinha tem uma língua afiada de verdade. Com um rosto e uma atitude que parecem inofensivos, o efeito é duplicado quando se cutuca os nervos de alguém. Oara tem um longo histórico de experiência em campos de batalha. Ela sabe muito bem disso.

Clang.

Desta vez, Oara estocou, e Encred encurtou a trajetória e brandiu sua espada. Suas espadas se encontraram e se separaram de leve. Nem mesmo faíscas voaram. Como se estivessem treinando, eles brandiram, esquivaram, bloquearam e desviaram. Isso não era da vontade de Oara. Ela estava simplesmente seguindo o ritmo de Encred.

‘Entendo que você tenha chegado até aqui porque suas habilidades melhoraram até certo ponto.’

Será que era tanto assim? Oara se surpreendia cada vez mais. Originalmente, ela não tinha a intenção de empunhar sua espada dessa forma. Não queria esgotar as forças daquele homem. Então ela havia deixado o combate de treino de lado e apenas conversado. Por enquanto, ela só o estava acompanhando porque ele queria. Surpresa, Oara sabia que ele não conseguiria superar Balrog nesse ritmo.

‘Isso significa que eu tenho algo a dizer?’

Não haveria. Oara se moveu, olhando nos olhos do oponente. Os olhos dele eram como um céu limpo e sem nuvens. Eles continham uma luz raramente vista por aqui. Também revelavam uma vontade, uma determinação que não recuaria por nada. Era por isso que ela não podia impedi-lo. Que direito ela tinha de parar alguém que estava ali por livre e espontânea vontade, brandindo sua espada? Mesmo que o final estivesse predeterminado, mesmo que a história já fosse conhecida, Oara tinha que lê-la. Mesmo que o fim estivesse fadado a ser trágico.

‘Não é o suficiente.’

Ela sabia disso por causa de inúmeras batalhas. Balrog não era apenas um monstro que lutava bem. Como sempre, o tempo é finito. Seja lá fora ou dentro de um labirinto, onde há um começo, há um fim. Oara decidiu que era hora de começar, fosse uma tragédia ou o que quer que fosse.

[?25l

Tum.

Oara, que havia afastado a espada como se a estivesse empurrando, estava prestes a declarar que a hora havia chegado.

. Encred, empurrado de volta obedientemente, embainhou sua espada. O movimento pareceu refinado. Parecia pronto para saud

dar imediatamente. Oara murmurou para si mesma: "Sim, você também sabe que a hora chegou." Justo quando ela estava preste

es a abrir a boca, Encred atacou primeiro.

— Você sabe lutar de mãos vazias?

Então, ele de repente estendeu a mão. Oara esquivou-se com um zunido do punho direcionado à sua pálpebra. Desta vez,

 não era caso de apenas rir e se esquivar como antes. Ela girou a cintura, mudou seu centro de gravidade e moveu o pescoç

ço bruscamente. Ao mesmo tempo, abriu a palma da mão e a empurrou para longe. Isso era um contra-ataque, pois apenas evit

tar tais golpes não era o suficiente. Foi uma resposta reflexiva, nascida da intuição de uma cavaleira e de hábitos refin

nados.

Poc!

Encred direcionou seu punho esquerdo ao rosto de Oara, então estendeu o cotovelo direito e golpeou a palma estendida

 dela. O som foi bastante alto, evidenciando a força do golpe. Oara, que teve a palma bloqueada, saltou para trás duas ve

ezes como um coelho assustado. Sua especialidade natural era o manejo contínuo da espada usando os pés para se mover, e s

seu jogo de pernas não era nada comum. Mesmo sob a perspectiva de um cavaleiro, seu centro de gravidade mudava rapidament

te e seus reflexos eram excepcionais.

— ... O que é isso?

Oara, que havia recuado, perguntou.

— Aquecimento?

Encred respondeu calmamente.

— Então estou me soltando?

Oara percebeu mais uma vez o quão excepcional era a língua de Encred. Esse garoto sabia como irritar alguém. Ele tinh

ha o dom de deixar os outros irritados, independentemente de sua experiência no campo de batalha. O pensamento sobre Balr

rog desapareceu da mente dela por um momento.

— Por quê? A Oara que não sorri é de terceira categoria? Como lixo? Um peixe pequeno? É isso?

E embora a Oara sorridente fosse uma cavaleira de mente muito forte, ela não era do tipo que cedia a provocações. Ela

a era alguém que suprimiria seus oponentes com suas habilidades, não importa o que dissem.

— Mas isso não é verdade.

O novato de olhos azuis ouviu com uma postura calma. Aquela calma era algo que irritava os nervos lentamente. Oara re

espondeu, e Encred sorriu. Até mesmo aquele sorriso foi recebido como uma provocação por Oara.

— Certo, vamos tentar.

Houve uma época em que ela marchava pelo campo de batalha com uma única espada. Essa era a vida dela antes de se torn

nar uma cavaleira.

— Venham todos contra mim!

Sua fama começou quando ela derrotou sozinha dez mercenários, cada um com uma reputação distinta. Os mercenários adve

ersários a haviam emboscado, focando apenas nela. Em um campo de batalha onde táticas baseadas em uma pequena força de el

lite eram a norma, o plano era matá-la; mesmo que perdessem uma batalha, venceriam a guerra.

— Vou fazer você engatinhar por baixo das minhas pernas.

Aquele que a estava provocando foi o primeiro a ser retalhado, começando pelas pernas. Ela não resistiu à provocação.

. Por que ela se lembrou daquele momento? Oara reuniu seus pensamentos fragmentados e segurou sua espada. O sorriso que t

tinha sido sua marca registrada havia sumido. Mas a "eu" que ostentava aquele sorriso ainda existia. Se era um fragmento

 de sua alma, um mero fiapo de memória ou um pensamento em ruínas, ela não sabia. Ele havia lhe perguntado se sabia lutar

r de mãos vazias, mas ela simplesmente ignorou e buscou sua espada.

Shring.

A espada desembainhada seguiu a corrente. Sua espada era uma linha imparável. Uma onda sem fim. A espada de Oara traç

çou uma trajetória diagonal e a espada de Encred, contra-atacando, desenhou uma linha diagonal semelhante. Era um golpe d

desferido na direção oposta, como se refletisse a força de um espelho. As duas lâminas se encontraram no ar.

Clang!

Faíscas voaram. Ambos brandiram com toda a força. Oara usava roupas de mangas largas, mas o choque recente havia empu

urrado as mangas até os cotovelos. Finas fibras musculares ondulavam por seus braços, movendo-se como ondas.

‘É suave.’

No breve momento em que enfrentou a espada, Encred compreendeu a natureza da esgrima de Oara. Sua habilidade de ler a

a lâmina tão rapidamente não se devia apenas ao talento. Era por causa de seu conhecimento prévio sobre ela e de seu trei

inamento usando algumas das técnicas dela como referência. Ele aplicou força e empurrou a espada da oponente para o lado.

. Ele a empurrou de volta com eficácia por meio de uma investida poderosa.

Kagagang!

Pouco antes de travarem as lâminas, Oara percebeu que havia sido empurrada de volta pelo mesmo corte diagonal e recuo

ou imediatamente. Tão rápido quanto recuou, saltou para frente e brandiu sua espada na diagonal novamente. Um estalo ecoo

ou quando ela pisou forte no chão, e a lâmina cega traçou a mesma trajetória inclinada ao descer. Enquanto o golpe anteri

ior havia sido suave, desta vez foi violento. Encred ergueu sua espada e desferiu uma estocada suave.

Kigigik.

Suas espadas se cruzaram e eles trocaram de lugar. Até um instante atrás, Oara estava de costas para a fogueira, mas

 desta vez era Encred quem estava de frente para ela. A luz da tocha estava distante, a fogueira próxima. Suas sombras, p

projetadas entre eles, se sobrepunham. Assim como as espadas e os corpos se cruzavam, o mesmo acontecia com seus olhares.

. Aqueles olhos azuis impenetráveis permaneciam firmes, límpidos e puros. Oara sabia por que aqueles dez mercenários tinh

ham lhe vindo à mente. Ela já havia notado a emboscada deles há muito tempo. As táticas deles não eram tão sofisticadas a

assim. Ainda assim, apesar desse conhecimento, ela entrou no jogo. Exatamente como fazia agora. Isso era apenas um treino

o. Oara sabia que, se lutasse com todas as suas forças, com o mínimo de intenção real, deixaria pelo menos um ferimento n

nele, mas se recusava a fazer isso.

— Você realmente cresceu muito.

— Graças ao que ouvi por acaso naquela época.

— ... Você sempre falou desse jeito?

— Ah, você ouviu bem, Lady Oara. Sempre foi assim.

Se houvesse um concurso de língua afiada, esse garoto não seria o melhor do continente? Oara queria passar um tempo c

com Encred e ajudá-lo. Ela queria compartilhar algumas das experiências que adquiriu lutando contra Balrog.

‘... Por que você sabe de tudo?’

Como usar suas asas, como escapar da pressão, como chutar algo que voa fora do reino dos cálculos.

‘Eu sei de tudo.’

Encred havia lutado contra Balrog mais de cem vezes recentemente, então era compreensível, mas, do ponto de vista de

 Oara, aquilo era intrigante. Porém, não era algo que ela pudesse questionar. A partir de então, Oara soube o que Encred

 queria. Eles se comunicavam simplesmente pelo toque de suas espadas, sem precisar falar diretamente. Ela brandia sua esp

pada sem qualquer preocupação com a defesa, e Encred aparava, desviava e bloqueava cada golpe que ela desferia. Uma única

a espada de ferro lascada ainda permanecia na mão de Oara. O treino deles havia sido longo. Longo o suficiente para que u

um grupo de lunáticos procurasse pelo lunático que os liderava.

— Ah, é isso.

Oara, após acompanhá-lo por um tempo, recuou. Encred, também, naturalmente empunhou sua espada e tomou uma postura. N

Não houve tempo para mais nenhuma palavra. O corpo de Oara voou para o lado. Ela saltou como uma marionete presa por fios

s. Então, um pé carmesim emergiu da sombra onde ela estivera. As posições haviam mudado, e Oara tinha ficado de costas pa

ara a fogueira. Suas sombras se sobrepuseram, e o pé surgiu. Então, aconteceu bem diante de seus olhos. Os pensamentos de

e Encred estavam lentos. O ar pesava muito sobre seus ombros, e sua acuidade visual, muito além dos limites humanos, capt

tou a identidade da coisa que subia da sombra. Ele saberia mesmo sem ver. Sua intuição experiente reconheceria o que acab

bara de acontecer. E assim, o pé de Balrog emergiu. Mesmo no tempo dilatado, o pé de Balrog deixou um rastro turvo. Nenhu

um pensamento conseguia escapar de sua trajetória e velocidade. E não foi apenas o pé que surgiu; ele também estava imbuí

ído de uma sensação de intimidação. Uma pressão invisível, uma pressão com a forma de correntes ardentes, prendeu seus me

embros.

Impossível!

Encred foi chutado. Ele foi arremessado para trás, quase colidindo contra a parede. Mas isso não aconteceu.

[?25h

Plac!

Uma mão grande, enorme como a de um urso, amparou as costas de Encred que voavam pelo ar, desviando a força para o la

ado. O gigante que segurou Encred girou. A força que poderia ter despedaçado a parede, ou mesmo perfurado-a, dissipou-se

 no ar. Um zumbido ecoou nos ouvidos de Encred. Ele havia se protegido com a Vontade, mas ainda era o zumbido causado por

r ter sido arremessado tão de repente. Isso desapareceu rapidamente, graças ao seu corpo resistente. A pessoa que o havia

a treinado para se tornar o que era agora estava apoiando suas costas.

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