
Capítulo 327
O Cavaleiro em Eterna Regressão
327.
Uaaaaaa!
Um grito irrompeu atrás de Lem, Teresa e Audin.
Naturalmente, as notícias sobre o que acontecera na Guarnição da Pérola Verde se espalharam como uma brisa até a Guarda da Fronteira.
Era o retorno do herói que derrotou a espa[?25hda negra, o cultista e Azpen.
Era até estranho que houvesse apenas aclamações.
Encred viu algo parecido com pólen caindo sobre sua cabeça.
Não eram muitas.
Era uma pétala de flor seca que estava caindo.
Quem as jogava também chamou minha atenção.
Eram algumas crianças pequenas e algumas mulheres.
Os rostos de um garotinho e de uma mulher eram familiares para Encred.
Os olhos da criança olharam diretamente para ele.
‘Ouvi dizer que o sonho dele é se tornar um herborista.’
Como agora era inverno, ele deve ter precisado encontrar flores que desabrocham pétalas mesmo no inverno.
Eles devem ter encontrado as pétalas, colhido e secado bem.
Quanto esforço deve ter sido feito para isso.
Pétalas secas de flores brancas e rosa caíram sobre a minha cabeça.
Embora não fossem muitas, Encred sorriu porque o carinho e a sinceridade no gesto foram claramente transmitidos.
Ele esboçou um sorriso.
A criança que sonhava em se tornar herborista viu o rosto de Encred.
A criança, ao ver seu herói sorrindo, sentiu-se mais feliz do que nunca.
Mesmo que as pontas dos dedos estivessem inchadas e calejadas por colher pétalas de flores de inverno, aquilo continuaria sendo uma experiência prazerosa.
Encred passou ao lado da criança.
Caminhei para dentro.
Enquanto eu avançava, Rem se aproximou pela direita.
— Divertiu-se?
— Razoavelmente.
Mesmo que a notícia tivesse chegado, não significava que todos sabiam exatamente o que havia acontecido.
— Irmão, você está muito machucado.
Audin falou vindo de trás.
Acho que ele estava no limite, ou havia atingido um estado de semiconsciência.
Ele tinha vários virotes nas costas e estava sangrando profusamente.
Eu estava me perguntando se deveria estar me sentindo melhor, mas o condutor veio, me deu algo para comer e foi embora.
Pelo menos, foi o máximo que consegui comer e descansar bem na Guarnição da Pérola Verde.
— Foi só uma torção leve.
Respondi meio brincando.
— Meu Senhor e Pai.
— Por que me destes um corpo tão fraco?
Encred percebeu que as preces de Audin eram palavras que ele dizia enquanto olhava para o próprio corpo.
Objetivamente, o corpo de Encred era desenvolvido o suficiente para ser comparado ao de um homem-fera.
Ele poderia ser considerado um homem-fera, pois tinha um corpo naturalmente musculoso que desenvolvia músculos abdomi
[39;120Hinais mesmo sem treino.
Estar no mesmo nível deles significava que seu corpo era extremamen[?25lte forte.
No entanto, aos olhos de Audin, apenas os defeitos podiam ser vistos.
Afinal, o corpo de Audin, o noviço de Gomtaeng, não era como uma combinação de um homem-fera com um gigante?
[40;116H[?25h— Ainda há espaço para treino.
Enquanto eu continuava a andar, deixando os resmungos de Audin para trás, Ragnar se posicionou à minha esquerda.
[40;120HSeu braço direito ainda não havia se recuperado e continuava envolto em faixas.
O ferimento na coxa parecia ter cicatrizado e ele já conseguia caminhar bem.
Ragnar também estava machucado aqui e ali, mas agora estava bem, exceto pelo braço direito.
Os gritos de viva ficaram mais[1Caltos quando Dunbakhel voltou a caminhar atrás de Rem, e até Teresa, que mancava ao la
[39;120Hado de Audin, os acompanhava.
— Rem, o Imortal!
A batalha entre a espada negra e o cultista ainda estaria viva na memória dos cidadãos, bem como na dos soldados.
[40;120HPor isso, coisas como "Rem Imortal" eram ditas.
Havia aplausos ocasionais para Audin e palavras direcionadas a Teresa.
O apelido “irmãos gigantes” era[1Cmuito engraçado, mas eu não ri.
Dunbakhel chegou a reclamar por não ter um apelido.
Enquanto caminhávamos assim,
— Me leva com você!
De vez em quando, dava até para ouvir os gritos da mulher louca.
— O que você tem para oferecer?!
Rem retrucou.
— Você não!
— Mesmo se você me desse, eu não aceitaria!
Observando os gritos e até a conversa em meio à aclamação, a pessoa que gritava parecia ser alguém formidável.
Olhando para a mulher que gritava, percebi que ela era uma comerciante que havia criado dois filhos sozinha no mercad
[39;120Hdo.
Eu a via sempre de passagem.
A sensação de distância que eu sentira antes havia sumido.
Aquela força e firmeza eram dignas de respeito.
Os aplausos continuaram e o nome de Encred era entoado de todas as direções.
Metade dos preparativos do Senhor do Castelo para a rota triunfal foi feita pelos próprios moradores, e a outra metad
[39;120Hde foi fruto da participação voluntária dos residentes da cidade.
Na realidade, a participação do próprio Senhor do Castelo não era diferente de uma ação voluntária.
Aquela era uma saudação sincera, vinda do coração.
Pensei enquanto olhava para Encred, que retornava como um guarda da fronteira.
E se Azpen tivesse vencido?
Como poderíamos suportar as terríveis consequências?
O que pensaria de si mesmo, que explodira em frustração assim que se tornara o senhor do palácio?
Não, que atitude deveríamos tomar?
Seria uma sorte se sua cabeça não fosse cortada como punição pela derrota.
— Ooooh!
Foi por isso que o Senhor do Castelo também soltou um grito de comemoração como um animal selvagem.
— Bonitão!
— Espada Paciente!
— Grande Espada!
Quando Encred ouviu os apelidos, percebeu mais uma vez que a única coisa mais rápida do que um cavalo em disparada sã
[39;120Hão os boatos de boca em boca.
A notícia não havia chegado antes mesmo da carruagem?
Claro, a origem disso era a equipe de vanguarda que partira como guardas da fronteira, então estava claro que eles ha
[39;120Haviam espalhado a notícia.
Além de Encred, as tropas intactas retornaram antes, então era natural que a notícia se espalhasse.
Enquanto caminhava em meio aos aplausos, Encred afagou a cabeça do garoto que sonhava em ser herborista.
Depois, acenou de leve para uma mulher de meia-idade que vendia carne seca temperada.
— Case-se comigo!
Para Vanessa, a dona da estalagem que dissera aquilo, ele até respondeu perguntando: ‘Ficou louca?’
Durante todo o tempo em que estive na carruagem, estive ocupado refletindo sobre o que havia ganhado e aprendido ness
[39;120Hses últimos dias.
Por conta disso, eu não esperava a reação atual.
Talvez por isso tenha parecido ainda mais acolhedor.
Seria mentira[1Cse eu dissesse que nunca sonhara com um momento assim quando desejava me tornar um cavaleiro.
Havia a criança a quem ele protegeu.
Havia a m[?25l[?25l[?25l[?25l[?25lãe da criança.
Havia alguém que agradecia por eu ter protegido seu filho.
Alguns artesãos ofereciam botas de presente.
Havia pessoas dentro das muralhas da cidade.
Pessoas que viviam um dia de cada vez.
Era a sua espada que as protegia, então seria mentira se dissesse que não estava satisfeito com isso.
Apesar de tudo, o mundo continuaria sendo implacável.
No mundo dos demônios, monstros surgiriam sem fim, gerando feras demoníacas, e guerras envolvendo os interesses de vá
[39;120Hárias raças sempre trariam a morte.
O cavaleiro que põe fim à guerra no final da guerra.
O apocalipse, o cavaleiro que permanece no fim do mundo.
Encred entrou nos alojamentos, refletindo sobre seu sonho.
Estava no meio do inverno, então ainda faltava algum tempo para a primavera chegar.
Para os outros, os dias não tinham sido tão longos, mas para Encred, três dias haviam se sobreposto e aquele era o re
[39;120Hetorno de um campo de batalha verdadeiramente longo.
* * *
— Você finalmente abandonou aquele gato selvagem?
Enquanto eu descansava no alojamento, Rem se aproximou e disse isso.
Antes que eu pudesse responder, Rem assentiu.
— Muito bem.
— Bom trabalho.
Ele estava se referindo a Saxony. Ele ficaria mais animado se eu dissesse que realmente o tinha abandonado?
[40;115H[?25hClaro, he não parecia acreditar que eu diria algo assim.
Como parecia que ele perguntara sem motivo e não tinha interesse real, Encred respondeu de forma casual.
— E eu tinha outra escolha a não ser abandoná-lo?
— Se você não o abandonou, para onde foi aquele gatinho barulhento?
De fato, Esther, uma leopardo da família dos felinos, não estava presente.
Ela devia estar ocupada, pois desapareceu tão rápido quanto chegara.
— Morta, por exemplo?
Encred perguntou, curioso com a reação de Rem.
Por que não havia a hipótese de ela ter morrido?
Eu nem conseguia contar quantas vezes já havia morrido lutando contra Azpen.
Rem resmungou e bufou.
— Aquele maldito não morreria tão fácil.
Pode parecer contraditório, mas era uma forma de reconhecer suas habilidades.
— Hum.
Sob essa perspectiva, você também acreditava nisso?
Que ele não morreria facilmente?
Antes que Encred pudesse refletir sobre isso, Rem continuou.
— O capitão não tem nenhuma relação especial com a Deusa da Sorte ou algo do tipo.
Por isso pensei que sobreviveria.
Pode parecer absurdo, mas, aos olhos de terceiros, era a verdade.
Como você sobreviveu?
Para responder a essa pergunta, eu de fato ficava sem palavras.
— Porque tenho sorte.
Era impossível resumir isso a uma única palavra como de costume.
Rem logo perdeu o interesse nos gatos selvagens e em Saxony.
Em disso, cutucou de leve a costela de Encred, pedindo para ele contar o que tinha acontecido.
Encred explicou o que havia acontecido.
No meio da conversa, Audin interveio e acrescentou:
— Deslocado?
Faltou músculo.
— Irmão.
— Você só precisa desenvolver músculos nas costas que não sejam perfurados por coisas como virotes.
— Irmão.
Que tipo de músculo não seria perfurado por uma flecha?
Isso não seria impossível, a menos que você tivesse uma pele endurecida como a de um gigante?
Rem e Audin não eram os únicos que ouviam a história.
Todos estavam ouvindo.
Até Ragnar parecia escutar com atenção.
Surpreendentemente, quem ouvia com mais atenção era Cryce.
Era natural para Cryce.
Ele queria ter perguntado na Guarnição da Pérola Verde, mas não houvera tempo para isso.
Aquele maldito Garrett havia agarrado o capitão e não o soltava por nada.
Ele tentou perguntar na carruagem antes de virem, mas Encred estava com os olhos fechados e não os abria.
[40;113H[?25hNão havia a menor condição de incomodá-lo.
Então restava agora.
‘Como ele conseguiu escapar?’
Cryce analisou mentalmente o campo de batalha de onde Encred escapara.
Ele investigou.
Olhou de perto.
O que o comandante de Azpen fizera ao recuar?
Ele vira os rastros e os seguira até o posto para descobrir.
‘Feitiço, magia.’
Não ouvira os detalhes, mas soubera por alto o que acontecera.
A conclusão era esta:
Eles tentaram mobilizar todas as suas tropas em troca de uma única pessoa.
Cryce se culpava por não ter previsto aquilo.
‘Quase matei o capitão com os meus planos.’
Não fora ele quem sugerira criar uma variável?
Claro, fora o capitão quem dera o passo à frente, então a escolha também fora dele.
Cryce sabia que fora completamente derrotado.
‘Lido.’
Todas as intenções foram lidas pelo oponente.
Fui tapeado.
Só de pensar nisso, sentia-se envergonhado.
Não costumava sempre se perguntar o que passava pela cabeça do comandante de sua unidade?
Às vezes, não, ele sentia isso com frequência: por que não percebera algo tão óbvio ao analisar a situação de todos o
[39;120Hos ângulos?
No início, pensara que ele estava fingindo deliberadamente não saber, mas agora compreendia.
Cada pessoa tem um alcance de pensamento diferente.
‘Fui arrogante.’
A reflexão foi temporária.
Encred também dissera que estava tudo bem, então ele não guardava ressentimentos.
No entanto, uma coisa ainda era intrigante.
— Como você conseguiu escapar?
Cryce fez essa pergunta.
O que o oponente preparara era uma prisão da qual não havia escapatória.
Um terreno de caça que usava a própria terra como rede.
Além de mil soldados, ele até se esforçara para colocar o relevo a seu favor.
‘Ninguém conseguiria escapar.’
Mesmo que fosse um cavaleiro.
Então, isso significava que Encred era um cavaleiro?
Mais uma vez, não era o caso.
Por acaso não houvera um oponente que brandira uma espada contra ele?
Embora estivesse aliviado ao vê-lo parecer tranquilo ao sair, Cryce temia que o cavaleiro pudesse enlouquecer a qualq
[39;120Hquer momento e desmoronar.
A ansiedade surgiu e seu coração se apertou.
Quantos cavaleiros de Azpen viriam aqui?
Seriam três?
Mas um deles veio apenas para decapitar o capitão?
Era uma história inacreditável.
Por isso ele queria perguntar.
Como você conseguiu escapar?
Ele não era um cavaleiro, nem podia prever o que o outro estava pensando.
Ele caíra direto nos preparativos do inimigo.
Caíra em uma armadilha.
Seria possível ter escapado apenas por sorte?
‘A menos que a própria Deusa da Sorte tenha segurado meu pulso e saltado.’
Isso era um absurdo.
Prático desde jovem, a mente fria de Cryce estava focada no presente.
Era impossível que tivesse sido apenas sorte.
Havia um brilho de seriedade nos olhos de Cryce.
Que grande resposta ele daria?
Encred disse a verdade, pois não era algo que precisasse esconder.
— Pelo instinto.
Houve silêncio.
De repente, o vento de inverno soprou do lado de fora do alojamento.
Rem reagiu primeiro.
Começou a dar risadinhas.
— Pufufu.
— Eu sabia que seria algo assim.
Os outros que ouviram também reagiram.
— ...Instinto?
Cryce inclinou a cabeça e Audin começou a rezar.
— Pai, vós o protegestes?
Dunbakhel torceu o nariz e perguntou em tom cauteloso:
— Como se cultiva esse instinto?
Claro, ninguém respondeu.
Teresa encarou Encred.
Aquele homem nunca mentira desde que se conheceram.
Então ainda devia ser verdade.
Era surpreendente de novo.
Onde esse ser humano iria parar?
Seria possível escapar de um campo de batalha daqueles apenas com o instinto?
Mesmo ferida, o desejo de Teresa ferveu dentro dela.
Ela queria brandir uma espada.
Queria ficar cara a cara com um escudo.
Deixou sua intenção de luta emanar.
— Irmã.
Audin a conteve com um tom suave.
Ele até mesmo tocou nela.
Ao pressionar o ombro dela, ele transmitia claramente a mensagem de que, se não se controlasse, ela explodiria.
[40;119H[?25hTeresa não apenas era incapaz de lutar tanto quanto queria com seu corpo atual, mas também não tinha intenção de caus
[39;120Hsar um incidente que fizesse Audin explodir.
Ela não era uma fera, mas apenas uma mestiça de gigante.
— Sim, eu sei.
— Teresa, a andarilha, sabe tolerar bem.
Referindo-se a si mesma de forma objetiva, Teresa reconheceu que aquele era um momento em que precisava aguentar firm
[39;120Hme.
Ragnar já estava cochilando em um canto.
Depois de ouvir a história por um tempo, Ragnar voltou ao seu estado habitual.
Embora tivesse entrado sob aplausos há pouco e seu nome estivesse entre os aclamados, sua atitude continuava a mesma,
[39;120H, parecendo não ter interesse em nada no mundo.
Cryce, que estava pensativo com as palavras de Encred, abriu a boca.
— Por favor, conte-me mais.
Não era uma história que se encerraria com apenas uma palavra: instinto.
Encred explicou claramente e Cryce compreendeu.
— Você está falando do sentido de detectar perigo ou de ver o fluxo do campo de batalha?
— É isso que acontece?
Encred também pareceu assentir internamente diante das palavras sussurradas.
Fora exatamente assim.
No entanto, não fora fácil.
Na verdade, ele tivera que morrer de tantas formas diferentes apenas para que essa sensação se fixasse em seu corpo.###TAG###<
[39;120H
###TAG###Por isso, não era como se eu estivesse insatisfeito.
Como não estar satisfeito com o resultado obtido?
Como espadachim, ele estivera ocupado organizando o que ganhara o tempo todo.
Houve outras coisas que percebi e aprendi com isso.
— É incrível.
Embora não tivessem faturado cronas, os olhos de Cryce brilharam.
Isso também era algo estranho.
Não havia moedas de ouro envolvidas, mas ele estava interessado.
Alguns dias se passaram rapidamente desde que Encred retornara.
Houve boatos sobre a realização de um banquete, mas todos estavam ocupados limpando os estragos da batalha.
[40;115H[?25hEra preciso lidar primeiro com os corpos dos mortos e os cadáveres das feras demoníacas.
Se retirassem bem a pele da fera lobo, ela se transformaria em cronas.
O curtimento era necessário, mas havia uma guilda de curtidores bem estabelecida na Guarda da Fronteira.
Mesmo assim, dava muito trabalho.
A indenização foi paga às famílias dos soldados falecidos, e os corpos foram sepultados ou cremados.
Por um tempo, o fogo não se apagou do lado de fora da Guarda da Fronteira.
Graham queria muito dar um banquete, mas não havia tempo.
Cartas chegavam sem parar, e também havia convidados que vinham de surpresa.
Entre eles, os dois convidados mais importantes foram visitar Encred.
Se isso era um problema...
— Eles não podem vir agora.
Graham começou a suar frio com as palavras do ajudante.
— Por quê?
— A unidade sob o comando direto dele está bloqueando a passagem.
— Dizem que ele não deve ser incomodado agora.
Merda.
Graham decidiu ganhar tempo da melhor forma possível.
Quando aqueles caras malucos começavam a fazer alvoroço, não havia solução.
Em vez de assistir ao desastre acontecer, o melhor seria evitá-lo ali mesmo.
Ser o senhor de um castelo realmente não era fácil.
— Haaah.
Graham sentiu saudades de seus dias como comandante de companhia de armadura pesada, ainda que brevemente.
[40;114H[?25hUm suspiro escapou de sua boca.