A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 184

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

O toque repentino do telefone foi estridente, como uma interrupção incômoda no meio de um feitiço.

Sam foi pego de surpresa, sua mão alcançando o bolso instintivamente, mas sua expressão se voltou involuntariamente para Sophie.

Um claro lampejo de decepção brilhou em seus olhos. Ela rapidamente desviou o rosto, como se para controlar instantaneamente a pequena fissura em suas emoções.

"Pode atender, eu já estava de saída mesmo."

"Oh."

Sam acenou, observando Sophie girar nos calcanhares e se afastar, seus dedos apontando de forma marcada, mudando de direção.

Sua figura ainda parecia tão esguia.

Nem o luar, esticando sua sombra, conseguia fazê-la parecer mais forte.

Não havia motivos para se decepcionar.

Ela não sabia desse resultado o tempo todo? Ter expectativas em relação aos outros era o início do sofrimento, como se as paredes do seu coração, já começando a oscilar, estivessem sendo fortificadas novamente.

Mas por que a oscilação? A própria ideia não era risível?

Sophie caminhou para longe, longe o suficiente para que Sam não conseguisse ver sua figura que recuava.

Ela olhou para cima; o luar ainda estava indistinto.

"Suspiro."

Ela soltou um suspiro suave e caminhou para a noite.

Sam atendeu o telefone. Sophie tinha se afastado rapidamente, o ar parecia ainda carregar seu perfume.

Era como se algo tivesse sido inadvertidamente perdido.

Ele evitou o perigo ou perdeu uma oportunidade?

Sam não tinha certeza. Até que o futuro chegue, ninguém pode saber se as escolhas feitas no presente são certas ou erradas. Só se pode caminhar para a frente com convicção, para encontrar algum consolo.

O sucesso nunca é garantido, então é melhor encontrar alegria na jornada.

A vida poderia ser simples, é que muitas pessoas não estão dispostas a aceitar isso.

O nome piscando no telefone não era estranho, apenas um pouco inesperado — por que ela ligaria a esta hora?

Ele caminhava para casa enquanto atendia a ligação.

"Alô, senhorita Alice, por que está me ligando a esta hora?"

Embora não estivesse muito tarde, já passava da hora da escola, e uma ligação a esta hora certamente era suspeita.

Logo, uma voz feminina familiar veio pelo telefone.

"O quê, não posso te ligar a esta hora?"

Sam riu.

"Não posso ter um pouco de espaço pessoal? Além disso, já passou do horário escolar. Ligar a esta hora é um pouco incomum, professora Alice."

Ele enfatizou a palavra 'professora', como se para lembrá-la de seu papel.

Mas Alice entendeu, embora certamente não fosse cumprir.

Ela era aquele tipo de mulher, um caso clássico de cometer conscientemente a mesma 'ofensa'.

"E se eu te dissesse que esta ligação deveria ser incomum?"

"Ah, estou tão sonolento, senhorita Alice. Acho que vou dormir agora. Que tal conversarmos amanhã na escola?"

"Não venha com essa. Eu sei onde você mora. Acredita que eu vá até aí agora mesmo?"

"Não há necessidade disso, já está muito tarde."

Sam recuou imediatamente.

Ele não tinha esquecido da última vez que Zoe o esperou no elevador com uma faca na mão — aquela cena aterrorizante ainda estava fresca em sua memória.

"Agora você está falando bem? Hmph, então saia."

"Sair? Para onde?"

Sam quase deixou escapar que já estava do lado de fora.

Felizmente, a rua estava muito silenciosa, tão silenciosa que, além de seus próprios passos e da brisa noturna ocasional, não havia outros sons.

A voz de Alice veio pelo telefone com um sorriso.

"Estou tomando um drink. Quer vir e tomar um com sua professora?"

Bebendo de novo?

Sam franziu a testa.

"Não, não posso. Tenho aula amanhã. Além disso, nem gosto de beber."

"Realmente não vem? Não está preocupado que eu possa correr algum perigo bebendo sozinha?"

Sam apenas riu.

"Se a senhorita Alice pudesse se encontrar em perigo tão facilmente, então por que se preocupar em beber?"

"Hmm, você pensa nas coisas. Honestamente, a razão pela qual posso beber sem preocupação é que tenho uma amiga muito confiável aqui. Por que você não vem e a conhece? Ela também é uma beldade."

"Não, não, sou um bom homem, não estou interessado em beldades."

"Não acredito nessa conversa fiada."

"Tudo bem, chega disso. Senhorita Alice, vou descansar. Aproveite seu drink, mas não deixe que interfira na aula de amanhã."

"Hmph, boa noite."

"Boa noite, senhorita Alice."

A ligação terminou.

No bar fracamente iluminado, Alice tinha acabado de guardar o telefone quando uma voz um tanto leviana a alcançou.

"Então, aquele seu aluno especial não vem?"

Alice balançou a cabeça com um sorriso, olhando para a jovem à sua frente que parecia legal e única.

"Eu te disse que ele não viria. Por que o interesse repentino em conhecê-lo?"

A mulher na visão de Alice não estava usando seu uniforme de policial hoje.

Sam provavelmente nunca adivinharia que a amiga que Alice mencionou, aquela que lhe dava tranquilidade, era esta mulher.

Aurora sorriu enquanto olhava para Alice.

"Não é nada, apenas que o nome soava familiar. Pensei que talvez o tivesse visto antes e só queria confirmar."

Alice a observou com suspeita.

"Só o viu?"

A expressão de Aurora não revelou nada.

"O que mais poderia ser? Não se preocupe, nem todo mundo é como você, disposta a arriscar sua carreira por empreendimentos tão perigosos."

Alice zombou e tomou um gole de sua cerveja.

"O que é a vida sem um pouco de emoção?"

"Ser policial já é emocionante o suficiente."

Aurora disse com um sorriso.

As bochechas de Alice estavam tingidas com um leve rubor, um sinal claro do efeito do álcool.

"Você não entende, algumas pessoas são mais interessantes do que qualquer evento ou coisa... Ele é apenas esse tipo de pessoa especial."

Aurora era uma das poucas amigas que Alice tinha em Kuhang, e elas eram muito próximas, compartilhando tudo sem reservas.

Então, quando se tratava de falar sobre esse Sam, Alice não tinha preocupações na frente de Aurora. Apesar da aparência de Aurora como uma policial com um forte senso de justiça, ela não era do tipo que deixava isso atrapalhar a amizade.

Para Alice, Aurora era alguém que valorizava muito os relacionamentos.

Aurora deu um leve sorriso e tomou um gole de sua cerveja.

"Este garoto é tão especial a ponto de te deixar tão cativada?"

"Cativada? Não é tão sério, não estou doente de amor."

"É mesmo? As pessoas que estão doentes de amor muitas vezes afirmam que não estão, mas quem realmente sabe o que está acontecendo?"

"E quanto a você, então?"

Alice olhou para ela.

Aurora fez uma pausa.

"Eu? O que tem eu?"

"Você ainda não encontrou um namorado, não planeja se casar? Como vai explicar isso à sua família?"

Aurora riu suavemente.

"Essas coisas dependem do destino. Eu nunca forço. Se não encontrei a pessoa destinada a mim, qual é o ponto de procurar cegamente e se apressar no amor? Isso terminaria bem? Talvez eu devesse pegar seu aluno emprestado para um teste?"

"Eu definitivamente não o emprestaria para ninguém mais, mas para você... receio que você talvez não goste dele."

Alice riu facilmente, parecendo não se preocupar com tal coisa acontecendo.

O olhar de Aurora desviou; ela não tinha contado a Alice sobre os detalhes do seu encontro com Sam.

Como ela deveria colocar isso? Talvez fosse um dos seus poucos segredos pessoais.

Só se podia suspirar sobre como Kuhang era um lugar pequeno...


"Ding!"

[Parabéns, Anfitrião, por completar o check-in!]

[Parabéns, Anfitrião, por receber uma recompensa especial: Chef Mestre.]

[Chef Mestre: Uma habilidade exclusiva de classificação B. Concede ao Anfitrião a capacidade de criar pratos deliciosos a qualquer hora, em qualquer lugar. Contanto que o Anfitrião tenha visto a receita e tenha os ingredientes, ele pode replicar o prato com 70% de sua qualidade mais alta. Aqueles que comerem as refeições preparadas pelo Anfitrião terão seu humor aprimorado e sentirão prazer. (À medida que a habilidade melhora, os efeitos serão melhores e benefícios adicionais serão incluídos.)]

"Por que eu ganharia esse tipo de recompensa? Não é como se eu não soubesse cozinhar."

Em uma manhã de fim de semana, Sam acordou e completou seu check-in logo de cara.

Nas poucas vezes anteriores, ele tinha tirado alguns itens bastante inúteis, então Sam não prestou muita atenção nisso.

Desta vez, porém, ele recebeu uma habilidade, mas não esperava que fosse relacionada à culinária.

Será que foi porque ele tinha cozinhado uma refeição para Sophie antes?

Se ele desse alguns socos em Sophie, ele seria recompensado com um conjunto de habilidades de combate?

Esqueça, esse pensamento é vergonhoso demais.

Mas o que significa aprimorar o humor e sentir prazer? É o tipo de efeito em que as roupas explodem depois de comer?

Ou é como jogar um jogo de RPG, onde depois de subir o nível desta habilidade, as pessoas que comerem sua comida receberão bônus como maior poder de ataque?

Isso seria bem impressionante.

Apenas imagine.

Um dia, Sam come as asas de frango que ele mesmo fez e então ganha a habilidade de voar.

Não, isso é infantil demais.

Esqueça.

Sam se espreguiçou preguiçosamente. Não havia nada de especial para fazer hoje, sem aulas para assistir e sem trabalho para ir.

Parecia que ele poderia aproveitar bastante o raro feriado.

Mas depois que Sam terminou de se lavar e ficou na frente da janela, olhando para o sol brilhante e a brisa fresca de outono que tinha começado a soprar, ele de repente se sentiu perdido.

O que ele deveria fazer? Claro, era um dia de folga, sem tarefas para resolver, sem necessidade de passar na loja de conveniência e sem escola para frequentar... mas o que ele poderia fazer?

Ele pensou em sua vida habitual, embora ele flutuasse entre várias mulheres e encontrasse muitos problemas, ele tinha resolvido cada questão e sentido uma sensação de conquista e satisfação depois.

Era cansativo, emocionalmente desgastante, mas nunca entediante. Na verdade, isso o mantinha alerta.

Agora que ele tinha algum tempo livre... por que ele se sentia tão sem noção do que fazer?

Sam ficou instantaneamente perplexo, até tentou acender um cigarro no meio do vento caótico para contemplar sua vida.

Ele tinha se tornado um masoquista? Sentindo falta de problemas quando eles não estavam lá?

Mas fazer uma ligação ou enviar uma mensagem para uma daquelas protagonistas femininas para arrumar algum problema para si mesmo? Isso estava absolutamente fora de questão.

Esqueça, ele poderia muito bem jogar videogame em casa. Já faziam vários dias desde a última vez que ele jogou.

Sam ligou o monitor do seu computador.

Enquanto ele se sentava na mesa do computador, pronto para mergulhar em uma sessão de jogos.

"Ding!!"

"Ding!!"

De repente, o telefone de Sam começou a tocar.

Sam foi pego de surpresa.

Por que ele receberia uma ligação agora? Ele tinha acabado de ligar seu computador; o tempo era muito coincidental.

Sam pegou seu telefone e viu que era o nome de Isabella no visor.

Ele atendeu a ligação.

"Alô, veterana, o que manda?"

"Sam, você ainda não saiu?"

"Sair? Sair para quê?"

Sam ficou confuso. Sair para quê? Ele não tinha lembrança de nenhum plano.

Talvez fosse porque ele não tinha ido à sala do clube nestes últimos dias... Será que eles tinham discutido algo sem lhe contar enquanto ele estava fora?

"Eu não mencionei no grupo de discussão? Hoje é o evento especial, vamos acampar. Você não viu?"

Sam ficou completamente perplexo.

"Veterana, você acabou de mencionar um evento tão grande no grupo de discussão? Você não pediu minha opinião pessoalmente? Como eu deveria saber!"

"Eu teria te contado, mas você também não estava por perto."

"Ah... verdade, isso é verdade."

"Corta a conversa, apresse-se e traga Sophie, então encontre-me no local que especifiquei. Lembre-se de trazer suas coisas. O tempo de hoje está perfeito, e não há nada mais maravilhoso do que acampar no outono!"

"Mas, eu ainda não concordei. Eu estava planejando ficar em casa e jogar videogame..."

"Bip bip bip..."

O som da ligação sendo desconectada veio pelo telefone.

Sam olhou para seu telefone, depois de volta para o computador que ele tinha acabado de ligar.

Embora ele estivesse se sentindo entediado antes, agora que esta situação repentina tinha surgido...

Por que era tão irritante?

"Ding-dong~~"

Seu telefone tocou com o som de uma mensagem recebida.

Sam olhou para ela; era uma mensagem de Isabella.

[Sam, tenho uma missão secreta especial para você, e você não deve contar à Sophie, ou perderá um verdadeiro deleite...]

Depois de ler a mensagem, Sam levantou-se imediatamente da mesa do computador e enviou uma resposta.

[Isabella, esta deve ser a vez mais confiável que você já foi.]

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