
Capítulo 100
Mago Prismático Genial
#100. De volta à origem (2)
Uma seta piscante que se transforma em um ponto.
Isso significava que havia um executivo da Murkred no Setor 46.
— Isso me deixa muito nervoso.
Philip engoliu em seco.
Até o momento, dois executivos da Murkred apareceram.
Ouvi dizer que foi preciso muito esforço para derrubar Walter.
Essa é uma história da época em que as habilidades de Ray eram inferiores às que ele possui agora.
E no caso da pessoa chamada Curiosa, que dizem ter sido encontrada relativamente pouco tempo atrás em um terreno baldio—
— Você não pode vencer. Mesmo que lute em condições ideais, suas chances de vitória são de 0 por cento.
— Foi muito assustador. Era preto, grande e seus olhos viviam mudando de forma.
— O que é aquela coisa preta e grande?
— De qualquer forma, era preta e grande.
— Estava claro que era um ser incrivelmente forte.
Ray disse, lendo as emoções de Philip.
— Não há nada com que se preocupar. Nós temos o direito de primeira descida.
— Ah, é verdade.
As configurações da magia de ligação concedida ao anel foram alteradas por Curiosa.
Este lado pode detectar a localização dos executivos, mas o inverso não se aplica.
A ideia era que você pudesse descobrir seu oponente primeiro, entender sua força e, então, criar contramedidas.
— Dependendo da situação, talvez possamos passar por isso sem lutar de forma alguma.
— Podemos simplesmente passar direto? Curiosa não disse que o Doutor só apareceria depois que derrotássemos os executivos?
Veronica, segurando Nero em seus braços, aproximou-se dos dois e perguntou.
Philip sentiu um desgosto imediato ao ver Nero.
— Gato atrevido...
— Ele não é um gato, este é Nero.
— Ele está rindo de mim?
— Não? Nero?
Enquanto Philip rosnava.
Ray olhou para trás, para a estrada que havia percorrido em seu carro, e respondeu à pergunta de Veronica.
— Tive a sensação de que esse pode não ser o caso.
Philip e Veronica voltaram sua atenção para Ray novamente.
— O que isso significa?
— Philip, quando você pensa em um chefe, que tipo de pessoa lhe vem à mente?
— Uh... a pessoa de mais alto escalão na organização. Nos meus termos, o gerente geral?
Ray assentiu.
— Exato. É um cargo que exige resposta imediata a todos os conflitos e confrontos que a organização enfrenta. É assim que a organização funciona.
— ... ...
— Mas parece que o Doutor não está fazendo isso.
Ray continuou falando.
— Fiquei no Setor 49 por um bom tempo depois que Walter morreu. Mas o Doutor nunca apareceu.
— Hmm...
— Apesar de ter feito contato com Curiosa duas vezes, não houve nenhuma reação que parecesse ser a do Doutor ao seu redor.
— Agora que você diz, faz sentido.
— Pelo contrário, foi quando conheci a Madame Lenia, que não tinha relação com a Murkred, que descobri vestígios do Doutor.
Havia outra base para esse julgamento.
O fato de que o Doutor visita os executivos a cada poucos anos, dá-lhes muitas ordens, desaparece e nunca mais aparece até o próximo ciclo.
Essa foi a impressão que tive.
Parece que ele deixa a gestão da organização por conta dos executivos e não presta atenção nisso, mas, em vez disso, vagueia por aí para alcançar algum tipo de objetivo.
— Então, o método sugerido por Curiosa não pode garantir o sucesso.
Existe a possibilidade de que, mesmo se derrotarmos os executivos da Murkred, o Doutor possa não aparecer.
Portanto, poderia ter sido uma decisão melhor obter informações sobre o arco-íris através de negociação em vez de lutar.
Se a outra pessoa demonstrar anormalidades emocionais como Walter ou Curiosa.
Se for o caso, pode haver bastante espaço para exploração.
Então, as prioridades foram definidas.
Primeiro, precisamos descobrir que tipo de pessoa é o executivo inimigo que está no Setor 49.
*
O grupo que entrou no setor logo sentiu algo estranho.
— A rua está estranhamente silenciosa.
— Entendi...? Aconteceu algo aqui...?
A rua estava quieta e parada.
A maioria das lojas e bancas de rua estava com as portas abaixadas ou cobertas com panos.
Os poucos pedestres caminhavam rapidamente, como se estivessem sendo perseguidos por alguém.
Philip e Veronica recuaram inconscientemente diante da tensão estranha que pairava na rua.
Tump, tump, tump.
Os passos do grupo soavam mais altos por causa do silêncio absoluto ao redor.
No início, pensei que fosse apenas uma rua.
Mas, enquanto caminhava pelo setor procurando uma acomodação, notei que esse fenômeno estava ocorrendo em todas as ruas.
— ... ...
Os olhos calmos de Ray vasculhavam os arredores.
Janelas de vidro quebradas eram visíveis por toda a loja.
Os espelhos retrovisores dos carros estacionados em um dos lados da rua estavam quebrados, e postes de luz danificados gemiam e estalavam.
A proporção é alta demais para ser atribuída simplesmente ao fato de que esta área fica nos arredores do setor e, portanto, é particularmente insegura.
E o mais importante:
“Não vejo crianças nas ruas. Nem sequer uma.”
Engraxates. Vendedores de jornais.
Entregadores, vendedores de fósforos, etc.
A classe mais baixa dos ecossistemas de rua são os órfãos.
Eles nunca deixam seus postos, porque o fato de trabalharem ou não na rua determina se eles vão encher a barriga ou passar fome naquele dia.
No momento em que você deixa seu lugar, sua área é invadida por outro grupo.
Dependendo do tamanho do grupo, pode haver pequenas diferenças, mas é comum estacionar um número mínimo de pessoas por rua.
Mas a questão é que nem essas pessoas estão visíveis.
— ...guerra.
— Parece uma guerra.
Ray e Philip murmuraram ao mesmo tempo.
— Não parece ser algo de pequena escala, não é?
— Parece que não. Considerando o tamanho do setor, é impressionante que esse número de distâncias esteja tão silencioso...
Os pensamentos de Ray e Philip concordavam.
O ar tenso que flutuava pelas ruas era algo familiar aos dois jovens que viveram nas ruas por muito tempo.
— ...Guerra? Você quer dizer a guerra que eu conheço? Aquela entre gangues?
Veronica perguntou cautelosamente.
Ela cresceu em um orfanato e foi acolhida por Graham.
Por causa disso, eles não tinham conhecimento detalhado ou experiência próxima sobre a guerra, como as crianças de rua.
— Exato. Essa guerra. A julgar pela atmosfera, não parece uma guerra que aconteceria em um ou dois dias entre organizações aleatórias.
Ray concordou com as palavras de Philip.
As guerras geralmente ocorrem nas ruas ocupadas por cada organização.
Mas, entre as ruas que percorri até agora, era difícil encontrar um lugar que não estivesse cheio de uma forte sensação de tensão.
“É uma guerra entre organizações de escala bastante grande.”
Isso veio à mente naturalmente.
Uma organização que assumirá o controle de um desses eixos.
— Ainda assim, o poder da organização que eu liderava não era pequeno. Pelo contrário, era grande.
Niles não era exatamente um homem sem o que se gabar.
Ou que ele tinha 7 amantes.
Ou derrotar 20 pessoas com as próprias mãos.
Nunca houve nenhum sinal de que ele estava tentando seriamente me enganar, mas acontecia com bastante frequência.
— Era uma época em que tínhamos devorado mais de três quartos do setor e o crescimento não parava. Naquela época, tínhamos facilmente mais de 200 pessoas.
Mas eu tinha o hábito de não me gabar ou exagerar quando fumava.
— Você trabalhou duro. Era uma época em que eu estava cheio de energia e paixão. Muitos dos meus subordinados também eram capazes.
Enquanto contava essa história, Niles soltou uma espessa nuvem de fumaça de seu cigarro.
O rosto um tanto complicado do homem e o rosto inexpressivo do menino eram refletidos no rio turvo que corria sob a ponte.
— Bem, tudo isso é passado. Já saí deste lugar, então não tenho arrependimentos. Não é da minha conta o que acontece com os caras que ficaram para trás.
Mentira.
Ele era um menino que não era bom em ler expressões faciais, mas era melhor do que qualquer um em ler as emoções no coração.
As emoções que preenchiam a alma do homem eram arrependimento e tolice.
— ... ...
Ray se livrou de seus pensamentos.
Já fazia mais de um ano desde que Niles desceu o rio Elton até o Setor 50.
Na verdade, não havia garantia de que a organização daquela época ainda fosse mantida até agora.
Lutas ferozes pelo poder, conflitos e disputas.
Novas organizações que continuam surgindo.
Porque qualquer organização teria que parar de funcionar no momento em que saísse do controle.
A fisiologia das ruas era que incontáveis organizações eram criadas e destruídas repetidamente.
Mas Ray teve um pressentimento.
Tenho a sensação de que a organização de Niles ainda está viva e bem, e que é muito poderosa.
“Porque era uma organização pela qual Niles, e não outra pessoa, trabalhou.”
Continuei caminhando pela rua com esse pensamento em mente.
Para operar no setor, era necessário ter uma compreensão precisa da situação local.
Procurei crianças nas ruas para obter informações, mas não consegui encontrar nenhuma, porque todas estavam se escondendo em seus esconderijos.
“Acho que vou ter que ir e vender por conta própria.”
Ray parou de andar por um momento e olhou para trás enquanto falava.
— Acho que seria melhor se nos separássemos e coletássemos informações. Philip, Veronica, vocês dois subam até a Rua 32. Eu vou pelo outro caminho.
— Ok.
— Bom.
Os dois assentiram e desapareceram pela rua.
Não era tão longe para enviar, e com a magia de Veronica, não deveria ser tão perigoso.
Tak─
Comecei a caminhar novamente.
Depois dos órfãos, as pessoas que mais conheciam as ruas eram os comerciantes.
Tentei ir lá sozinho, mas não foi fácil encontrar uma loja aberta.
Enquanto caminhava pelas ruas silenciosas, Ray notou uma coisa.
“Não há vigias.”
Durante o tempo de guerra, era comum colocar vigias nos telhados para monitorar os movimentos das organizações inimigas.
Mas agora, não havia uma única pessoa vigiando nos telhados dos prédios.
Essa também era uma possibilidade.
Um dos lados já tem uma vantagem avassaladora na guerra, ao ponto de não haver necessidade de posicionar sentinelas.
“... a guerra pode terminar em breve.”
Essa era uma notícia bem-vinda, pois significava menos restrições às atividades no setor.
Então, um som atingiu os nervos de Ray.
Bang───!
Um som que fica gravado na mente e não pode ser confundido com nada mais.
A cabeça de Ray se levantou com o som de um tiro vindo de longe.
Foi do outro lado da praça, dentro de um beco que levava ao próximo número da rua.
─────.
O disparo que rasgou o ar se estilhaçou sob a luz do sol junto com a fonte crescente.
Um eco que ressoa repetidamente em meus ouvidos.
Ray caminhou em direção ao beco, focando sua atenção.
O som de gritos urgentes e passos vindo de dentro do beco alcançou meus ouvidos fracamente.
“Está acontecendo uma luta.”
Caminhei em direção ao lugar de onde o som vinha, como se estivesse possuído.
— Ei... agarre-o... !
— Apenas... um cara... eu nunca vou deixá-lo ir...!
No momento em que o som que estava lentamente tomando forma se aproximou bem na minha frente.
Vulto!
Um homem saltou da frente do beco e passou raspando por Ray.
— Ali está ele! Empurrem-no para aquele lado!
— Não o percam! É apenas um cara!
O grupo que apareceu em seguida também passou por Ray e perseguiu o homem.
Houve algumas pessoas que fizeram contato visual com Ray durante o processo, mas não foi por muito tempo.
— Agarrem-no...! Deixem-no sozinho...! [1] - (Em tradução literal: referindo-se a deixá-lo sem saída ou encurralado).
— Chega...! Dano...!
O som desapareceu novamente.
Ray parou e encarou o beco onde eles haviam desaparecido.
— ... ...
O que realmente irritou Ray foi a tatuagem no pescoço do homem.
Uma flor florescendo precariamente com muco pegajoso pendurado por todo o corpo.
Flores de Lodo Saki.
Uma flor que floresce na lama.
Niles também tinha uma tatuagem semelhante no ombro direito.
Era uma situação inesperada.
A organização de Niles – pensei que se Nishohwa estivesse participando da guerra, então eles definitivamente teriam a vantagem.
“Há muita distância para perseguir.”
Ray olhou ao redor e saltou para cima de uma lata de lixo próxima à parede do prédio.
Vulto!
Então, ele subiu pelas saliências na parede do prédio e pela placa uma após a outra e, em um instante, chegou ao telhado.
Caminhei até o corrimão oposto e olhei para baixo.
— Persigam-no! Empurrem-no para dentro!
— Se vocês o perderem, terão problemas novamente!
O homem tatuado e sua gangue, que continuavam a perseguição, eram visíveis de relance.
Ray os perseguiu, saltando sobre os telhados.
E.
— Esse desgraçado! Ofegante... ofegante...
— Ugh... Huh... Aquele cara está correndo como um louco. Será que aquele cara é realmente o que levou um tiro?
O homem tatuado foi encurralado em um beco sem saída, e a gangue parou na frente dele, respirando pesadamente.
O homem tatuado, que parecia ter tomado uma decisão rápida, tirou uma faca e apontou a ponta para a gangue.
— Se vocês são confiantes, venham, venham! Seus merdinhas!
Mesmo ferido e encurralado, o homem não mostrou sinal de intimidação.
Pelo contrário, aqueles que perseguiam foram os que ficaram sobrecarregados pelo ímpeto, e pareciam incapazes de correr facilmente em direção ao homem.
— Seus idiotas. Vocês me perseguiram assim, mas agora que é hora de me atacar, vocês estão com medo?
— Não se envolvam. Vocês não precisam ouvir.
— Ok. Vamos usar um método que os pegue com segurança e com o mínimo de dano possível.
Ray, que observava a situação, percebeu de repente mais uma coisa.
“Tatuagens... Não é só aquele cara que as tem.”
Todas as pessoas mostradas abaixo tinham tatuagens de Nisho-hwa.
Isso é um conflito interno?
Ou talvez seja uma tatuagem falsa destinada a confundir o inimigo.
Enquanto pensavam nos cenários possíveis, a gangue sacou suas armas e apontou para o homem.
Clank. Clank.
— Vamos ver se você ainda consegue falar assim, mesmo que seu corpo vire uma colmeia de abelhas.
O homem que viu a arma mordeu o lábio.
Ele falou como se estivesse muito chateado com a situação.
— Merda, seus pirralhos. Vocês vão ter que viver com esse fato gravado em suas cabeças até o dia em que morrerem: Vocês arruinaram tudo o que Niles construiu.
Niles.
Ray saltou sem demora.
O gatilho da gangue foi puxado e um tiro soou.