O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 289

O Cavaleiro em Eterna Regressão

289. Deve[?25h[?25lres e responsabilidades (1)



Para Kreis, aquilo era algo muito natural.

Por que arriscar a vida em uma luta impossível de vencer?

Por que eu tenho que arriscar minha vida e lutar aqui?

‘Será que os reforços virão?’

Consid[?25herando as circunstâncias, parecia improvável. A chance era baixa, mas não inexistente.

Era preciso abrir mão do que tinha que ser abandonado, mesmo que conseguisse estimar a força dos reforços.

Fosse a Pérola Verde ou a Fortaleza da Guarda da Fronteira.

Havia torres de vigia construídas e fossos recém-cavados, mas, se fossem empurrados de um lado para o outro, tudo seria inútil.

‘O que tenho agora não tem sentido.’

Prometer uma revanche para a próxima vez também era uma atitude sábia. Afinal, resistir obstinadamente não era a resposta.



Kreis falou porque havia chegado a uma conclusão com base nesses motivos.

— Vamos fugir.

Encred pensou enquanto encarava o homenzarrão.

‘Acho[?25h que meus olhos estão bons desta vez.’

Não parecia que ele estava assustado ou consumido pela ansiedade.

Então, ele perguntava aquilo mantendo a sanidade, mas sem saber o que aconteceria se fugissem dali.

Encred ampliou sua visão e olhou ao redor do salão.

Com exceção de Wangnuni, os olhos de todos os outros estavam focados nele.

Não importava a escolha que fizesse ali, eles seguiriam sua decisão. Pelo menos, era o que parecia.

Pelo menos, era o que parecia.



Até[?25h mesmo o par de olhos que espionava em frente ao quartel faria o mesmo.

Sem falar em Esther.

Se Rem, que havia pegado no sono em algum lugar e estava longe, não estivesse lá quando ela voltasse, ela não viria atrás dele de qualquer maneira?

Ragna também havia se separado no meio do caminho e se perdido, mas parecia que, mesmo se se perdesse de novo, acabaria encontrando o rumo.

Por quê? O que eles viam nele?

O que enxergaram nele para segui-lo dessa maneira?

Ele não podia impor sua vontade a eles.

Não se pode forçar algo que se decidiu proteger.

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Encred não seria capaz de fazer aquilo.

— Podem ir.

Foi por isso que essas palavras saíram. Kreis sorriu, satisfeito, e esperou pelo que viria a seguir.

— E você?

Saxony, cujas palavras se tornavam curtas quando estava em apuros, perguntou imediatamente.

Parecia que aquele cara estava apenas esperando por uma oportunidadee falava informalmente quando bem entendia.

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— Eu não vou.

— Por quê? Você já fez o suficiente.

Kreis também falou em voz baixa. Encred não discutiu.

Em vez disso, disse o que precisava dizer.

— Se você vende sua espada por moedas de ouro, você é um mercenário.

Todos olhavam em silêncio, perguntando-seque tipo de absurdo era aquele. Ao vê-los naquela postura, esperando pelas

 próximas palavras, Encred percebeu que, embora tivesse aprendido com eles, eles também haviam aprendido algo com ele.###TAG###

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Era a atitude de escutar.

Os ouvidos de todos se abriram. Só porque os ouvidos de alguém estão fechados não significa que você não possa dizer

 o que precisa, mas seria melhor se ouvissem.

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— E eu me tornarei um cavaleiro.

Ele engoliu em seco. Pensamentos cotidianos, pensamentos que tivera em certos dias do passado, foram esculpidos e ref

finados até se tornarem um pilar sólido.

Encred ajeitou-se de lado. Uma dor aguda atravessou sua canela e seu braço direito.

Não era insuportável. Era tolerável. Pelo menos era muito melhor do que morrer, não era?

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A dor constante apenas o fazia perceber que estava vivo e que não havia passado o dia em vão.

— Eu ouço muito isso.

Saxony disse como se não fosse grande coisa.

Encred encolheu as pernas e sentou-se em uma posição mais confortável.

— Se você não está disposto a vender sua espada por uma mera moeda de ouro, deve vendê-la pelo dever e pela responsab

bilidade. E este é o meu dever e a minha responsabilidade agora.

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O que é um cavaleiro?

Ele é o protetor.

O que se deve ter em mente?

Lendas e mitos, os cavaleiros do passado que brilhavam como o sol já diziam:

Proteja os fracos.

Defenda a justiça.

Cumpra seu juramento.

O que vem primeiro entre essas coisas? Encred chegou a uma conclusão sozinho.

Cavalheirismo.

Sacrificar a própria vida por uma dama é cavalheirismo?

Se ele jurou fazer isso, então sim.

Se esse for o seu código de cavalaria, ele seria capaz de admitir.

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No entanto, a espada não será vendida apenas por moedas de ouro.

Ele não se tornaria um assassino que sentia prazer em matar pessoas.

Um valor intangível. Defender aquilo em que se acredita.

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Aqueles que juram por isso e mantêm seu juramento.

Para o público em geral, ele é uma pessoa muito tola.

Esse é o sonho de Encred.

Esse é o caminho para o qual ele olhou e pelo qual caminhou até agora.

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É por isso que ele não desistiu, mesmo tendo morrido inúmeras vezes, e não se acomodou com o hoje.

Se Encred partisse assim, quantas pessoas na Guarda da Fronteira morreriam?

Sem distinção de crianças, mulheres, idosos e jovens, poderia haver um massacre na casa dos três dígitos.

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Talvez menos pessoas morressem.

Ou talvez mais.

Um dos oponentes era um fanático religioso. Um grupo de loucos estava envolvido.

Claro, mesmo levando tudo isso em consideração, recuar agora poderia ser visto como o mais eficiente.

Talvez fosse melhor abrir mão do que precisava ser abandonado agora para recuperá-lo mais tarde.

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Mas ele não faria isso.

As emoções de Encred não oscilaram.

Não era essa a questão.

Ele havia decidido fazer, então faria.

A guarda da fronteira estava às suas costas, e Encred havia jurado protegê-los.

Embora não fosse um cavaleiro, Encred manteve seu juramento desde o dia no passado em que jurou que viveria daquela f

forma. Ele viveu assim até agora. Esse era o homem chamado Encred.

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A expressão de Kreis ficou lívida novamente. Os cantos dos seus olhos caíram. Ele não parecia ter gostado nem um pouc

co daquilo.

— É tolice.

— Eu admito.

Enquanto respondia às palavras de Kreis, Encred se lembrou de um dia no passado.


Chuááá.

— Que chuva maldita.

O líder dos mercenários não odiava particularmente os dias chuvosos, mas, ao atravessar aquele pântano grudento para

 cumprir uma missão, acabou ficando irritado.

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Foi uma sorte o caminho passar por uma pequena floresta ao lado, em vez de cruzar o meio do pântano, mas isso não tor

rnava a jornada agradável.

A pequena floresta que cercava o pântano vivia enfiando insetos compridos por dentro das armaduras, e mosquitos deste

emidos picavam até as costas das mãos dos mercenários que caminhavam.

— Droga!

Plaft!

Um dos mercenários, que estapeou as costas da própria mão, praguejou furioso.

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Com essa chuva caindo a cântaros, de onde raios vinham tantos mosquitos?

— Ainda falta muito?!

Um mercenário de olhos ferozes gritou.

O guia disse, afastando os cabelos pretos molhados e escorridos do rosto:

— Logo ali.

— Você disse isso agora há pouco!

O capitão se aproximou. Ele era grande e tinha uma aparência assustadora, o que naturalmente causava intimidação. Mes

smo olhando diretamente para o líder, os olhos azuis do guia permaneceram calmos.

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— A chuva nos atrasou.

— Huh, tudo bem, vamos, vamos.

Tuk.

O capitão deu um tapinha na nuca do guia e balançou a cabeça.

Depois, acalmou seu bando de mercenários.

— Seus bastardos malditos. Calem a boca antes que eu os jogue no pântano.

O capitão falou enquanto cortava um longo cipó que bloqueava o caminho com sua faca grossa.

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Com um ruído surdo, os cipós cortados caíram para a esquerda e para a direita, abrindo o caminho.

As palavras do capitão foram duras, mas silenciaram as reclamações. O guia, Encred, observou aquilo e pensou que aque

ele grupo de mercenários era um lugar decente.

Primeiro porque, apesar de sua aparência, o capitão cuidava bem de seus subordinados; segundo porque os mercenários t

também eram sujeitos que honravam suas obrigações.

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Pelo menos não eram do tipo que apunhalariam seus colegas, amigos ou clientes pelas costas durante um trabalho.

[?25h

Sem esse tipo de discernimento, você frequentemente acabaria agindo como guia e viraria comida de insetos ou de árvor

res.

Se não quisesse morrer no meio do nada, precisava escolher as pessoas com cuidado.

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Parecia que eu tinha feito uma boa escolha desta vez também.

— Mas por que estamos usando esse cara em vez de um batedor de verdade?

Ele perguntou aquilo sabendo que todos podiam ouvir? Ou estava apenas falando alto de propósito?

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Um dos mercenários aproximou-se por trás do capitão e perguntou.

Chuáááááááááááááááááá...

A conversa deles era audível mesmo sob o barulho da chuva forte. Graças às copas das árvores que cobriam suas cabeças

s, menos chuva os atingia.

— Ele é barato.

— Como?

— Aquele bastardo é barato. Mas as habilidades dele como guia são meio fracas. Por outro lado, ele sabe como empunhar

r uma espada.

[?25h

É bom usá-lo metade como combatente e metade como guia.

Assim, dava para conseguir um combatente extra gastando apenas o custo original de um guia. O líder mercenário disse

 que, considerando tudo, o preço de Encred era barato.

Claro, o subordinado tolo retrucou: “Isso não é barato”. E continuou falando coisas assim.

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Ele disse que, entre os guias que conhecia, havia vários mais baratos.

— E algum deles sabe achar o caminho direito?

Um colega zombou sarcasticamente por trás.

— Quer que eu mate ele? Ele é tão chato.

Depois disso, seguiu-se um festival de piadas sem graça.

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Piadas sobre matar e salvar.

Uma conversa típica entre mercenários durões.

A missão consistia em realizar um trabalho enquanto permaneciam em uma pequena aldeia localizada na floresta.

[?25h

Era uma aldeia até que segura, pois havia pouquíssimos monstros e feras demoníacas ao redor.

Por ser cercada por pântanos, poderia haver uma colônia de lagartos. Dizia-se que, há cerca de dez anos, um espadachi

im errante apareceu e acabou com todos eles.

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Depois disso, quando os lagartos demoníacos voltaram a se reunir, a aldeia contratou os mercenários.

Por algumas moedas de ouro por ano, era possível livrar-se das ameaças.

Chuááá. Chuva caindo. Visão borrada. Minhas roupas e armadura estavam desconfortavelmente encharcadas, e se ficasse t

tão molhado assim, eu teria que jogar fora o gibão que estava vestindo.

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Por sorte, eu estava vestindo roupas baratas adequadas para o clima.

No entanto, assim que a chuva diminuiu, os insetos proliferaram e o calor ficou insuportável.

Por que essa árvore tem esse formato? Parece um totem que retém a umidade em vez de refrescar o ar.

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Era o mesmo trabalho de sempre: exterminar lagartos e fazer reparos nos arredores da aldeia.

Encred, que já estava treinando há mais de meio ano em uma aldeia vizinha, trabalhava como guia para ganhar a vida.###TAG###/p>###TAG###

— Chegamos.

Embora de forma um tanto desajeitada, chegamos à aldeia após seguir uma rota vagamente familiar.

— Sejam bem-vindos.

O chefe da aldeia, um homem de meia-idade, deu as boas-vindas aos mercenários, que mais tarde lidaram com os lagartos

s atraídos pelo cheiro do pântano.

Eles penduraram cordas feitas de casca de árvore, que exalavam um odor de que os lagartos não gostavam, por todas as

 árvores do pântano.

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Alguns dos aldeões podiam lutar como combatentes, mas a maioria parecia bem distante de qualquer combate.

[?25h

Como havia ido apenas como guia e não tinha necessidade específica de se mobilizar, Encred passava o tempo brandindo

 sua espada no espaço aberto em um canto da aldeia.

— Moço.

Uma criança começou a falar com ele. Era uma menina de pele clara e olhos tristes.

Ela devia ter doze anos, no máximo.

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Encred já fora derrotado por alguém do tamanho dela antes, então não a subestimava por ser jovem, mas ela não parecia

a capaz de empunhar uma espada.

— Por que você treina tão duro?

O que se seguiu foi uma conversa comum. Encred acabou fazendo amizade com a garotinha que falava informalmente e apar

recia com frequência — uma menina, para ser exato.

— Vou embora da aldeia daqui a três anos.

— Seu sonho é morrer longe de casa?

Ela dizia que seu sonho era sair da aldeia e viver a vida por aí. Isso era algo sério.

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Para onde ela iria sozinha naquela idade?

— Não, moço, não é isso! Você já viu a erva que espanta os lagartos? Ela só existe aqui no mundo? A erva que vem dest

te pântano é diferente.

Ele ouvira dizer que a principal fonte de renda das aldeias do pântano eram as ervas medicinais.

— Ah, então o sonho era mesmo morrer longe de casa?

— Ah! Fala sério!

— Então, o que você vai fazer lá fora?

— Vou encontrar uma erva realmente incrível. E, em vez de ir sozinha, é só eu me juntar aos mercenários que vierem no

o futuro!

Ela falava disso como um sonho. As pessoas disfarçavam ervas desconhecidas como medicinais para vendê-las.

[?25h

Encred não zombava dos sonhos alheios. No entanto, ele estava preocupado.

— Então, seu sonho é procurar ervas medicinais e morrer longe de casa?

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— Ah, para com isso!

Não era uma relação muito próxima. Era apenas uma forma adequada de passar o tempo livre.

Servia para matar o tempo enquanto descansava o corpo cansado dos treinos.

Será que a garotinha não pensava o mesmo?

Entre os mercenários que visitavam a aldeia, os outros tinham rostos assustadores, mas he parecia um pouco mais genti

il e ficava brandindo uma espada em um canto todos os dias.

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Ela tentou conversar com ele e percebeu que ele não era uma má companhia para passar o tempo, apenas isso.

[?25h

O trabalho do grupo mercenário continuou por mais de um mês, e os dois mantinham conversas triviais.

— Seu sonho é ser um guia?

— Não, cavaleiro.

— Cavaleiro? Aquele campo de batalha é um pesadelo.

— É.

— ...Acho que seria bom colher ervas juntos, mas você pode me seguir depois.

— Esquece isso.

— Não, eu respeito você. É sério. É de coração.

— Olhe nos meus olhos e diga isso.

Por que você está olhando para as montanhas distantes?

— Hã? O quê?

— E ainda fingiu que não ouviu.

Ela era uma garotinha tão engraçada.

E as crises sempre chegam sem aviso prévio.

— Ei, se vocês lutarem conosco aqui, o que vai sobrar? Sendo sincero, se já receberam tudo o que tinham para receber,

, deem o fora. Vocês nem sequer aceitaram uma missão para isso.

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Na opinião de Encred, o líder dos mercenários era uma boa pessoa.

Isso era verdade para um líder mercenário. Ele falava sério.

Cinquenta ladrões surgiram do nada.

Havia um boato de que algum tipo de joia estava escondida na aldeia do pântano.

O líder dos mercenários precisava fazer uma escolha.

Os aldeões estavam desesperados.

fantasia,

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