
Capítulo 400
O Cavaleiro em Eterna Regressão
400. Comer carne
Marcus, que havia conquistado o apoio de[?25h Kraang, era atualmente o comandante-geral da unidade principal.
Ele sabia o valor do tempo que Encred havia conquistado. Embora fosse apenas um dia, havia muita coisa que se podia fazer.
— Chamem os comandantes de cada unidade para entrar!
Era um momento para tática e estratégia. Ele tinha algum talento para isso? Não havia problema nenhum em não ter.
Então, o que ele deveria fazer?
Tudo o que precisava fazer era chamar as pessoas com esse talento e reuni-las.
— Que a unidade de reconhecimento vigie os movimentos do inimigo sem descanso, e que o restante das unidades descanse! Digam para comerem e descansarem, mas nunca desarmados, e que mantenham sempre suas armas ao lado!
Marcus gritava e falava sem parar.
Enquanto Krang observava a cena, lembrou-se do Encred que vira pouco antes.
Sentiu um calafrio.
Existem aqueles que se posicionam no campo de batalha apenas para mostrar as costas aos que os seguem.
Krang chamava uma pessoa assim de cavaleiro.
Esse era o cavaleiro de quem os bardos falavam.
Um símbolo de honra e fé, não de força bruta.
Aqueles que empunham a espada por aquilo em que acreditam.
Guardiões do juramento.
Encred não era o recurso que ele havia preparado. Mesmo assim, ele acreditou nele. Queria ajudá-lo.
A intenção funcionou. Ele fez o que queria.
Ainda assim, quando Krang olhava para Encred, não tinha certeza se era alguém que ele poderia trazer para o seu lado.
“Será que posso trazê-lo para o meu lado?”
Uma ponta de ganância surgiu. Queria mantê-lo ao seu lado. Seu peito ardeu por um instante, mas Krang rapidamente desistiu daquela cobiça.
Havia um jeito melhor do que esse, então serviria.
“Tudo bem se eu não o trouxer para o meu lado.”
Que tal continuarem amigos?
Não era uma má ideia. Assim, seriam amigos. Bem naquela hora, o herói retornou.
— Enki.
Krang o cumprimentou primeiro. Marcus também olhou para ele.
Tudo o que ele fizera fora abater alguns soldados inimigos e travar o que parecia um empate com um comandante adversário, mas a força que demonstrara deixou uma profunda impressão em todos.
Além disso, seu combate elevou a moral dos aliados.
Aquele era o quartel-general onde os planos de batalha eram traçados.
Encred também acenou levemente com a cabeça ao ver Kraang erguer a mão lá dentro.
Por mais que se dissessem amigos, não se podia chamar alguém pelo primeiro nome em uma situação como aquela.
Como Encred tinha bom senso, sabia como agir de acordo com a situação.
Claro, mesmo se ele chamasse Krang pelo nome agora, ninguém diria nada.
Embora tivesse discernimento, ele não percebia de verdade a magnitude do que fizera.
Krang também via aquilo como uma característica marcante de Encred.
Isso foi o que ele pensou, deduzindo o motivo de ele não ter chamado seu nome.
Logo, todos os que podiam ser chamados de comandantes entraram na tenda.
Um deles se manifestou.
— Por favor, coloque-me na vanguarda!
O Barão Rudin era um homem que sonhava em se juntar aos Cavaleiros Templários. Seu sangue ferveu ao ver um homem de p
[39;120Hpé sozinho contra um exército de milhares de soldados de elite.
Se o seu sangue não fervesse diante disso, você não seria humano.
Uma chama ardeu em seus olhos.
— Controle-se.
Marcus disse após ver aquilo.
Deixando a estratégia e a tática de lado, Marcus sabia exatamente o que fazer agora.
Eles queriam virar o jogo em uma única batalha.
Para isso, teriam que usar todos os meios que haviam preparado.
— Não sei se isso é tudo o que o conde tem escondido. Mas o fato é que ele terá que lutar. Nós nos uniremos e lutarem
[39;120Hmos para resistir.
Marcus estabeleceu a estratégia geral, e algumas pessoas com mente tática preencheram as[1Clacunas.
O núcleo deles era a Companhia de Loucos de Encred, mas ninguém podia lhes dizer como se mover.
Excelentes estrategistas são aqueles que mantêm cada soldado se movendo sem parar.
Trata-se de fazer as pessoas saberem qual é a sua função e garantir que a cumpram.
Contudo, há pessoas que não precisam de tais instruções.
Aqueles que encontram seu próprio espaço fora dos padrões comuns de comportamento.
Encred era um deles.
Então, Marcus não disse nada. Ele não precisava de ordens.
Por isso, Encred foi deixado de lado, mesmo enquanto cada posição era detalhada.
Em termos de número, Encred e suas tropas estavam no nível de um esquadrão, mas é claro que ninguém pensava neles com
[39;120Hmo apenas isso.
Todos tinham visto e agora sabiam.
Suas habilidades eram reais, e não era exagero dizer que ele era o herói da Guarda de Fronteira.
Esse era o passo final no processo de traçar o rumo da luta por meio da reunião estratégica.
— A Companhia de Loucos agirá por conta própria, certo?
Marcus precisava de uma confirmação para seus pensamentos. Por isso, queria ouvir uma resposta.
Você se tornará a espada e abaterá o inimigo pelo seu mestre?
O julgamento dele estava correto?
Você está disposto a romper com o comportamento padrão e lutar pelo seu espaço?
— Sim, farei isso.
A resposta[1Cfoi simples, mas Marcus se sentiu aliviado.
Encred assentiu e voltou para a tenda que lhe fora designada.
Era uma tenda bastante espaçosa. Rem, que havia acendido uma fogueira logo em frente a ela, estava preparando algo.###TAG###
[39;120H/p>###TAG###
— Parece que vamos ter problemas a partir de amanhã.
O guerreiro conhecido como bárbaro expressou o que sentia por puro instinto.
E era a verdade. Provavelmente seria difícil e, possivelmente, perigoso.
— Está morrendo de ansiedade?
— Como você sabia?
— Está escrito em toda a sua cara que você está animado.
Encred sentou-se na cadeira de pedra plana que Rem trouxera para ele em uma altura adequada.
Ele era muito talentoso; encontrava essas coisas em algum lugar e as preparava.
— E a minha cadeira?
Ragna perguntou ao sair da tenda. Rem se virou e mandou ele ir se foder.
— Por acaso você me encomendou uma?
— Apanhou por aí, torceu o[1Ctornozelo e agora vem descontar a raiva em mim?
Eles ainda estavam zombando do fato de ele ter se machucado ao enfrentar o louco de Bulno.
Ragna era persistentemente provocado.
Rem o ignorou, e Ragna trouxe uma pedra parecida de algum lugar, colocou-a ao lado e sentou-se.
Saxony era mais esperto que isso.
Ele cortara pedaços de madeira e fizera uma cadeira.
Se era para chegar a esse ponto, não seria melhor conseguir uma cadeira simples com algum conhecido encarregado dos s
[39;120Hsuprimentos militares?
Dunbakhel apenas se sentou no chão.
Isso parecia confortável.
Esther se transformou em um leopardo e aninhou-se nos braços dela.
Encred observava Rem enquanto limpava o próprio corpo rudemente com uma toalha úmida.
Ela havia trazido uma carne bem fresca, como se tivesse encostado um machado no pescoço do oficial de suprimentos.###TAG###
[39;120Hp>###TAG###Devia ter sido obtida caçando pelo caminho.
Era uma carne crua difícil de ser vista pelos soldados comuns. Ela fez cortes nela com uma faca pequena, polvilhou sa
[39;120Hal nas fendas e a envolveu com um pano de algodão limpo.
Enquanto ele a observava, Rem falou:
— Se fizer isso, o sangue restante vai escorrer e a carne ficará mais macia.
— Parece delicioso.
Quando Encred respondeu, Rem deu uma olhada ao redor.
Sem que percebesse, todos haviam se aproximado de Acea e se acomodado por ali.
Ela fora a única que conseguira uma cadeira com o encarregado de suprimentos. A cadeira tinha uma estrutura simples:
[39;120H ao ser aberta para os lados, as pernas se estendiam e o tecido sobre elas ficava bem esticado.
Embora quebrasse fácil, era um item que não exigia muito trabalho para ser feito.
— O quê? O que está preparando?
Acea mantinha sua atitude amigável de sempre. Ela não tinha o tipo de personalidade que atraía muitos amigos ao seu r
[39;120Hredor.
Apesar disso, aquilo foi um choque inesperado.
Qual era mesmo o nome do vice-comandante que havia quebrado o clima? Encred vasculhou suas memórias antes de desistir
[39;120Hr.
Não conseguiu se lembrar de nada.
— Não vou dar nada para aqueles bastardos arrogantes.
Rem disse.
Apesar de falar assim, ela acabaria compartilhando. Ela não era tão pão-dura quanto ele pensava.
Ragna pensou por um momento, franziu a testa e disse:
— Se me der um pedaço, eu esquecerei isso.
Ou seja, para pararem de zombar de sua perna machucada.
Olhando para ele, parecia que Rem vinha provocando Ragna inúmeras vezes, mesmo quando Encred não estava por perto.###TAG###
[39;120Hp>###TAG###Eram uns garotos malucos.
Tanto por se machucarem em uma briga e virarem piada, quanto por ficarem bravos com a provocação.
— Eu cuido do seu bocado, garoto.
Rem respondeu.
Ragna era exigente com comida. Foi por isso que ele compreendeu a importância dos pratos de Rem, e acabou dando um pa
[39;120Hasso atrás.
Encred apenas observava em silêncio.
Enquanto Rem espalhava sal sobre a carne fatiada, Saxony atirou silenciosamente um pequeno saquinho.
Claro, a intenção dele era conseguir comer a comida também.
Rem o pegou no ar, soltou um “Oh” e franziu os lábios.
— Jovem mestre.
Era um título que soava como um elogio. Saxony, obviamente, ignorou completamente.
O que Saxony havia entregado eram temperos.
Quando ela os salpicou sobre a carne, o aroma se espalhou.
Ele havia misturado ervas?
— Se você tiver colocado veneno aqui, vai ver só.
Rem murmurou. Ela falou com um sorriso, então parecia brincadeira.
Saxony a ignorou novamente e sentou-se ao lado de Encred.
Dunbakhel aproximou-se calmamente de Rem e ajudou na preparação.
— Não use as unhas. Lavou as mãos?
— Vou usar a faca.
Dunbakhel estava calmo como sempre.
Era carne fatiada e temperada com sal e especiarias. Quando o pano de algodão ficou vermelho e úmido, ela o retirou,
[39;120H pegou outro pano e deu leves batidas para secar a carne.
Ela cercou a fogueira com pedras para apoiar algo por cima e colocou uma frigideira de ferro fundido, que ninguém sab
[39;120Hbia de onde tinha tirado.
Rem despejou óleo de linhaça na frigideira.
— Isso aqui é precioso.
Ela disse isso, e Encred assentiu com a cabeça.
A palavra de Rem ali era lei. Pelo menos naquele momento.
Depois que a frigideira esquentou o suficiente, o óleo se espalhou e o aroma invadiu as narinas. Rem colocou a carne
[39;120H na frigideira de ferro.
Tchiiiiiiiiii!
Um aroma apetitoso se espalhou junto com a fumaça. O cheiro da carne combinado ao do óleo subiu rapidamente, não apen
[39;120Hnas estimulando o apetite, mas atingindo em cheio o cérebro. A boca dele encheu de água.
— Humm.
Encred expressou sua admiração com um murmúrio baixo, enquanto Rem observava a carne atentamente.
Ela estava mais séria do que nunca. Ao mesmo tempo, suas mãos se moviam de forma leve e rápida.
Ela virou a carne. O exterior estava dourado em um tom marrom-escuro, e a superfície ficara firme.
Tchiiiiiii.
Grelhando o outro lado sob uma fumaça clara.
Depois, a carne foi espetada com um espeto de ferro para dourar também as laterais.
Achando que já estava no ponto ideal, ela transferiu o pedaço de carne para uma tábua de madeira limpa.
A mão de Dunbakhel avançou em direção a ela.
— Se comer agora, vai passar mal. Espere.
Rem disse sem sequer olhar.
— Por quê?
— Fica mais gostoso se esperar.
Para os padrões de Rem, aquela era uma justificativa incrivelmente válida e uma persuasão gentil.
Dunbakhel concordou.
Após grelhar vários pedaços de carne, ela os cortou um a um, começando pelo primeiro. O interior estava avermelhado e
[39;120He o exterior bem dourado.
— Eles devem ter trazido cortes com bastante gordura de propósito. Precisamos disso.
— Onde conseguiu isso?
— Tinha um grupo de nômades por perto, foi bem conveniente.
Ela disse, enquanto cortava a carne em fatias.
— Podem comer.
Encred demonstrou uma aceleração instantânea. Era natural para ele se concentrar ao máximo em um único ponto. Espetar
[39;120Hr e puxar. Seu espeto de madeira fisgou um pedaço grosso de carne.
Encred colocou na boca e mastigou.
Nhac.
O suco da carne explodiu. O aroma saboroso se espalhou pelo nariz e subiu à cabeça.
Se o cheiro estimulava as glândulas salivares, o sabor atiçava as papilas gustativas.
Os pelos de todo o seu corpo reagiram.
Era isso. Isso sim era culinária, isso sim era carne.
A carne macia deslizou por entre seus dentes e então, ele engoliu.
“O quê?”
Seria um sonho? Quando foi que a carne desceu?
Encred moveu o espeto novamente.
— Tem bastante.
Rem disse.
Eles comeram bastante. Todos ali eram grandes comilões. Era natural que comessem proporcionalmente ao quanto se movim
[39;120Hmentavam.
Comeram e comeram, parando apenas quando foi hora de dar tapinhas na barriga cheia.
Até mesmo Saxony mastigava e engolia a carne em silêncio.
Foi um jantar fora de hora.
— Bem, já que comemos bem, vamos fazer bonito amanhã de manhã.
Rem disse, dando tapinhas na própria barriga.
— Eu é que digo isso — retrucou Encred.
— Ah, foi uma boa refeição. Encred, gostei da sua luta durante o dia.
Acea falou e se retirou primeiro.
Não era uma noite em que tivessem tarefas a cumprir. Cada um aproveitou o tempo à sua maneira.
Ragna não parecia ter nenhuma preocupação.
Rem estava ansiosa.
Saxony saiu por um instante sob o pretexto de dar uma caminhada.
Enquanto caminhava sob o ar noturno, uma sombra surgiu de repente ao seu lado.
Era sua amante e seu contato na guilda.
— Você realmente precisa fazer isso?
Foi uma pergunta direta. Na verdade, era algo que ela não conseguia compreender.
— Esta é a última vez — respondeu Saxony.
A pergunta era o motivo de ele ir para a batalha sob o comando de Encred, e a resposta de Saxony foi que deixaria aqu
[39;120Huilo como um último presente.
A amante encarou Saxony.
Ela não sabia o porquê. Não sabia o motivo e nem conseguia adivinhar.
Contudo, parecia que Saxony não iria voltar.
“Você se lembra do que seu pai disse?”
As palavras de seu falecido pai, que também fora mestre de Saxony, vieram à mente novamente.
— Encontre o seu lugar.
Fora uma ordem e um testamento.
Saxony não levara aquelas palavras a sério, ao contrário de sua amante.
De qualquer forma, ela não sabia o que fazer agora.
Enquanto Saxony caminhava à noite, Dunbakhel, de forma incomum, saiu por não conseguir dormir.
Ele então se sentou na cadeira de pedra onde Rem estivera e olhou fixamente para o céu.
Era uma noite enluarada.
Parecia uma boa noite para uma emboscada noturna, mas o inimigo estava silencioso.
Dunbakhel tremeu. Não era por causa do frio.
Sua vida fora cheia de lutas e sobrevivência. Ela lutava para sobrevier. Para ser mais exato, a verdade era que, não
[39;120H importava o que fizesse, fugindo ou não, ela sobrevivia.
Seus instintos diziam algo. Era vertiginoso, e ela podia sentir o perigo como se seu corpo estivesse se inclinando na
[39;120Ha beira de um penhasco.
Mas ela não queria ir embora.
Então, o que deveria fazer?
“Lutar.”
Ela já não tinha visto e aprendido algo estando bem ao lado?
Assim como Encred fizera.
A luz da lua estava inclinada. As nuvens que surgiram de repente cobriram a lua, e a escuridão caiu.
Crepitar.
As instrução nos postes erguidos nas proximidades tremularam.
Uuuuu.
O vento soprou e açoitou todo o seu corpo.
“Tudo o que preciso fazer é seguir em frente.”
Dunbakhel tomou sua decisão e firmou sua determinação.
Apesar disso, os tremores em seu corpo não cessaram facilmente.
Esther se transformou em um leopardo e aninhou-se nos braços de Encred.
Ela acordou quando todos os outros dormiam.
Um movimento de energia mágica.
Assim, pôde sentir o fluxo de algum tipo de ordem.
Era a primeira vez que via algo assim, então não sabia o que dizer no momento.
Ela olhou para cima e viu Encred dormindo.
Uma respiração tranquila.
Ele parecia dormir profundamente, sem nenhuma preocupação no mundo.