A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 3

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Hoje, Sam decidiu pegar o ônibus para a escola, optando por descer 500 metros antes.

Seu plano era tomar café da manhã em uma lanchonete familiar, começando o dia com um hambúrguer.

[Ding]

Enquanto seu celular tocava novamente, a tela exibia outra mensagem criptografada de um remetente desconhecido:

[Sam não conseguirá comprar o hambúrguer que deseja]

Ao entrar na lanchonete, uma mistura de dúvida e inquietação se entrelaçava dentro dele. A normalidade do ambiente contrastava com o estranho aviso em seu celular.

"Oi, posso pedir um Cheeseburger, por favor?", ele perguntou, tentando manter uma aparência de normalidade.

O caixa, com um olhar compreensivo, respondeu: "Desculpe, não estamos vendendo Cheeseburgers hoje. Gostaria de experimentar outro sabor?"

A coincidência atingiu Sam. Sem Cheeseburgers? Um item tão básico, inesperadamente indisponível.

Ele pediu um hambúrguer clássico. Mas, ao receber seu pedido, a expectativa anterior por um café da manhã simples desapareceu, substituída por uma reflexão persistente sobre as estranhas mensagens.

Enquanto caminhava em direção à escola, Sam podia sentir uma mudança sutil no ar. Os últimos dez dias tinham sido uma dança cuidadosa de evitação e normalidade, mas agora, parecia que algo estava começando a se agitar sob a superfície.

Chegando ao portão da escola, ele foi recebido por uma cena vibrante de energia juvenil.

Meninos transbordando espírito, meninas em uniformes escolares de verão com saias plissadas pretas e meias brancas até os joelhos, tudo formava uma bela paisagem.

Foi então que a visão periférica de Sam captou um brilho totalmente diferente.

Uma garota alta com um comportamento frio e arrogante, seu olhar indiferente tornava todos ao seu redor meros personagens de fundo. Ela carregava a si mesma com a graça e a compostura de uma deusa.

Fiel à sua aparência, seu nome era Angel.

Parecia impossível não olhar para uma garota tão única, mas ninguém ousava se aproximar de tal presença.

Sua aura deslumbrante era suficiente para queimar os olhos de alguém; chegar perto apenas destacava a própria mediocridade.

E Sam rapidamente baixou a cabeça, tentando se misturar à multidão, querendo até mesmo ficar longe.

Por nenhuma outra razão além de Angel ser uma das protagonistas femininas do jogo.

Na história de Angel, ela esquartejou Sam com uma motosserra e depois o costurou de volta de forma grotesca. O mero pensamento desse destino era suficiente para enviar calafrios pela espinha de Sam.

Sam teve o cuidado de evitar Angel, e qualquer interação com ela era um risco que ele não estava disposto a correr. Ele conseguiu manter uma distância segura até agora, e pretendia continuar assim.

Mas seu planejamento cuidadoso foi interrompido pelo repentino [Ding] de uma mensagem em seu celular. Com uma sensação de pavor, ele verificou a tela. A mensagem era perturbadoramente pessoal:

[Sam parece muito bonito. Eu realmente quero beijá-lo.]


De volta ao seu lugar na sala de aula, Sam se viu envolto em uma névoa de confusão. Seus pensamentos eram um redemoinho de incerteza e descrença.

As pernas das colegas de classe eram longas, e suas saias curtas, a ponto de até suas roupas íntimas fofas serem levemente visíveis. No entanto, nada disso parecia atrair a atenção de Sam. Seu olhar estava como se perdido na escuridão.

Quem poderia querer beijá-lo? O tom da mensagem sugeria que era de uma colega de classe, mas como isso poderia ser possível?

Até os eventos dos últimos dois dias - receber flores inesperadas, mas não conseguir o cheeseburger desejado - pareciam além dos reinos da normalidade.

Desde sua chegada a este mundo estranho, ele evitou deliberadamente qualquer interação com as protagonistas femininas. Era impensável que elas subitamente tivessem um motivo para se aproximar dele, muito menos iniciar um beijo.

Poderia ser um daqueles cenários clássicos de acidente, onde uma colisão física leva a um beijo não intencional? Considerando todas as possibilidades, isso parecia o mais plausível, embora ainda um pouco forçado.

Sam decidiu minimizar seus movimentos para o dia. Talvez, ele raciocinou, esta estranha mensagem não fosse uma certeza, mas um aviso. Talvez fosse para alertá-lo sobre um perigo potencial, em vez de prever um evento inevitável.

"Ei, Sam!", chamou uma voz do assento ao lado.

Virando-se, Sam viu o rosto sorridente de seu colega Louis. Louis tinha um rosto comum, com aparência honesta, mas estava longe de ser um tolo. Na verdade, Sam achava que ele era bastante inteligente e um dos poucos colegas com quem se dava bem.

"Você está aqui, meu querido irmão", cumprimentou Louis.

Sam franziu a testa. "Eu já te disse, pare de usar esse apelido estranho... é meio nojento."

"Homens não podem chamar uns aos outros de 'querido'?", provocou Louis.

"As relações entre homens ficam cada vez mais estranhas a cada conversa, você não entende?", retrucou Sam.

"Tudo bem, tudo bem, não vou mais te chamar assim, ok?", disse Louis com um sorriso. "Você viu a Angel hoje de manhã?"

Sam ficou momentaneamente confuso, então balançou a cabeça, respondendo instintivamente: "Não, por quê?"

Angel era como uma estrela na Escola Secundária Kuhang. A riqueza de sua família e sua beleza inesquecível faziam-na brilhar por onde passava. Naturalmente, a escola estava agitada com discussões sobre ela e, para o espanto de Sam, havia até um fã-clube para ela no fórum da escola.

Louis parecia pensativo. "Angel estava muito bonita hoje..."

"Como se ela não fosse sempre bonita... Mas por que você está tão interessado? Você é um dos fãs dela?"

Louis ficou tenso, obviamente atingido pelo palpite preciso de Sam. Ele argumentou: "Eu só gosto das esculturas que ela faz! Você não acha incrível que alguém tão rica e bonita também tenha tanto talento artístico? Não é vergonhoso gostar da Angel, certo?"

Sam suspirou e pensou consigo mesmo: "Não sei se é vergonhoso ou não, mas posso perder minha vida por causa dela."

Vendo Sam suspirar, Louis riu: "Quer que eu te envie algumas fotos das esculturas que a Angel fez? Eu tirei com meu celular. O trabalho dela é excelente, e garanto que você se tornará um fã depois de vê-las."

"Não, obrigado, não estou querendo ser fã de ninguém agora. O objetivo da minha vida é trabalhar duro para mim mesmo e me tornar meu próprio ídolo", respondeu Sam.

"Isso é bastante inspirador, mas a sua nota de admissão não foi menor que a minha?", provocou Louis.

"Quem disse que o esforço só se aplica aos estudos? Isso é superficial", retrucou Sam.

Essas conversas matinais aparentemente sem sentido eram, de fato, uma parte significativa da juventude de muitas pessoas. Sam, no entanto, sentia-se desapegado de tudo isso. Seu único foco era preservar sua própria vida.

As aulas da manhã passaram rotineiramente. Ao contrário de seus colegas de classe, Sam não tinha interesse nas palestras. Ele permaneceu sentado, evitando qualquer interação com o professor.

Ele acreditava firmemente que se conseguisse passar o dia sem que os eventos das mensagens de texto ocorressem, ele poderia quebrar a maldição do jogo e mudar seu destino.

Quando o meio-dia soou e a hora do almoço chegou, Sam ainda estava sentado.

"Vamos, vamos comer. Por que você ainda está sentado aí? Você nem foi ao banheiro a manhã toda; a função dos seus rins deve ser muito forte", disse Louis, convidando Sam para almoçar.

Sam tinha planejado pular o almoço e ficar em seu lugar, mas pensou que estar com Louis poderia evitar qualquer acidente. Contanto que ele ficasse perto de Louis, tudo deveria ficar bem.

Além disso, uma garota rica como Angel provavelmente não jantaria na cafeteria, certo?

Finalmente ganhando coragem, Sam disse: "Você tem razão, meus rins sempre foram fortes. Vamos comer."

A caminho do refeitório, Sam permaneceu perto de Louis, descendo as escadas do prédio de ensino. Esse comportamento pareceu incomum para Louis.

"Sam, por que você está tão grudado em mim hoje? Você não é gay, é?", perguntou Louis, um pouco desconfortável.

"Não pense demais. É só que o corredor é estreito e lotado", defendeu-se Sam.

"É mesmo? Espero que seja apenas por causa da multidão."

Nesse momento, o local estava cheio de estudantes, e suas deliciosas opções de almoço eram uma tentação irresistível para os adolescentes famintos.

Atrás de Sam e Louis, mais estudantes continuavam em direção ao refeitório.

De repente, o olhar de Sam congelou. Ele parecia sentir algo incomum e, de uma vez, não conseguia ouvir nenhum som.

Apesar da multidão, havia silêncio total, e Sam viu os estudantes no corredor pararem abruptamente em seus passos, alguns até congelados no meio do passo, com os pés não tocando o chão.

O que estava acontecendo?

Sam tentou olhar ao redor, mas descobriu que não conseguia se mover.

Ele conseguia ver tudo à sua frente, mas não conseguia fazer mais nada, nem mesmo falar. Ele podia até ver uma folha suspensa no ar, sem cair.

O tempo parou?

Sam lutou para compreender quando notou uma figura se movendo em meio à imobilidade.

Era uma bela silhueta navegando graciosamente pelos vãos entre os estudantes no corredor, aproximando-se dele constantemente. Alta, com pernas longas e um rosto extremamente bonito, sua expressão era fria e distante.

Era Angel.

Mas por que ela podia se mover quando ninguém mais podia? Ela parecia não ser afetada pela imobilidade incomum ao seu redor, caminhando calma e elegantemente em direção a Sam.

O coração de Sam disparou quando uma percepção lhe ocorreu, arrepiante e emocionante na mesma medida. Angel, com seu comportamento sereno e compostura inabalável, seria ela a arquiteta dessa anomalia temporal?

"Droga", seus pensamentos correram, uma mistura de admiração e descrença. "Quem poderia ter imaginado? Uma protagonista feminina no jogo exercendo o poder de parar o tempo!"

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