
Capítulo 385
Ator Magnata em Hollywood
Caminhando pela rua com suas máscaras, Lucas e Christopher atraíram olhares curiosos dos transeuntes. Eles deviam parecer uma dupla e tanto – um com uma máscara branca simples, o outro com um capacete de marshmallow.
Eles finalmente chegaram a um pequeno e humilde estúdio que Lucas havia alugado. Christopher olhou ao redor do espaço compacto, observando a modesta configuração.
"É aqui que gravamos nossa música?" Christopher perguntou, examinando o espaço apertado.
Lucas sorriu por baixo da máscara. "É..." Ele gesticulou ao redor da cabine. "Meio tranquilo, não acha?"
"Pode-se dizer que sim. É minúsculo", Christopher observou.
"Ah? Muito pequeno para você?" Lucas perguntou.
Christopher balançou a cabeça com um sorriso. "Não, não se preocupe. Estou acostumado com esse tipo de espaço. Na verdade, gravo no meu quarto, então isso não é um problema."
Lucas riu. "Desculpe, foi tudo o que consegui", ele disse. "Pertence a um amigo de um amigo. Como ela me conhece, nossas identidades estarão seguras aqui."
Christopher riu baixinho. "Honestamente, não me importo se minha identidade for exposta. Não sou grande coisa. Mas você?" Ele ergueu as sobrancelhas para Lucas. "Isso definitivamente renderia manchetes – 'A Identidade Secreta de Lucas Knight Revelada'."
"Você tem razão", Lucas sorriu. Eles se acomodaram na cabine do estúdio.
Christopher olhou para Lucas com uma leve hesitação. "Você sabe como usar uma mesa de mixagem? Engenharia de som não é exatamente atuar."
Lucas fez uma careta brincalhona. "O que você pensa que eu sou?"
Christopher ergueu as mãos em um gesto de rendição simulada. "Ei, não estou duvidando de você como artista, mas você é Lucas Knight. Tenho noventa por cento de certeza de que você está acostumado com estúdios profissionais com engenheiros de som fazendo todo o trabalho técnico."
"Não se preocupe", Lucas o tranquilizou. "Eu me eduquei em produção musical. Conheço um DAW."
"Tudo bem", Christopher respondeu, embora a dúvida pairasse em sua voz. No entanto, à medida que começaram a trabalhar juntos, ele gradualmente descobriu que Lucas realmente sabia o que estava fazendo. De ajustes de EQ a configurações de compressão, Lucas lidava com os aspectos técnicos com surpreendente expertise.
À medida que a sessão progredia, Christopher se viu revisando suas suposições iniciais sobre a estrela de Hollywood. Havia claramente mais em Lucas Knight do que os olhos podiam ver.
"Estou surpreso que você realmente entenda toda essa parte técnica", Christopher disse, com uma surpresa genuína evidente em sua voz.
Lucas sorriu, rindo. "Você acha que sou talentoso apenas na atuação?"
"Não vou mentir, mas sim", Christopher assentiu. "No começo, pensei que você era apenas um ator talentoso. Entender de mesas de mixagem é uma surpresa agradável."
Lucas riu baixinho. "Não ouse subestimar nós, atores", ele disse com falsa indignação, acrescentando com orgulho: "Podemos fazer muito."
Ele continuou, sua voz assumindo um tom mais sério. "Nós nos imergimos em um papel por semanas apenas para dar a melhor performance. Se um dia eu conseguisse um papel de serial killer, eu teria que pensar como um e entender por que eles matam pessoas."
"Uau, isso é meio assustador!" Christopher exclamou, afastando-se fisicamente de Lucas um pouco.
"Haha, está com medo de mim agora?" Lucas perguntou, divertido com a reação de Christopher.
"Como eu não poderia estar? Acabei de te conhecer hoje", Christopher protestou.
"Eu sou Lucas Knight. Sou conhecido pela minha bondade."
"Sim, mas nunca saberei realmente que tipo de pessoa você é", Christopher disse. "Sem mencionar que, há apenas uma hora, você literalmente me enganou para revelar minha verdadeira identidade, e agora está dizendo que, se conseguisse um papel de serial killer, você se imergiria como um – isso é assustador pra caramba, cara."
Lucas olhou para Christopher com surpresa, não esperando tê-lo assustado tão completamente. "Calma", ele disse, suavizando o tom. "Estou apenas dando um exemplo. Nós, atores, podemos escolher ser quem quisermos. Se eu conseguir um papel de cirurgião, posso aprender sobre cirurgia. É o mesmo para engenharia de som."
Christopher olhou para Lucas com desconfiança. "Sério?" Ele se inclinou para trás um pouco. "Você não está se imergindo no papel de um serial killer agora para seu próximo filme?"
Lucas quase engasgou. "De onde veio isso? Eu nem estou em um projeto agora, cara."
Christopher percebeu que estava sendo dramático demais e disse timidamente: "Desculpe." Ele esfregou a nuca. "Só pensei que talvez toda essa persona Lucid e a colaboração comigo fossem apenas um plano para se preparar para seu próximo filme como serial killer."
Lucas caiu na gargalhada. "Você não pode estar falando sério!"
"Bem, quero dizer, sou apenas um ninguém, mas você quis colaborar comigo", Christopher disse, ainda olhando para Lucas com desconfiança. "Bem suspeito, se me perguntar."
"Não esperava que meu exemplo sobre atores talentosos o levasse a pensar demais em coisas tão ridículas", Lucas riu.
"Ridículas?" Christopher balançou a cabeça firmemente. "Eu vi como você literalmente emagreceu até os ossos apenas para o papel do Coringa. Poucos atores têm esse tipo de dedicação. Então é justo pensar que você criou essa persona Lucid para seu próximo filme. Tipo, talvez você esteja interpretando um artista musical que é secretamente um serial killer."
Lucas olhou para Christopher com espanto, embora não pudesse negar totalmente a lógica por trás da teoria paranoica.
"Bem, acho que não posso culpá-lo por pensar assim", Lucas suspirou. "Mas garanto – Lucid não faz parte de nenhuma preparação de papel. Você pode relaxar."
Christopher estudou o rosto de Lucas por alguns segundos antes de dizer com alívio: "Então estou feliz."
Então ele olhou para Lucas seriamente. "Mas, sério, se você conseguisse um papel de serial killer, você se imergiria como um? Não é meio arriscado? E se você realmente tivesse que matar alguém para isso..."
Lucas sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "Bem, tenho certo controle sobre minha imersão", ele disse cuidadosamente. "Então não levaria a isso... espero."
O "espero" pairou no ar entre eles, fazendo com que ambos os homens se movessem desconfortavelmente em seus assentos.
"Mas, honestamente, você é um ator incrível", Christopher disse com genuína admiração. "Acabei de assistir Coringa, e você é totalmente diferente lá. Como Arthur, você é tão lamentável, mas como Coringa?" Ele estremeceu ligeiramente. "Você é aterrorizante."
"Aquele filme quase reativou meu medo de palhaços da infância", ele acrescentou.
Lucas sorriu modestamente. "Ser ator não é tão difícil se você for dedicado."
"Você está dizendo isso porque é talentoso na atuação", Christopher riu.
"Talvez", Lucas reconheceu com uma risada suave. Então seu tom ficou mais pensativo. "Mas depois de ser ator por anos, percebi que todo mundo está atuando."
"Uma pessoa atuando como médico, ou uma pessoa atuando como advogado", Lucas continuou. "Todo mundo só precisa entender seu papel, e eles farão uma boa performance."
Christopher ficou em silêncio, levando alguns segundos para processar totalmente essas palavras. A simples observação o estava fazendo contemplar as coisas sob uma nova ótica.
"Então..." Christopher disse lentamente, "Meu papel é DJ, e se eu quiser fazer uma boa performance, preciso saber mais sobre ser um DJ, huh?"
Lucas assentiu. "Certo", ele disse. "Conhecer o papel lendo um roteiro – na vida real, o roteiro é experiência e conhecimento. Com o tempo, a vida nos ensinará a conhecer melhor nosso papel, quer queiramos ou não."
Christopher olhou para Lucas com um respeito recém-descoberto. "Isso é cheio de palavras sábias. Uma perspectiva de vida muito interessante."
Lucas sorriu calorosamente.
"Então é por isso que você sabe tanto sobre mixagem e engenharia de som?" Christopher perguntou.
"Sim", Lucas assentiu. "É tudo sobre atuar."
Christopher balançou a cabeça em espanto. O que havia começado como uma simples colaboração estava se transformando em uma lição inesperada sobre a vida e a arte.
O tempo passou enquanto Lucas e Christopher experimentavam sua faixa. O estúdio foi preenchido com o som de sua primeira criação, intitulada "Heaven."
A voz de Lucas, notavelmente reminiscente de Michael Jackson, flutuou pela sala:
"Quando sonho com o paraíso, é puro paraíso divino,
Onde brisas suaves dançam e se entrelaçam,
Meu espírito paira com graça,
Neste espaço sagrado e sem limites."
A letra, que Lucas havia criado na hora, continuou a fluir:
"O mundo é tão colorido, o céu tão bonito,
Os olhos que veem tudo o que é maravilhoso,
É tudo o que minha alma anseia."
Quando as notas finais desapareceram, Christopher assentiu em aprovação. "Não esperava que você cantasse como Michael Jackson."
Lucas riu, "Acho que imitei bem a voz dele, então." Sua experiência com dublagem o ensinou a manipular seus vocais, desde tons infantis até imitações precisas.
Christopher balançou a cabeça em espanto. "Você tem tanto talento. Pelo menos deixe um pouco para nós, mortais."
"A propósito, o que você acha?" Lucas perguntou. "A música soa bem?"
"É sua, então é claro que soa bem", Christopher assentiu.
Eles passaram as próximas horas criando mais amostras antes de decidirem encerrar o dia.
Ao saírem do estúdio, Lucas virou-se para Christopher. "Você tem um lugar para ficar aqui em Nova York?"
Christopher olhou para baixo sem jeito. "Na verdade, tenho um lugar – mas é um hotel barato. Foi tudo o que pude pagar. Já gastei tanto só para vir aqui te encontrar."
Os olhos de Lucas brilharam de diversão. "Ah? Por que sinto que você está me culpando?"
"Haha, não!" Christopher protestou rapidamente. "Na verdade, fico feliz por ter arriscado o dinheiro para vir aqui. Pude colaborar com você."
Lucas sorriu calorosamente. "Só estou brincando", ele disse. Então, depois de uma pausa, "No entanto, se você precisar de um lugar para ficar, posso te oferecer um quarto grátis em um hotel caro nas proximidades. O que você acha?"
"Não, não, não se incomode", Christopher acenou com as mãos em tom de dispensa.
"Haha, eu insisto", Lucas disse, gesticulando para Christopher segui-lo. "Afinal, fui eu quem o incomodou para vir a Nova York."
Enquanto caminhavam, Lucas não pôde deixar de pensar em como essa colaboração estava sendo diferente – não apenas musicalmente, mas pessoalmente também. Era bom ajudar alguém que ainda estava subindo a escada do sucesso, lembrando-se de sua própria jornada ao longo do caminho.