O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 637

O Cavaleiro em Eterna Regressão

637. Inverno e Primavera

Uma criança que vê algo interessante facilmente se deixa absorver por aquilo.

Especialmente se estiver[?25hrelacionado a algo pelo qual ela se interessava desde a infância.

Shinar gostava de olhar para o ferro refinado desde a infância. Para ser exata, ela gostava de ver o ferro ser refinado e se transformar.

Todo o processo do encontro entre a chama e o ferro estimulava seu interesse.

Quando criança, Shinar ficava inebriada pelas chamas e completamente absorvida por elas, como se estivesse sob o efeito de algum feitiço.

— O que tem de tão bom nisso? Vamos ver as flores e nos encontrar com Branina.

Por outro lado, a irmã era comum. Ela costumava olhar para as flores como as outras crianças e deitar-se na grama para que seu corpo ficasse com cheiro de relva.

O conceito de deixar o aroma da grama permear o corpo era um dos elementos mais importantes para as fadas.

Deitar-se na grama daquele jeito, desfrutar do perfume das flores e observar as abelhas e borboletas batendo as asas enquanto carregavam o mel.

Nesse meio-tempo, brincar com fadas que eram amigas e mentoras, e aprender com a sabedoria delas, esse era o período de crescimento para as fadas.

Em vez de um ensino rígido no estilo de aprendizado formal, a sociedade das fadas escolhia um método de lenta iluminação, mesmo que levasse muito tempo.

Aprender o que fazer e dominar suas tarefas enquanto viviam uma vida de brincadeiras e diversão.

Era um método que se desenvolvia naturalmente porque a expectativa de vida delas era diferente da dos humanos.

Depois disso, aprendiam a controlar suas emoções e se tornavam adultas.

— Isso é divertido?

A irmã perguntou com os lábios semicerrados. Ela ainda era uma fada jovem, então suas emoções não eram controladas e ela parecia inocente naquela idade.

— Se eu apenas me sentar ali e observar, parece que qualquer coisa pode acontecer.

Sinar respondeu. Assim que ela terminou de falar, o martelo se moveu.

Ta-ang.

O martelo golpeia o ferro. Na cidade das fadas, havia uma família distinta que lidava com o ferro.

A família que fazia as Naidul e as Espadas de Folha.

Antes de ser reconhecido como artesão, era preciso passar por um processo de treinamento que consistia em forjar uma espada de gume único ou várias armas e ferramentas, e aquele que Shinar observava era um aprendiz no meio desse processo.

— Se você chegar muito perto, vão voar faíscas.

Disse um dos aprendizes.

Seu nome era Aden.

Ele foi o primeiro amor de Shinar.

Olhando para trás, é difícil dizer se ela gostava de Aden ou do fogo que ele manipulava, mas Shinar acreditava que gostava de Aden quando era jovem. Era um tempo em que ela não sabia como esconder seus sentimentos.

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— Apenas não deixe que voem.

— O fogo não se move do jeito que eu quero.

— Então você realmente deve ser um aprendiz.

— Isso soa como uma provocação e tanto.

Aden tinha quase a mesma idade de Shinar, mas Shinar definitivamente havia nascido antes.

No entanto, não havia a cultura de discutir a relação de irmãos mais velhos ou mais novos com base na diferença de idade

e, como os humanos faziam.

O modo de falar de Aden era muito mais maduro do que o de Shinar.

Essa maturidade vinha de lidar com o fogo? Ou era inata?

Eu não estava particularmente curiosa.

Shinar havia nascido na família real, mas, na sociedade das fadas, um rei significava um representante ou guardião que f

falava em nome de todas as fadas, e não alguém que podia fazer o que bem entendesse.

De certa forma, parecia uma[?25lposição com deveres e responsabilidades, mas sem privilégios.

Não havia uma hierarquia repleta de autoridade. No entanto, todas as fadas sabiam que ela era da linhagem do rei.

[?25h

— Kirhais, vá pedir permissão às flores para fazer uma coroa com seus corpos e desfrutar do aroma da relva.

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Foi por isso que Aden b[?25lrincou daquele jeito. Shinar bufou diante daquilo.

Para uma fada jovem, rolar entre as flores e a grama era semelhante a como os humanos se banham em água morna.
[?25h

A única diferença era que as fadas gostavam muito mais.

Nesse aspecto, Shinar era uma fada muito singular.

Mesmo Aden, que trabalhava com o fogo, costumava passar seu tempo livre observando as abelhas entre as flores e a grama,

, mas Shinargostava mais de observar o fogo do que de rolar na relva.

— O que tem de tão engraçado nisso?

A irmã resmungou. Era um tempo de imprudência. A irmã partiu para cuidar dos seus próprios assuntos. Não havia pressã

ão sobre Shinar. Como é comum na sociedade élfica, ela pensava que chegaria o momento em que cada pessoa perceberia o sig

gnificado de sua própria vida.

Após fazer um gesto vago para a irmã, Shinar perguntou a Aden:

— Você sabe o que é Igniculus[1]?

Ta-ang! Ta-ang!

Só depois de alguns estalos altos e barulhentos foi que Aden, que suava profusamente diante do braseiro, respondeu.###TAG###/p>###TAG###

— Você acha que existiria alguma fada que eu não conhecesse?

Mesmo as fadas não conseguem fundir ferro sob a luz do luar.

Claro, elas precisavam ter um forno, manipular o fogo e precisavam de combustível para alimentá-lo.

Os Guardiões da Madeira forneciam o combustível. A seiva das fadas da madeira e a lenha que preparavam mantinham o fogo

 aceso por meses sem se apagar, o que era um dos mistérios da alquimia.

E igniculus.

Era uma palavra que parecia relacionada ao forno e à família do artesão.

No idioma do continente, significava faísca ou centelha.

As fadas têm vidas longas, geralmente vivendo tranquilamente, sem grandes altos e baixos, como uma melodia suave.

Igniculus significa literalmente um momento em que você arde como uma chama e, para algumas fadas, isso poderia ser o am

mor.

Para outras, poderia ser o avanço em direção a um objetivo.

As fadas são descontraídas com tudo, mas, nesse momento, elas florescem e ardem intensamente. É nessa hora que as fadas

 crescem e mudam. Algumas fadas

dizem que é um período de transformação, como o ferro sendo martelado em uma forja. Isso acontece

antes de aprenderem a controlar suas emoções. Sinar gostava dessas palavras.

Igniculus, faíscas.

Por isso, ela decidiu receber sua própria espada mais tarde, não pela idade, mas por agulhas. Uma espada que manipula fa

aíscas.

Sim, era isso.

Aquele foi o dia. Um dia, uma criança inebriada pelo fogo se aproximou dela e disse que seria seu amigo secreto.

A princípio, veio como calor.

Ninguém sabia, então ninguém se preparou.

Ninguém se preparou, então ninguém pôde reagir.

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Hwaruk.

— Quer brincar comigo?

A chama falou.

Chamas alaranjadas arderam no ar. Para quem quer que visse, parecia um espírito do fogo.

Algumas fadas tinham conexões psíquicas com espíritos, e Shinar andava inebriada pelo fogo desde jovem. Então isso não t

tinha nada de especial. Todos pensavam assim.

— Isso é incrível.

Depois de aprender a controlar suas emoções, o falar da irmã tornou-se muito mais calmo. O mesmo se aplicava a Shinar

r.

— Sim. Eu também acho.

Quando a presença da chama foi revelada, a irmã disse aquilo. O calor tornou-se um amigo. E esse amigo, um dia, torno

ou-se uma labareda ardente.

O amigo que se aproximara com calor transformou-se em um desastre chamado fogo.

Queimou tudo. Aqueles que me eram próximos, meus amigos e até a cidade onde nasci e cresci.

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Cale a boca!

O cheiro acre dos Guardiões da Madeira queimando até a morte ardia em seu nariz. Era um cheiro que Sinar nunca esquec

ceria pelo resto de sua vida. Para os elfos, esse cheiro não era diferente do cheiro de carne queimada. Quando Druus quei

imou, um cheiro semelhante ao de grama queimada espalhou-se por toda parte.

Os portões do inferno se abriram na cidade dos elfos.

— Aden.

— Eu vou impedi-lo.

Aden, que havia se tornado um mestre do fogo, avançou com uma espada.

O demônio, que estava envolto em fogo como se fossem vestes, subjugou Aden e o matou.

Foi uma chama que carbonizou todo o seu corpo antes mesmo que bolhas pudessem se formar.

O cheiro de grama, flores e árvores queimadas misturou-se na morte da fada.

— Custos Akitos Responsum.

Os elfos que lidavam com espíritos deram um passo à frente para tentar conter as chamas, mas foi inútil[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l.

Tentaram apagá-las despejando água como chuva, mas as chamas não cediam facilmente. A tragédia e o desespero se abateram

m sobre a cidade élfica.

Shinar viu as chamas consumindo a cidade.

Cinco Guardiões da Madeira foram queimados. Bran também mal sobreviveu, com metade de seu corpo queimada aqui.
[?25h

O gigante feito de fogo ergueu a cabeça. Um ser cinco vezes maior que um elfo comum olhou ao redor para aqueles que se c

colocavam em seu caminho.

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— Eu me retirarei depois de ver vocês brincando comigo. De agora em diante, construirei um lugar para eu morar, filho

os das árvores e das flores. Fiquemos juntos para sempre. Eu sou o ser que vocês chamam de demônio.

O demônio, que fingia ser amigável e gentil, falou. Ele havia literalmente feito seu ninho em um canto da cidade.


Estava claro quem era a fada a quem ele chamava de amiga.

— É uma maldição.

Só porque ela controlava suas emoções e não conhecia a mentira, não significava que era íntegra e forte. Algumas fada

as fracas e de coração partido ressentiam-se de Shinar.

Eram fadas que haviam perdido seus filhos, amigos e amantes. Shinar não podia culpá-las. Para ser exata, ela nem sequer

 pensou em culpá-las na época.

Ela não conseguia compreender a maior parte do que estava acontecendo.

Por quê? Por que isso tinha que acontecer?

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— Não é culpa sua.

Meu pai me interrompeu e disse: — Não é isso.

— Sim, é simplesmente nossa responsabilidade.

Disse minha mãe. Não. Foi algo que aconteceu quando me embriaguei com minha própria chama.

Houve momentos em que fiquei arrasada pela autoculpa. Houve momentos em que fiquei sem palavras e não abri a boca por an

nos.

Kirhais.

Se você traduzir essa palavra, ela significa proteger.

Os pais de Shinar eram os responsáveis por expulsar os demônios da cidade. Seu pai empunhava um arco, sua mãe empunhava

 uma espada, e sua mãe tornou-se uma cavaleira fada naquele ano por sua habilidade em lidar com os espíritos.

[?25h

— Filha, não é culpa sua.

Minha mãe repetia o que dizia todos os dias e desembainhava sua espada.

De onde veio o demônio que queima tudo? Eu não sei.

Mas parecia que a razão pela qual o demônio viera era por causa de Shinar. Todos diziam isso, e Shinar se sentia assim,

 então parecia verdade.



— Fada maldita.

— Vá embora.

Uma vez que seu coração fosse partido, a fada nunca parava de culpar.

E seu pai e sua mãe, que haviam partido para matar o demônio, nunca mais voltaram.

— Sina, você não precisa viver assim, está bem? Nada do que aconteceu aqui foi culpa sua.

A irmã lhe disse para jogar fora o fardo do dever, empunhou uma espada e aprendeu a arte de lidar com os espíritos.###TAG###br>###TAG###

Uma faísca voou em meio à sua vida calma e silenciosa.

Em um relâmpago, Igniculus.

O nome de sua irmã era Naira Kirhais, e ela acendeu a centelha do talento.

Assim, a irmã tornou-se uma cavaleira fada e partiu para matar demônios, mas falhou.

Shinar não tinha sensibilidade para espíritos. Tudo o que lhe restava era treinar seu corpo.

Até aquele momento, sua arte de lidar com espíritos era extremamente fraca.

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— É por sua causa. É tudo por sua causa.

O ressentimento da fada fraca espetava sua pele e marcava seus órgãos.

Seu pai, sua mãe e sua irmã morreram.

O demônio criou um labirinto, e a espada de sua irmã ficou cravada em frente a ele.

Age.

Era a espada da primavera que Naira possuía. A irmã era uma fada como a primavera. Ela era como a encarnação das flores

 e do perfume da relva. Shinar recolheu a espada de Naira.

— Não existe essa história de dever. Vá lá fora e viva sua vida.

— Você apenas sai

e pronto. — Não seja tola, Shinar. —

Vamos colocar as algemas do dever.

— Nada muda com a culpa. O importante é discutir o futuro.

— O demônio pediu uma noiva.

— Shinar?

— Ele pediu outra fada.

— Que absurdo.

[?25h

Houve muita conversa. Shinar não tinha nada a dizer. Ela apenas refletia sobre seu dever.

Nesse ínterim, não havia espaço para sonhos, esperanças ou desejos pessoais.

“Matar o demônio.”

A próxima fada a se tornar cavaleira foi Arzilla. Ela liderou as forças restantes na cidade para exorcizar os demônio

os.

Shinar era uma delas. Ela entrou no labirinto e viu os demônios.

— É você.

Foi o que o demônio lhe disse. Ela pôde sentir o quão assustador um monstro racional pode ser.

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— Se você fugir, eu pegarei os que restarem um por um, os torturarei e os matarei. Arrancarei seus olhos, puxarei sua

as unhas e arrancarei sua pele, e então os enviarei a você de presente. Então, fuja. O momento em que penso em encontrá-l

la e lhe entregar a caixa de presentes me dá um arrepio. Sim, se você não gostar, encontrarei outro jeito, mas não sei qu

ual será.

Os sussurros do demônio são cruéis. São cruéis, malignos e impiedosos.

— O que eu quero é que você seja minha companheira.

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Embora os sussurros fossem cheios de mentiras, Shinar não tinha escolha.

Então o demônio transformou-se em chamas e sussurrou para ela como um amigo.

— Eu descobri uma maneira de poupá-la. Traga um companheiro. Um companheiro para substituí-la.

Uma maneira de substituir o dever, um meio de ganhar tempo.

Shinar tinha que encontrar um novo companheiro e entregá-lo ao demônio.

Se não, ela poderia simplesmente abrir mão de sua vida difícil e dar uma trégua às fadas restantes.

Shinar não era tola.

Não havia a menor chance de o demônio poupar as fadas restantes só porque ela ficasse ao lado do demônio cortejador.


Em outras palavras, a única coisa que ela podia dar era um adiamento. Mas não havia outra escolha. O desespero se instal

lou, envolvendo seus ombros e abraçando-a com força.

Shinar tentou encontrar uma saída em meio aos fios do desespero.

Ela deixou a cidade e iniciou uma jornada para encontrar um companheiro.

Para ser honesta, ela não tinha nenhuma intenção real de encontrar um. Para falar a verdade, ela talvez quisesse apenas

 desfrutar de um breve momento. Ela

talvez quisesse deixar uma lembrança logo antes de ir para o lado do demônio e dançar com ele pela última vez.
[?25h

O demônio devia gostar de vê-la frustrada mesmo depois de trazer um companheiro, e devia se deliciar com o desespero del

la por não conseguir encontrar um.

Por isso ele lhe dera a chance de ir para terras estrangeiras.

Durante aquele período de ócio, o tempo de graça concedido pelo demônio, felizmente, uma lembrança foi criada.

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— Quem é o líder do 444º esquadrão?

Eu me lembro da primeira vez que o vi.

Seu nome era Encred.

No começo, ele era apenas uma pessoa um tanto peculiar.

Alguém divertido de observar. Alguém

cujos desejos vinham do nada.

Era divertido ver seu progresso.

— Você precisa ter cuidado com o fogo.

Porque o fogo costuma queimar tudo.

Encred inclinou a cabeça diante daquelas palavras e mostrou uma expressão confusa com a minha brincadeira.

O tempo passou. O momento em que a graça do demônio estava se esgotando se aproximava. Shinar não tinha escolha.

[?25h

— Você realmente não pensa em se casar comigo?

Nós já sabemos a resposta de Encred. Foi uma rejeição. Na verdade, mesmo que ele quisesse, teria recusado.

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“Não posso matar este homem.”

Em outras palavras, não restava mais nada a fazer para evitar os olhos do demônio. Só restava aceitar a proposta dele

e.

Vinte anos, no máximo; cinco anos, no mínimo.

Tornar-se a noiva do demônio. Então, quando ele se cansar de mim, vai me mastigar, osso por osso.

Esperemos por esse momento.

Sua determinação firme e inabalável era como a própria vontade. A lâmina da vontade não se quebra. É apenas uma luta par

ra resistir até o dia em que essa lâmina será usada.

Quando algo semelhante ao arrependimento surgia, ela sentia remorso diante do sussurro do espírito maligno.

Era natural que seu coração não se abalasse facilmente devido ao controle emocional, mas no momento em que ela encarou o

o homem diante de si, seu coração balançou como um pequeno barco em uma tempestade. Não teria sido estranho se um barquin

nho que enfrentasse tais ondas virasse a qualquer momento.

Então, a voz de Encred de repente invadiu seus pensamentos e a interrompeu.

“Só porque vivi muito tempo não significa que hoje seja diferente de qualquer outro dia.”

“Sim, você tem razão.”

Sinar concordou.

O modo de vida perseguido pelas fadas não estava errado.

No entanto, quando uma crise se aproxima, você não deveria agir de acordo? Mesmo

sabendo que uma flecha estava vindo, seria certo apenas esperar e recebê-la? Como você costumava ser relaxada, deveria f

fazer o mesmo quando visse a flecha?

Isso não deveria acontecer.

Se você soubesse, deveria imediatamente desviar ou bloqueá-la.

Ao reconhecer a existência do demônio, você deveria ter lutado ali mesmo, arriscando tudo.

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“Estou acostumada com isso.”

A cidade das fadas vivia uma vida alheia ao reino mágico. Elas viviam de forma calma e confortável, com o mínimo de r

restrições. E essa vida eliminava o senso de crise das fadas.

“Eu não deveria ter agido assim.”

Eu tinha que viver como um fogo ardente. Como uma chama.

Eu tinha que lutar como um Igniculus, uma faísca.

O processo cognitivo de olhar para a situação com calma só foi possível depois que conheci Encred.

À medida que eu conseguia respirar em uma vida que parecia estar se afogando e queimando até a morte em um lago de chama

as, minhas percepções naturalmente se expandiram.

“Graças a isso, cheguei até aqui.”

Lutarei como uma faísca. Erguerei minha espada da vontade.

No entanto, uma faísca precisa de um gatilho para arder.

Você poderia chamar isso de destino, mas, em outras palavras, é um gatilho que pode ser chamado de vontade.

Se você acredita que é o destino, esperará por esse momento.

Se você pensa que é a vontade, trará esse momento por si mesma.

Shinar, com sua vontade fortalecida, encontrou Encred como se fosse o destino e acendeu a faísca.

Durante o tempo que passou com ele, ela ardeu e despertou sua energia.

Agora, ela prenderia a respiração e esperaria, mantendo a faísca acesa.

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“Eu poderia ter adiado tudo.”

Embora eu tivesse mentido para mim mesma dizendo que não havia nada que eu queria fazer,

havia alguém diante de mim com quem nenhuma mentira ou truque funcionaria.

— Não foi divertido estarmos juntos?

Encred perguntou novamente.

“Ele é um cara persistente.”

Sinar sorriu involuntariamente. Lembranças que lhe vinham à mente enchiam sua cabeça.

Amigos que morreram no incêndio, a cidade, pais, mães e irmãs que morreram por ela.

Encred interveio em meio à melancolia. Rem cuspia bobagens, Ragnar perdia o rumo e Audin rezava.

Kreis reclamava e Teresa cantava.

De um lado, Lawford e Fel discutiam, e Luagarne estava ao lado de Encred, revirando seus olhos esbugalhados, característ

ticos dos Prok.

Era uma lembrança como um telhado que bloqueava a chuva sombria.

Sim, foi divertido ver você se tornar um cavaleiro.

As piadas sem graça, o chá, a comida, os treinos, o combate.

Sinar pensou consigo mesma.

“Você era a primavera. A única primavera na minha vida que sempre foi inverno.”

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A primavera fala.

— O que eu quero fazer.

É coerção. É opressão. Diga algo.

Shinar veio aqui e viu o que o demônio havia preparado.

Ele já não possui mais cordas vocais. Tudo o que lhe resta é uma espada para abater seus inimigos e um corpo para criar

 monstros.

É por isso que ela sabe. Ela não pode vencer. Então é certo dizer a ele para voltar.

— Eu quero fazer “Dalsyeon”[2].

Mas, às vezes, o corpo não obedece. Às vezes, quando você está tão desesperada, sua boca se abre por conta própria. F

Foi assim que a boca de Shinar se abriu.

— Eu quero sentar ao redor da fogueira e contar piadas sem graça.

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O desejo que eu guardava no coração saiu pela minha boca.

[1] - Igniculus: Palavra no idioma do continente que significa faísca ou centelha, referindo-se a um período de inten

nsa paixão, crescimento e transformação para as fadas.

[2] - Dalsyeon: Um termo ou costume específico da cultura das fadas, representando um momento de lazer ou interação s

social próxima.

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