A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 294

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

A janela estava aberta, deixando entrar uma brisa fria. Sam encarou o ar refrescante, que aliviou levemente o rubor em seu rosto.

É claro, era mais importante dissipar o cheiro que ainda pairava no quarto.

Era... um tanto embaraçoso.

Qualquer um com um pouco de experiência reconheceria o aroma como sendo de esperma.

Sam olhou para as nuvens sombrias e para o parquinho onde vários garotos ainda insistiam em jogar basquete, seus movimentos ecoando baques contra o chão.

Não muito longe atrás de Sam,

estava uma garota que acabara de calçar os sapatos, cercada por muitos pedaços de papel amassados sobre a mesa.

Angel franziu a testa.

— Por que você abriu a janela? Está tentando me congelar até a morte?

Sam fechou a janela um pouco imediatamente.

— Eu só estava ventilando o quarto. Sorte que ninguém entrou antes, ou teriam visto você me fazendo um agrado com os pés...

Os pés de Angel... eram, de fato, maravilhosos.

Embora suas habilidades não fossem tão maduras, para Sam, ela parecia um 'robô' capaz de aprendizado e melhoria constantes.

Em tão pouco tempo? Ela já havia dominado vários métodos de fazer amor...

— O que você está pensando?

Angel estreitou os olhos ao se levantar, sua figura graciosa surgindo diante de Sam.

— Nada, eu não estava pensando em nada.

— Ainda mentindo? Diga-me, no que você está realmente pensando?

Angel aproximou-se, encarando fixamente o jovem à sua frente, como se tentasse determinar se ele estava mentindo.

Sam disse com um sorriso,

— Ah... só pensando que você ainda não me chamou de 'irmão mais velho'.

Angel bufou suavemente.

— Sam, já chega, não acabei de te recompensar? Não seja tão ganancioso.

Sam olhou para Angel com um sorriso brincalhão.

— Você sabe que sempre fui ganancioso assim.

Angel não tinha certeza se as palavras de Sam referiam-se simplesmente à situação atual ou se aludiam às suas distantes e ilusórias 'grandes' aspirações.

Mas Angel eliminaria fundamentalmente tal possibilidade, sorrindo enquanto acariciava a bochecha lisa do jovem.

— Não se preocupe, comigo, você só recebe o que eu te dou. Se eu não estiver feliz, nem pense em nada extra.

— Então não vou mais apostar com você, só por teimosia.

Sam fingiu não entender o significado mais profundo de suas palavras.

Angel olhou para o perfil do rosto dele.

Ela sorriu, sentindo-se subitamente um pouco impulsiva.

Era aquela vontade de experimentar algo novo depois de se acostumar a certas coisas.

Então, ela estendeu a mão e envolveu a cintura de Sam com os braços.

Seu corpo perfumado pressionou-se contra o abraço do jovem e, antes que Sam pudesse virar o rosto, ela quase sussurrou em seu ouvido com uma voz mais delicada do que nunca.

— Querido Sam~

— ...

Para ser direto,

no momento em que Sam ouviu essas palavras em seu ouvido, foi como uma cena clássica de anime, como um touro com vapor saindo de suas narinas.

Seus olhos se arregalaram em descrença.

Como se tivesse ouvido alguma notícia chocante e escandalosa.

Aquelas poucas palavras tiveram um impacto sobre Sam não menor do que se um terremoto tivesse acabado de ocorrer em Kuhang.

O rosto de Angel estava levemente corado, e ela olhou para Sam com orgulho.

Sam ficou atordoado. — O que você acabou de dizer? Eu não entendi direito...

Angel não acreditou nem um pouco naquela desculpa.

Ela riu.

— Se você não ouviu, não ouviu. Vamos fingir que não disse nada.

— Como assim? Eu nem estava pronto!

— Por que eu deveria esperar você estar pronto? Você está confuso sobre nossos papéis aqui?

Sam tentou insistir um pouco mais.

— Diga só mais uma vez, eu realmente não ouvi você claramente.

Angel já havia recuado até a porta.

Enquanto puxava gentilmente a porta, abrindo-a uma fresta com a mão atrás dela, ela moveu o pé para trás, empurrando a porta da sala de aula sob o olhar expectante de Sam.

Seus movimentos eram suaves e graciosos.

Esse era um comportamento aparentemente único para essa garota, às vezes severa, mas possuindo uma inocência e um charme indescritíveis.

Cada movimento que Angel fazia parecia cheio de um encanto provocante.

Ela estava na entrada que levava ao corredor, na fronteira entre a luz e a sombra.

Apesar do tempo sombrio, sua presença parecia tornar o momento deslumbrantemente brilhante e alegre.

Seu sorriso desapareceu, e então uma expressão diferente surgiu em seus olhos, algo que Sam não conseguiu decifrar no momento — talvez levasse muito tempo, anos depois refletindo sobre este dia, para entender completamente.

Ela disse apenas uma frase.

— Sam, nem tudo lhe dará tempo para se preparar, e a consequência de não estar pronto é perder a oportunidade. Assim como eu, não sou indispensável para você.

Ela se virou e então desapareceu na entrada da sala de aula.

Para Sam, esta cena era como uma de um filme que deveria ser lembrada por todos os espectadores.

Havia uma tristeza inexplicável.

O que isso significava... Significava que ela poderia um dia deixar o mundo de Sam, desanimada e desapontada?

Parecia algo terrível.

Sam, arrumando silenciosamente as consequências na sala de aula, teve que admitir.

Neste mundo, ninguém é indispensável para mais ninguém.

Mas assim como a necessidade mútua.

Ele precisava da presença dela também.

O desaparecimento de qualquer um facilmente era inaceitável.

Os mundos que pareciam separados já haviam se fundido há muito tempo; o jogo poderia terminar um dia, mas a história deles não terminaria apressadamente.

Seja por desejos egoístas ou para preservar algo bonito.

Mesmo que fosse por sua própria vida, tinha que ser assim.

Sam caminhou até a janela, olhando para o céu escuro.

Seu telefone apitou uma vez — era uma mensagem.

Ele a abriu para ver.

Era de Angel, que havia partido não muito tempo atrás.

Angel: O que você está fazendo agora? Você não está chorando secretamente, está?

Sam respondeu com um sorriso.

— Na verdade, tenho mais medo de perder do que qualquer um.

Medo de perder a vida, medo de perder a beleza, medo de perder o único raio de sol em um mundo sombrio.

Agora ainda mais medo de que toda a beleza que ele vira acabasse sendo uma ilusão, medo de que esta jornada pudesse terminar como aqueles filmes clichês, apenas um sonho vazio.

Angel: E se eu realmente desaparecesse?

Sam: Eu te encontraria.

Angel: Como você me encontraria?

Sam: Eu não sei, mas mesmo que isso me custe a vida.

Angel: Você ainda gosta de falar docemente.

Sam: Eu gosto de divagar, de me gabar, de bajular. Mas desta vez, não estou.

Angel não respondeu.

Sam desceu as escadas; estava ficando tarde, hora de voltar para a aula.

Ao chegar à porta da sala de aula como de costume.

Seu telefone vibrou.

Angel: Bom garoto. Como recompensa, venha jantar aqui hoje à noite.

— Isso é mesmo uma recompensa?!

É claro que ele não podia enviar essa mensagem, mas por que ele sentiu que estava sendo enganado?

Droga.

Mas, pelo menos, a única coisa irreversível era esta situação, não perder Angel de fato.

Ele pensou de repente em Sophie.

Aquela garota que se recusava a aceitar muitas coisas, a fazer amigos genuínos ou a se aprofundar em relacionamentos românticos, tudo porque ela tinha medo de perder.

Todo mundo tem medo de perder.

Mas Sam pensava diferente; se você está preocupado, com medo de perder, então segure firme enquanto pode.

Arrependimentos demais.

Não causados por desastres naturais ou pelo destino.

Mas por deixar escapar com as próprias mãos.

Ele não seria tão tolo, não importa quem fosse, ele seguraria firme.


— Sam... há um problema que não consigo resolver, você poderia, por favor... hein? Que barulho é esse?

— Desculpe, recebi uma ligação. Falaremos sobre o problema amanhã, desculpe.

— Ah... sem problemas.

O sorriso desapareceu rapidamente do rosto da colega de classe.

Sam pegou o telefone e atendeu a ligação, com um sorriso educado, a mochila pendurada no ombro enquanto partia.

Ultimamente, mais e mais garotas estavam se aproximando dele sob o pretexto de precisar de tutoria ou ajuda com problemas.

Sam sabia que não era porque haviam descoberto que ele era bom nos estudos, mas porque finalmente encontraram um motivo para se aproximar dele.

Mas Sam não lhes dava essa chance.

Mas desta vez, era realmente uma ligação.

E não era qualquer uma, era sua irmã Ava.

Parecia ser a primeira vez que ela ligava para ele a essa hora.

Sam atendeu o telefone com curiosidade.

— Alô?

— Você demora tanto para atender! O que você está fazendo!

— Estou em aula... Mas e você, por que está ligando a essa hora?

— Então eu preciso checar o relógio antes de te ligar, hein? Que tal você me enviar sua agenda com antecedência e deixar sua pobre irmãzinha encontrar o momento perfeito para te ligar?

O tom dela era sarcástico, fazendo Sam cair na risada.

— Não é nada disso, eu só estava curioso por que você escolheu essa hora. Sarcasmo demais não é fofo, sabe.

— Quem precisa que você me ache fofa... Sério, parece que você não se importa nem um pouco com as minhas coisas.

— Como eu poderia não me importar? Eu me lembro do seu número de telefone, do seu aniversário, tudo isso claramente.

— Você se lembra de que já é quase dezembro?

— ...O que tem dezembro?

Sam pausou.

A voz de Ava imediatamente tornou-se fria.

— Haha, você simplesmente não se lembra de que estou indo para Kuhang para a competição em dezembro, certo?

— ...Ah, aquilo, é claro... admito que não pensei nisso agora, mas eu realmente me importo.

— Por que você não me vende na Amazon então? Já que não sou sua irmã de verdade e não compartilhamos sangue.

— Ok, ok, minha culpa, tudo bem? Quando você vier para Kuhang, eu me desculparei pessoalmente, te pagarei algo legal, que tal?

— Mmm~~~ talvez eu te perdoe um pouco então~

Enquanto Sam descia as escadas, algo mais lhe veio à mente.

— Você já comprou sua passagem?

— Sim, é na próxima segunda-feira, a competição durará cerca de três dias.

— Ah... três dias.

Três dias não era tão ruim; não deveria causar grandes problemas.

— Mas ficarei em Kuhang por cerca de uma semana.

— Uma semana?! Por quê?

— Porque não temos aulas na equipe de natação~ Se eu vencer o campeonato, ganharei uma vaga na universidade diretamente, sem necessidade de voltar para as aulas, então pensei em passear pela cidade grande por um tempo. Você está infeliz por eu ficar alguns dias a mais?

— Eu não quis dizer isso, é só que... eu tenho aulas e um emprego, e estou preocupado por não ter tempo para sair com você.

— Sem problemas, você tem que voltar para casa em algum momento, certo? Quando você não estiver em casa, eu simplesmente descobrirei para onde ir sozinha.

— Ah, isso pode funcionar... Mas, você está planejando ficar na minha casa?

— Onde mais? Devo dormir em um banco de praça?

— Isso... Sua equipe não deveria providenciar acomodações para facilitar o gerenciamento...

Sam teve de repente um mau pressentimento.

Essa irmã dele, com quem ele não compartilhava laços sanguíneos, ia ficar na casa dele por uma semana?

Ótimo, Zoe morava ao lado, e ela não se importava com nada disso de irmãos; se não há laço sanguíneo, significava competição.

Ava riu friamente do outro lado da linha.

— Já me acertei com o treinador, não ficarei com a equipe. Vou ficar na sua casa, e o treinador concordou.

— Que treinador irresponsável!

— Hein? O que você disse?

— Que treinador atencioso! Isso... você tem certeza?

— O que tem para não ter certeza? Se você tentar sumir de mim, nem vou para a competição. Vou acampar na frente da sua escola.

— Não, não, não, por que eu não estaria feliz? Estou emocionado.

— Então me dê um sorriso.

— Hehehehe.

— Mmm~ Tudo bem então, esteja pronto, ok? Não me deixe encontrar uma pilha de meias fedorentas quando eu chegar aí, tchau~~~

— Tchau~~

Sam forçou um sorriso.

Mas provavelmente parecia mais uma careta do que um sorriso.

Depois de desligar, o jovem sentiu como se as nuvens escuras não estivessem apenas no céu, mas pressionando bem sobre sua cabeça.

Tinha que ser tão urgente...

...

— Screech.

Um sedã preto familiar encostou no meio-fio, bem na frente de Sam.

Ele olhou.

A janela baixou.

Um rosto familiar, maduro e inacreditavelmente bonito sorria para ele.

— Querido, por que você está distraído? Vamos, entre no carro~

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