A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 289

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Sophie não conseguia dormir. De jeito nenhum.

Ela não entendia por que se sentia tão inquieta esta noite.

Sendo justa, sua vida era cheia de histórias, o que a fazia parecer a protagonista perfeita de um romance. Mas, normalmente, seu sono era bem profundo.

Em seus dias de folga, ela lia livros, navegava no celular e dormia, em vez de sair para fazer compras, brincar ou se envolver no que parecia uma socialização significativa, mas que, no fim das contas, não levava a nada.

Ela nunca tinha experimentado o tipo de ansiedade sem sono que sentia esta noite.

Era como se um fogo estranho estivesse queimando dentro de seu peito, um incêndio mundano que não podia ser apagado, não importava o quanto ela se revirasse na cama.

"Hmm? No meio da noite... é realmente tão fácil pensar em palavras tão melodramáticas?" Sophie murmurou para si mesma, irritada enquanto passava os dedos pelos seus longos cabelos. Eles caíram ao redor dela, fazendo-a parecer quase uma figura fantasmagórica.

Ela pensou em ligar o celular, seguindo sua rotina habitual de rolar a tela até que o sono a vencesse.

Mas quando ela o ligou, não sabia o que olhar. As informações passando diante de seus olhos não conseguiam penetrar em seu cérebro. Este dispositivo, que ocupava a maior parte do tempo das pessoas modernas e parecia possuir poderes mágicos, agora parecia totalmente mundano.

O que estava acontecendo? Sophie sentou-se, irritada. Ela olhou para a porta e então ouviu um barulho fraco vindo de fora.

"Espere, ele está roncando?" O som parecia ficar mais alto e mais distinto. Como alguém conseguia dormir com isso? Ela lhe dera um lugar para dormir, e lá estava ele, roncando do lado de fora. Realmente, isso era... isso era...

Hmm? Isso lhe dava uma razão legítima para sair e acordá-lo, talvez até bater um papo?

Mas por que ela queria falar com ele? Que pensamento estranho.

Mas... como ela poderia dormir com o ronco dele?

Com uma repentina explosão de energia, Sophie saiu silenciosamente da cama, vestida com seus pijamas familiares de desenho animado.

Ela caminhou na ponta dos pés pelo quarto em seus chinelos felpudos — um traje que Sam nunca tinha visto, já que Sophie só usava essas coisas na privacidade de seu pequeno quarto.

Ela sentia que esses pijamas fofos não combinavam muito com seu comportamento habitual, especialmente agora que Sam visitava sua casa com frequência. Que garota conseguiria resistir a adoráveis pijamas de panda?

Ela empurrou a porta suavemente. Como esperado, a sala de estar estava escura, sem luz.

Sophie lembrava nitidamente que o único cobertor no sofá era um fino que ela usava para se enrolar enquanto assistia TV quando estava frio — chamá-lo de edredom seria um pouco exagerado.

Ele conseguia mesmo dormir assim? E roncar?

Quanto mais perto Sophie chegava, mais absurdo parecia. Sam era apenas despreocupado ou ele realmente não estava com frio?

Ao se aproximar do sofá, a luz fraca delineou vagamente a figura de Sam. Ele estava encostado no encosto do sofá, usando seu próprio travesseiro como apoio para a cabeça, e tinha colocado sua jaqueta sobre o cobertor fino.

Ele estava levemente encolhido, sua respiração um tanto pesada, o que ocasionalmente resultava em ronco. Poderia ser devido a dificuldades respiratórias, ou talvez ele estivesse apenas exausto do dia.

Thalia havia mencionado que rapazes adolescentes costumam ter hábitos estranhos, como babar na aula ou roncar durante o sono. Então, era normal, certo?

Mas por que, à medida que ela se aproximava, não parecia mais barulhento? Observando-o encolhido daquele jeito, ele devia estar com um pouco de frio, parecendo um pouco patético.

O plano original de Sophie era acordá-lo ruidosamente, usando essa desculpa natural e razoável para que ele lhe fizesse companhia durante seu ataque de insônia.

Mas agora... por que ela sentia uma pontada de pena? O que ele tinha feito hoje para estar tão cansado...

Sophie ficou ao lado do sofá, observando a postura de Sam.

O sofá não era particularmente largo, mas também não era apertado. Na medida certa, havia um espaço entre sua coxa e seu estômago que parecia grande o suficiente para ela se encaixar.

Mas por que sentar? Por que tal pensamento passou pela sua mente? Ela não tinha sempre evitado qualquer contato físico com ele?

No entanto, a imagem de si mesma pulando nele antes de dormir surgiu em sua mente. Ela quase podia se lembrar da firmeza de seu peito, o calor de seu abraço — um refúgio que parecia abrigar toda inquietação e confortar toda desgraça.

De qualquer forma, ele já estava roncando, pouco provável que acordasse facilmente, certo? Provavelmente... ele não notaria.

Apenas sentar por um momento... apenas um momento, para reexperimentar o calor que ela não tinha sentido totalmente antes devido ao seu pânico e mente em branco. Isso é normal, certo?

Afinal, ela nunca tinha experimentado verdadeiramente tais sentimentos antes, e não é como se ela gostasse dele... Era apenas preparar o terreno para emoções que pareciam inatingíveis no futuro.

Talvez ela nunca se apaixonasse por ninguém, nunca terminasse com nenhum homem. Afinal, ela não conseguia aceitar ninguém verdadeiramente, e quem poderia tolerar sua natureza indireta?

Então, apenas por um momento...

Com esse pensamento em mente, Sophie começou a se mover passo a passo nessa direção. A distância parecia curta, fugaz.

Mas por que cada centímetro que ela se aproximava trazia mais memórias de seus momentos com Sam, até mesmo ecoando suas conversas como se um filme estivesse passando em sua mente?

O som em seus ouvidos não era o vento norte uivante do lado de fora da janela. Em vez disso, era como se carregasse todas as ondas do oceano de verão — correndo e colidindo.

Nesses sons de ondas, ela afundou mais fundo.

Finalmente, Sophie sentou-se no sofá, sentindo o calor do corpo dele envolvê-la. Naquele instante, a garota que desprezava o contato físico com qualquer pessoa ficou tensa.

Ela pensou que se arrependeria, resistiria a essa decisão impulsiva. Mas após uma breve rigidez, ela não sentiu nojo, nenhum desconforto. Pelo contrário, um calor irresistível e uma estranha sedução a envolveram, quase como se Sam estivesse abraçando-a por trás.

Mas ele não tinha se movido. Sua respiração permanecia regular. Era tudo apenas uma ilusão de Sophie, uma percepção equivocada e fugaz. Era um excesso de autoconsciência, uma hipocrisia que ela só ousava em momentos assim.

E ao sentir aquele calor, Sophie percebeu profundamente suas próprias falhas. De fato, como Sam tinha dito uma vez, não foi ele quem a tornou uma garota má; ela era... inerentemente falha.

Sophie não enrijeceu mais seu corpo, mas, em vez disso, abraçou o calor, virando-se suavemente para olhar para o rosto sereno de Sam enquanto dormia.

Ele não estava roncando agora. Seu sono era como o de um bebê, olhos fechados, com cílios longos que tremulavam levemente.

Como um garoto poderia ter cílios tão longos e curvados? Eles ficavam tão bem em seu rosto.

Agora ela podia dizer honestamente: "Eu nunca vou conhecer alguém como você de novo."

Ela enfrentou essa verdade de frente. Sophie pensou no futuro deles — um futuro que parecia visível à primeira vista, um futuro onde, após o breve restante de seus dias de ensino médio, não haveria mais interseções em seus caminhos.

Um dia, ele deixaria aquele pequeno apartamento, se mudaria com alguém desconhecido. Talvez ela fosse a primeira a sair.

Independentemente disso, eles seguiriam caminhos diferentes. E uma vez que se fossem, provavelmente não haveria chance de se encontrarem novamente.

E Sophie sabia claramente que nunca haveria outro garoto como ele. Ninguém mais poderia igualar sua singularidade.

Tão bonito.

Tão peculiar.

E tão misteriosamente capaz de entrar em seu próprio mundo — esse Sam.

"Nunca mais..." ela sussurrou para si mesma, e enquanto fazia isso, seus olhos não puderam deixar de ficar vermelhos. Seu nariz parecia entupido.

O que era ainda mais difícil de suportar era a emoção que se infiltrava em seu coração pouco a pouco. Sophie pensara que suas defesas eram impenetráveis, um castelo que nenhuma arma poderia romper, uma fortaleza militar bem protegida.

Mas por que...

Por que rachaduras começaram a aparecer no momento em que Sam entrou em seu mundo? Começou com apenas pequenas rachaduras. No entanto, algo estava surgindo dentro de seu coração, imparável.

Aquele sentimento parecia prestes a afogar toda a sua determinação.

Incapaz de resistir, Sophie estendeu a mão, mas só ousou tocar suavemente a bochecha de Sam com as pontas dos dedos, como se tivesse medo de danificar um dente-de-leão delicado.

O arco de luz em seus olhos agitou-se, o brilho cintilante ondulando. Foi fugaz, como flocos de prata em um riacho claro.

Seu toque suave continuou até seu ombro, descendo até seu braço forte e firme.

Ela sentiu vontade de chorar.

Ela realmente queria chorar.

Ela queria questionar tantas coisas — questionar o mundo, questionar o chamado destino, aqueles fios invisíveis, porém onipresentes.

Por que... as coisas não podem ser mais simples?

Por que tantas coisas precisam ser tão complicadas?

Por que precisa haver tantas histórias, tantos personagens tecendo o espaço entre ela e ele, tantas lutas bizarras das quais ela mesma não conseguia escapar nem cortar completamente...

"Por que..."

"Por que, oh por que..."

Sophie não tinha percebido muitas coisas.

Ela não tinha percebido que o castelo em seu coração já havia desmoronado.

Ele não tinha florescido, mas estava tremendo, à beira do colapso.

Por que ela nunca tinha ganhado nada?

Sempre perdendo.

Ela perdeu seus pais, perdeu sua família, até sua irmã era apenas uma alma em seu coração que ela não conseguia ver verdadeiramente.

Ela perdeu a adolescência normal de uma jovem garota.

Perdeu a possibilidade de fazer amigos normalmente, vivendo uma vida normal durante aqueles anos.

Perdeu tanta felicidade, perdeu... talvez a chance de ser feliz.

Ela sabia que estava chorando agora.

Mas ela não podia evitar, realmente não podia.

Como uma enchente no momento do rompimento de uma barragem, ninguém tenta reparar suas defesas; eles só podem esperar a maré baixar.

Até que esse momento chegue, só se pode deixar fluir livremente, deixar liberar completamente.

Sophie só não tinha percebido que estava quase inteiramente deitada em cima de Sam.

Ela estava tentando arduamente controlar o tremor de seu corpo; ela não queria que ele acordasse.

De jeito nenhum.

Ela só queria aproveitar este momento o máximo possível, reconhecer sua própria fragilidade, perceber que ela também tinha medo de perder, reconhecer sua própria fraqueza lamentável.

Por que as pessoas precisam ser tão hipócritas...

Por que ela não pode... nunca ser favorecida pelo destino?

Por que ele sempre permite que ela veja a beleza, apenas para assistir enquanto essa beleza lentamente se afasta dela?

Por que precisa ser assim!

"Por que..."

"Por que, oh por que..."

A voz de Sophie era o mais suave possível, seu tom aparentemente substituindo o tremor em seu corpo.

Ela sabia que não podia obter nenhuma resposta de si mesma, nem sabia as respostas.

Afinal, ela era apenas assim... uma pessoa impotente para salvar qualquer coisa, mesmo quando percebia que as coisas poderiam estar indo em uma direção ruim.

Mas ela apenas se disfarçaria com insinceridade.

Porque...

Incapaz de impedir alguém de partir, incapaz de enfrentar verdadeiramente a perda... ela só podia recorrer à resistência e ao desafio, até mesmo fingindo afastar a outra pessoa para mascarar sua própria relutância.

"Por que..."

"Por que..."

"Não chore."

Braços quentes.

Como abraçar um feixe de luz solar suave, denso com galhos e folhas.

Era gentil.

Era fervoroso.

Era seguro.

Era de Sam.

Sam segurou Sophie, abraçando seu corpo frágil, esguio e levemente trêmulo.

Ele disse,

"Não chore, eu estou aqui."

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