Ator Magnata em Hollywood

Capítulo 338

Ator Magnata em Hollywood

À medida que as filmagens avançavam, a história aprofundava-se na descida de Arthur à loucura. Após os assassinatos no metrô, a vida de Arthur continuou a desmoronar.

Numa reviravolta cruel, Randall, o colega de trabalho que dera a arma a Arthur, alegou falsamente que Arthur a havia pedido, o que levou à demissão de Arthur.

Essa traição pareceu empurrar Arthur ainda mais para o abismo, culminando na cena arrepiante em que ele matou sua mãe, Penny.

Durante uma pausa nas filmagens, Lucas encontrou-se profundamente imerso numa conversa com Todd Phillips e Scott Silver. Enquanto revisavam as cenas gravadas até então, um padrão começou a surgir – de inconsistência e falta de confiabilidade na narrativa.

"Sabe," Todd ponderou, recostando-se na cadeira, "estou começando a perder o controle do que é real e do que não é no mundo de Arthur."

Scott assentiu em concordância. "É como se estivéssemos vendo tudo através de uma lente fraturada. A perspectiva de Arthur é... bem, não é confiável, é?"

Lucas, ainda parcialmente no personagem, sentiu um sorriso repuxar os cantos da boca. "Esse é o ponto. Arthur é o narrador não confiável por excelência. Nem ele consegue distinguir a realidade da ilusão na metade do tempo."

Todd virou-se para Lucas, com a curiosidade evidente nos olhos. "E você, Lucas? Depois de viver na cabeça de Arthur por tanto tempo, consegue dizer quais cenas são reais e quais não são?"

Lucas fez uma pausa, considerando a pergunta. "Honestamente? Às vezes não tenho certeza. Há partes que são claramente fabricadas – como as cenas com Murray elogiando Arthur, ou a namorada imaginária dele. Mas além disso..." Ele encolheu os ombros. "Acho que essa ambiguidade é o que torna essa história tão poderosa."

"Então, quando as pessoas assistirem a isso," Scott interveio, "elas não estarão apenas vendo a perspectiva do Coringa. Elas estarão experimentando a confusão, a incerteza que acompanha a doença mental."

Lucas assentiu. "Você está certo. Não estamos apenas contando a história de origem do Coringa. Estamos dando ao público um vislumbre da mente de alguém que luta com sérios problemas de saúde mental. A confusão, as linhas tênues entre realidade e delírio – tudo isso faz parte dessa experiência."

Todd suspirou. "É isso que vai diferenciar este filme dos outros filmes de quadrinhos. Não é sobre mocinhos e bandidos. É sobre a experiência humana – o lado mais sombrio dela, claro, mas ainda assim inegavelmente humano."

Ele então voltou seu olhar para Lucas, seus olhos demorando-se no rosto magro do ator. A preocupação insinuou-se em sua voz ao dizer: "Espero que você não esteja se deixando consumir demais por este papel, Lucas. É algo intenso com o qual estamos lidando aqui."

Scott assentiu em concordância, um riso nervoso escapando-lhe. "É, tenho que dizer, quanto mais eu olho para você, mais sinto um arrepio. É como se você estivesse realmente se tornando o Coringa."

Lucas soltou uma risada, mas ela soou assustadoramente semelhante aos surtos incontroláveis de Arthur – muito alta e com um tom inquietante. A mudança súbita em seu comportamento fez com que Todd e Scott trocassem olhares preocupados.

Percebendo a reação deles, Lucas recompôs-se rapidamente. "Qual é, pessoal," ele disse, sua voz voltando ao tom normal. "Se eu estivesse realmente perdendo a cabeça, vocês não conseguiriam ter uma conversa normal comigo, certo?"

Apesar de sua garantia, havia uma corrente subterrânea de tensão na sala. Todd e Scott pareceram relaxar um pouco, mas seus olhos ainda guardavam um traço de preocupação.

"Apenas... certifique-se de estar cuidando de si mesmo, ok?" Todd disse, seu tom mais suave agora. "Este papel é exigente de maneiras que a maioria não é. Precisamos de você afiado e saudável."

Lucas assentiu, apreciando a preocupação deles. "Não se preocupem. Tenho isso sob controle. É intenso, sim, mas sei onde está o limite." Ele fez uma pausa, então acrescentou com um sorriso irônico: "Além disso, se eu começar a pintar o rosto e causar o caos fora do set, vocês saberão que é hora de intervir."

A piada conseguiu quebrar a tensão, provocando risadas de Todd e Scott. Enquanto eles passavam a discutir a agenda de filmagens do dia seguinte, o momento passou.


Então, eles começaram a filmar a cena em que Arthur entrava no apartamento da "namorada" em sua cabeça.

A atmosfera no set era tensa enquanto Lucas, totalmente imerso na psique de Arthur, entrava no apartamento. A atriz que interpretava a namorada imaginária de Arthur recuou de medo, com a mão cobrindo instintivamente a boca enquanto encarava a assombrosa interpretação de Lucas.

Os olhos de Lucas estavam estranhamente vazios, desprovidos de qualquer calor ou humanidade. Com um movimento deliberado, quase mecânico, ele levou a mão à testa, com os dedos formando a imagem de uma arma. Seus lábios moveram-se silenciosamente, soletrando a palavra "Bang!". O simples gesto carregava um imenso peso de ameaça e instabilidade.

A cena prosseguiu, com Arthur saindo do quarto, seguida por uma tomada dele rindo histericamente em seu próprio apartamento. A crueza da performance de Lucas deixou a equipe em silêncio atordoado mesmo depois de Todd gritar "Corta!"

Enquanto o set fervilhava de atividade preparando-se para a próxima cena, Lucas retirou-se para um canto tranquilo. Ele pegou o caderno de Arthur, mas desta vez, sentiu uma mudança dentro de si. Ele não estava mais escrevendo como Arthur; ele estava canalizando o Coringa.

Lucas há muito tempo havia percebido que Arthur e Coringa eram entidades distintas dentro da mesma mente fraturada. O Coringa era a personalidade dominante emergindo do sofrimento e da desilusão de Arthur, uma resposta distorcida a um mundo indiferente.

Com a mão esquerda, Lucas começou a escrever, sua caligrafia assumindo uma qualidade caótica, quase violenta:

"Ah, pobre e patético Arthur! Sempre buscando amor e compaixão neste esgoto de mundo. É hilário vê-lo perseguir seus sonhos lamentáveis, aspirando ser como aquele bufão inchado do Murray. Que piada! Por que se preocupar com sonhos quando o caos é muito mais divertido? Por que imaginar crueldade quando você pode infligi-la? Arthur foi injustiçado, empurrado, ridicularizado. Bem, agora é minha vez de rir. E acredite, quando eu incendiar este mundo podre, minha risada ecoará pelas chamas. Vou pintar esta cidade de vermelho..."

Lucas fez uma pausa, olhando para as palavras que havia escrito. Um arrepio percorreu-o, mas ele se sentiu compelido a continuar. Suspirando profundamente, ele colocou a caneta no papel mais uma vez:

"Não suporto esses rostos vazios que passam pelas ruas. Tão monótonos, tão sem vida. Por que não conseguem ver o mundo como eu vejo? Por que não conseguimos nos conectar, nos entender verdadeiramente? É tão difícil sorrir diante de todo esse sofrimento?

Aqueles abutres de terno e políticos me enojam mais do que tudo. Eles exibem aquelas expressões falsas e piedosas, mas todos sabemos que estão sorrindo por baixo de tudo. Vivendo suas vidas confortáveis e entediantes enquanto o caos os rodeia. Até mesmo as almas desesperadas como Arthur, lutando para sobreviver, são mais interessantes do que esses bonecos sem alma.

Alguém precisa quebrar essa fachada. Eu serei esse alguém. Vou pintar sorrisos nos rostos dos pobres, fazê-los ver a beleza absurda de tudo isso. E aqueles grandes corruptos? Ah, tenho planos para eles. É hora de experimentarem um pouco de emoção de verdade, um terror genuíno. Vamos ver como suas vidas se tornam interessantes quando seu mundinho confortável desmorona.

Afinal, um pouco de medo pode ser tão... esclarecedor. Ele tira as máscaras, revela o que realmente está por baixo. E não será um espetáculo fascinante de assistir?"

Lucas encarou a página, uma mistura de horror e fascinação o dominando. Os pensamentos sombrios fluíam tão facilmente, era inquietante.

Ele entendia que muito do que estavam filmando era exagerado ou inteiramente na cabeça de Arthur – um produto de sua doença mental e de sua transformação gradual no Coringa.

As alucinações, os cenários exagerados – tudo fazia parte da jornada de Arthur, sua luta para aceitar sua verdadeira identidade como o Coringa. Lucas percebeu que somente quando Arthur abraçasse totalmente essa nova persona é que essas fantasias se tornariam uma realidade distorcida.

Como um dos roteiristas, ao lado de Todd e Scott, Lucas via claramente como o filme inteiro era essencialmente a história de Arthur, um homem oprimido, sofrendo e lentamente evoluindo para seu verdadeiro eu – o Coringa.

Lucas riu para si mesmo, apreciando a metanarrativa que haviam criado. Todo esse projeto era, de certa forma, Arthur encenando histórias em sua cabeça que acabariam por moldá-lo no Coringa e trazer suas fantasias mais sombrias à realidade.

Ele sabia que a verdadeira intriga, o verdadeiro surgimento do Coringa, só viria em uma potencial sequência. Mas isso dependia inteiramente do sucesso deste primeiro filme. Somente se "Coringa" gerasse um lucro significativo a Warner Bros. consideraria dar sinal verde para uma continuação.

Sacudindo a cabeça, Lucas afastou esses pensamentos. Por enquanto, ele precisava focar no presente – em trazer a psique complexa e perturbada de Arthur à vida na tela.


Enquanto Lucas permanecia profundamente imerso em seu papel como Arthur Fleck, o mundo exterior fervilhava com atividades das quais ele estava completamente alheio. Fotos de paparazzi dele com a roupa de palhaço, parecendo alarmantemente magro e abatido, haviam de alguma forma vazado na internet e estavam se espalhando como um incêndio em plataformas de mídia social.

As imagens causaram grande alvoroço entre fãs e o público em geral. Muitos ficaram chocados ao ver Lucas, geralmente em forma e saudável, tão magro e desgrenhado. Comentários inundaram várias plataformas:

"OMG! O que aconteceu com Lucas Knight? Ele parece tão doente!" tuitou um fã.

"Isso é para um novo papel? Ou algo está seriamente errado?" outro usuário se perguntou.

Como frequentemente acontece no mundo das notícias de celebridades, boatos começaram a circular. Alguns tabloides, ansiosos por cliques e atenção, começaram a espalhar alegações infundadas sobre a saúde de Lucas.

Manchetes como "A Batalha Secreta de Lucas Knight Contra a Doença Revelada!" e "Amigos Preocupados Enquanto a Saúde de Lucas Knight se Deteriora" começaram a aparecer em sites de fofocas.

Essas notícias falsas apenas serviram para alimentar o fogo da preocupação entre a base de fãs de Lucas. As mídias sociais logo foram inundadas com mensagens de preocupação e apoio:

"Enviando vibrações positivas para Lucas Knight. Espero que ele esteja bem! #PrayForLucas"

"Pelo que quer que ele esteja passando, estamos aqui por você, Lucas!"

Até mesmo alguns colegas de Hollywood de Lucas, alheios à verdadeira natureza de sua transformação, começaram a entrar em contato com sua equipe de gerenciamento, expressando sua preocupação e oferecendo apoio.




Comentários