Mago Prismático Genial

Capítulo 1

Mago Prismático Genial

#001. Garoto sobre uma pilha de sucata (1)

Um entardecer com o crepúsculo caindo.

Ray estava sentado sobre uma pilha de sucata.

Móveis velhos. Eletrônicos quebrados.

Lixo inútil. Metal enferrujado.

Um pequeno jardim onde todo tipo de coisa inútil se abraçava.

Por ser bastante alto, subir ali permitia contemplar toda a paisagem ao redor com um único olhar.

Pilhas de sucata se erguiam como torres por toda parte.

O local atual era um lixão nos arredores do Setor 50.

À frente, uma vasta terra desolada se estendia infinitamente.

Atrás dele, ficava uma cidade repleta de velhos edifícios de concreto.

O lugar onde Ray nasceu e cresceu a vida inteira.

O Setor 50 era uma área inteira que havia se tornado uma favela.

Ele abaixou a cabeça.

Um grupo de garotos com aparência maltrapilha podia ser visto vagando entre as pilhas de sucata, carregando pinças e sacos.

Assim como Ray, eles eram órfãos que viviam nas ruas e ganhavam a vida coletando sucata.

A diferença era que, ao contrário de Ray, as crianças andavam em duplas ou trios.

Cada um tinha um grupo ao qual pertencia.

Era quase certo que isso aconteceria.

Se você não pegasse, tomariam de você.

Se você não matasse, morria.

A estrita lei da selva.

O ecossistema do Setor 50 era tal que ninguém conseguia reservar a vida sem se unir.

Degururur──

Uma das lanternas na pilha rolou pela encosta.

Bam!

Ela rolou pelo chão e parou aos pés de alguns garotos.

Os garotos olharam para cima, em direção a Ray.

Os olhares se cruzaram por um momento.

“… … .”

“… … .”

Os garotos, que estavam observando a expressão de Ray, pegaram as lanternas e começarama correr para algum lugar.###TAG###

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Ray apenas continuou calmo.

Ele apenas pensou consigo mesmo.

Mesmo que a peguem, nãovai servir para nada.

Os olhos de Ray seguiram os movimentos dos garotos.

Um terreno baldio no centro do lixão.

Os garotos que chegaram lá respiraram fundo e entregaram a lanterna para uma pessoa.

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A rigor, não era uma pessoa.

Pois o rosto e os membros eram todos feitos de pedras brutas.

Altura: cerca de 2 metros.

A pedra tinha uma cor cinza-prateada e, à primeira vista, parecia um pedaço de metal.

Kikkikkikkikk

Os adultos do Setor 50 chamavam aquela criatura viva e que se movia de golem.

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Quem era o dono? De onde viera?

Qual era o propósito?

Ninguém sabia exatamente sobre o golem.

Apenas diziam que ele existia no Setor 50 desde os tempos antigos.

Uma coisa era certa.

O golem coletava sucatas específicas do lixão e dava comida em troca de certos itens.

Comida enlatada ou biscoitos.

E itens de luxo como chocolate.

— Vamos! Coma! Coma rápido!

Os garotos acenavam com as lanternas diante do golem.

Eles estavam tão animados que suas vozes podiam ser ouvidas até ali.

— Wheein.

O golem emitiu uma luz vermelha de suas duas órbitas oculares.

Ele encarou a lanterna por alguns segundos, depois se virou e se afastou com passos pesados para outro lugar.

Os garotos correram atrás dele e balançaram suas lanternas, mas a reação do golem não mudou.

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Depois disso, outros grupos trouxeram sucata, mas o resultado foi sempre o mesmo.

— Tch! Por que diabos você não aceita isso!

— Acho que vou acabar quebrando ele!

— Espera aí. Disseram que, se você atacar o golem, ele vai revidar.

— É verdade. Disseram que houve uma época em que um golem foi para as ruas e matou pessoas.

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O golem era caprichoso.

Às vezes ele aceitava a mesma coisa, às vezes não, e vice-versa.

Embora a taxa de sucesso da coleta fosse extremamente baixa, as crianças não desistiam por causa da doce recompensa.###TAG###<

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Ray, que observava a cena, desceu a pilha de sucata.

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Clank. Clank. Bang!

Ele não escorregou nem caiu.

Sua descida foi muito estável, como se estivesse descendo uma escada firme.

Ele olhou ao redor e se dirigiu ao terreno baldio.

Ele pegou parte da sucata que tinha visto antes.

“Aqui.”

Ray, que chegou ao terreno baldio, entregou a sacola ao golem.

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Os olhos vermelhos do golem pousaram sobre o conteúdo da sacola.

Kikkik─

O golem ergueu a sacola e despejou as sucatas na boca.

Boom! Boom!

Os resíduos rolaram para dentro do corpo dele.

O golem, com aboca bem fechada, estremeceu uma vez, depois abriu a boca novamente e tirou comida lá de dentro.

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3 latas de comida enlatada. 2 pacotes de biscoitos.

1 saco de pão. 1 chocolate.

Se comesse com moderação sozinho, seria o suficiente para durar cerca de três dias.

Os olhos dos outros garotosque assistiam à cena se arregalaram.

“Ei. Olha só aquilo.”

“Como diabos ele faz isso todo dia…?”

Havia murmúrios por toda parte.

“… Que tal fazermos assim?”

“Ficou maluco? É o Ray Fantasma da Rua 17.”

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Ray não se importou muito, pois era uma reação pela qual sempre passava.

Ele guardou silenciosamente a comida em sua sacola e seguiu em direção à saída do lixão.

“… … .”

Logo, ele pôde sentir que alguém o estava seguindo.

Duas pessoas atrás da pilha à esquerda.

Duas atrás da pilha à direita.

E três pessoas o seguiam por trás, escondendo-se atrás delas.

Um total de 7 pessoas.

Não era de forma alguma um número pequeno.

A intenção era óbvia.

Ray olhou de soslaio para a sacola pendurada em um dos ombros.

E então, em um lugar que julgou adequado para uma luta, ele parou e se virou.

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“Apareçam. Até quando vão me seguir?”

Não houve resposta.

Foi somente quando ele fez menção de tirar o pão e pisar nele que sentiu um movimento.

“Você tem sentidos bem afiados. E nós fomos tão cuidadosos ao te seguir.”

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Como esperado, eram 7 oponentes.

Eles seguravam porretes e soco-ingleses nas mãos.

“Ron. Eu te avisei da última vez. Se você aparecer na minha frente mais uma vez, vou garantir que nunca mais consiga

andar com as próprias pernas.”

O maior garoto do grupo.

Ron,de cabelo ruivo, hesitou quando seus olhos se encontraram com os de Ray.

Mas logo eles se lembraram de que estavam em ampla vantagem numérica e rosnaram.

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“De quando você está falando? Faz tanto tempo que nem lembro. Hã?”

Ele não tinha os dentes da frente, então sua pronúncia era um pouco arrastada.

Ele havia sido espancado por Ray e teve os dentes quebrados.

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“Foi há exatamente 23 dias. Se está perguntando sobre o tempo, não faz tanto tempo assim.”

“Não é disso que estou falando agora!”

Ron estava fervendo de raiva.

Aquele maldito Ray sempre o irritava, não importa quando o visse.

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Olhos sem emoção que pareciam enxergar através das pessoas.

Desde o som da respiração até o menor dos movimentos.

Cada um desses detalhes o irritava profundamente.

Mas não importava.

Porque logo ele estaria deitado no chão, chorando e implorando pela vida.

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‘Éramos três daquela vez. Mas agora, incluindo eu, somos sete.’

Ele havia perdido da última vez, mas agora seria diferente.

Ele trouxera seis dos melhores lutadores do grupo.

Ray.

O Fantasma da Rua 17.

Ele havia recebido esse apelido porque se movia de forma muito silenciosa e não demonstrava nenhuma expressão no rost

to.

Ele também era famoso por lutar bem.

Mas mesmo ele ficaria indefeso contra sete pessoas.

Além disso, o físico do garoto era, na melhor das hipóteses, comum para a sua idade.

Por outro lado, todos os sete tinham portes físicos grandes, comparáveis aos de adultos.

‘Eu definitivamente vou vencer.’

Os cantos de sua boca se elevaram sem que percebesse.

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A ideia era vingar a derrota anterior e assumir o controle da Rua 17, onde o garoto ficava.

Ron disse com uma voz confiante:

“Sem conversinha. Deixe a sacola e vá embora. Assim deixo você ir inteiro.”

Era mentira.

Ele planejava espancá-lo e deixá-lo aleijado, quer entregasse a comida ou não.

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“Mentira.”

Os olhos de Ron vacilaram sob o olhar dele.

A razão pela qual as crianças de rua temiam Ray não era apenas por causa de suas habilidades de luta.

“Isso é mentira.”

Ray não caía em mentiras.

“Não faça contato visual com fantasmas. Se fizer, será pego na mentira.”

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Os garotos hesitaram no início.

Mas vários acontecimentos já haviam tornado essa suposição uma certeza estabelecida.

Mentiras não funcionam com fantasmas.

‘Pirralho atrevido…!’

Ron rangeu os dentes.

Qualquer um acreditaria que ele o deixaria ir em segurança, mas o outro devia ter descoberto a verdade por meio de al

lgum tipo de talento inexplicável.

“Acabem com ele─! Acabem com ele─!”

Ron gritou, como se tentasse espantar o próprio medo.

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Os garotos que o acompanhavam avançaram contra Ray.

Bam!

Ray soltou a sacola no chão e assumiu uma postura de combate.

As silhuetas dos inimigos se aproximando a cada instante se refletiam em seus olhos totalmente brancos.

Boooo …

Ray se abaixou profundamente.

Ele sentiu o porrete raspar de leve em suas costas.

Taque!

Impulsionou-se contra o chão.

Inclinou o corpo para a frente e puxou os cotovelos para trás.

E então,

Pow!

“Ugh!”

Ele enterrou o punho profundamente no estômago do oponente.

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Ao passar pelo garoto que estava prestes a desabar, ele viu um soco-inglês vindo diretamente em sua direção.

Vup!

Girou o corpo para a direita usando o pé esquerdo, que havia parado abruptamente, como eixo.

Shhh!

O soco-inglês passou bem diante de seu rosto.

Ele desferiu uma cotovelada direita com toda a força no braço estendido do oponente.

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Crac!

“Ahhhh!”

E chutou o oponente cambaleante.

Ele se chocou contra os inimigos que vinham atrás, fazendo com que caíssem juntos no chão.

A luta foi unilateral.

O som de impactos na pele e de ossos quebrando ecoou pelo lixão.

Exatamente 5 minutos depois.

Todos os garotos, exceto Ron, estavam caídos no chão, gemendo de dor.

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“… … !”

“Não muda nada só porque o número aumentou.”

Ron não conseguia acreditar no que estava acontecendo.

Quer dizer que a habilidade que ele costumava demonstrar normalmente não era tudo?

“Não se aproxime! Eu disse para não se aproximar!”

“Eu avisei. Se aparecer mais uma vez, farei com que não consiga usar as pernas.”

Ray encurtou a distância, passo a passo.

Ron recuou um passo, com os lábios trêmulos.

Bam!

Algo bateu em suas costas.

Ao olhar para trás, viu que era uma pilha de sucata.

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Ron puxou um canivete e o abriu.

“Porra! Fica longe de mim! Seu monstro!”

Ray parou.

Ele olhou fixamente para a lâmina.

“Você é um monstro.”

Talvez aquilo não estivesse totalmente errado.

Ele pensou nisso enquanto olhava para o próprio rosto, distorcido e cinzento no reflexo da lâmina.

Talvez ele mesmo não fosse muito diferente de um golem, um bloco de pedra.

*

Foi aos 10 anos de idade que Ray percebeu que era diferente das outras pessoas.

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“Por que você não está chorando?”

“Você caiu e fez um corte enorme, mas não está doendo nada?”

Ele sabia que doía.

E que o sangue estava escorrendo.

Mas o que chorar tinha a ver com isso?

“O Kale apanhou e voltou. Daqueles garotos da Rua 7.”

“… Você não está nem um pouco bravo?”

Por que deveria ficar com raiva?

Não, antes de tudo, o que significava 'raiva'?

“Snif. O Bello morreu… O que faremos agora?”

“Você não derramou uma única lágrima.”

Ray então percebeu.

Ele mesmo não sentia uma única coisa que os outros chamavam de emoção.

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“Você é meio esquisito. Dá medo.”

À medida que as pessoas ao redor se afastavam, ele naturalmente acabou ficando sozinho.

Ele pensou vagamente.

Será que estou errado?

Eu queria ser como todos os outros.

Eu tentava sentir emoções.

Podia sentir algo se agitar de leve no fundo do meu peito.

「… … .」

Mas eu nem conseguia dizer se aquilo era realmente uma emoção.

Nunca tinha sentido isso antes na vida, então não tinha nada com o que comparar.

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Um ano se passou.

Dois anos se passaram.

Três anos se passaram.

… Seis anos se passaram assim.

Os esforços constantes para sentir emoções foram inúteis.

Talvez fosse melhor assim.

Ele também tinha esse pensamento.

Nas favelas, não sentir emoções costumava ser uma vantagem.

Por exemplo, não sentir medo ao lutar era um trunfo gigantesco.

As situações que exigiam ler os sentimentos dos outros e ficar atento às suas reações não eram um grande problema.###TAG###

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Pois Ray tinha sua própria maneira de ler as emoções alheias.

*

“Não se aproxime, seu monstro!”

Agora, Ray concentrava sua atenção nas próprias pupilas.

Graças a isso, ele via o mundo de forma diferente dos outros.

Um vermelho tão vermelho quanto sangue.

Um azul tão azul quanto o mar profundo.

Um amarelo brilhante como forsítia.

E incontáveis outras cores.

O mundo estava repleto de luzes coloridas.

Uma paisagem parecida com uma pintura a óleo, com tintas de várias cores todas misturadas.

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O mana era conhecido como a matéria da magia e a base do mundo.

Claro, Ray não sabia os detalhes.

Ele apenas o usava como uma ferramenta complementar para identificar as emoções alheias.

Ray olhou para o peito de Ron.

Um mana marrom-escuro ondulava por ali.

Todos tinham um pequeno receptáculo no coração.

Toda vez que sentiam uma certa emoção, um mana de determinada cor infiltrava-se no receptáculo e ali permanecia.

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Raiva, ódio, amor e afins eram manas de cor vermelha.

O riso e a indiferença eram manas de cor azul.

A alegria e a empolgação eram manas de cor amarela.

Não havia muitas exceções.

“É uma faca. É uma regra implícita não usar lâminas. Você planejou trazê-la desde o início? Para me esfaquear?”

“Ah, eu peguei ela agorinha! Peguei no meio do lixo!”

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Passo.

“Ah, não chega perto! Não chega perto! Se você não quiser morrer!”

Ray se aproximou de Ron, alheio à faca apontada para ele.

Seu olhar estava sempre voltado para o peito de Ron.

Um mana negro e escuro que flutuava.

Sim, aquilo era o medo extremo.

Ray abriu a boca.

“Mentirosos merecem ser punidos.”

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