
Capítulo 74
A Protagonista Feminina Realmente Te Ama
A porta se abriu com um estrondo, revelando uma cena banhada pela luz dourada da tarde.
A luz entrava por uma janela aberta, fazendo as cortinas azul-claras tremularem suavemente na brisa. Esse movimento suave não só fazia as cortinas ondularem como a borda de uma folha de lótus, mas também fazia balançar o cabelo na altura dos ombros de uma garota sentada atrás de uma mesa.
Ela era uma garota desconhecida, aparentemente alguém que Sam nunca tinha visto antes. Ela estava lendo um livro, mas levantou os olhos ao som da porta se abrindo.
Sua franja, um meio-termo entre repartida ao meio e reta, parecia mudar com seu humor. Suas bochechas eram lisas e claras, sem nenhuma imperfeição, e seus olhos grandes e claros brilhavam como joias.
Vestida com uma minissaia preta plissada, suas pernas estavam juntas, retas e esguias.
Sua aura não era como a de Angel ou Sophie no primeiro encontro; não havia senso de arrogância ou orgulho decorrente de sua beleza. Em vez disso, ela parecia comum, até um pouco curiosa e agradavelmente surpresa.
Uma pessoa normal? Neste mundo de jogo, uma garota bonita e normal?
Como Sam não a conhecia e seu comportamento estava dentro da faixa das emoções humanas normais, apenas esse vislumbre quase o levou às lágrimas.
Observando Sam, que parecia estar olhando atordoado para a porta, a garota não franziu a testa, mas piscou seus olhos vivazes e perguntou: "Olá, este é o Departamento do Ser Humano Supremo. Ainda não começamos as atividades devido à falta de membros. Você está aqui para perguntar ou para se juntar a nós?"
Educada! Cortês! Gentil! E nada egocêntrica!
Sam quase chorou com isso. Ele rapidamente se recompôs, temendo que sua exposição prolongada a situações de alta pressão o tivesse tornado um pouco estranho e sensível.
Aproximando-se da garota calmamente, Sam entregou seu formulário de inscrição. "Eu sou o Sam. Alice recomendou que eu entrasse neste clube."
A garota pareceu surpresa ao pegar o formulário de inscrição, então olhou para Sam. "Você é o Sam?"
"Sim, você sabe quem eu sou?"
Ela sorriu suavemente, seu rosto se iluminando com covinhas charmosas. "Claro, já ouvi falar de você. Você é bem famoso em nossa escola, um verdadeiro galã. Você sabia que muitas garotas classificam secretamente os meninos da escola, criando uma lista dos mais charmosos? Você está no topo."
Sam não ficou surpreso; as cartas e bilhetes de amor em seu armário todos os dias eram prova suficiente. Mas ouvir isso de outra pessoa o fez corar.
"Ah... Eu não tenho prestado muita atenção a isso. Estou mais focado nos meus estudos", Sam disse com um pouco de exagero sem vergonha.
A garota, olhando para Sam, levantou os lábios em um pequeno sorriso e disse suavemente: "Ah, esqueci de me apresentar. Eu sou a presidente do Departamento do Ser Humano Supremo, Isabella."
Ela até estendeu a mão para Sam — um gesto de polidez e formalidade.
Sam apertou gentilmente a mão dela, depois a soltou. "Prazer em conhecê-la, Isabella."
Isabella assentiu e então disse: "Alice tinha mencionado isso para mim mais cedo, mas não esperava que você entrasse tão cedo. Estou curiosa, Sam, por que você decidiu entrar para o Departamento do Ser Humano Supremo agora, quando sempre foi relutante em participar de clubes?"
Sam respondeu educadamente: "Porque eu não podia mais evitar, então tive que entrar no seu."
Embora a maneira de Sam fosse cortês, seu conteúdo era um tanto impolido, até um pouco excessivo. No entanto, Isabella não demonstrou nenhum descontentamento; em vez disso, ela assentiu.
"Essa é uma resposta muito honesta... Parece que seu caráter, ao contrário da sua aparência bonita, não é de quem faz rodeios com palavras. Então, Sam, você sabe o propósito do nosso clube?"
Sam relembrou por um momento. "Aprender tudo o que pode ser aprendido e se tornar o ser humano supremo?"
Ele havia pensado anteriormente que esse objetivo era absurdo. Afinal, quem considera seriamente se tornar o ser humano supremo? Apenas ser um herói na própria vida já é desafiador o suficiente.
Isabella assentiu e suspirou suavemente. "Esse é apenas um objetivo externo, um tanto rigoroso. Minha verdadeira intenção é encorajar os membros a se juntarem a mim para se engajar e aprender com atividades interessantes e mundanas. Para constantemente nos melhorarmos, explorarmos nosso potencial e vivermos a vida ao máximo, buscando não ter arrependimentos em nenhuma fase."
Isso parecia mais realista, mas ainda assim, o objetivo era elevado. Afinal, viver sem arrependimentos é quase impossível.
"Isso soa difícil, não é? Dadas as nossas limitações de tempo e energia, é impossível para alguém ser perfeito, uma verdade universalmente reconhecida, certo?"
Isabella piscou. "Sim, é impossível. Mas o que eu espero é que todos se esforcem para ser uma versão melhor de si mesmos do que foram ontem, para desafiar e superar a si mesmos, para derrotar as versões inferiores de quem eles poderiam ter sido."
"Então... por que não chamar de Departamento de Autodesafio?"
"Não soa tão legal quanto Departamento do Ser Humano Supremo, certo?"
Observando o olhar inocente de Isabella, Sam hesitou por um longo tempo. Por que o raciocínio dela parecia tão sólido?
Não, espere! Ambos os nomes são, de fato, bizarros!
"Tudo bem... Eu aceito esse raciocínio", disse Sam.
Isabella sentou-se ereta, a gravata borboleta vermelha em sua gola tremulando ao vento. O contorno de seu peito era bonito, não excessivamente exagerado, mas não tão contido quanto o de Sophie.
Ela era uma verdadeira joia em todos os sentidos – em temperamento, aparência e comportamento, uma garota bonita que não seria detestada por ninguém. Um verdadeiro tesouro neste mundo de jogo.
A avaliação de Sam foi direta, mas ele não podia baixar totalmente a guarda. Afinal, as aparências podem enganar, e quem sabe o que o futuro reserva?
"Se você vai entrar, eu ficaria feliz em tê-lo conosco", disse Isabella. "Mas uma vez que você seja um membro, você precisará estar disponível para as atividades do clube fora do seu tempo de descanso em casa. Você pode se comprometer com isso?"
Sam hesitou. Ele tinha que trabalhar depois da escola, e embora as atividades do clube pudessem servir como uma boa desculpa para lidar com as situações com Angel e as outras garotas, era difícil prever se haveria conflitos.
Vendo a hesitação no rosto de Sam, Isabella disse: "Claro, você pode me informar com antecedência sobre assuntos pessoais, como seu emprego de meio período... Eu sei que a escola não permite, mas não se preocupe, não contarei aos professores. Todo mundo tem sua própria vida pela qual lutar, e eu considero o trabalho de meio período como parte de se tornar o ser humano supremo também."
Ela era incrivelmente compreensiva.
Sam se acalmou e assentiu. "Se for esse o caso, eu posso aceitar."
Isabella sorriu docemente. "Ótimo, por favor, assine aqui!"
Enquanto Sam se sentava para assinar, houve de repente outra batida na porta.
"Tem mais alguém?", perguntou Sam, intrigado.
Isabella, como se de repente lembrasse, levantou um dedo. "Ah! Sim, tem outro novo membro entrando hoje. Afinal, um clube só é oficialmente reconhecido pela escola com três membros... Entre, por favor."
Algo sobre sua percepção tardia não parecia certo para Sam. Parecia que as coisas não eram tão diretas quanto ele pensava.
A porta se abriu lentamente, e Sam instintivamente olhou para trás. Então ele viu um rosto familiar, que trouxe de volta memórias profundas.
A garota com a mochila, sua expressão geralmente distante, mudou para espanto ao vê-lo.
Ambos falaram em uníssono, suas vozes tingidas de surpresa.
"Sam?!"
"Sophie?!"
O olhar de Isabella alternou entre os dois, aparentemente percebendo algo. Ela bateu palmas, seu rosto iluminando-se de alegria.
"Vocês se conhecem? Isso é ótimo!"
Ótimo? Nem um pouco.