
Capítulo 319
O Cavaleiro em Eterna Regressão
319.
O sonho de Encred surgiu como um ceifador.
Os olhos de Encred, por reflexo, varreram o corpo da outra pessoa.
Pernas bem aberta[?25hs, mãos caídas, cabelos castanhos despenteados, olhos que pareciam não ter qualquer personalidade e roupas desgastadas.
Não era de um inimigo, nem de um aliado.
Várias perguntas surgiram em sua mente ao mesmo tempo.
Primeiro, como aquela pessoa chegou aqui?
O segundo era determinar o quão habilidoso era o oponente.
Terceiro, pelo que ele estava se desculpando?
— Há circunstâncias.
Então, vamos acabar com isso em silêncio.
A pessoa que falava desembainhou a espada.
Sring.
Era uma espada curta barata.
Dava para notar apenas olhando para ela, junto com o som da espada sendo tirada da bainha.
A lâmina estava cheia de dentes, e o couro enrolado no cabo havia se soltado, pendendo como um fio.
A cor da lâmina também era opaca.
Porque estava enferrujada.
O engraçado era que o homem nem sequer havia reparado na arma até desembainhá-la.
Encred sentiu um pressentimento sinistro surgir ao assumir sua postura e desembainhar a espada.
Não era nada comparado à intimidação do líder gnoll ou do quase-cavaleiro Acea.
Se aquelas eram pressões indiretas, isso aqui era outra coisa.
Parecia um destino esmagador; não importava o que fizesse, ele não seria capaz de parar aquela lâmina.
Por quê?
Graças ao treinamento que tivera até ali, os sentidos de Encred estavam mais aguçados do que nunca.
Seu instinto de esquiva imediatamente ultrapassou um certo limite, presenteando-o com aquela sensação de mau agouro.
Era uma sorte inesperada, mas uma habilidade inútil naquele momento.
Por causa disso, Encred paralisou.
Correntes de mau agouro amarravam seus braços e pernas.
— Er, noivo.
Sinar viu aquilo e abriu a boca.
O que mais a sensibilidade da fada pressentia?
— Você precisa desviar.
Assim que Sinar falou, o homem desapareceu.
Uma longa pós-imagem permaneceu nos olhos de Encred.
Seu olhar voltou-se por reflexo.
O homem, que havia se transformado em um borrão linear, surgiu subitamente diante de Sinar.
###TAG######TAG###Mesmo de olhos abertos, a imagem do homem parecia se fragmentar.
De tão rápido que fora.
Mesmo com sua visão treinada e disciplinada, havia um limite para o que conseguia acompanhar.
Tchak!
Pshhh!
Primeiro, ouviu-se o som.
O que aconteceu em seguida saltou aos seus olhos.
Sinar já havia assumido sua postura.
Encred viu a espada curta e denteada, que havia soltado faíscas a[?25lcima de Sinar, rasgar do peito da fada até seu abdôm
[39;120Hmen.
[40;118H[?25hO sangue da fada espirrou no ar.
Ao ser bloqueado, ele a empurrou e a cortou com a ponta da lâmina.
Era uma combinação de força, velocidade e técnica.
Ele sentiu isso no momento em que viu.
Um golpe de espada perfeito devia ser algo parecido com aq[?25luilo.
###TAG######TAG###— Não acho que vá sobreviver mesmo com sorte, mas, se tiver essa sorte e sobreviver, não farei isso duas vezes.
[40;119H[?25hSei que isso não é honroso.
Por isso, peço sua compreensão.
O homem abaixou a espada curta e murmurou.
Apesar disso, sua voz chegou com clareza aos ouvidos de Encred.
Ele não entendia o que seria aquela única vez, tampouco o que seria mera sorte.
###TAG######TAG###Não conseguia compreender o que ele queria dizer ao falar de honra.
No entanto, uma coisa era certa.
Sinar havia caído.
Ela pressionou o peito com as mãos e escorregou para o chão.
Ela tentou se apoiar fincando a ponta da adaga no chão, mas a lâmina ape[?25lnas raspou inutilmente pelo piso, e Sinar cai
[39;120Hiu de cabeça no chão.
[40;119H[?25hOuviu-se um baque surdo.
— Eu também me sinto desconfortável.
— Estou falando sério.
O homem de cabelos castanhos virou-se e disse.
Encred olhou diretamente para o oponente.
Mesmo que o que estivesse naquela mão fosse uma faca enferrujada, o que acontecera momentos antes teria se repetido.###TAG###<
[39;120H
###TAG###Tinha que ser assim.
As respostas para as inúmeras perguntas que surgiram reduziam-se a uma única conclusão.
O homem diante dele era[1Calgo além de um quase-cavaleiro.
###TAG######TAG###Aquele era alguém que fazia você sentir o mau agouro e o destino inevitável no instante em que o via.
Em outras palavras, era um cavaleiro.
Um ceifador de mil.
Um pesadelo do campo de batalha.
Um desastre nascido de mãos humanas.
Uma arma estratégica capaz[1Cde mudar os rumos da guerra.
O sonho de Encred surgiu como um ceifador.
— Que porra é essa?
Kreis, perplexo, falou por trás.
— Saia da frente.
Ragna deu um passo à frente, puxando Kreis para trás.
Ele sequer tinha uma espada na mão.
Ele segurava uma colher em vez de uma espada.
— O quê?
Dunbakhel rosnou.
Ela já havia completado sua humanização.
O homem deixou a espada curta pender em sua mão.
###TAG######TAG###Em seguida, ele se moveu em direção ao próximo alvo.
Sem o som de passos estrondosos no chão ou o ruído do ar sendo rasgado.
Apenas mover-se e golpear.
Era um movimento simples, mas era difícil até mesmo acompanhá-lo com os olhos.
A próxima era Dunbakhel.
Ela desembainhou seu cimitarra antes que o oponente pudesse fazer qualquer movimento.
###TAG######TAG###Se o homem não tivesse se movido, Dunbakhel teria golpeado primeiro.
Sring.
Baque.
Ploft.
Três sons se sobrepuseram.
Foi assim que soou aos ouvidos de Encred.
Os resultados ficaram evidentes.
Ele não conseguira ler a trajetória da espada curta.
Fora mais rápida do que antes, e ele não pudera ver com clareza porque o movimento fora ocultado pelas costas do home
[39;120Hem.
Em vez disso, ele viu Dunbakhel.
Seu cimitarra partiu-se ao meio, e os pedaços da lâmina quebrada ricochetearam para os lados, rasgando a tenda.
###TAG###[39;120H!-- Ezoic - wp_incontent_11 - incontent_11 -->###TAG###E a espada curta empunhada pelo homem abriu o coração de Dunbakhel sem qualquer hesitação.
— Porra, eu devia[1Cter usado uma lâmina decente.
Dunbakhel, de joelhos, murmurou.
Naquele estado, ela pressionou o peito fendido com as mãos, mas o sangue jorrou por entre[?25l[?25l seus dedos.
Era um ferimento mortal.
###TAG######TAG###— Venha.
Atrás dele estava Ragna.
Ele avançou sem espada.
Mesmo que tivesse uma, seria impossível.
Seu braço ainda não estava completamente curado.
O oponente foi implacável.
Desferiu um golpe com sua espada sem dizer uma palavra.
Um corte silencioso desceu em direção à cabeça de Ragna.
Ragna não foi tolo.
Ele girou o corpo num instante e avançou com a mão oposta ao braço ferido.
Tchac!
Sua mão foi facilmente segurada pela do oponente.
###TAG######TAG###Havia uma colher em sua mão.
O homem de cabelos castanhos segurou o pulso de Ragna com uma das mãos e ergueu a espada com a outra, livre.
[40;116H[?25h— Foi o mais útil de todos.
Enquanto falava, o homem desceu a espada que estava acima de sua cabeça.
Ragna resistiu até o fim.
Ele tentou girar de lado e empurrá-lo com o ombro, mas a espada foi mais rápida.
###TAG######TAG###Tchac!
A espada do oponente decepou apenas um dos braços de Ragna.
Ragna, com o braço decepado, rolou para o lado.
Sangue escarlate espirrou por toda parte.
Com o braço decepado, se fosse deixado assim, ele morreria de hemorragia devido à perda excessiva de sangue.
###TAG######TAG###— Sim, nunca duas vezes.
O homem falou para Ragna.
Encred compreendeu o que o homem queria dizer.
Não duas vezes.
Ele quis dizer que desferiria apenas um golpe de espada, e nada mais.
— Se sobreviver, afaste-se.
Esta é a condição mínima que posso lhe conceder.
— Essa é a minha consciência, e, por menor que seja, pode-se dizer que é uma atitude honrosa.
###TAG######TAG###A espada moveu-se novamente acompanhando suas palavras.
A lâmina mirou Esther, que tentava se aproximar sorrateiramente por trás.
O golpe da lâmina foi como um raio caindo sem piedade, mas também parecia com gotas de chuva caindo em algum lugar.###TAG###
[39;120H/p>###TAG###
Ploft!
Esther também teve sua pata dianteira decepada.
Não apenas a pata dianteira foi cortada, mas seu peito também foi aberto.
###TAG######TAG###Kyaaaaaaa!
O grito de dor da Pantera do Lago ecoou em seus ouvidos.
Aquilo golpeou seu coração.
— Fuja.
Vá.
Disse Ragna, caído.
Ao tentar se levantar, ele escorregou no próprio sangue e caiu de cara no chão.
Ele se debateu, esfregando-se contra o chão.
Era uma terra encharcada com o sangue que ele havia derramado.
O rosto de Ragna estava coberto de sangue.
— Droga...
E uma pequena e trêmula luz bloqueou o caminho de Encred.
As correntes de mau agouro ainda prendiam todo o seu corpo, e Encred não conseguia se mover.
###TAG######TAG###Isto é o destino; a deusa do destino, a outra face da deusa da sorte, parecia estar sussurrando.
Você não pode escapar, tudo termina aqui.
— Eu sabia que acabaria assim algum dia, mas mesmo assim, chefe, vou pagar o que lhe devo.
Kreis bloqueou o caminho.
Encred não conseguia levantar a mão.
Sua boca sequer se abria.
Ele apenas se lembrou do momento em que bloqueou o caminho de Kreis.
###TAG######TAG###— Olhão, fuja.
Por que ele fizera aquilo naquela época?
Não fora algo que sua razão lhe dissera para fazer.
— Dentes...
— Vou morder e não soltar.
Olhão sussurrou.
Ele sabia que o que dizia não tinha sentido.
O oponente também sabia disso.
Ele não demonstrou nenhuma emoção.
Nem sequer suspirou.
Apenas ergueu a espada.
Crepitando.
A espada criava várias sombras sob o fogo que tremulava com o vento.
Uma das sombras tornou-se real e perfurou o coração de Olhão.
###TAG######TAG###Baque.
Kreis desabou com o impacto fatal, sangrando.
Lágrimas de sangue também escorreram de seus olhos.
Encred assistiu a tudo aquilo.
Por fora, ele parecia impassível.
O homem de cabelos castanhos virou-se para encarar Encred.
As duas chamas que flutuavam sobre aquele rosto impassível eram realmente impressionantes.
Os olhos de Encred ardiam a um nível que não podia sequer ser comparado ao fogo de uma lareira.
###TAG######TAG###Foi isso o que o cavaleiro viu.
— Bem, apenas uma vez.
O homem soltou um suspiro de desagrado.
Ele mesmo não gostava daquela situação.
Um cavaleiro vive pela honra.
Um cavaleiro realizar um ataque traiçoeiro daqueles.
Era algo impensável.
Na verdade, isso não importava.
Já havia acontecido.
Todos estavam mortos.
Só então Encred abriu a boca.
— Nunca pensei que diria algo assim.
Ele podia ver Sinar, Ragna, Dunbakhel, Esther e Kreis.
Sinar caída no chão.
Ragna debatendo-se após perder um dos braços.
###TAG######TAG###Dunbakhel com o coração dilacerado.
Esther, sem as patas dianteiras, rugindo descontroladamente.
Kreis, que bloqueou seu caminho e acabou com um buraco no peito.
Os únicos que mal sobreviviam eram Ragna e Esther.
Sinar morreu, Dunbakhel morreu e Kreis morreu.
E Ragna, que se debatia no chão?
###TAG######TAG###— Saia.
Disse Ragna.
Era isso que ele estava mandando evitar.
Mandando fugir, mesmo que um fim inútil o aguardasse.
Mesmo que o oponente não usasse a espada de novo, ele morreria pela perda de sangue.
Estaria tudo bem se ele sobrevivesse?
Ele perdera o braço.
Ainda assim, he repetia como um papagaio para que fugisse.
###TAG######TAG###Isso era ridículo.
Era algo cômico e absurdo ao mesmo tempo.
Encred olhou para o cavaleiro.
Depois disso, ele disse tudo o que tinha a dizer:
— Eu preciso morrer.
Este dia se repetirá quando eu morrer.
Era disso que eu precisava hoje.
O homem apontou sua espada com indiferença.
— Sinto muito.
As palavras sem emoção ecoaram.
Encred avaliou a habilidade do oponente.
Não era visível.
Escuro.
Era como caminhar por uma estrada escura sem uma tocha.
Profundo.
A lâmina voou e perfurou seu coração.
Em vezes de desviar, ele decidiu aceitá-la.
###TAG######TAG###Repetir o dia de hoje, seria a primeira vez.
‘De novo.’
Era a primeira vez que ele desistia desde o começo.
Não havia outra escolha.
Encred percebeu algo novamente.
Sinar, que sempre fazia piadas.
Dunbakhel, que costumava falar bobagens.
O preguiçoso Ragna.
Kreis, que era obcecado por Cronas.
A pantera e o mago com péssimos hábitos de sono.
‘Não vou deixar vocês morrerem.’
Não é uma sensação agradável ver a morte deles bem diante de seus olhos.
Encred aceitou a morte.
A espada do cavaleiro, que havia se tornado o mensageiro da morte, perfurou seu coração e foi retirada.
###TAG######TAG###— Eu vou te matar.
Ouviu-se a voz de Ragna, que ainda resistia.
A voz foi se tornando cada vez mais distante.
Encred suportou a dor e aguentou firme.
Ele sequer gemeu.
— Muito bem, você vive.
Está qualificado.
Estanque bem esse sangramento.
O homem cumpriu sua palavra.
Ele apenas deu meia-volta.
Encred desabou e fechou os olhos.
A morte o consumiu.
Marulhando.
Como esperado, um rio negro surgiu diante de seus olhos.
Sobre o rio caudaloso, um barqueiro que segurava uma lanterna roxa abriu a boca.
Ele disse:
— Eu disse que era o desespero.
O silêncio caiu sobre o rio.
Encred perguntou em vez de concordar:
— Angústia e ignorância?
Não era possível decifrar a expressão do barqueiro apenas olhando para lui.
Como seria hoje?
Felizmente, para a surpresa dele, o barqueiro respondeu à pergunta.
###TAG###Ele falou de bom grado.
À medida que a boca vagamente visível começava a se mover, a mensagem que ele transmitia alcançou Encred.
[40;113H[?25h— A primeira é a agonia: devo fazer algo que não sou obrigado a fazer?
Seria um teste imposto pelo barqueiro ou o destino moldado pelas circunstâncias?
###TAG######TAG###Não sei.
No entanto, a criança não foi salva por necessidade.
Por que se preocupar em fazer o que o seu coração manda?
Não valia a pena se desgastar com isso.
Em outras palavras, não é agonia.
Pelo menos, não para mim.
— O segundo é a ignorância.
Encred não percebeu a barreira.
Se você não sabe, é ignorante.
No mundo de hoje, batizado de ignorância, houve a ajuda de um barqueiro.
###TAG######TAG###Não sei por que ele ajudou.
Mas mesmo sem a ajuda dele, eu teria descoberto em algum momento e superado isso.
Portanto, a ignorância teria sido desfeita mais cedo ou mais tarde e, nesse ínterim, Encred teria caminhado em silênc
[39;120Hcio.
A barreira da ignorância também é irrelevante.
— O terceiro é o desespero.
Aquelas palavras carregavam o significado de algo impossível de ser superado.
###TAG######TAG###As intenções do barqueiro foram transmitidas com clareza.
‘Suporte a espada do cavaleiro.’
Poderia se dizer que foi o dia mais desagradável até agora.
Além disso, antes disso, precisei ver todas as pessoas que chamo de companheiros morrerem.
Seria mentira dizer que isso não me afetou.
###TAG######TAG###— Desfrute do desespero.
O barqueiro falou sem deixar vestígios, como em qualquer outro dia.