A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 313

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

O quarto estava fracamente iluminado.

Sam não parecia totalmente desperto, talvez devido ao impacto emocional da jovem garota atrás dele, o que o deixava tonto e desorientado.

Sua mente divagou por um momento.

— O que houve?

Sam conseguia sentir claramente as emoções vindo da garota atrás dele, sua voz baixa e submersa, como uma pessoa se afogando e lutando na água.

Era de cortar o coração ouvir aquilo.

Isso tornava impossível para Sam afastá-la com força.

Parecia que qualquer ato de rejeição agora despedaçaria o coração da garota.

Ele se viu em uma posição difícil.

Ao mesmo tempo, ele não esperava que sua irmã fosse um dia tão ousada a ponto de entrar em sua cama.

Se ela podia fazer isso, o que ela não ousaria fazer?

— Não é nada... apenas me sinto muito chateada.

A garota falou suavemente.

Parecia que ela via Sam como seu único apoio, talvez percebendo, após sua chegada, que muita coisa havia mudado em sua ausência, mudanças com as quais ela não conseguia lidar.

Dada a idade e a experiência de Ava, ela era, no final das contas, uma criança que precisava de apoio e de uma maneira de extravasar suas emoções.

Sam pensou por um momento, não tirou a mão dela, mas olhou para frente e disse:

— Desculpe por fazer você se sentir mal.

— ...É minha própria culpa.

Ela disse isso, falando perto do pescoço de Sam, sua respiração úmida envolvendo as costas dele, uma sensação difícil de descrever — indescritivelmente quente e reconfortante, uma sensação insubstituível por qualquer outra pessoa.

Era como permitir que um homem sentisse que sempre há alguém atrás dele.

Não importa o tipo de pessoa que você se torne, quer seja monstruosamente mau ou oposto pelo mundo inteiro, sempre há um caminho de volta, um retorno seguro.

— Não pense muito... não é sua culpa, essas são apenas as minhas próprias escolhas, você não precisa se sentir triste por mim, ainda estou vivendo bem e não há perigo.

Sam falou suavemente para consolá-la, dando tapinhas nas costas da mão dela envolta em sua cintura.

Era tão gentil quanto acalmar uma criança para dormir.

As noites eram frias nesta estação, parecendo com ventos frios infiltrando-se por cada fresta, tocando os pontos mais vulneráveis de todos.

Mas agora, o cobertor de Sam estava quente.

Como água do mar morna, abraçando todas as crianças tristes.

— Mas eu não quero que você seja assim... Por que você tem que ser assim, irmão?

Ela fez uma pergunta que estava fadada a não ter uma resposta precisa. Todos têm momentos de vulnerabilidade e mal-entendidos que se tornam um nó que ninguém consegue desatar.

Sam suspirou suavemente.

— Eu não sei... mas muitas coisas são assim, não são? Você caminha por um caminho e de repente percebe que é assim, você faz algo e de repente descobre que já aconteceu dessa forma. Sinto muito, não sou um irmão perfeito, nem um homem muito bom. Mas está tudo bem, você é ótima, você é a melhor irmã, então você será feliz.

Sam falou suavemente para consolá-la.

Mas essas palavras causaram uma dor aguda na parte de trás do seu pescoço.

Ela o havia mordido.

Bem onde o pescoço encontra o ombro.

A mordida não foi muito profunda, mas deixou as marcas de seus dentes.

— Ai... por que fez isso?

— Porque você está sendo horrível, então tive que te morder — ela cantarolou.

Seu tom era um pouco indulgente, mas as palavras eram desafiadoras, quase adoráveis, como uma heroína saída diretamente de um anime.

Sam deu uma risada irônica.

— Estou literalmente desejando sua felicidade, como isso me torna horrível?

— Sem você, irmão, eu não posso ser feliz.

Ava segurou ainda mais firme, sem mostrar sinais de que iria soltar.

Ela tinha lido em muitos romances que, se você der a um homem uma chance de escapar, ele voará para longe rapidamente.

E ela não queria dar a esse jovem essa chance.

Pelo menos não esta noite; ela não queria que ele deixasse seu abraço.

Mesmo que seu abraço fosse pequeno, incapaz de segurar muita coisa, ele ainda podia segurar um coração, podia ainda pressionar contra suas costas quentes e largas.

— Como pode ser isso... Mesmo sendo irmãos, eventualmente teremos que seguir caminhos separados, ter nossas próprias vidas, nossas próprias famílias. Você encontrará sua própria felicidade também. Claro, isso pode ser algo distante, mas não podemos negar tudo isso.

— Não, eu me recuso.

Ava disse teimosamente.

— Por que você é tão teimosa, exatamente como uma criança...

— Eu sou sua irmãzinha, a felicidade que eu quero é algo que você nem entende. Quando você diz essas coisas, você só quer que eu fique longe de você.

Ava tinha entendido tão rápido?

A intenção de Sam era óbvia demais afinal?

— Não é apenas por esse motivo...

— É isso mesmo, então você é horrível, irmão. Para me manter longe de você, você prefere se pintar sob uma luz tão desfavorável, até mesmo fingindo ser um mulherengo.

— Não é possível que eu seja realmente um mulherengo?

O que está acontecendo hoje em dia?

Sam afirma que é um mulherengo e ninguém acredita nele, certo? Os fatos não estão bem na frente de todos?

Angel e Sophie, essas duas garotas com encantos únicos, são o sonho de inúmeros homens. Quem mais além de Sam, o mulherengo, poderia reunir essas duas?

Isso não é prova suficiente?

Se ser um mulherengo fosse um crime que exigisse um julgamento, Sam poderia ser condenado à prisão perpétua imediatamente.

Com evidências tão claras, como Ava ainda poderia estar duvidando?

— Absolutamente não! — ela afirmou com confiança.

Sam tentou lutar, sentindo que os pensamentos de Ava estavam se tornando cada vez mais bizarros, até o calor do abraço dela parecia anormal.

Mas, comparada à sua luta cautelosa, Ava, sem o peso de tais preocupações, era muito mais direta.

Para evitar que Sam escapasse, ela até usou suas pernas longas para se enganchar nas coxas do irmão.

A vantagem de ter pernas longas foi claramente demonstrada neste momento.

Ava instantaneamente tornou-se como uma serpente sedutora, prendendo Sam no lugar.

— Eu realmente não sei o que dizer mais...

Sam estava quase chorando, como poderia ainda haver a necessidade de alguém se esforçar tanto para provar que é um mulherengo!

Enquanto isso, Ava pressionava firmemente contra o corpo de Sam, seu pé a apenas uma camada de roupa íntima de distância da ereção de Sam, aparentemente alheia ao atrito delicado e ocasional.

A temperatura do seu corpo, a frequência do seu batimento cardíaco, pareciam se tornar menos perceptíveis.

Era como se ela estivesse imersa neste jogo de contato íntimo, com um propósito direto, mas as sensações vinham de todas as direções.

Como o atrito da área do peito, ou as estranhas sensações dos pés...

— Irmão, você é apenas um cara mau, eu sabia disso o tempo todo. Tudo bem, eu não me importo com essas suas amigas.

Desde que eu tenha você, não me importo com mais nada! Irmão, você entende? Esse deve ser o único pensamento na mente de Ava agora! Justo quando ela estava prestes a expressar esse pensamento, Sam a interrompeu.

— Você já sabe, não sabe? Meus relacionamentos com Angel e Sophie são ambíguos, definitivamente mais complexos do que apenas amigos.

— Tudo bem, vou tentar garantir que elas permaneçam apenas amigas com você.

— Você não pode apenas se concentrar na competição de amanhã em vez de desperdiçar esforço em coisas inúteis?

— De jeito nenhum, irmão, você é o significado da minha vida. Nem pense em se livrar de mim, não nesta vida.

Ava disse firmemente, sua bochecha roçando as costas de Sam, ombros e até mesmo seu pescoço.

Sam não conseguia entender por que Ava estava tão fixada em uma coisa tão estranha. Por que, sabendo que seu irmão era um mulherengo, ela ainda se agarrava a ele assim?

Sam desistiu de lutar, resignado, abrindo os olhos.

— Escute-me, Ava...

— Pode falar.

— O irmão é apenas uma pessoa tão terrível, não apenas com Angel, não apenas a Sophie que você viu, pode haver outras mulheres também, com relacionamentos pouco claros comigo... Essas não são coisas para você se intrometer. Sou um mulherengo, admito, estou colocando tudo na mesa, e você se concentrar em mim é um erro.

Não havia outro jeito.

Sam só podia falar de forma tão direta.

Esperando que Ava caísse em si um pouco.

Mas para Ava naquele momento, parecia que nada era um problema. Mesmo se Sam dissesse que tinha um milhão de amantes, Ava provavelmente não se importaria!

— Definitivamente não é um erro... Tudo bem, irmão, eu sei que essas mulheres são as que estão te seduzindo, você não quer isso, certo? Desde que estejamos juntos, acredito que elas não são um problema, eu vou te ajudar, estarei sempre com você, afinal, somos aqueles destinados a ficar juntos, nunca estaremos separados, certo?

Ava falou com tanta certeza, como se fosse uma profecia definitiva.

Enquanto ela dizia isso, Sam finalmente encontrou uma oportunidade, rapidamente puxando as mãos dela e virando-se.

Encarando a garota que o alcançava, ele imediatamente agarrou suas mãos.

Os dois se entreolharam, o olhar de Ava imediatamente tornando-se tímido e nervoso. Claramente, dizer coisas cara a cara era completamente diferente de falar pelas costas de alguém.

Sam respirou fundo, olhando para o rosto da irmã, que, apesar de sua juventude, já era bastante bonito.

— Escute, somos irmãos, não podemos mais falar sobre essas coisas. Mesmo que eu concordasse, nossos pais nunca concordariam. Além disso, conheço meus próprios problemas e os desafios que enfrento; é tudo muito complicado, não é algo que você possa lidar na sua pouca idade. Pelo menos até você ter 18 anos, eu só a verei como minha irmã.

Sam vasculhou todos os motivos, tentando persuadi-la.

Ava lançou-lhe um olhar, seu rosto tímido e olhos cheios de lágrimas revelando uma perplexidade ingênua.

— Somos irmãos... não é esse o motivo pelo qual está destinado a ser?

— De onde você tirou essa ideia?

— Porque... nós nos conhecemos primeiro. Aquelas mulheres ao seu redor, elas não te conheceram tão cedo quanto eu.

— ...Tenho que dizer, sua perspectiva sobre as coisas é realmente única.

— Você admite então?

— Não é isso que eu quero dizer!

Ava começou a lutar contra o aperto dele, torcendo seu corpo e esfregando suas pernas contra as de Sam.

Suas pernas roçaram inadvertidamente no pênis de Sam, a sensação única instantaneamente fazendo a expressão de Sam tornar-se estranha.

Sim, eles eram irmãos, mas por que, por que apenas um toque acidental do pé de Ava o fez ter uma ereção?!

Naquele momento, a expressão de Sam tornou-se ainda mais peculiar. Ele se curvou, sentando-se o máximo possível para trás, tentando cobrir a área visivelmente saliente de sua roupa íntima.

— Você quer dizer... você só não sabe ainda, mas eu vou te provar. Seja Angel, Sophie ou qualquer outra mulher... Eu preciso de você, e minha felicidade precisa de você.

— Não, pare de se mover, o que você está fazendo...

— Então me solte!

— Se eu soltar, você definitivamente fará algo ainda mais drástico!

— Isso não é possível, eu...

— Bang.

Com um chute gentil, Ava fez Sam soltar suas mãos.

Ele não esperava que o chute dela acertasse o alvo.

No momento em que as mãos de Sam foram liberadas, Ava não conseguiu controlar onde seu chute não intencional pousou — parecia um objeto quente, duro e grande.

No instante seguinte, ela abriu os braços e o abraçou bravamente.

Ela abraçou seu irmão com força, seus corpos pressionando-se juntos no quarto não tão espaçoso.

Naquele momento, as mãos de Sam ficaram suspensas no ar, vazias e incertas, como se submersas em água.

A garota quente em seus braços o abraçou apertado, enterrando a cabeça em seu peito.

Suas pernas entrelaçadas com as de Sam, penduradas nele como um coala.

Um objeto duro cutucava o estômago de Ava, impedindo-a de pressionar totalmente seu corpo contra o de Sam. Mas naquele momento, a distância deles era a menor que já estivera, como se Ava tivesse se mudado para a alma de Sam, embutida em seu coração.

Ela baixou a voz, sensual o suficiente para queimar.

— Irmão, você não sabe... depois que você foi embora da última vez, o quanto eu esperava te ver de novo.

— Ava...

— Eu sinto tanto sua falta... Irmão, eu penso em você todos os dias, toda vez que fecho meus olhos, até nos meus sonhos... Eu tenho que te contar, não consigo evitar de te contar tudo isso...

— ...

— Não importa se você é um terreno baldio ou uma ruína, não importa o quão ruim você acha que é, não importa o quão caótica e pouco clara sua vida seja. Eu serei seu destino final. Eu não quero ser a sacerdotisa da igreja... Eu quero ser a donzela das suas divindades.

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