Mago Prismático Genial

Capítulo 319

Mago Prismático Genial

#319. História paralela 1. Colapso (3)

— Estou tentando derrubar o muro.

Foi uma declaração.

Ao mesmo tempo, foi uma proclamação.

No momento em que a veracidade do boato foi confirmada, um choque e uma confusão imensos se espalharam por todo o local.

— Hã, eu ouvi errado?

— O que você quer dizer com "derrubar o muro"...?

Foi então que alguém na plateia levantou a mão.

Relativamente jovem, na casa dos 30 anos.

Era Edmund, o chefe da Escola de Cinética, que lidava principalmente com magia de psicocinese.

Ele ocupava o 7º lugar na hierarquia acadêmica e tinha uma voz bastante influente, mas carregada de sentimentos hostis.

— Sim, pode falar.

O genro ficou em silêncio.

Edmund se levantou de seu assento.

— Assim como há um ano, o Chefe Ray continua a nos surpreender. Talvez você não saiba disso por não ser originalmente daqui, da cidade, mas derrubar muros não significa apenas destruir barreiras físicas.

A expressão e o tom de voz eram impecavelmente educados, mas o conteúdo era contundente.

— Eu sei.

— Não. Eu não acho que você saiba —.

— Derrubar os muros significa que a cidade estará conectada ao mundo exterior. É exatamente isso que eu quero.

A tensão na sala aumentou por um momento.

Aqueles que guardavam rancor começaram a demonstrar abertamente seu desconforto.

— Ele não está em seu juízo perfeito.

— Psiu, fale baixo.

— Vim até aqui para dizer algo, e acontece que aqueles rumores ridículos eram verdadeiros.

A expressão de Edmund também se tornou fria.

Ele perguntou, como se representasse a voz do descontentamento:

— Uma conexão com o mundo exterior? Por que você iria querer algo assim?

— Porque a água que fica presa em uma poça e não consegue escoar está fadada a apodrecer.

Água estagnada; ninguém ali pôde deixar de notar que a referência era aos magos que viviam na cidade dentro das muralhas.

Os rostos de muitas pessoas, incluindo o de Edmund, ficaram subitamente contraídos.

No entanto, Ray continuou a falar, olhando ao redor da sala sem dar atenção a eles.

— Como todos sabem, introduzi um novo sistema de magia nesta cidade, chamado Imaginação. Você pode conjurar magia livremente em sua mente, e não há mais necessidade de fórmulas ou regras complicadas.

Ray olhou para a multidão à sua esquerda.

— Aqueles que conseguem utilizá-la ainda são uma pequena fração da população total da cidade, mas os números são claros e estão crescendo em um ritmo constante.

Desta vez, olhei para o lado esquerdo.

— Levará tempo, mas acredito que chegará o dia em que todos poderão usar magia de acordo com sua vontade, sem estarem limitados por cálculos complexos.

Ufa.

Depois de tomar um momento para recuperar o fôlego.

— É para me preparar para esse momento. É por isso que vou derrubar o muro.

Olhei diretamente para Edmund novamente.

Para resumir o argumento de Ray: para fortalecer a imaginação, devemos derrubar os muros e nos mover para um mundo mais amplo.

A base da imaginação é a capacidade de criar imagens claras na mente.

E porque era uma emoção intensa que podia dar vida à Mana.

Em outras palavras, era necessária uma riqueza de experiências.

— Que tipo de novas experiências e estímulos emocionais você pode ter em um espaço fechado como esta cidade?

Não havia ninguém na conferência que pudesse refutar teoricamente essa afirmação.

Porque o oponente não era ninguém menos que o fundador e a maior autoridade da teoria.

Além disso, nem um único dos gerentes de departamento conseguiu desenvolver sua imaginação.

Mesmo que alguém que não tenha experimentado em primeira mão tentasse balbuciar algo, há uma grande chance de que não consiga convencer os outros, quanto mais fazer valer a pena.

Naquele momento, enquanto todos apenas assistiam em silêncio, havia alguém sorrindo discretamente.

"Agora, acho que não precisamos revisar o roteiro separadamente."

Era o chefe da Escola de Harmonia, Khan.

As habilidades de oratória de Ray haviam melhorado notavelmente em comparação a um ano atrás, mostrando que o treinamento especial realmente estava funcionando.

Khan, que estava tão radiante quanto o pai, pensou em seu próprio trabalho e elevou a voz.

— Pessoal, posso acrescentar uma palavra?

Todos os olhares se voltaram imediatamente para ele.

Começando por Khan, os gerentes de departamento que haviam falado anteriormente com Ray se levantaram e deram peso ao argumento de que o muro precisava ser derrubado.

Os recursos dentro da cidade estavam se esgotando cada vez mais.

Terras que agora estavam desocupadas devido à superlotação.

Além disso, os discursos mágicos que batiam em uma parede e permaneciam estagnados antes que as comportas da imaginação se abrissem.

— ... Hmm, não é algo totalmente sem fundamento.

— Certamente essa parte... —

Pude perceber que os sentimentos daqueles na plateia que estavam neutros estavam mudando gradualmente para uma posição mais favorável.

Afinal, magos são seres racionais.

Em vez de fazer um apelo emocional, teria sido mais eficaz apontar logicamente os benefícios práticos que eles obteriam.

O orador é Ray, que abriu novos horizontes de magia para toda a cidade.

Aqueles que fornecem evidências de apoio também são gerentes com influência considerável.

Isso também desempenhou um papel ao impressionar a audiência.

— Em última análise, é para o avanço da magia. É por isso que quero derrubar o muro.

Ray encerrou seu argumento.

Edmund, que vinha ouvindo a história com o rosto cheio de reclamações, respondeu como se estivesse esperando pela menção ao desenvolvimento da magia.

— Reconhecerei os benefícios que você mencionou. No entanto, quanto ao avanço da magia, duvido que a magia da cidade realmente avance a longo prazo.

Edmund se virou como se estivesse fazendo um apelo e continuou a falar, olhando ao redor da sala.

— Se derrubarmos os muros e começarmos a interagir com o mundo exterior, a cidade inevitavelmente verá um influxo de pessoas de fora das muralhas. Claro, não haverá efeitos perceptíveis imediatamente. No entanto, após algumas gerações, depois de muito tempo —

A sala ficou em silêncio por um momento com aquela voz apelativa.

Edmund terminou de falar após uma pausa deliberada, como se apreciasse o espaço entre as palavras.

— — A linhagem dos magos, que foi preservada pura por muito tempo, será poluída. É impossível controlar o amor de cada indivíduo, e sangue inferior de fora inevitavelmente será misturado.

Um número significativo de membros da plateia pôde ser visto balançando a cabeça levemente em concordância.

Ray perguntou com um olhar direto.

— Você é um sangue-puro, Chefe Edmund.

Sangue-puro.

Eles acreditavam que o talento mágico era determinado pela linhagem, e tinham a mais forte antipatia e desprezo por aqueles que vinham de fora das muralhas.

Não se sabia muito ao público.

Qual seria a escala geral?

Quem seria a figura chave?

Pedi informações a Neela, mas ela não me deu nenhuma informação importante.

Era apenas algo que se espalhou rapidamente entre figuras de alto escalão de várias correntes de pensamento, e só era reconhecido como uma ideologia.

Esta era a primeira vez que um sangue-puro desses aparecia diante dos meus olhos, sem máscaras.

Edmund, que ficou em silêncio por um momento para organizar seus pensamentos, abriu a boca com uma atitude confiante.

— Sim, sou um sangue-puro. O que há de errado com isso?

— Não, não há problema algum. Não com o Chefe Edmund. Todos têm o direito de pensar livremente.

Mas.

— Acho que há um problema com a própria ideia de sangue puro. Não temos um contraexemplo para a proposição de que o sangue de fora das muralhas é inferior? Pareço inferior aos olhos do Chefe Edmund?

— ... ... .

Embora jovem, ele é a pessoa mais influente da cidade.

Se tal pessoa fosse inferior, então não haveria mago no mundo que não fosse inferior.

Edmund respondeu com os cantos dos lábios levantados, como se fosse uma réplica esperada.

— Chefe Ray, você está cometendo o erro de usar um caso raro, que não chega a ser um em dez mil, como base para seu contra-argumento. Isso não passa de um salto subjetivo, uma extensão de pensamento infantil. Ouso perguntar: há algum dos chefes presentes que venha de fora das muralhas?

Ninguém levantou a mão.

Apenas o ar parado flutuava.

O sorriso de Edmund se aprofundou ao sentir a atmosfera fluir como ele pretendia.

— Não há necessidade de citar o alto cargo de um mestre de escola como exemplo. Não é um número grande, mas a proporção de pessoas de fora da cidade está aumentando. Entendo que há alguns que se estabeleceram por meios legais. Mas, entre eles.

Os olhos brilhantes de Edmund varreram o grupo.

— Existe sequer um mago famoso?

Como esperado, não houve resposta.

Edmund admirou a si mesmo pelo contra-argumento perfeito.

— Posso garantir que não há uma única pessoa fora das muralhas que possua talento mágico excepcional. Este é um fato comprovado por uma quantidade considerável de dados.

Pessoas balançando a cabeça.

O ímpeto de Edmund está crescendo.

Mas, ao ver a aparência calma de Ray, não pude deixar de sentir uma vaga sensação de inquietação.

— Você não tem nada a dizer? O que você pode dizer...?

— Você pode assumir a responsabilidade?

— Sim?

— É o que estou dizendo. Aqueles que vêm de fora das muralhas estão fadados a ter menos talento mágico.

Edmund franziu a testa.

— ...Isso não é óbvio? É um fato que já foi comprovado, então não há necessidade de assumir a responsabilidade por isso.

— Bem.

Ray disse, observando a impaciência e a ansiedade contidas na postura de Edmund.

— Não conheço nenhum mago de fora das muralhas que já seja famoso, mas conheço um que se tornará famoso no futuro.

O olhar de Ray voltou-se para a parede.

O assistente que esperava ali aproximou-se do palco com um caminhar nervoso.

— Aquele garoto...

— Huh, não sei que diabos está acontecendo agora.

Os gerentes de departamento suspiraram ao verificar o rosto do assistente.

Não era ninguém menos que Joshua.

Como o primeiro aluno de intercâmbio a desenvolver a imaginação, ele é uma estrela em ascensão no mundo mágico.

Por que aquele garoto está aqui neste momento?

Incontáveis olhos de dúvida e confusão estavam fixos no corpo de Joshua.

"Estou tão nervoso que poderia morrer."

Joshua estava consciente de tudo.

Suor frio escorria por todo o meu corpo.

Enquanto eu contemplava se deveria desistir e descer, meus olhos encontraram os de Ray.

"Ray, será que eu consigo?"

"Acho que não tranquei a porta quando saí da torre mais cedo."

Joshua assentiu resolutamente, dizendo que entendeu sua mensagem.

"Obrigado. Por me dizer que posso fazer isso, por me pedir para ter confiança. Vou tentar ser corajoso."

Joshua, que recebeu o microfone, olhou para a plateia.

Respirei fundo e abri os lábios.

— Olá, estimados oficiais. Meu nome é Joshua, um escriturário da Escola de Pedra. Vim aqui hoje para confessar um fato. Embora eu seja conhecido pelo público como filho de uma rica família de mercadores da cidade, isso não é verdade.

Joshua fez uma pausa por um momento.

Houve um silêncio sufocante e imobilidade.

E então, o momento em que a tensão na sala atingiu o ápice.

— Eu nasci fora das muralhas.

Ele cuspiu a confissão.

Em um instante, os murmúrios e sussurros reprimidos explodiram como uma bomba.

— Aquele garoto também é de fora das muralhas?

— Chefe Mehel, o que você acabou de dizer é verdade?

No meio do caos, Edmund gritou de raiva.

— Isso não pode ser verdade! Fui ordenado pelo Chefe Ray a mentir sobre minhas origens!

Mas os gritos foram inúteis.

Porque a tela de dados já estava sendo exibida acima do palco.

Eram os documentos que Joshua havia submetido no posto de controle quando entrou na cidade pela primeira vez como escravo.

A voz de Ray perfurou os ouvidos de Edmund claramente.

— É estranho. No mundo mágico atual, a imaginação é classificada como um privilégio que apenas os talentosos podem alcançar.

— ... ... !

Edmund não disse nada.

Ele apenas encarou Ray com um rosto cheio de raiva e frustração.

— Chefe Edmund, que vem de uma família de prestígio dentro das muralhas, mas não desenvolveu sua imaginação.

E.

— Joshua, que vem das favelas fora das muralhas, mas tem uma imaginação brilhante.

Os cantos da boca de Ray se torceram.

— Afinal, quem é o inferior aqui?

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