
Capítulo 312
Ator Magnata em Hollywood
O tempo passou, e as filmagens de "O Artista" continuaram. Michel notou que as cenas que mostravam a crescente atração entre George e Peppy eram particularmente naturais e cativantes. Jennifer, embora não se igualasse ao nível de atuação de Lucas, ainda entregava uma performance muito forte que complementava lindamente a interpretação de Lucas como George.
À medida que a história avançava para 1929, Lucas, incorporando George por completo, sentou-se na sala de projeção. Ainda vestido com seu traje de mosqueteiro das filmagens, ele exalava um ar de arrogância enquanto esperava para ver qual era a tal da confusão.
A sala encheu-se com dezenas de espectadores, todos ansiosos para testemunhar a mais recente inovação cinematográfica. Assim que o filme começou, o som inconfundível do diálogo preencheu a sala. As sobrancelhas de George se ergueram em surpresa.
Na tela, a atriz que George havia humilhado anteriormente falava diretamente em um microfone, sua voz clara e nítida. Os membros da plateia maravilharam-se visivelmente com este avanço tecnológico.
Assim que o filme terminou, Zimmer virou-se para George, esperando uma reação. Para surpresa de todos, George explodiu em gargalhadas. A sala ficou em silêncio, com Zimmer e os outros visivelmente envergonhados e confusos.
George, ainda rindo, apontou para a tela e exclamou: "Vocês chamam isso de progresso? É apenas uma novidade! O público vai se cansar de ouvir atores falarem em um mês. Além disso, vocês ouviram a voz dela? É como unhas arranhando um quadro-negro. Não admira que a mantiveram em silêncio todos esses anos!"
Suas palavras, repletas de sarcasmo e desdém, fizeram Zimmer encolher-se em sua cadeira, ainda mais humilhado pela reação de George. A sala permaneceu desconfortavelmente silenciosa, a excitação de momentos atrás substituída pela tensão enquanto o riso de George ecoava pela sala de projeção.
George continuou rindo enquanto seguia em direção à saída da sala de projeção. Antes de sair, ele se virou para Zimmer, seu rosto contorcido em uma mistura de diversão e desdém.
"Ah, Zimmer," George riu, aproximando-se, "Eu sempre soube que você estava desesperado para fazer um nome para si mesmo, mas isso? Isso é patético. Você está apostando sua carreira em um truque de circo. Talvez da próxima vez, você devesse se ater ao que conhece – que não é muito, aparentemente."
O ator que interpretava Zimmer não pôde deixar de sentir uma onda de raiva genuína com as palavras de Lucas, mesmo sabendo que era parte da cena.
Enquanto George saía da sala, ainda rindo, Michel gritou "Corta!" No entanto, para surpresa de todos, Lucas não parou. Ele continuou rindo e gargalhando, aparentemente perdido na mentalidade de George.
A equipe e o elenco trocaram olhares preocupados enquanto Lucas, ainda incorporando George, tremia de tanto rir. A testa de Michel franziu-se de preocupação ao se aproximar de Lucas.
"Lucas? Você está bem?" Michel perguntou, sua voz tingida de preocupação.
Mas Lucas parecia ignorá-lo, continuando a balançar a cabeça e rir como se tivesse acabado de ouvir a piada mais engraçada do mundo.
Lucas parou de rir abruptamente, seus olhos focando em Michel. No entanto, estava claro que George ainda estava no controle. A mente de Lucas estava cheia do dilema interno de George:
"Quem é esse homem me chamando de Lucas? Ele não sabe quem eu sou? Eu sou George Valentin, a maior estrela do cinema mudo de Hollywood! Esses tolos acham que filmes falados vão me substituir? Ha! Eles não entendem a verdadeira arte. Minhas expressões, meus movimentos – eles falam mais alto do que quaisquer palavras poderiam. Essa bobagem de 'filmes falados' é apenas uma moda passageira. Eles verão. Todos eles verão. Eu não preciso de som para ser uma estrela. EU SOU o cinema!"
Exteriormente, o rosto de Lucas refletia a confusão e indignação de George. Seus olhos vagavam pelo set, não reconhecendo seus arredores como parte de sua realidade. Ele via câmeras e membros da equipe, mas em sua mente, todos faziam parte de seu mundo – o mundo do cinema mudo onde ele reinava supremo.
A preocupação de Michel se aprofundou ao perceber que Lucas não estava respondendo como ele mesmo. "Lucas?" ele tentou novamente, estendendo a mão para tocar seu braço.
Enquanto isso, em sua Oficina Mental, Lucas observava a situação se desenrolar com uma mistura de fascínio e preocupação. Ele sabia que poderia retomar o controle de seu corpo a qualquer momento, encerrando o domínio de George, mas escolheu permanecer nesse espaço mental um pouco mais.
Lucas não estava preocupado com George assumindo o controle permanente. Ele entendia que George era, em última análise, uma criação de sua própria mente, um personagem imaginário que ele havia trazido à vida através de sua atuação.
Além disso, Lucas estava plenamente consciente de seus arredores, mesmo enquanto ocupava esse espaço mental, mantendo um nível de consciência que o mantinha enraizado na realidade.
Enquanto observava as reações de George através de sua consciência compartilhada, Lucas suspirou. Ele podia ver o quão profundamente o advento dos filmes falados havia afetado George, apesar da bravata externa e do riso desdenhoso do personagem.
"Esse cara realmente não quer se adaptar, não é?" Lucas ponderou para si mesmo. "Ele tem aperfeiçoado suas técnicas de cinema mudo por anos. Todo esse trabalho, toda essa habilidade... ele tem medo de que se torne obsoleto da noite para o dia por causa desses filmes falados."
Lucas sentiu uma pontada de empatia por George. O medo do personagem de se tornar obsoleto, sua relutância em abandonar a forma de arte que havia dominado, era muito humano. Era um medo que muitas pessoas enfrentavam quando confrontadas com rápidas mudanças tecnológicas que ameaçavam desestabilizar suas vidas e meios de subsistência.
Essa percepção deu a Lucas uma compreensão mais profunda das motivações e da turbulência interna de George.
Era mais do que apenas arrogância ou teimosia; era um profundo medo de perder sua identidade, seu propósito e seu lugar no mundo.
Assim que Lucas sentiu que George poderia dizer algo inadequado, ele rapidamente reassumiu o controle de seu corpo com um mero pensamento.
Ele encontrou Michel ainda olhando para ele com profunda preocupação estampada no rosto. O resto do elenco e da equipe, embora tentando parecer ocupados com suas tarefas, lançavam olhares preocupados em sua direção. Lucas podia sentir o desconforto deles, provavelmente alimentado por histórias de atores perdendo a cabeça devido a técnicas de atuação excessivamente imersivas.
Reconhecendo a tensão no ar, Lucas dirigiu-se a Michel diretamente. "Estou bem," ele disse, sua voz firme e tranquilizadora.
Michel soltou um suspiro de alívio. "Graças a Deus", ele respirou. Então, olhando em volta, acrescentou: "É bom que sua namorada não esteja aqui. Ela teria ficado apavorada ao vê-lo assim. O que realmente aconteceu com você, Lucas?"
Lucas ofereceu um pequeno sorriso. "Não se preocupe comigo, diretor. Não é nada fora do comum."
Michel balançou a cabeça enfaticamente. "Não, não acho que seja 'apenas nada'. Em todos os meus anos como diretor, nunca vi um ator se perder em seu personagem como você fez." Ele fez uma pausa, sua expressão ficando mais séria. "Lucas, eu realmente aprecio o quão seriamente você está levando este filme, mas não acho que você precise se imergir a ponto de arriscar sua saúde mental. Se algo acontecesse com você, uma estrela em ascensão, por causa do meu filme..."
Michel parou de falar, o peso de sua responsabilidade como diretor evidente em sua voz.
Lucas sorriu calorosamente, dando um tapinha no ombro de Michel. "Você não deveria se preocupar," ele tranquilizou. "Nada vai acontecer comigo. Eu estou no controle da situação."
Michel olhou para Lucas intensamente, estudando seu rosto em busca de qualquer sinal de angústia. Finalmente, ele suspirou e disse: "Certo, Lucas. Eu confio em você. Mas, por favor, se você se sentir sobrecarregado ou como se estivesse se perdendo, não hesite em falar. Seu bem-estar é mais importante do que qualquer filme."
Lucas assentiu em agradecimento. "Eu entendo, Michel. Obrigado pela sua preocupação."
Com isso, Lucas acenou para a equipe e seus colegas de elenco enquanto saía do set, seguindo em direção ao trailer de Jennifer. A leve fome que sentira enquanto George estava no controle havia aumentado, e ele estava ansioso por um lanche.
Ao entrar no trailer, encontrou Jennifer dormindo profundamente, claramente exausta de suas cenas recentes. Movendo-se silenciosamente para não perturbá-la, Lucas foi até a geladeira. Ele a abriu cuidadosamente, pegando um pouco de leite e um lanche leve.
No dia seguinte, enquanto as filmagens progrediam, Lucas se viu relaxando em uma cadeira após completar uma cena. Ele notou Jennifer se aproximando e assentiu em reconhecimento.
Jennifer sentou-se ao lado dele, sua expressão uma mistura de preocupação e curiosidade. "Eu soube o que aconteceu ontem", ela começou suavemente. "Sobre como você quase se perdeu ao se imergir no personagem de George."
Lucas olhou para ela, rapidamente deduzindo que Michel deveria tê-la informado, provavelmente esperando que Jennifer pudesse aconselhá-lo contra a imersão excessiva. "Estou bem," ele disse simplesmente.
Jennifer estendeu a mão, pegando a dele. "Podemos ser honestos um com o outro, Lucas. Você sabe disso, certo?"
Os olhos deles se encontraram, e por um momento, eles apenas se entreolharam. Então Lucas falou, sua voz firme e sincera. "Estou completamente bem. Ontem, deixei George no controle depois que a filmagem terminou para entender melhor seu personagem e seu mundo. Foi uma escolha consciente, não uma perda de controle."
Jennifer soltou um suspiro de alívio. "Você realmente está me deixando preocupada, sabia?"
Lucas acariciou suavemente o rosto dela, seu toque reconfortante. "Nada vai acontecer comigo, Jen. Eu prometo."
Jennifer inclinou-se para o toque dele, seus olhos procurando o rosto dele. "Eu acredito em você," ela disse depois de um momento. "Mas, por favor, tenha cuidado. Este papel significa muito para você, eu consigo ver. Mas você significa ainda mais para mim."
Ao ouvir as palavras de Jennifer, Lucas sentiu uma onda de calor invadir seu corpo. Ele sorriu genuinamente, seus olhos suaves de afeto. "Você também significa muito para mim. Mais do que você imagina."
Então, em um gesto espontâneo que pegou Jennifer um pouco desprevenida, Lucas se inclinou e plantou um beijo rápido e terno nos lábios dela, ali mesmo, na frente da equipe e do elenco.
Jennifer riu suavemente, um rubor subindo pelas suas bochechas enquanto ela batia brincando no braço dele. "Lucas! Estamos no trabalho," ela repreendeu, mas seus olhos brilhavam de deleite.
Enquanto isso, a equipe e seus colegas de elenco observavam a interação do casal com uma mistura de emoções. Alguns sorriam com o momento doce, enquanto outros sentiam uma pontada de inveja. Seus pensamentos, embora não ditos, eram notavelmente semelhantes:
"Eles precisam ser tão apaixonados no set?"
"Deve ser bom trabalhar com sua parceira assim."
"Aff, arranjem um quarto, vocês dois."
"Eu queria ter alguém me olhando do jeito que eles se olham."
"Eles deveriam guardar isso para quando estivessem sozinhos."