
Capítulo 565
O Cavaleiro em Eterna Regressão
565
“Não há razão para não salvar uma criança que entrou em minhas[1C[?25hterras chorando.”
Essa era a razão do pedido escrito na carta de Krang.
Para ser mais preciso, significava que não se podia simplesmente ignorar algo errado bem diante dos próprios olhos.
Por exemplo, Krang não tolerava bandidos em nenhuma parte do território do reino.
Claro, podia haver quem recorresse ao roubo pela dificuldade de ganhar a vida.
Será que alguns se tornaram ladrões por serem atormentados pelo senhor local? Provavelmente sim.
Mas havia muito pouca gente assim.
Na verdade, o correto seria dizer que não havia quase ninguém.
Viver como ladrão em uma terra onde demônios e espíritos malignos correm soltos é difícil, a menos que você tenha bastante confiança nas próprias habilidades.
Por isso, atualmente, se alguém exerce uma profissão em Naurília que não seja a de mercenário ou guarda-costas, significa literalmente que prefere roubar e saquear.
Agora, não haveria necessidade de os grandes nobres usarem de artimanhas como financiar bandos de salteadores para invadir as terras de outros nobres.
“Vou me tornar um ladrão ou bandido e viver de roubos e saques!”
Dizer isso era como implorar de todo o coração para morrer logo e ter a cabeça cortada rapidamente.
Na realidade, ao menor sinal de movimentação de bandidos, Krang mobilizava as tropas diretas do reino para acabar com eles.
Se isso não funcionasse, a Força Policial da Capital também seria enviada.
Como resultado, tornou-se difícil encontrar bandidos ou ladrões vagando pelas vastas terras do reino.
Tudo o que restou foram as guildas criminosas que parasitam as cidades?
Mesmo esses caras, se fossem pegos traficando pessoas, estariam mortos. Nenhuma desculpa ou suborno poderia salvá-los.
Mas sequestraram a criança e a trouxeram para Naurília?
Podemos simplesmente ignorar essa criança?
Porque parecia que Krang estava perguntando aquilo.
— De acordo.
Encrid rapidamente decidiu seguir a vontade de Krang. Essa era a razão pela qual ele tinha começado esse trabalho, para começo de conversa. Na verdade, era só isso — os convidados do império e as grandes potências já tinham sido esquecidos na mente de Encrid —, e agora havia o passado de Audin somado a isso.
Havia alguma motivação desde o início, mas agora ela se tornara mais ativa.
Encrid aprofundou os pensamentos que o acompanhavam durante todo o caminho.
Tudo começa com uma pergunta.
O que é preciso para empunhar uma espada corretamente?
Era preciso um certo nível de força. Então comecei a desenvolver a força primeiro.
Depois de fazer perguntas, busquei respostas e agi.
Era o mesmo agora. Encrid fez perguntas para resolver o problema.
Por onde devo começar?
Não era a primeira vez que algo assim acontecia.
‘Faz tempo que não trabalho como caçador de recompensas.’
Embora estivessem perseguindo sequestradores, nã[?25lo era muito diferente de caçar um criminoso com a cabeça a prêmio.###TAG###
[39;120Hp>###TAG###Na verdade, quando se tratava de uma situação de perseguição, podia-se dizer que era quase a mesma coisa.
[40;113H[?25hDevo me mover evitando os olhares das pessoas?
Sim, exatamente.
Não deve haver ninguém que o reconheça?
Sim, exato.
Deve fugir ao encontrar olhares suspeitos ou ao pressentir algo ruim?
Sim, exato.
Se for pego, deve dar um jeito em todas as testemunhas[1Ce seguir em frente?
Sim, exato.
Viu só? Não é a mesma coisa?
Então Encrid poderia abordar a situação de maneira semelhante.
— Então, o que eu pensei foi... Hum.
Encrid parou de falar e olhou para[1CAudin e Sinar.
Seria correto ouvir a opinião do grupo, pois poderia haver um método melhor do que o dele.
— Se tiverem alguma opinião, podem falar. Não sabemos quem é o sequestrador, nem como é a aparência da santa. É a pio
[39;120Hor condição possível para uma perseguição, mas se tiverem alguma ideia, digam.
Audin respondeu primeiro.
— Estou esperando que o Senhor, nosso Pai, me guie.
Ele disse isso com as mãos postas em posição de oração e um sorriso no rosto.
Não havia necessidade de ponderar o significado daquelas palavras.
‘Ele está dizendo para eu fazer tudo sozinho.’
Encrid concordou imediatamente.
Agora ele sabia, tendo ouvido um pouco do passado dele.
Audin tinha experiência em capturar hereges, mas nunca em[1Crastrear uma única pessoa através de um continente.
Suas caçadas a hereges consistiam inteiramente em encontrar aqueles que se escondiam nos cantos da cidade.[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l
Sua principal missão consistia em encontrar o sujeito e perguntar se ele era um herege.
Ou seja, ele podia ser um mestre em dar surras, mas era difícil considerá-lo um mestre em rastreamento ou caça.
[40;119H[?25h— Se não houver revelação, vamos deixar para lá?
Perguntou novamente por via das dúvidas. Tinha certeza de que qualquer resposta serviria.
— O capitão não está aqui?
Audin foi honesto.
De certa forma, ele era um rapaz mais pacífico do que Ragnar.
Depois de revelar seu passado e carregar todo aquele fardo, agora ele simplesmente dizia para o outro fazer todo o tr
[39;120Hrabalho.
Se fosse por preguiça, ele xingaria, mas ele dizia isso enquanto orava, treinava e fazia de tudo.
Ele parecia fiel às próprias palavras de que estava apenas esperando o momento certo.
Ainda se podia vislumbrar a determinação de Audin em dar o passo à frente primeiro quando esse momento realmente cheg
[39;120Hgasse.
Nessa determinação, havia um vislumbre de iluminação que transcendia as coisas mundanas.
Assim como não importava o quão gentil fosse seu sorriso, o porte de urso não desaparecia; apesar de sua atitude desc
[39;120Hcontraída, ainda havia uma determinação pesada em seu coração.
Não se sabia como isso terminaria. Poderia acabar com a captura de apenas um sequestrador, ou poderia terminar sem da
[39;120Har em nada.
Mas se algo acontecesse, Audin faria o que fosse preciso para defender suas crenças, sem se importar com perdas ou ga
[39;120Hanhos.
Era o que parecia.
Encrid assentiu e olhou para Sinar.
— Está perguntando para mim?
Era uma pergunta que ainda saía sem o menor vestígio de riso.
A luz do sol outonal era moderadamente quente, o vento era fresco e as flores silvestres desabrochando no chão chamav
[39;120Hvam a atenção.
Enquanto caminhava olhando para as flores silvestres, Sinar sentiu o olhar de Encrid e abriu a boca.
Seus cinco sentidos altamente desenvolvidos permitiam que ela sentisse o olhar de Encrid sem nenhuma informação visua
[39;120Hal.
No rastreamento e na perseguição de pessoas, ela era muito melhor do que Audin. Muito mesmo.
— Se for apenas para procurar rastros, não será difícil persegui-los.
Nem todos os elfos conseguem voar e perseguir, mas Sinar conseguia.
O problema era que ela nunca pensava no processo que levava até a descoberta desses rastros.
Ou seja, embora Sinar fosse um recurso excelente para perseguições de curto prazo, não era muito boa em perseguições
[39;120H de longo prazo, que começavam com a estimativa da localização do alvo.
Antes de tudo, é preciso saber de algo antes de começar a perseguir.
Por exemplo, se ela dissesse que poderia encontrar rastros na floresta e segui-los, seria uma elfa realmente ágil e m
[39;120Hmestre em rastreamento, mas na situação atual, isso de nada servia.
‘Como esperado.’
Para ser sincero, he não esperava muito, por isso não ficou desapontado.
Encrid permaneceu indiferente.
A boa notícia era que ele mesmo já tinha lidado bastante com esse tipo de situação.
Sinar estava olhando para as flores silvestres e falando sobre a linguagem das flores, dizendo que elas continham mel
[39;120Hl, enquanto Audin dizia que borboletas e abelhas voariam dia e noite atrás daquele mel.
Ou seja, os dois conversavam sem parecer ligar muito para a missão ou algo assim.
O surpreendente era que Audin e Sinar tinham algo em comum.
— Parece que você não quer o mel.
Enquanto isso, ele ouviu Sinar falar.
Encrid olhava para os dois distraidamente, pensando em outra coisa, mas o conteúdo daquela conversa ficou gravado em
[39;120H sua mente como uma marca feita a ferro e fogo.
— O mel pertence às borboletas e às abelhas. Se um urso que está de passagem tentar pegá-lo, não sobrará nada.
[40;118H[?25h— Os ursos comem mel das árvores, não das flores silvestres.
Entre as perguntas e respostas que às vezes são trocadas entre devotos, existe algo chamado “koan” [1].
É um tipo de diálogo realizado para buscar a verdade. Para quem não conhece, pode parecer conversa fiada, mas para qu
[39;120Huem encontra significado nele, é algo que pode levar à iluminação.
Encrid via a conversa entre os dois como algo próximo a um koan.
E tinha sido Sinar quem começou e quem liderava a conversa.
Dava para dizer que era uma cena muito rara.
Se fossem fingir não se importar com os assuntos alheios, a elfa que vivia dando tapas no rosto de Ragnar agora estav
[39;120Hva tentando dar algum tipo de lição em Audin.
A Sinar que disparava piadas bobas de elfa e a Sinar de agora pareciam elfas completamente diferentes.
Em meio ao vento, um campo de calêndulas douradas em plena floração chamou sua atenção.
Sob um céu sem nuvens, o pôr do sol alaranjado parecia ter se assentado no chão, carregando consigo todo o seu brilho
[39;120Ho.
O caminho pelo qual caminhavam era, literalmente, um campo de flores da Virgem Maria em plena floração, preenchendo t
[39;120Htoda a visão deles.
Embora houvesse vestígios de animais ou demônios devorando a vegetação aqui e ali, ainda era uma bela vista.
[40;116H[?25hOs moradores das cidades vizinhas diziam que aquele era o campo onde a Virgem Maria havia repousado.
Enquanto isso, os dois pareciam uma pintura.
Uma das figuras abriu a boca e começou a mover os pés repetidamente.
— Sim. Os ursos comem o mel escondido entre as árvores.
Audin parou de falar e olhou para o jardim de flores. Suas pupilas pareceram escurecer. Mas ele não parou de andar.###TAG###
[39;120H/p>###TAG###
Ele parecia pensar enquanto caminhava. E murmurou novamente:
— Se alguém quiser mel, dê um pouco a ele.
Devia ser algum ensinamento do templo. O tom da fala indicava isso.
— Se alguém monopolizar o mel, essa pessoa estará mergulhada no mal. Repreenda esse ganancioso e envie-o para Deus.###TAG###
[39;120H/p>###TAG###
Ir para o lado de Deus é sinônimo de morte, então, se existisse tal pessoa, provavelmente estava dizendo para matá-la
[39;120Ha.
Dizem que, após três anos servindo na casa de um nobre, os modos à mesa se tornam segunda natureza.
Encrid se encontrava exatamente nesse estado.
De tanto ouvir os sermões de Audin, ele já conseguia entender o que ele queria dizer.
— Mas isso deve ser feito por alguém qualificado para tal.
Audin fechou a boca, tendo falado como um boneco, indiferente e sem qualquer emoção.
Provavelmente não era algo que Sinar tinha dito por senso de responsabilidade. Ela não se importou com a reação de Au
[39;120Hudin. Apenas deixou para lá, sem questionar.
Em vez disso, olhou para o jardim de flores.
— Meu noivo, aquele jardim de flores parece uma cama preparada para nós.
Ela estava apenas soltando uma brincadeira fantasiosa.
— Vá dormir um pouco.
Encrid deu uma resposta vaga e decidiu concluir seus pensamentos.
Não havia como saber o que Audin estava pensando ou sentindo, mesmo se tentasse descobrir agora.
Tudo o que ele precisava fazer era o seu dever atual.
Encrid fez exatamente isso.
Ele continuou a caminhar pelo campo de flores, pensando no que precisaria para a perseguição.
‘O mais importante é a informação.’
Sim, informação.
Onde está o alvo, qual é a sua situação, como ele se parece, etc.
O pedido chegou, mas o perseguidor da Nação Santa não transmitiu nenhuma dessas informações.
Bem, isso era compreensível.
Para ser sincero, he não achava que aqueles sujeitos realmente queriam ajuda.
Então, como deveríamos obter informações?
A solução apresentada aqui era baseada em parte na própria experiência de Encrid, mas também incluía a opinião de Chr
[39;120Hrist.
Pois era algo que ele já havia discutido com Christ logo antes de partir, após receber o pedido.
— Reuni várias histórias por meio da Guilda Gilpin, mas você se lembra daquela cidade que visitei antes? A vila onde
[39;120H me disseram para colocar uma faca na garganta do chefe da aldeia ou do líder? A vila onde disseram que nomeariam as mura
[39;120Halhas do castelo com o nome do líder.
Ele repetiu aquilo tantas vezes hoje que parecia ter sido há muito tempo, mas era difícil esquecer.
Como escolher a colônia de simulação criada pelos cultistas?
— Por que aquela vila?
— O sequestrador estava indo em direção àquela vila.
O primeiro destino a seguir após deixar a Guarda de Fronteira estava decidido.
Contudo, Encrid ainda não sabia a aparência nem a idade do sequestrador ou da santa que seriam os alvos de sua perseg
[39;120Hguição.
Significava que não havia jeito? Não, havia sim.
Já que você não sabe quem perseguir, basta seguir quem o está perseguindo.
Essa foi a primeira coisa que ele aprendeu com os caçadores mais experientes quando trabalhava como caçador de recomp
[39;120Hpensas.
— Ei, de onde idiotas como nós conseguem informações para se mover? Sobrou alguma Crona por acaso? Usar a Guilda de I
[39;120HInformação? Esqueça toda essa porcaria e, em vez disso, decore a cara dos caras famosos. E quando vir um desses cães, sig
[39;120Hga-o.
Poderia ser considerada uma técnica de rastreamento revolucionária.
Todo alvo cobiçado sempre tem um perseguidor.
E se ele se esconder perfeitamente?
Para começar, nós não perseguimos caras assim.
— E se você o perseguir sozinho, tem certeza de que conseguirá pegá-lo?
Quão bom deve ser o cara que está sendo caçado com uma recompensa pela cabeça?
Como alguém que nem sequer sabe lutar conseguiria passar por um lugar onde ladrões, demônios e espíritos malignos atu
[39;120Huam e lutam juntos?
Não conseguiria.
Era algo natural.
Portanto, a pessoa que tinha a cabeça a prêmio provavelmente era alguém feroz e poderoso. Não, era quase certeza.
[40;120H— Nós só comemos as sobras. Se quiser viver muito, siga as regras do caçador.
Havia um ensinamento assim.
Bem, Encrid nunca tinha seguido as regras dos caçadores e não tinha intenção de começar a seguir, mas era isso.
[40;119H[?25h“Eu não caço colocando minha vida em risco.”
“Se não puder vencer sozinho, faça com seus companheiros.”
“Mesmo se vir o sangue escorrendo, primeiro atire com a besta ou jogue uma adaga de arremesso.”
Havia muitas regras com conteúdos semelhantes.
O primeiro caçador veterano que conheci era um cara legal. O sujeito que conheci depois me empurrou para a frente sem
[39;120Hm regra alguma, dizendo que me daria setenta por cento da recompensa se eu pegasse o alvo agora.
Aquele maldito era um lixo que não sabia como rastrear os outros, só queria brigar e sempre traía os companheiros.###TAG###
[39;120Hp>###TAG###Claro que era mentira. Era óbvio que ele me mataria se eu acabasse ferido.
— Desculpe, desculpe, estou com um pouco de pressa.
Houve até um cara que realmente se feriu e começou a falar coisas assim enquanto me apunhalava com uma adaga.
[40;117H[?25hEncrid decidiu colocar em prática o que havia aprendido naquela época.
Era o método de perseguir o perseguidor, já que o alvo da perseguição era desconhecido.
[1] — Koan: No zen-budismo, uma pergunta ou diálogo paradoxal sem solução lógica, usado para levar o praticante à ilu
[39;120Huminação espiritual.