O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 577

O Cavaleiro em Eterna Regressão

577

— Você pode acabar morrendo.

Audyn falou ajoelhado, com a cabeça erguida. Um momento depois, Encred respondeu de novo.

Ttang!

Era o som de[?25huma espada e um bastão colidindo e explodindo.

— Quem?

Embora ele não tivesse dito nada de verdade, Audyn sabia que Encred diria algo assim.

— Cavaleiros não são imortais.

Audyn continuou a falar.

O que significava que, mesmo sendo um cavaleiro, ele não seria capaz de suportar o poder da igreja.

— Eu nem mesmo desejo isso.

Também se ouviam respostas de quem não se importava.

— No fim, você não conseguirá o que quer.

Era difícil demais alcançar seus sonhos enquanto era perseguido pela igreja. Não havia motivo para seguir por esse caminho.

Bastava desistir de si mesmo para que tudo terminasse.

Se ele simplesmente desistisse de si mesmo, tudo acabaria ali.

Mas Encred não faria isso.

Mesmo sabendo disso.

Ele demorou a se decidir. Isso porque tinha que encarar sua vida passada, seus erros e tudo o que nela continha, e precisava abandonar os pecados que havia confessado.

De qualquer forma, Audyn voltou a falar. Ele perguntou incessantemente. Aquela era a última pergunta.

— Então você ainda quer permanecer aqui?

Era um caminho difícil e árduo.

Audyn disse que era um sonho grandioso, mas pensava nisso como sua responsabilidade e dever.

No entanto, he havia dado as costas por acreditar ser impossível de alcançar. Encred se repreendeu por isso.

— Existe alguma coisa neste mundo que não possa ser feita?

Não existe tal coisa. Aqueles que provaram a si mesmos diziam isso.

Bum!

Houve um estrondo alto.

A espada de aço de Valery finalmente se quebrou, e o corpo de Encred, com o braço dobrado em um ângulo impossível, foi arremessado longe.

Audyn, por reflexo, amparou o corpo.

Ele segurou o corpo com firmeza. Audyn não vacilou nem um pouco. Suas mãos não tremeram, suas costas permaneceram eretas e seus olhos estavam extremamente límpidos.

Mesmo ajoelhado, seu corpo parecia maior do que o de qualquer outro.

— Você terá que desistir do seu sonho.

Ele disse isso enquanto o segurava em seus braços.

— Por que eu?

A resposta veio de volta. Era uma voz real, não uma ilusão.

Encred esteve ouvindo Audyn resmungar sozinho por algum tempo.

Audyn riu.

Sim, meu capitão diria isso.

Audyn estava com uma mentalidade diferente de antes.

Quando a vontade de alguém brilha tão intensamente, é difícil não respeitá-la.

Ainda mais por ser o caminho que ele próprio desejava e acreditava ser o correto.

— Siga pelo caminho do sofrimento. Entre pela porta estreita. Trilhe o caminho estreito, se essa for a sua vontade.###TAG###/p>###TAG###

Audyn se levantou de onde estava, proferindo as palavras de seu pai.

Atrás dele estava seu capitão com o braço quebrado, o homem que havia desistido de tudo, inclusive da vida, e lhe dad

do uma nova perspectiva sobre o mundo, e, mais atrás, a criança que sofreria o mesmo destino que Fielden.

Audyn decidiu proteger a ambos.

Mesmo que aquele fosse o seu fim.

Mesmo que não pudesse escapar de todos aqueles erros.

Mesmo que aquilo não fosse o que oPai desejava.

‘Agora eu apenas rogo, Senhor, Pai.’

O selo dourado não deveria ser liberado de forma repentina e forçada. Se fosse liberado de uma vez, haveria um violen

nto ricochete.

Isso poderia levá-lo à morte.

E daí?

Ele também pensou no que seu capitão havia dito.

As correntes em sua mente se agitaram e se romperam.

O selo dourado que originalmente fora colocado sobre ele era algo que ele mesmo havia imposto, por isso não precisava

a da permissão de mais ninguém para desfazê-lo.

Audyn ergueu a cabeça, que estivera curvada por um momento em oração. Antes que percebesse, uma luz branca brilhava e

em seus olhos.

Uma luz incomparável aos olhos prateados de Overdeer espalhou-se de seus olhos por todo o seu corpo.

Era uma luz sagrada.

E ele, mais uma vez, manifestou o milagre que o Santo Seiki havia lhe mostrado antes.

Wooooh!

A luz ergueu-se como um pilar, tendo Audyn como centro.

O feixe de luz era mais espesso do que qualquer outro que Seiki já vira, perfurando os céus.

A luz resplandecia ao redor. O deus da guerra parecia dizer: ‘Apoio a sua causa com a minha luz.’ Essas eram as palav

vras do deus da guerra e pai de Audyn.

Mesmo que ele não tivesse dito isso de verdade, Audyn decidira pensar assim agora.

Isso era fé e convicção.

A luz envolveu Audyn. Audyn envolveu a luz.

Nascido e criado em uma nação sagrada, ele era o portador de um talento como nunca se vira antes, e agora condensava

 sua divindade.

Sangue escorria ao redor de seus olhos junto com a luz.

Não importava o ricochete ou a liberação repentina da restrição.

‘Então, o que vocês querem que eu faça?’

Ele estava disposto a arriscar a vidapelo que desejava agora.

Não se tratava de salvar o continente.

Mesmo que fosse apenas para salvar uma criança chamada Santo e d[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l[?25lar continuidade à vontade estabelecida pelo Capitão.###TAG###<



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Porque era isso o que Audyn queria agora.

Não importava se os outros dissessem que não era grande coisa.

[Se você tem algo em que acreditar, por que ouve o que os outros dizem e acaba caindo nos sussurros do diabo?

[?25h

Se você provar sua fé e seguir em frente com base nela, as palavras do diabo não passarão de mero ruído.]

[?25h

À medida que a restrição era liberada, as palavras do templo continuavam vindo à sua mente.

Audyn falou em meio à luz.

Desta vez, era sua vez de falar sobre algo que havia aprendido sob a liderança do capitão, e não no templo, e assim o

o fez.

— Se eu pudesse retornar aos Cavaleiros, o Irmão Rem já estaria morto a esta altura.

Audyn falou com um sorriso e ergueu os dois punhos. A luz violenta envolveu brevemente os braços e o peito de Encred.

.

Pode não curar as feridas imediatamente, mas proporcionaria algum nível de recuperação.

A luz sagrada acumulada por anos continuava a irromper como se estivesse explodindo.

A luz que formava o pilar desceu e cobriu todo o corpo de Audyn.

Em vez de se dissipar, a luz se estabilizou e manteve uma forma densa que envolvia o corpo de Audyn.

— Seonggwanggap[1]?

A boca de Overdeer se abriu ao ver aquilo.

Exatamente.

A técnica de usar a divindade para vestir uma armadura invisível é chamada de Armadura de Ferro.

Se você envolve seu corpo com luz, torna-se uma Armadura Divina.

Existe uma técnica suprema que permite emitir ainda mais luz e cobrir todo o corpo.

Essa é a técnica chamada Seonggwanggap.

Essa é uma habilidade que pouquíssimos conseguiram alcançar, pois exige treinar o próprio corpo a um nível absurdo.###TAG###/p>###TAG###

É uma técnica que só pode ser refinada depois que a densidade dos músculos se altera e a resistência da pele é treina

ada para se assemelhar a uma verdadeira placa de ferro.

Isso só é possível quando se treina o corpo e se trata o poder divino como se fosse parte do próprio organismo.

[?25h

É uma habilidade alcançada ao explodir a energia divina e, em seguida, recolhê-la de volta para o corpo.

Músculos e pele estavam em perfeita harmonia, e um brilho branco e suave pairava sobre todo o seu corpo.

A luz permaneceu sobre todo aquele físico imponente como uma armadura.

— Isso não é algo que eu não conseguiria alcançar mesmo após cem anos de treino?

Disse Overdeer.

— Deve ser uma questão de talento. Que tal levar um golpe e começar de novo?

Audyn moveu-se sem hesitação, proferindo palavras que desdenhavam do talento do profeta.

Embora tivesse vivido de forma confortável, ele inevitavelmente sentiu um pouco de raiva ao ver Encred apanhar, então

o quis descontar essa fúria.

E, na verdade, Audyn não era alguém que levasse a vida de forma tão mansa.

Ele não era do tipo que oferece a outra face quando batem na sua esquerda, mas sim do tipo que pergunta se doeu depoi

is de esbofetear a cara de alguém.

Vupt!

A luz deixou um rastro, sendo literalmente um rastro residual de luz.

A figura imensa, apelidada de Homem-Urso, moveu-se e desferiu um soco. Overdeer também brandiu seu bastão em resposta

a.

Clang!

O punho e o bastão, o choque entre divindades, explodiram em todas as direções enquanto a luz se dispersava.

[?25h

Encred, caído, tinha dificuldades para abrir os olhos.

Shilma e os outros naturalmente fecharam os olhos com força.

Com o estrondo violento, a luz disparou para o alto e se espalhou em todas as direções, iluminando momentaneamente os

s arredores como se fosse pleno dia.

O crepúsculo púrpura desapareceu sem deixar vestígios.

Era verdadeiramente um milagre criado pela divindade.

A luz caía como chuva.

Era como se o céu estivesse derramando lágrimas de tristeza.

Audyn derramou tudo o que tinha, como uma vela da qual restava apenas o pavio.

Foi assim que ele subjugou Overdeer.

Ele realizou o milagre de golpear com as próprias mãos a arma assinatura do oponente, os dois bastões de ferro conhec

cidos como Bastão da Mente[2].

— Apenas um.

Audyn desferiu o punho, repelindo a infiltração divina com sua própria divindade.

Um golpe pesado atingiu o ombro de Overdeer.

Bam!

Houve um estalo alto quando a armadura sagrada se estilhaçou. Uma luz trêmula estremeceu por todo o corpo de Overdeer

r.

— Se algo não quebra, é porque não sou forte o suficiente. Se posso destruir de frente em vez de penetrar, então a pe

enetração não passa de bobagem!

Era o grito de Audyn. Se Encred havia sido atingido àquela altura, ele saberia qual técnica seu oponente estava usand

do.

Audyn queria dizer que não havia necessidade de aprender aquilo.

Em vez disso, seria melhor apenas usar a Vontade corretamente e esmagar tudo.

Esse era o padrão.

A infiltração é uma boa técnica, mas não é obrigatório usá-la. Ele deixaria isso como o último ensinamento.

[?25h

A vontade que você carrega é transbordante, então deve lutar de acordo com ela.

Os dois continuaram a se confrontar depois disso.

— Excelente!

Overdeer gritou no meio do embate. A superioridade de suas armas desempenhou um papel para que ele não fosse empurrad

do para tão longe.

Os dois bastões que normalmente estavam repletos de sua divindade não eram facilmente repelidos pelos socos de Audyn.

.

A luz explodia e a chuva caía continuamente.

Era magnífico. Alguns pareciam se encher de reverência apenas ao olhar para aquilo. A preciosa luz se dispersava por

 toda parte.

Naturalmente, era uma luz repleta da intenção de ferir o outro, não de cura ou alívio.

— Pai, aqui vem o seu filho.

Audyn cantava enquanto entoava um hino.

Era um cântico. Através do hino, a luz sagrada erguia-se cada vez mais em seu corpo.

Até mesmo Overdeer, de pé à sua frente, tentava espremer até a última gota de sua força.

Audyn condensou sua luz. Sangue escorria de seus olhos, nariz e ouvidos.

Significava que o limite havia sido alcançado.

Era o momento exato.

Algo que ninguém esperava aconteceu.

Atrás, Shilma recitava um feitiço sagrado por meio de preces.

Wooooh!

O som veio primeiro.

Uma esfera de luz surgiu diante da mão estendida da Sacerdotisa Shilma, voando como um projétil.

Tinha uma cor turva, bem diferente da luz que os dois cavaleiros exibiam agora. Era um projétil feito de luz sombria.

.

O projétil de luz, ironicamente, voou em direção ao santo, e não a Encred ou Audyn.

Era algo que ninguém esperava.

O projétil, composto de luz sagrada, tinha a força de uma rocha, de modo que, se atingisse o corpo da criança, o desp

pedaçaria por completo.

Oito esferas de luz voaram em direção a eles. Shinar foi a primeira a reagir.

A lâmina se dividiu e disparou uma onda de energia, e uma lâmina idêntica à dos tempos surgiu, cortando cinco dos pro

ojéteis.

Encred, deitado, arremessou faíscas e espadas curtas.

Duas espadas arremessadas com sua técnica de arremesso destruíram dois projéteis de luz.

Tching!

O projétil de luz cinzento, turvo e nublado no ar, despedaçou-se e se espalhou.

Por um instante, Encred sentiu que havia falhado.

Ao arremessar a espada curta, ele tentou intencionalmente perfurar o projétil de luz ao lado, mas falhou.

[?25h

Isso significava que restava um projétil de luz.

E esse último foi bloqueado pelas costas de alguém.

Bum!

Não era Audyn. Ele estava prestes a liberar a luz que envolvia seu corpo por meio do cântico.

Foi apenas por um instante, mas ele ficou temporariamente incapaz de se mover.

Audyn disparou a luz acumulada para o alto, em vez de direcioná-la para a frente.

Parecia que um meteoro subia de baixo, uma massa de luz perfurando os céus.

Ao longe, uma massa de luz ergueu-se como se fosse uma nova estrela, e aquele que havia bloqueado o último projétil d

de luz virou a cabeça.

O golpe em si não deveria ter sido nada para ele, mas sangue escorria de sua boca por ter sido atingido por Audyn. Se

eus órgãos internos já estavam danificados, embora não fosse um ferimento fatal.

— Sacerdotisa Shilma, o que significa isso?

Disse Overdeer. Ele olhou para Shilma. Fumaça branca subia de suas costas, onde o projétil de luz o havia atingido. A

A chuva de luz acabara de cessar.

— Por que fez isso?

Disse Shilma, confusa.

Ela viu a situação se desenhar e sentiu instintivamente que era uma crise.

Se as coisas continuassem assim, eles levariam o santo embora, e ela mesma não conseguiria sobreviver.

‘Deus disse.’

Aquela criança deveria estar no Templo da Abundância.

E se isso não fosse possível?

‘Fira-o quase até a morte.’

Será necessária a mão de um sacerdote para salvá-lo.

Ou seja, as suas próprias mãos.

Como feri-lo o suficiente sem matá-lo? Os olhos de Shilma examinaram Shinar e Encred. Havia muitas pessoas que poderi

iam detê-la.

Tudo o que ela precisava fazer era acertar um único golpe.

E se ele morrer? Isso não vai acontecer. Deus me ajudará. Mesmo que ele morra, será a vontade de Deus.

Shilma sucumbiu aos sussurros do diabo.

Foi assim que ela disparou o projétil.

— Por que você o protegeu!

Ela ficou indignada com a atitude de Overdeer.

Essa era a clássica situação do culpado acusando o inocente.

Aquele que agiu errado repreende quem não fez nada de errado.

Deve ser porque algo lhe obscureceu a visão, ou porque ela seguiu pelo caminho errado.

Os olhos injetados de Shilma escureceram gradualmente.

— Sacerdotisa Shilma?

Alma a chamou.

— Templária Alma, eles estão cansados. Esta é a nossa chance.

Era como se uma cortina negra tivesse caído sobre seus olhos. Shilma não conseguia discernir a situação.

Ninguém ali recuaria apenas por estar cansado.

Isso era especialmente verdade para Overdeer.

— Que bagunça.

Overdeer sentiu a necessidade de colocar ordem na situação. Seu olhar varreu o grupo.

Era uma situação revigorante, da qual ninguém poderia reclamar.

Audyn ajoelhou-se no chão. A luz estava desaparecendo de seu corpo. Algo estava claramente errado.

[1] - Seonggwanggap: Uma técnica suprema de luz divina que reveste o corpo do usuário como uma armadura.

[2] - Bastão da Mente: Arma assinatura empunhada por Overdeer.

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