Ator Magnata em Hollywood

Capítulo 310

Ator Magnata em Hollywood

Jennifer se aproximou de Lucas enquanto ele descia do palco. "Você estava incrível lá em cima, como sempre", ela começou, a voz calorosa, mas com um toque de hesitação. "Mas... havia algo diferente em você desta vez."

Lucas inclinou a cabeça, a curiosidade aguçada. "Oh? O que você quer dizer?"

Jennifer mordeu o lábio, escolhendo as palavras com cuidado. "É que... eu não consegui te reconhecer quando você estava atuando como George. A arrogância, o ego... parecia tão real. Fiquei preocupada por um momento que você pudesse estar se imergindo demais no papel, como alguns atores fazem. Você sabe, se perdendo no personagem."

Lucas soltou uma risada sonora. Ele gentilmente colocou a mão nas costas de Jennifer, puxando-a para mais perto. "Não se preocupe. Está tudo bem, de verdade. Eu ainda sou eu."

Ele fez uma pausa, pensando em como explicar sua experiência. "O que você viu lá em cima... foi um avanço, eu acho. Deixei George assumir por um tempo, claro, mas sempre estive no controle. É como se... eu tivesse encontrado uma maneira de trazê-lo à vida de forma mais autêntica."

Jennifer examinou o rosto dele, o alívio tomando conta dela ao reconhecer o calor familiar nos olhos de Lucas. "Então você está dizendo que pode ligar e desligar? Ser George sem se perder?"

Lucas assentiu, sorrindo. "Exatamente. Não se trata de me perder no papel. Trata-se de encontrar uma compreensão mais profunda do personagem e trazê-la à tona. Mas, no final das contas, eu ainda sou Lucas."

Jennifer relaxou, retribuindo o sorriso dele. "Bem, nesse caso, estou impressionada. E um pouco em choque, para ser honesta. Só... prometa-me que você sempre voltará a ser você, ok?"

Lucas a puxou para um abraço, beijando o topo da cabeça dela. "Sempre, querida. Você não precisa se preocupar com isso."

Enquanto se abraçavam, Lucas sentiu-se grato pela preocupação de Jennifer. Isso o lembrou da importância de manter sua própria identidade, mesmo enquanto ele ultrapassava os limites de sua arte.

Com ela ao seu lado, ele se sentia confiante de que poderia continuar a explorar as profundezas de seus personagens sem perder a si mesmo de vista.


Lucas se aproximou de Michel, ansioso para discutir a cena que haviam acabado de filmar. O rosto de Michel se iluminou com entusiasmo. "Lucas, foi incrível. Parecia que o próprio George estava naquele palco. Você realmente capturou a essência dele."

Lucas sorriu, a gratidão evidente em sua expressão. "Obrigado, Michel. Tive um pequeno avanço. Eu realmente deixei George assumir o controle por um tempo lá."

Guillaume, que estava ouvindo por perto, interveio com uma mistura de admiração e preocupação em sua voz. "Você deixou George assumir? Isso é... um pouco assustador, não é? O personagem em sua cabeça tem vida e alma próprias?"

Lucas riu, os olhos cintilando de diversão. "Não é tão assustador quanto Harvey Weinstein, isso é certo."

O grupo riu da tirada de Lucas, a tensão diminuindo um pouco. A expressão de Michel ficou pensativa. "Você sabe, Harvey é inegavelmente talentoso no entretenimento. Já conversei com ele antes. É uma pena que ele, como muitas pessoas poderosas nesta indústria, se aproveite dos vulneráveis."

Lucas suspirou, um toque de resignação em sua voz. "É assim que Hollywood é, eu suponho."

Michel, tirando de sua perspectiva como cineasta francês, balançou a cabeça. "Você sabe, Hollywood pode ser suja, mas não é única nesse aspecto. A indústria do entretenimento é semelhante em muitos países. Na verdade, Hollywood é até mais contida em alguns aspectos, embora ainda esteja longe de ser limpa."

Lucas assentiu, considerando as palavras de Michel. "Acho que você está certo. É um problema global, não apenas um problema de Hollywood."

A conversa tomou um rumo mais sério quando Michel olhou para Lucas intensamente. "Lucas, se você não se importa que eu pergunte, você já foi... assediado por algum diretor ou produtor peculiar?"

Lucas balançou a cabeça com firmeza. "Não, nunca experimentei nada parecido."

Michel e os outros trocaram olhares surpresos. "Sério?" Michel insistiu, seu tom incrédulo. "Você pode ser honesto conosco, Lucas. Entendemos se você não quiser revelar, mas..."

Lucas reiterou, sua voz firme e genuína, "Estou sendo completamente honesto. Nunca fui assediado."

O grupo trocou olhares novamente, claramente achando difícil acreditar. Michel falou: "Então você é incrivelmente sortudo, Lucas. Para alguém tão bonito como você sair ileso... é raro. Esse tipo de coisa é muito comum, especialmente para recém-chegados na indústria."

Lucas se remexeu desconfortavelmente, uma carranca vincando sua testa. "É tão comum assim?"

Michel e os outros assentiram solenemente. "Infelizmente, sim", Michel explicou. "Conhecemos vários diretores, produtores e executivos de grandes estúdios que são bastante descarados ao se aproveitar de jovens e aspirantes a atores."

As sobrancelhas de Lucas se ergueram em surpresa. "Essas pessoas estão na prisão? Foram condenadas?"

Michel balançou a cabeça tristemente. "A política está profundamente entrelaçada com a indústria. Essas pessoas são praticamente intocáveis, a menos que alguém igualmente poderoso se oponha a elas, ou a menos que as vítimas tenham provas sólidas. Mesmo assim, é uma batalha difícil."

Lucas silenciou, processando essa informação perturbadora.

Guillaume, percebendo a gravidade que havia se instalado no grupo, sabiamente decidiu mudar de assunto. "Não vamos nos deter nos segredos mais sombrios da indústria", ele sugeriu, seu tom leve, mas firme. "Devemos nos concentrar em nosso projeto, em criar algo bonito e significativo."

Michel assentiu em concordância, visivelmente aliviado com a mudança de assunto. "Você está certo, Guillaume. Temos um trabalho importante a fazer aqui."

Lucas ecoou seus sentimentos, mas enquanto voltavam a discutir o filme, sua mente permaneceu preocupada. Apesar de seus esforços para ajudar as vítimas de Harvey Weinstein a se manifestarem, ele percebeu que a profundidade dos problemas da indústria ia muito além de um único homem.

Enquanto ele realizava as tarefas restantes do dia, Lucas se viu lutando com pensamentos conflitantes. A indústria que ele amava, que lhe dera tanto, parecia estar adorando no altar do mal. Mesmo que Harvey acabasse na prisão, Lucas sabia que havia outros – alguns talvez ainda mais influentes, alguns talvez operando em menor escala – que continuariam o ciclo de abuso.

Lucas suspirou profundamente, sentindo um peso de desapontamento em seus ombros. Ele teve que admitir a si mesmo que sua visão de mudança havia sido idealista. Ele esperava que derrubar alguém tão poderoso quanto Harvey serviria como um impedimento, levando a menos vítimas e a uma indústria mais limpa.

Mas agora, confrontado com a realidade compartilhada por seus colegas, Lucas percebeu que o caminho para uma mudança significativa seria mais longo e mais desafiador do que ele inicialmente pensara. Os problemas da indústria estavam profundamente enraizados, entrelaçados com estruturas de poder que se estendiam muito além de Hollywood.

Enquanto ele se reconcentrava na cena que estavam se preparando para filmar, Lucas fez uma promessa silenciosa a si mesmo. Ele continuaria a usar sua influência para o bem, para se manifestar contra a injustiça e para apoiar aqueles que haviam sido vitimados. Ele talvez não conseguisse mudar toda a indústria da noite para o dia, mas poderia fazer a diferença em sua própria esfera de influência.


Lucas subiu novamente ao palco, pronto para a próxima cena. Ele respirou fundo, relaxando o corpo e clareando a mente. De repente, sentiu uma mudança em sua consciência, como se outra presença estivesse assumindo o controle. Não era mais Lucas; George Valentin havia tomado o controle.

Assim que o diretor gritou "Ação!", George começou sua performance. Ele acenou graciosamente para a plateia, deleitando-se com a adoração enquanto se dirigia para os bastidores. No momento em que entrou nos bastidores, ele foi confrontado por sua furiosa colega de elenco e pelo produtor infeliz tentando mediar a situação.

Os atores começaram a improvisar, com a colega de elenco de George o golpeando levemente no peito em frustração. George, fiel ao seu personagem arrogante, olhou para ela com desdém.

"Minha senhora", ele disse, sua voz escorrendo condescendência, "você não é o que as pessoas vieram ver. Fui eu e... meu cachorro."

Ele continuou: "Admita, Missi, você é substituível. Eu sou a estrela aqui. Você é apenas um adereço bonito que qualquer corista poderia substituir. A plateia provavelmente nem notaria."

Os lábios de George se curvaram em um sorriso cruel enquanto ele acrescentava: "Talvez você devesse considerar uma mudança de carreira. Ouvi dizer que eles estão sempre procurando por moças para guardar casacos."

No momento em que essas palavras saíram de sua boca, a atmosfera no set mudou drasticamente. Missi Pyle, interpretando a colega de elenco de George, saiu completamente do personagem. Seus olhos se arregalaram em choque, sua boca se abriu enquanto ela instintivamente a cobria com a mão. O olhar de genuína ofensa em seu rosto era inconfundível.

Até o ator que interpretava o produtor, que vinha retratando um personagem claramente tendencioso em relação a George, não conseguiu esconder seu choque. Ele olhou para Lucas, ou melhor, para George, com uma mistura de descrença e desconforto.

Os dois atores ficaram ali, sem palavras, pegos completamente de surpresa pelo comentário selvagem.

George, satisfeito com seu ataque verbal, virou-se com um sorriso contente. Ele voltou ao palco, seu cachorro trotando em seus calcanhares. O holofote o seguiu, iluminando seu retorno triunfante. A plateia, pega de surpresa por seu reaparecimento inesperado, irrompeu em aplausos entusiasmados.

Enquanto isso, nos bastidores, a cena havia tomado um rumo não roteirizado. Missi Pyle, não mais atuando, mas genuinamente chateada, virou-se para o ator que interpretava o produtor. Sua voz tremia com raiva e mágoa reais enquanto ela desabafava sua frustração.

"Você ouviu o que ele me disse? Como ele se atreve! Isso não é mais apenas atuar. Ele foi longe demais!" Missi exclamou, o rosto corado de emoção.

O ator que interpretava o produtor, ainda incerto se aquilo fazia parte de uma performance improvisada, tentou permanecer no personagem. Ele levantou as mãos em um gesto apaziguador, falando em um estilo exagerado de filme mudo. "Ora, ora, minha querida. Não nos precipitemos. Tenho certeza de que foi tudo por diversão."

Mas Missi estava além de brincadeiras. Com um grunhido final de frustração, ela saiu do set, deixando o ator perplexo para trás.

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