
Capítulo 417
A Protagonista Feminina Realmente Te Ama
Sam tossiu por um tempo, e Mia olhou para ele, ao mesmo tempo sem graça e irritada.
"O que você quer dizer com isso? Você está com tanto medo da minha pergunta?"
Sam limpou o canto da boca.
"É só que você perguntou tão de repente. Não estávamos falando sobre mim? Essa foi uma mudança bem abrupta."
Mia bufou.
"Esse é o objetivo, te pegar de surpresa. Olha para você, um medroso... Aquele último gole não conta. Você nem engoliu; você cuspiu tudo."
"Você é quem está sendo mesquinha."
Sam tomou outro gole. Não tinha como escapar; beber parecia mais seguro do que responder àquela pergunta.
Eles tomaram mais alguns drinques, e todos os pratos de churrasco foram finalmente servidos.
Ambos estavam com o rosto levemente corado. Sob as luzes brilhantes e a atmosfera animada, Mia se lembrou de algo e olhou para Sam.
"A propósito, o Ano Novo está chegando. Quais são seus planos?"
Uma pergunta tão familiar.
Se ele se lembrava corretamente, Zoe lhe perguntara a mesma coisa mais cedo naquele dia.
Sam notou a tentativa de Mia de parecer indiferente, mas percebeu os olhares sutis que ela lançava em sua direção.
Sam pegou um pedaço de churrasco e respondeu casualmente.
"Ah, nada demais. Só um evento de Ano Novo com o clube... A gente deve ficar acordado até meia-noite."
Ao ouvir isso, os olhos de Mia se arregalaram levemente.
"S-sério?"
"É, nós planejamos isso há alguns dias."
"Que tipo de clube é esse... que faz um evento de Ano Novo? Os membros do seu clube não têm outras coisas para fazer, como passar tempo com a família?"
Mia parecia estar julgando um comportamento social incomum.
"Quantos jovens passam o Ano Novo com suas famílias hoje em dia? É bem normal..."
Ele disse de forma despretensiosa, sem a intenção de implicar nada.
Mas Mia lembrou-se de sua própria situação.
Sua mãe havia falecido inesperadamente, e seu padrasto, que existia apenas no nome, não era visto há anos.
Naquele momento, ela sentiu uma onda de solidão e melancolia adulta.
Mesmo com o garoto à sua frente, ela foi momentaneamente dominada pela solidão.
Sua expressão tornou-se sombria.
Ela serviu-se de outra dose de conhaque.
Então ela falou suavemente.
"As crianças de hoje em dia pensam que têm todo o tempo do mundo para passar com suas famílias. Elas não percebem o quão precioso é cada momento, e que acidentes podem acontecer a qualquer momento."
Ela disse isso, então virou o copo inteiro e serviu outro.
Vendo isso, Sam percebeu que suas palavras haviam desencadeado a tristeza dela.
Ele franziu a testa.
"É, você tem razão. O que você disse faz sentido."
Mia olhou para Sam e sorriu.
Seu rosto, corado pelo álcool, agora revelava uma beleza cativante.
Mas seu sorriso estava tingido de tristeza, como se ela estivesse incompleta, quebrada sob as luzes.
"Você não precisa dizer isso só para me confortar. São apenas meus pensamentos. Eu sei que muitas pessoas, mesmo aquelas que estão se afogando em felicidade, não conseguem senti-la de verdade."
Sam a observou levantar o copo novamente. Ele estendeu a mão, não para impedi-la, mas para pegar seu próprio copo e brindar com o dela.
Sam bebeu seu copo primeiro, então disse:
"Se você quiser, você também pode ter uma família feliz. Depende de você."
Mia hesitou, então bebeu seu copo.
Ela abriu seus lábios vermelhos e respirou fundo, como se quisesse dissipar a queimação intensa do álcool.
"Eu sei... Mas você não acha que buscar cegamente algo só porque lhe faz falta é como beber veneno para matar a sede?"
Sam não tentou persuadi-la diretamente.
Afinal, era uma questão pessoal dela. Muitas vezes, a interferência externa em tais escolhas era desnecessária.
Ele simplesmente disse a Mia:
"Eu não posso dizer que entendo completamente o que você passou. Eu só acho que, às vezes, dar uma chance aos outros também é dar uma chance a si mesmo."
A visão de Mia ficou levemente embaçada.
Ela não era tão frágil a ponto de chorar com essas palavras, mas o álcool a atingira forte e rápido.
A onda repentina fez com que a figura e o rosto do garoto à sua frente parecessem confusos.
"Sam..."
Ela chamou seu nome suavemente. Apenas olhando para seus olhos, ele sabia que ela havia bebido um pouco.
Sam sorriu para ela.
"O quê? Você está bêbada?"
Mia fez beicinho. O álcool pode ampliar comportamentos, tornando as pessoas mais abertas e suas emoções mais desinibidas.
Então suas expressões e gestos eram naturalmente mais exagerados.
"Eu não estou bêbada. É só um pouco de conhaque."
"Um pouco? Você sabe quanto você bebeu?"
Sam levantou um dedo.
Mia olhou fixamente para o dedo dele sem responder.
Sam ficou surpreso.
Ah, não, será que ela está mesmo tão bêbada? Ela nem consegue reconhecer um número?
Sam conhecia a tolerância dela. Ela não deveria estar tão mal.
Será que ela estava fingindo?
Mas seus olhos pareciam estranhos.
Ela encarava o dedo dele como se fosse um tesouro raro.
Então Sam aproximou a mão um pouco mais.
"Olhe com cuidado. Quantos são?"
Ele queria avaliar melhor o estado mental dela.
Mas, inesperadamente, Mia estendeu a mão de repente e agarrou a mão dele com as duas dela.
Sam ficou atordoado, incapaz de puxar o dedo ou dizer qualquer coisa.
"Mm."
Então ele sentiu uma sensação úmida no dedo.
Os olhos de Sam se arregalaram em choque.
Mia puxou a mão dele e colocou o dedo na boca!
Ela não estava mordendo.
Não havia dor de dentes, apenas... úmido e macio.
Ela estava chupando o dedo dele...
Ela segurou o dedo dele na boca, não soltando imediatamente. Ela olhou para cima, para ele, com seus lindos olhos, agora enevoados e ambíguos.
Naquele momento.
Com a fumaça girando ao redor, as luzes brilhantes acima e o olhar sedutor dela.
Se o coração de Sam não reagisse, ele seria o único a não entender a situação.
Então seu coração bateu fortemente.
Seus olhos não podiam sair do rosto dela.
Após um longo momento.
O momento mais longo, ela lentamente soltou o dedo dele e largou a mão dele.
Seu rosto estava ainda mais vermelho.
"Eu te disse que não estou bêbada... Se você continuar dizendo isso, eu vou te morder."
Sam lentamente retirou o dedo.
A sensação úmida permaneceu, tornando difícil limpá-la.
Nem todas as marcas têm cor, e nem todas as marcas desaparecem completamente quando limpas.
É como uma brisa em um dia de verão anos atrás, tocando o rosto de um garoto, tornando-o incapaz de esquecer aquele verão pelo resto de sua vida.
"Você realmente não está bêbada?"
Sam sentiu como se mal conseguisse falar.
É claro, a mais envergonhada era Mia.
Ela não estava bêbada, mas suas ações pareceram imprudentes.
Era algo que ela não faria nem se estivesse bêbada.
Mas agora há pouco.
Quando Sam estendeu seu dedo longo em direção a ela, ela não sabia o que viu.
Ela apenas teve um impulso absurdo.
Ela queria morder o dedo dele, para fazê-lo sentir dor. Para mostrar a Sam que ela não estava bêbada e para ele não duvidar de sua tolerância.
Mas...
Assim que ela abriu a boca para morder, ela não conseguiu se levar a fazer isso.
Seria relutância?
Ou um momento de hesitação.
Então seus dentes nunca apareceram.
Apenas os lábios macios e a língua permaneceram.
A vergonha de Mia não havia desaparecido quando ela viu Sam mergulhando o dedo em um copo de conhaque.
Ela ficou confusa.
"O que você está fazendo?"
Sam respondeu calmamente.
"Desinfetando."