
Capítulo 362
A Protagonista Feminina Realmente Te Ama
Não importa quão esplendorosos sejam os fogos de artifício, eles acabam desaparecendo na escuridão. A roda-gigante atinge seu ponto mais alto apenas para, eventualmente, descer novamente. Quando tudo terminou, Sam e Ava caminharam juntos.
Os olhos de Ava ainda estavam um pouco vermelhos, e o vento a fazia semicerrar os olhos levemente.
— Você está bem? — Sam perguntou suavemente.
Ava sorriu, com seu charme e fofura habituais, o que fez Sam sentir um aperto no coração.
— Está tudo bem, vamos para casa~
— Tudo bem.
Sam começou a caminhar.
— Espere.
A garota o chamou suavemente. Sam se virou para ver Ava estendendo sua mão delicada.
— Você tem que segurar minha mão...
Sam não conseguiu zombar de sua infantilidade, nem mesmo com um tom deliberado. Ele apenas hesitou por um momento e então estendeu a mão.
Logo, sentiu sua mão ser tomada suavemente. Não era um aperto firme, como se pudesse ser solto a qualquer momento, mas eles não se soltaram até chegarem à motocicleta, onde Ava abraçou sua cintura novamente.
Enquanto aceleravam pelas ruas, o vento frio passando por eles, as luzes entrelaçadas dos postes pareciam fazer Sam sentir como se estivesse viajando no tempo. Tudo o que conseguia ouvir, além do vento uivante, era a batida vigorosa de seu coração.
Ele podia sentir claramente o corpo de Ava contra suas costas. Embora estivessem usando capacetes, isso não negava o fato de que ela estava se agarrando firmemente a ele.
Ava queria tirar o capacete porque sentia que não conseguia ouvir seu batimento cardíaco através de suas costas largas e quentes, mas não agiu por impulso, não querendo preocupá-lo.
Bem, isso já era muito bom.
Segurando-o, sentindo-o navegar pela vasta e movimentada cidade—parecia que eles tinham percorrido muito tempo, caminhado por muitas histórias. Ela esperava poder ser uma pessoa assim.
Não necessariamente aquela que ganha mais, porque pessoas desajeitadas apenas sofrem mais, mas pessoas gananciosas são punidas. Então estava tudo bem, acompanhá-lo pelos tempos mais longos, até o fim dos tempos e da vida.
Afinal, comparada a outras mulheres... ela estava com ele há muito mais anos.
E Sam havia dito.
Não importava o que acontecesse, ele não a abandonaria, não a ignoraria.
O vínculo deles seria mais forte que aço e concreto, mais seguro que as cordas do destino.
Até que Sam estacionou a motocicleta na frente de uma loja de conveniência e levou Ava de volta para seu apartamento.
No caminho, não falaram muito; talvez por causa do incidente na roda-gigante, a atmosfera agora era um tanto estranha.
Não apenas a desolação da partida, mas também muitas tensões que eram difíceis de colocar em palavras novamente.
Assim, retornaram ao apartamento.
Cada um se refrescou.
Desta vez, Sam tomou a iniciativa de entrar no quarto e deitar-se no chão.
Ele não lutou mais de forma pretensiosa.
Afinal, o dia tinha sido assim, então que a última noite fosse quente e pacífica.
Sam pensou assim.
Mas, no quarto escuro, o som de suas respirações, embora não falassem, parecia estar falando, o que era um tanto estranho.
Fazia alguém se revirar, e até Sam, que sempre se sentia calmo o suficiente, sentiu-se um pouco constrangido.
Hmm...
Parecia que formigas estavam rastejando em seu corpo.
— Irmão... você está dormindo?
Parecia que aquela que não conseguia se conter apareceu primeiro.
Sam olhou, e no quarto um tanto escuro, com sua visão excelente, ele podia ver a garota colocando a cabeça para fora da cama.
— Hmm?
Sam cantarolou suavemente, olhando para ela.
Ava estava deitada na borda da cama, sussurrando.
— Eu não consigo dormir...
— Mas eu não tenho nenhum comprimido para dormir aqui.
— Eu não quero tomar remédio!
— Então conte ovelhas.
— Você é tão velho, você realmente acha que contar ovelhas vai te ajudar a dormir? Você só está me dispensando, né!
Ava bufou.
Sam não pôde deixar de rir.
— O que você quer então? Conversar comigo só vai te deixar mais acordada, e você ficará ainda menos capaz de dormir.
Ava falou em um tom manhoso.
— Então me conte uma história.
— Senhorita Ava, quantos anos você tem? Você não tem cinco anos, tem?
— Sim, sim, eu só tenho cinco~
— Sem vergonha.
— Vá para o inferno!
Ava jogou um travesseiro com raiva, que Sam facilmente pegou e depois jogou de volta.
— Bang.
A garota que foi atingida não se machucou, mas ficou muito brava.
— Como você pôde fazer isso!
— Pare de causar problemas, é tão tarde, e você tem que pegar o trem cedo amanhã de manhã. Quem está realmente causando problemas aqui?
— Mas eu simplesmente não consigo dormir, e você não se importa comigo!
Ava disse, segurando o travesseiro, parecendo lamentável. Parecia que ela estava prestes a tentar uma abordagem mais suave.
Sam também olhou impotente para ela.
— O que eu deveria fazer? Nem a polícia consegue lidar com esse tipo de coisa.
Inesperadamente, Ava deu um tapinha na cama.
— Suba e durma.
— Você está louca?
— Sério!! Suba e durma comigo, eu vou conseguir dormir então, exatamente como da última vez!
Parecia que ela estava se referindo ao primeiro dia em que dormiram na mesma cama. Sam lembrava que Ava se mexeu por um tempo, mas logo adormeceu.
Isso parecia uma boa ideia, mas...
Isso não seria alimentar os pensamentos dela?
Então Sam nem pensou sobre isso e recusou diretamente.
— De jeito nenhum, você acha que eu sou um acompanhante profissional de sono?
— Suba~
Ava implorou em um tom fofo.
Sam continuou a recusar retamente.
— Não, eu não vou subir.
— Suba!!
Ava parecia não conseguir mais se conter.
— Não!
— Tudo bem, então eu vou descer.
— Não vai subir... hã? O quê?
Sam viu a figura na cama se mover em uma velocidade extremamente rápida, mudando de posição mais rápido do que quando ela nadava.
Então Sam sentiu seu cobertor subir e descer, e então uma temperatura corporal quente apareceu ao lado dele.
Olhando para baixo, Sam viu bochechas coradas e olhos brilhantes, levemente nervosos.
Como um cervo curioso sobre um novo mundo.
— Você realmente é algo.
Sam comentou.
— Mesmo que sejamos irmãos, ainda podemos dormir juntos, certo? Não estamos fazendo mais nada.
Ava argumentou retamente, como se quisesse deixar o garoto sem palavras.
Sam riu.
— Você ainda está pensando em fazer outras coisas?
— Tenho medo que você não consiga se segurar~
Ava inadvertidamente lembrou daquela noite na casa de Angel, a cena que ela 'por acaso' viu.
Normalmente uma pessoa tão gentil, como ele poderia se tornar tão selvagem na cama? A cena naquele momento quase fez Ava pensar que Angel iria desmoronar.
Ava estava com um pouco de saudade, mas instintivamente nervosa e com medo.
Sam riu.
— Você é tão jovem, e só pensa em coisas estranhas.
— Eu não sou jovem, irmão!
Ava argumentou, tentando se esforçar para estufar o peito, como se quisesse provar isso com fatos.
Como ela não estava usando muito para dormir, apenas uma camiseta de manga longa fina, naturalmente permitiu que Sam visse seus seios, que de fato tinham algum tamanho.
Claro, a forma era bonita, a postura sedutora, mas infelizmente, Sam já tinha visto seios demais para ser tentado por esse nível.
Ele até sorriu casualmente.
— Mmm, não jovem, nada jovem mesmo.
— Que tipo de tom é esse!
— Não, estou te elogiando, você cresceu~
— Você claramente acha que meus seios são pequenos, certo?!
— Não, não sou o tipo de pessoa que olha para números, mas você não pode dizer que eles são grandes, certo? Bem, a forma não é ruim.
Sam disse isso em um tom sarcástico e depois se virou.
Parecia que ele só ia deixar passar.
Mas Ava não queria deixar passar tão facilmente.
Ela mordeu o lábio e depois correu para cima.
— Bang!
Sam sentiu ela abraçar sua cintura, e ele podia sentir claramente o que estava pressionando contra suas costas.
As pupilas de Sam se contraíram levemente.
— Você... ficou louca?
O rosto de Ava estava vermelho, sua cabeça enterrada nas costas de Sam, desfrutando do perfume de seu corpo.
Segurando firme.
— Não lute... apenas assim, é a última noite.
Sam não sabia o que dizer, a atmosfera romântica, porém indescritível, era triste.
Mas o que era pior, ele não suportava empurrá-la para longe.
Como ela disse, era a última noite.
Uma noite de lutas entrelaçadas...
Ele suspirou.
— Vá dormir cedo.
— Isso está bem?
— ...
Sam não respondeu, permaneceu em silêncio, mas também não resistiu, o que parecia ser a melhor resposta.
Ava sorriu, desejando poder ficar para sempre inebriada neste abraço, sem nunca querer acordar.
Ela não soube quando adormeceu.
Apenas sabia que dormiu bem, sem um único sonho.
Ela apenas sabia que estava profundamente apaixonada por este perfume, um perfume que ela nunca esqueceria pelo resto de sua vida...
Pela manhã.
Sam tirou um dia de folga especialmente.
Ajudando com a bagagem, ele levou Ava para a estação de trem.
No caminho, Ava não falou muito, ao contrário da atmosfera quando ela chegou pela primeira vez, mas sim levemente reprimida.
Ela olhou para a paisagem ao longo do caminho, seus olhos brilhando.
Nessa atmosfera estranha e levemente opressiva, eles chegaram à estação lotada.
No portão de embarque, eles tiveram que se separar.
Olhando para as muitas filas.
Sam olhou para a garota que parecia ainda estar em transe.
— Tudo bem, você precisa ir verificar seu bilhete. Não perca a hora.
— Eu sei...
Ava ergueu a cabeça, olhou para o portão de embarque e depois voltou a olhar para a entrada.
Ela se sentiu um pouco nostálgica.
— O tempo realmente voa, parece que cheguei ontem.
Sam sorriu.
— A maior parte da vida é assim, assim que você olha para trás, percebe quão curta é a vida.
— Eu não gosto de ouvir grandes verdades do irmão.
Ela franziu o nariz levemente.
Sam assentiu.
— Então eu direi menos.
— É, isso é melhor, caso contrário você parece muito antiquado, nada bonito.
— Entendido, agora você está mandando em mim.
Ava bufou, querendo parecer despreocupada, parecer uma adulta, não uma garotinha que não suporta se separar, que só chora e lamenta.
Então ela deu um passo atrás e olhou para Sam.
— Então sua irmãzinha fofa está indo embora agora!
— Tudo bem, cuide-se no caminho.
Sam assentiu.
Ava olhou para o rosto bonito do jovem, para seus olhos encontrando os dela.
De repente, muitas palavras surgiram em seu coração, sobrepujando os sons barulhentos dos transeuntes.
— Lembre-se... de responder minhas mensagens mais rápido, de atender minhas ligações!
Ela disse de forma um tanto forçada.
Se ela não falasse com força, parecia que não conseguiria resistir à amargura que estava prestes a explodir de seu coração.
É assim que a separação é sentida?
Sam apenas ficou lá, mantendo um sorriso gentil.
— Tudo bem, eu sei.
Ava mordeu o lábio.
Suas sobrancelhas franziram um pouco mais.
— Lembre-se de comer bem, de descansar bem, não adquirir maus hábitos como fumar.
Sam não a culpou por 'intrometer-se', porque isso era preocupação dela.
— Não se preocupe, eu não vou.
— Tudo bem... então estou indo!
Ava sentiu que seus olhos eram realmente frágeis, e não pôde deixar de sentir um pouco de azedume, um pouco quente e úmido.
Ela caminharia por este portão de embarque, então partiria sem olhar para trás.
Então eles seriam separados por milhares de quilômetros.
Então, por muito tempo, ela não seria mais capaz de ver seu sorriso, sua seriedade, todo o seu cuidado com ela.
Realmente foi um pouco triste...
Mas ela tinha que ser forte, ser despreocupada, não deixá-lo pensar que ela era um incômodo, ela não podia!
Ava respirou fundo.
— Estou indo! Você tem que sentir minha falta!
— Eu sentirei.
Sam sorriu e acenou com a mão.
Mesmo estando perto, ele parecia um farol distante, aparentemente capaz de iluminar sua jornada não importa onde ela estivesse.
Ela endureceu o coração e se virou.
A mão de Sam abaixou, observando as costas da garota.
Uma longa despedida.
O inverno também é uma estação longa.
— Tap tap.
— Tap tap!
Ela só tinha dado dois passos quando se virou.
Então Sam ficou surpreso ao vê-la soltar a bagagem, virar-se rapidamente e correr em direção a ele com os olhos semicerrados como se estivesse contendo alguma expressão.
Sam ficou atordoado, e Ava já tinha corrido para o seu rosto.
Sem dizer uma palavra, Sam viu sua expressão quase chorosa.
Então ele não resistiu, deixando-a envolver seus braços em torno de seu pescoço, depois ficar na ponta dos pés.
— Ah woo!
— Ai... dói!
A garota tinha realmente 'mordido' seu rosto!
Sam supôs que ela tinha deixado suas marcas de dentes.
Quando se separaram, ele ainda podia sentir a umidade em seu rosto.
Com isso, os olhos de Ava avermelharam, ela soltou as mãos.
Ela deu dois passos para trás.
Sam estava prestes a dizer algo, mas a viu claramente com lágrimas nos olhos, mas deliberadamente suportando, até curvando os lábios, tentando sorrir.
— Adeus, irmão~
Exatamente como quando ela chegou.
— Quanto tempo sem ver, irmão~
As cenas pareciam se sobrepor, mas as emoções eram completamente diferentes.
Sam a observou atordoado.
Observando os olhos de Ava finalmente não conseguirem conter aquela gota de lágrima quente, deslizando naquele momento.
Ela se virou.
Pegou sua bagagem, caminhou em direção ao portão de embarque.
A cortina caiu.
Foi também uma longa queda de cortina.
Sam ficou lá por um longo tempo, até que ela desapareceu sem olhar para trás, então ele estendeu a mão e tocou seu rosto.
Seu olhar era incrivelmente terno.