A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 255

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

"Não é um pouco estranho estarmos aqui comemorando seu aniversário?"

Sam perguntou enquanto saíam do carro em uma rua desconhecida, movimentada e cheia de atividade. Parecia que estavam no próspero distrito comercial de Kuhang.

A área era repleta de centros comerciais e arranha-céus imponentes, que aparentemente abrigavam inúmeros escritórios corporativos. Sam se perguntou qual daqueles prédios escondia a empresa de jogos que Isabella havia mencionado.

Uma floresta de aço e concreto, com incontáveis letreiros competindo por atenção. A luz do sol se refractava continuamente, criando uma vasta extensão de poluição luminosa que tornava impossível olhar diretamente para o céu azul.

Em momentos como aquele, Sam sentia falta de sua cidade natal, Cedarwood — um lugar pitoresco onde o vento trazia o perfume da floresta e, ao subir em uma colina modesta, podia-se ter uma visão panorâmica de toda a vila.

"Por que é estranho?" Isabella riu. "Ainda é cedo. Podemos terminar nossos negócios primeiro e depois sair para jantar. Sem pressa."

Sam ponderou por um momento antes de responder: "Um aniversário não deveria, idealmente, envolver reunir muitos amigos e familiares para comemorar? Só jantar comigo, não parece um pouco solitário?"

Ele formulou a frase delicadamente.

Ele não podia muito bem dizer diretamente: Isabella, você não tem amigos com quem comemorar?

Mas isso parecia improvável. Afinal, uma beldade como ela geralmente tinha a vantagem de nunca ficar sem companhia, desde que quisesse.

Isabella levou cerca de cinco minutos para encontrar a entrada, sugerindo que ela não era uma visitante frequente daquele tipo de lugar.

"Por que seria solitário? Nem todo feriado precisa ser grandioso. Embora seja meu aniversário, realmente não é grande coisa — apenas um lembrete de que estou um ano mais velha. Além disso, se ter muitas pessoas por perto para fazer parecer animado é o que torna um feriado significativo, então este mundo é terrivelmente superficial", disse ela.

Sam olhou para cima enquanto entravam no elevador juntos, observando-a pressionar casualmente o botão do décimo oitavo andar.

Ele disse: "Este mundo é superficial, não é? Pode fazer uma tempestade em copo d'água com as menores coisas e há inúmeras pessoas que criam problemas onde não existem. Às vezes, ser simples e ingênuo pode parecer bobo, mas a felicidade que isso traz é genuína."

Isabella riu. "Quem disse que você não pode se divertir com apenas algumas pessoas? Tenho certeza de que o Sam aqui pode me fazer muito feliz."

O comentário soou um pouco estranho, e até mesmo Sam sentiu a atmosfera do elevador ficar ligeiramente ambígua, como se algo estivesse um pouco fora do lugar.

Felizmente, o elevador era rápido, e chegaram ao décimo oitavo andar num instante.

Ao sair, Sam notou elementos da cultura de anime aparecendo gradualmente ao redor deles. Tudo parecia bem normal — garotas de anime fofas e aquelas imagens intensamente apaixonadas de personagens de anime...

Quando Sam e Isabella se aproximaram da recepção, uma jovem funcionária se levantou e os cumprimentou educadamente.

"Srta. Isabella?", perguntou ela.

"Sim", disse Isabella.

"A chefe está esperando no estúdio de dublagem. Vocês podem seguir direto."

Tudo soava muito oficial.

Isabella sorriu e acenou com a cabeça. "Obrigada", disse ela, então guiou Sam rapidamente em direção a uma certa área.

Aproximando-se do estúdio de dublagem, podiam ouvir vozes fracas lá dentro, embora Sam não conseguisse distinguir o que estava sendo dito.

Isabella bateu na porta. "Entre", respondeu uma voz feminina.

Era a voz de uma mulher profissional, severa e mais séria do que Celeste.

Quando a porta se abriu, Sam viu o interior do estúdio.

O estúdio de dublagem era pequeno, equipado com um painel de controle e uma divisória com vidro transparente, atrás da qual havia fones de ouvido, microfones e outros equipamentos de dublagem, atualmente sem uso.

Duas mulheres estavam dentro da sala.

Uma era uma jovem de cabelo curto, vestindo um terninho executivo. Seus traços eram comuns, mas ela exalava um ar de autoridade que impunha respeito.

A outra garota tinha cabelos longos e desviou o olhar rapidamente assim que entraram, parecendo tímida e um tanto acanhada. Ela parecia incapaz de fazer contato visual direto, encaixando-se na imagem da estereotipada garota introvertida e socialmente ansiosa.

"Oh, Isabella chegou, você finalmente conseguiu", a mulher de cabelo curto se levantou e caminhou até eles.

Então, virando-se para Sam com um sorriso, ela estendeu a mão. "Você deve ser o Sam que Isabella mencionou? Olá, sou Calliope, a proprietária desta empresa de jogos."

Sam estendeu a mão educadamente para cumprimentá-la. "Sou o Sam."

A mulher riu: "Isabella me disse que você era um garoto muito charmoso e bonito. Eu estava um pouco cética, mas agora vejo... você realmente é bonito. Você se interessaria por um emprego de meio período como o rosto da nossa empresa?"

Sam não pôde deixar de rir. "Não sou uma celebridade, de que adiantaria ser um porta-voz?"

"Que tal se tornar um ídolo antes de se formar? Com sua boa aparência, apenas uma postagem online e você conseguiria milhões de curtidas..."

Calliope parecia estar se deixando levar, o que fez Isabella intervir: "Talvez devêssemos nos ater aos negócios? Sam ainda está no ensino médio."

"O que há de errado em estar no ensino médio? Estudantes do ensino médio também precisam de dinheiro, certo?"

"Ah, a namorada dele é muito rica, vale dezenas de vezes mais do que o valor de mercado da sua empresa."

"...Peço desculpas pela ofensa. Parece que você já encontrou um atalho na vida em uma idade tão jovem."

Sam sentiu como se houvesse três linhas pretas aparecendo acima de sua cabeça. Podemos não tocar nesse assunto em todo lugar?

Calliope continuou com um sorriso: "Estamos muito gratos que Sam esteja disposto a ajudar. Tem sido difícil encontrar os dubladores certos, e os que gostamos são bem caros... então não tivemos escolha a não ser procurar alternativas adequadas."

Sam olhou para ela. "Você é bem franca."

Calliope sorriu radiantemente: "A coisa mais importante ao lidar com as pessoas é a sinceridade."

Enquanto isso, a garota quieta ao lado murmurou: "É por isso que a empresa está sempre com falta de fundos..."

"Você quer dizer olá para eles?" Calliope virou-se para a garota.

A garota imediatamente se encolheu, como uma tartaruga se retraindo para dentro de sua casca, uma imagem vívida e expressiva.

Calliope os apresentou com um sorriso. "Esta é uma de nossas dubladoras. Ela já dublou muitas protagonistas femininas em nossos jogos. Ah, e ela prefere não ser chamada pelo nome, então chame-a apenas de Moonlit."

Sam sorriu e cumprimentou: "Olá, Moonlit."

Moonlit olhou para Sam, seu nervosismo fazendo-a desviar o olhar rapidamente, suas bochechas ficando vermelhas. "O-olá, Sam..." Sua voz era suave, mas de fato agradável de ouvir.

Isabella, vendo que as apresentações tinham acabado, disse rapidamente: "Muito bem, podemos começar agora?"

Calliope balançou a cabeça. "Sam, embora você venha recomendado por Isabella, eu ainda gostaria de ouvir sua voz. Apenas um teste, espero que você não se importe. Tudo bem?"

Sam naturalmente não recusaria; ele assentiu. "Sem problemas."

"Ótimo, então, por favor, vá para a cabine e apenas leia algo — qualquer poema ou citação, qualquer coisa mesmo. O segredo é não ser muito afetado; apenas use um tom formal e relaxado."

Sam entrou na sala mais interna, excepcionalmente silenciosa. Calliope sinalizou para ele colocar os fones de ouvido e, então, apenas falar ao microfone.

Sam estava ponderando o que dizer para mostrar as qualidades de sua voz, mas achou desnecessário pensar demais — ser natural era o melhor. Se fosse escolhido, ele ajudaria; se não, não haveria mal nenhum. Ele tinha feito o seu melhor.

Após alguma reflexão, um poema veio à mente. Ele fechou os olhos suavemente e, em vez do poema, várias imagens inundaram sua mente.

Sem precisar de muita preparação, Sam começou com uma voz calma e ligeiramente profunda: "Ela caminha em beleza, como a noite / De climas sem nuvens e céus estrelados;"

Assim que ele falou, Calliope, que ouvia atentamente com os fones de ouvido, desviou o olhar para o rosto de Sam. Sua postura naquele momento era singularmente indescritível.

Embora seu tom fosse calmo, havia uma emoção única nele, como um riacho fluindo silenciosamente de um vale, delicado, mas penetrante até o âmago.

"Quando examino a brilhante esfera celeste, / Tão rica em joias penduradas, aquela noite / Parece uma noiva etíope,"

Esses versos eram do poeta inglês Byron.

Sam não era muito versado em poesia, mas conhecia aquele poema em particular por causa de uma postagem nas redes sociais de Sophie.

Após terminar a leitura, Sam saiu rapidamente e notou as três mulheres olhando intensamente para ele, o que o deixou um pouco inquieto.

"O que há de errado? Não foi adequado?", perguntou ele.

Calliope imediatamente se levantou e segurou as mãos de Sam com firmeza. "Não, está perfeito, mais do que perfeito! Você é tão bonito, e sua voz tem uma textura tão única! Nós encontramos uma mina de ouro aqui; vamos começar imediatamente!"

Esse tipo de elogio deixou Sam um pouco envergonhado... Seu sistema não tinha melhorado especificamente esse aspecto dele; talvez fosse apenas seu charme natural?

Sam sorriu e então pegou o roteiro que Calliope entregou a ele e a Moonlit. Ele supôs que provavelmente era para algum jogo de romance juvenil ou talvez uma voz de personagem para uma batalha cheia de ação, dado seu porte heroico.

"Muito bem, reserve um tempo para dar uma olhada. Familiarize-se, e então podemos começar."

"Entendido, vou dar uma olhada."

Sam começou a ler o roteiro.

Hmm.

O começo era normal.

Parecia ser sobre a vida cotidiana de um estudante do ensino médio, cheia de risadas juvenis e diálogos um tanto repetitivos e familiares.

Mas então...

Espere.

De onde veio essa personagem Herdeira?

E por que ele deveria dizer: "Não, eu não posso, ah, eu realmente não aguento mais", junto com exclamações como "ah, ah, ah, sim, sim, sim, oh, oh, oh"?

Sam fez uma pausa, folheando mais algumas páginas.

Bem, droga!

O garoto bonito, vivendo uma vida cotidiana pacífica.

Então, um dia, ele conhece uma protagonista feminina única e bonita na escola.

Eles se conectam, o que é normal, até mesmo um tropo clássico nos romances juvenis.

O protagonista masculino conquista o coração da garota bonita com sua gentileza e disposição alegre...

Mas por que há conteúdo adulto?

E por que é tão explícito?

"Droga, este é um jogo classificado como AO [1]!", exclamou Sam, olhando bruscamente para as duas mulheres. "Isso deveria ser um jogo sério?"

Calliope piscou e olhou para Isabella, cuja expressão se tornou um tanto constrangedora. "O que... Isabella, você não contou ao Sam... que sempre fizemos jogos AO?"

Isabella piscou. "Ah, sim, pode parecer um jogo AO, mas não é apenas sobre erotismo. Olhe mais adiante, há profundidade nele!"

Sam, intrigado, folheou mais algumas páginas. O estilo do jogo parecia mudar abruptamente, fosse devido a diferentes escolhas narrativas ou ao design em si.

O personagem que Sam estava dublando não apenas interagia com várias outras garotas na escola — uma colega de classe bonita e gentil, uma professora rigorosa, mas sexy, e até mesmo a linda vizinha que sempre cuidava dele.

E então...

A herdeira bilionária atirou no protagonista masculino com uma pistola!

Após isso, a herdeira escolheu cometer suicídio, e ambos os corpos jaziam em uma poça de sangue.

O quê? Havia também uma garota gentil e bonita que envenenou pessoalmente o protagonista masculino, levando-o à morte pela toxina?

Até mesmo a professora sexy, aparentemente intelectual e racional, acabou amarrando-o em um quarto e depois cometendo suicídio por envenenamento por monóxido de carbono!

A cabeça de Sam estava girando.

Ele sentiu de repente que não estava apenas olhando para o roteiro do jogo; essa coisa maldita parecia mais um roteiro de sua própria vida!

[1] - AO (Adults Only) - Classificação indicativa para jogos contendo conteúdo sexual explícito ou violência extrema.

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