A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 102

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Sam levou algum tempo para explicar e, claro, não pôde contar a verdade toda.

Afinal, seu relacionamento com Angel era complicado demais, praticamente material suficiente para uma série de drama.

A explicação de Sam para o pai foi que aquela garota era uma colega de classe e amiga da escola. Sem ter o que fazer durante as férias de verão, e sendo seu hobby a pintura, ela seguiu Sam até Cedarwood para reunir alguns materiais de pintura.

Essa explicação era, na melhor das hipóteses, frágil e cheia de furos. Robert olhou para o filho com os olhos cheios de dúvida.

Mas o que ele poderia fazer? Além disso, aquela garota era realmente especial. Era difícil imaginar como uma garota daquelas poderia estar ligada ao seu filho...

Ela tinha uma aura única, parecia completamente à vontade e até se comportava com a graça de uma herdeira, fazendo Robert sentir a necessidade de ser cauteloso perto dela.

Antes de entrar em seu carro velho, Robert sentiu-se um pouco constrangido.

Sam estava acostumado, mas achou que Angel provavelmente daria meia-volta e iria embora ao ver o veículo velho e apertado.

No entanto, para sua surpresa, a garota virou-se para ele primeiro.

"Onde está sua jaqueta?"

"..."

Agora que Angel tinha conhecido o pai de Sam, ele não podia simplesmente mandá-la embora para pegar outro carro. Sem outra opção, Sam sacrificou sua jaqueta mais uma vez para servir de almofada para o assento de Angel.

Robert observou os dois jovens pelo retrovisor. Mesmo com sua experiência de vida, ele ficou intrigado sobre qual seria o relacionamento deles.

Apenas colegas de classe? Impossível. Por que alguém viajaria milhares de quilômetros até Cedarwood só para estar com seu filho?

Se fossem um casal... mas, então, parecia não haver gestos íntimos entre eles, e seu filho parecia mais resignado do que qualquer outra coisa.

Em conclusão, Robert percebeu que já não entendia os jovens de hoje.

Não sendo muito sociável por natureza, Robert simplesmente dirigiu, sabendo que ser intrometido não era seu forte.

À medida que o carro deixava a estação movimentada para trás, aventurando-se pelo campo estreito e acidentado, os prédios imponentes desapareceram sem deixar vestígios. Na luz do fim da tarde, tudo parecia mais brilhante.

As colinas verdejantes ao longe, as vastas extensões de terra e as belas árvores de cedro distantes eram claramente visíveis. Era como se a essência do campo pudesse penetrar o vidro, com o ar parecendo distintamente mais fresco do que em Kuhang.

Angel, que não seguia tendências nem se deixava levar pela correnteza, viu-se cativada pelas paisagens abertas e pelo céu e nuvens desobstruídos. Ela experimentou uma sensação indescritível de liberdade.

Quanto mais se afastavam da atmosfera urbana e entravam mais fundo no campo, entre inúmeras casas de fazenda, mais comum Sam parecia tornar-se ao lado de Angel. Ela percebeu que nunca tinha notado esse lado dele antes.

Como ela deveria colocar isso?

Faltava-lhe a inquietação típica da juventude, o desejo de se exibir constantemente.

Sentado perto da janela, ele observava silenciosamente a paisagem lá fora, seu rosto desprovido de qualquer sorriso óbvio, seu olhar como se alcançasse muito longe na distância.

Sua aparência limpa e fresca, contra o vasto pano de fundo do céu, parecia a cena mais natural e harmoniosa.

Ele poderia ser o homem mais bonito de Kuhang, mas parecia ainda mais adequado a este lugar.

Este pensamento cruzou inesperadamente a mente de Angel.

Pouco antes de chegar em casa, Robert não pôde evitar e falou.

"Então... Sam, onde sua colega de classe vai ficar?"

Conhecendo o que Cedarwood tinha a oferecer, Robert sabia que havia pousadas, mas duvidava que qualquer hospedagem local pudesse corresponder aos padrões daquela garota.

Onde ela poderia ficar? Certamente eles não podiam simplesmente deixá-la, não é?

Sam olhou para frente, depois respondeu calmamente.

"Temos alguns quartos vazios em casa, podemos disponibilizar um."

Simples assim, deixá-la ficar na casa deles? Sem qualquer preâmbulo?

Antes que Robert pudesse expressar sua surpresa, ele ouviu a declaração da garota no banco de trás.

"Eu não quero dormir em um quarto diferente."

"Então onde você quer dormir?" Sam parecia um tanto impotente.

"Vou dormir no seu quarto."

As pupilas de Robert dilataram-se incontrolavelmente!

Que tipo de conversa era aquela? Era realmente algo que ele deveria ouvir? Os jovens de hoje...

"Por que você dormiria no meu quarto? Os quartos de hóspedes são muito mais arrumados que o meu."

"Está decidido."

"Eu ainda não concordei!" Sam protestou.

Mas Angel simplesmente sorriu, não olhando para Sam, mas sim para frente.

"Sr. Robert, deve estar tudo bem eu dormir no quarto dele, certo? Não se preocupe, eu pagarei pela minha estadia."

Robert respondeu rapidamente: "Não tem problema... não precisa de pagamento nenhum, nós não somos um hotel nem nada... mas vocês dois ainda são jovens, isso não é um pouco..."

Ele parou de falar, achando difícil continuar.

Então, de repente, houve silêncio lá atrás. Olhando pelo retrovisor, Robert viu Sam segurando a testa, enquanto as bochechas de Angel estavam tingidas com um leve rubor.

O que aconteceu?

Não foram eles que tocaram no assunto? Por que ficaram tímidos quando ele mencionou?

Então ele ouviu Sam dizer irritado: "Pai, ela quer dizer que ela vai dormir no meu quarto, e eu vou dormir no quarto de hóspedes."

"Ah... oh, entendo... era isso que eu pensava, sim, eu não quis dizer mais nada, de verdade."

"É melhor que seja isso mesmo."

"Claro, foi o que eu quis dizer. O que há com você, garoto? Duvidando do seu próprio pai?"

"Está bem, está bem, vou ficar quieto."

Enquanto Robert retomava a direção, ele deu um suspiro de alívio. Felizmente, não era tão ultrajante quanto ele temia. Seu filho ainda era sensato...

Angel recuperou a compostura e olhou para Sam.

Sam, notando o olhar dela, não pôde deixar de sussurrar com um sorriso: "Viu, meu pai não é uma graça?"

Angel franziu o nariz. "Você não é uma graça."

"Claro, eu sou o Sam, por que eu precisaria ser uma graça?"

"Convencido." Angel revirou os olhos e olhou pela janela.

Sam recostou-se no assento. "Falando em convencido, eu nem ocupo um lugar de destaque na minha própria casa. Você não conheceu minha irmã... Hum? Certo, pai, por que a Ava não veio junto?"

Robert respondeu sem hesitar: "Ela está trancada no quarto desde cedo, se arrumando para alguma coisa. Eu não quis ficar esperando e me atrasar, então vim na frente."

O olhar de Angel mudou sutilmente em direção a Sam. "Ela está se esforçando tanto porque você está voltando?"

Sam deu de ombros. "Ela sempre tem muita coisa acontecendo. Eu realmente não entendo."

"Muito bem, chegamos. Sam, ajude a Srta. Angel com a bagagem. Vou avisar sua mãe para preparar um quarto."

"Ok."

O carro parou no quintal.

Angel observou o quintal, que naturalmente não podia se comparar ao jardim de sua própria casa. Faltava qualquer tipo de elegância refinada, não havia colinas artificiais ou flores preciosas, apenas uma estrutura simples.

O quintal da frente tinha algumas ervas daninhas, uma mesa colocada aleatoriamente e uma churrasqueira desorganizada. Havia roupas secando em varais no andar de cima, as paredes do pátio estavam manchadas e o musgo subia pelas paredes.

Era muito simples, muito modesto.

Angel franziu a testa inconscientemente.

A essa altura, Sam já tinha puxado a bagagem para o lado dela, sorrindo. "Você vê, nada de especial, as condições podem até ser piores do que o hotel de categoria mais baixa em que você já se hospedou. Então, por que vir aqui e sofrer?"

Ouvindo Sam dizer isso, Angel olhou para cima desafiadoramente, seu rosto brilhando sob o sol do final da tarde.

"Não me subestime. Não há lugar ao qual eu não possa me adaptar, é apenas uma questão de querer ou não."

"Ah, conversa dura", provocou Sam.

Angel bufou. "Você deveria saber se sou dura ou não, não provou?"

Sam tinha falado apenas em tom de brincadeira, mas quando ela devolveu uma observação tão provocativa, seu olhar caiu involuntariamente nos lábios de Angel.

Ele instantaneamente lembrou-se da suavidade deles, como uma geleia deliciosa, tentando-o a ceder.

Notando o olhar de Sam, Angel também pareceu lembrar-se de algo, suas bochechas corando de forma não natural.

Mas seu orgulho não lhe permitiria mostrar timidez, especialmente na frente de Sam. Ela pretendia sempre manter a vantagem.

Então, ela ergueu a cabeça com orgulho, olhando para Sam com desdém e provocação.

"Quer tentar de novo, bem na frente dos seus pais? Te desafio a colocar seu pinto na minha boca agora mesmo."

Sam sentiu, de fato, um impulso momentâneo, especialmente ao ver o rosto deslumbrante da garota, a umidade em seus lábios e o arco de luz em seus olhos...

Mas naquele momento...

"Irmão!"

Uma voz delicada veio subitamente de dentro da casa.

O som familiar instantaneamente trouxe Sam de volta à realidade, e ele virou a cabeça.

Na porta, onde a luz do sol não conseguia alcançar, a primeira coisa a aparecer foi um par de pernas longas e sensuais.

As proporções das pernas eram extraordinárias.

Delgadas, firmes, exalando vitalidade juvenil.

Depois veio o inesquecível vestido branco de suas memórias, desabrochando como uma flor, criando ondas com seus passos.

Foi como uma onda repentina em um mar antes calmo.

Quando a luz e a sombra caíram sobre ela, a figura alta, a pele tão clara que parecia brilhar com um lustre, e a longa trança balançando atrás de sua cabeça.

Era como se todos os quadros da memória tivessem se unido. Sam sentiu uma onda de familiaridade e, mais importante, um calor conhecido como amor fraternal.

Não importava o quanto discutissem ao telefone, ver essa garota... ele não pôde evitar sentir uma sensação avassaladora de afeto e condescendência.

Ela estava tão viva, jovem e bonita quanto ele se lembrava.

Observando Ava atravessar o limite em direção a ele, Sam não pôde deixar de se virar e caminhar em direção a ela.

Depois de tanto tempo separados, e de toda a conversa tsundere [1] ao telefone, ele pensou que deveria lhe dar o melhor abraço de irmão do mundo ao vê-la.

Então, ele abriu os braços ligeiramente, imaginando em sua mente a garota sendo abraçada por ele, depois reclamando de forma tsundere, mas incapaz de resistir a depender dele.

Que irmão não fantasiaria com tal cena?

Sempre alegando não gostar, mas como ele poderia não admitir que tal irmã era a mais adorável?

No entanto...

"Snap."

O pulso de Sam foi agarrado com precisão.

Sam foi pego de surpresa, isso não era o que ele esperava.

Ele olhou para cima, antecipando a alegria incontrolável de Ava, mas ela não estava em lugar nenhum.

Em vez disso, ele foi recebido por sua fachada fria e inflexível, seu olhar perfurando-o, embora abaixo dele parecesse girar uma tempestade de cinza.

"Ava, você..."

"Quem é ela?"

Sam pausou, seguindo o olhar dela para encontrar Angel parada atrás dele, com seu comportamento orgulhoso e indiferente.

Sam respondeu cautelosamente: "Ah... uma colega de classe que veio comigo, disse que ficaria aqui por alguns dias."

"Ficar por alguns dias?"

O olhar de Ava voltou para Sam, e ele jurou que nunca tinha visto tal olhar nos olhos dela antes.

Era como se... ela estivesse envolta em uma aura assassina!

Ela parecia que queria matá-lo!

Sam tornou-se ainda mais cauteloso. "Ah... sim, apenas uma colega de classe..."

Ava assentiu levemente, depois sorriu, mas o sorriso sob aqueles olhos parecia arrepiante.

Antes que ele pudesse falar, Ava soltou sua mão e deu um passo para trás, criando uma barreira fria e distante entre eles.

Ela estava mantendo distância dele?

Além disso, ela acrescentou com um sorriso: "Desculpe, mas eu não conheço nenhum homem que traga garotas para casa aleatoriamente. Quem é você, mesmo?"

"...Isso é algum jogo novo? É isso que é popular em Cedarwood hoje em dia?"

Ava parecia ignorar completamente as palavras de Sam, dando um passo para trás novamente, desta vez posicionando-se atrás da porta, e então fechando-a lentamente sob o olhar de Sam.

"Parece que meu irmão morreu em Kuhang... Oh, errado, eu sequer tenho um irmão? Não, eu não tenho um irmão~"

"Bang."

A porta... foi abruptamente fechada.

Sam ficou lá pasmo. O que aconteceu?

O que ele fez de errado?

Espere, Ava não é assim!

Onde foi parar a irmã fofa, coquete e tsundere?!

Enquanto Sam ainda estava atordoado, Angel, com um sorriso, caminhou até ele. Ela olhou para Sam como se estivesse zombando dele.

"Sua irmã parece bem adorável, na verdade."

A tentativa de Sam de sorrir foi mais dolorosa do que lágrimas. Tudo parecia ser culpa dessa mulher, não é?

"Você me seguiu até aqui, está satisfeita agora?"

Angel deu um tapinha no braço de Sam. "Não se preocupe, eu vou te ajudar a resolver isso."

"Ah?"

Sam ficou intrigado. O que ela queria dizer? Como ela poderia resolver uma situação como essa?

Antes que ele pudesse organizar seus pensamentos, ele viu Angel passando por ele sem esforço em direção à porta fechada.

Sua silhueta, seus passos...

Espere!

O que ela estava planejando fazer?

[1] - Tsundere: Um termo japonês para um personagem que inicialmente é frio, hostil ou agressivo com alguém antes de revelar gradualmente um lado mais carinhoso e afetuoso.

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