Ator Magnata em Hollywood

Capítulo 64

Ator Magnata em Hollywood

Enquanto Lucas percorria os arredores do festival, com o logo de Sundance estampado em uma parede ao lado de uma constelação de emblemas de patrocinadores, o burburinho de atividade era inconfundível. Jornalistas se agrupavam em animados aglomerados, microfones apontados como antenas ávidas em direção a atores e cineastas banhados pelos holofotes. Ao entrar na confusão, Lucas tornou-se mais uma peça do mosaico, o cenário mudando momentaneamente para capturar sua chegada. Um sorriso rápido para uma câmera que clicava, um aceno educado para um rosto conhecido – ele sabia o procedimento, mesmo que se sentisse diferente.

Lucas, com o rosto jovial e novo na cena, não fazia parte da gala oficial que deu início ao festival. Seu nome ainda não havia conquistado um lugar no panteão dos homenageados e estrelas estabelecidas. Assim, quando ele chegou para a estreia de "127 Horas", o mais recente trabalho de Danny Boyle, uma onda de surpresa percorreu a multidão. Murmúrios de "Quem é aquele?" misturavam-se com sussurros de "Ele parece tão jovem!"

Lucas, impassível diante dos holofotes repentinos, simplesmente sorriu. Enquanto posava para fotos, suas feições juvenis, em forte contraste com o cenário envelhecido da história que ele havia trazido à vida, contavam uma história silenciosa de resiliência e coragem.


O brilho juvenil de Lucas, um forte contraste com o Aron envelhecido que ele encarnara em "127 Horas", atraiu a atenção da mídia experiente como uma mariposa à chama. Entre eles, Kirk Honeycutt, um crítico veterano do The Hollywood Reporter, não pôde deixar de notar o recém-chegado enquanto ele subia ao palco. Ele admirou o traje discreto de Lucas, insinuando um senso de estilo tranquilo mesmo em meio ao frenesi do festival. À medida que Kirk se aproximava, ele confirmou suas suspeitas – este jovem de rosto fresco era de fato o protagonista do filme.

O Aron na tela carregava as marcas do tempo, gravadas em barba rala e rugas tênues, um mundo de distância do cabelo loiro e dos olhos azuis brilhantes que encontraram o olhar de Kirk. No entanto, Kirk só podia maravilhar-se com o poder transformador dos maquiadores.

Kirk assentiu para Anne e então lembrou-se de que o diretor do filme "127 Horas" de fato teceu elogios ao ator principal durante a noite de abertura de Sundance.

"Bem-vindo ao círculo de Sundance, jovem," Kirk cumprimentou Lucas, que acabara de sair de uma sessão de fotos agitada. Percebendo a postura reservada de Lucas, ele acrescentou: "Sou Kirk Honeycutt, do The Hollywood Reporter."

Um aceno breve e um "Lucas Knight. Prazer em conhecê-lo" foi a resposta. Kirk riu da formalidade educada, um contraste bem-vindo ao frenesi usual do festival. "Então, diga-me, como é ser um novato em Sundance?"

A resposta de Lucas foi sincera: "Surreal. É quase impensável estar aqui, neste festival de prestígio." Sua humildade tocou Kirk, atiçando ainda mais seu interesse.

Kirk, intrigado com a postura tranquila e a aparência juvenil de Lucas, não pôde deixar de comentar: "Você parece incrivelmente jovem. Muitos esperavam alguém mais velho, talvez na casa dos 30. Uma grande surpresa ver alguém com um rosto tão fresco."

Lucas, sempre pragmático, sorriu e encolheu os ombros. "Acho que os maquiadores merecem o crédito."

Kirk, sentindo uma história mais profunda por trás da superfície, pressionou ainda mais. "Mas alguns começam a duvidar da sua capacidade de desempenhar o papel, dada a sua idade. O que você diz sobre isso?"

Antes que Lucas pudesse responder, uma nova voz cortou o ar: "O diretor Boyle teceu elogios ao ator principal na gala," ela disse, seu tom quase acusatório. "Isso não diz muito sobre sua atuação?"

Era uma mulher loira com um sorriso caloroso e olhos que falavam de inúmeras entrevistas que navegavam pela multidão de imprensa. "Lucas, certo?" ela perguntou, estendendo a mão. "Anne Thompson do Indiewire. É um prazer finalmente conhecê-lo."

"O Sr. Boyle de fato elogiou sua atuação, Sr. Knight, mas alguns começaram a questionar seu elogio devido à sua juventude. Como você responde a essa dúvida?" Kirk perguntou a Lucas.

Lucas deu um sorriso gentil. "Olha, sou jovem e talvez não seja estabelecido o suficiente para andar por aí com excesso de confiança. Pode parecer arrogância, sabe?"

Kirk e Anne trocaram olhares divertidos, uma onda de risos se espalhando pelos jornalistas próximos. Lucas, impassível, continuou com um brilho brincalhão nos olhos: "Mas ei, tudo o que digo é, assistam '127 Horas'. Minha atuação pode falar por si, certo?"

Os jornalistas, inicialmente céticos, se viram cativados pelo humor autodepreciativo e pela confiança tranquila de Lucas. Como se percebesse a mudança, o diretor Boyle deu um passo à frente, um sorriso familiar brincando em seus lábios. "Para qualquer um que ainda duvide da atuação deste rapaz," ele bradou, sua voz ecoando pela multidão, "eu digo, venham assistir ao filme vocês mesmos. A atuação de Lucas falará por si."

Lucas assentiu, um vislumbre de gratidão passando entre ele e Boyle. A presença do diretor, um farol de aclamação da indústria, atraiu ainda mais atenção da mídia. Microfones giraram, câmeras clicaram e repórteres se acotovelaram por posição.

Perguntas voaram como balas: qual cena foi a mais difícil de filmar? O que o público deveria esperar? Um jornalista da Rolling Stone, ousado e impetuoso, abordou o elefante na sala: a cena da amputação. Baseada na angustiante história real de Aron Ralston, já estava envolta em curiosidade mórbida.

"Como você se preparou para a cena da amputação, Lucas?"

Lucas, ainda desfrutando do brilho das palavras de Boyle, ofereceu uma resposta confiante, mas humilde. "Eu dei o meu melhor, e se aquela cena se mostrar muito angustiante, bem, sugiro que fechem os olhos." Um riso escapou de seus lábios, ecoado pela voz retumbante de Boyle. "Atenção," o diretor gracejou, "não é para os fracos de coração. A atuação de Lucas foi tão… boa, que parte da equipe não conseguiu se recompor depois."

Essa informação tentadora atiçou o interesse dos críticos. A antecipação zumbia no ar, uma mistura de curiosidade mórbida sobre a cena da amputação e admiração genuína pelo jovem ator que conquistara o respeito de um diretor vencedor do Oscar. Os flashes das câmeras pintaram Lucas sob um holofote intenso, um forte contraste com o novato nervoso que ele havia sido momentos antes.

Através da multidão, James Franco, outro participante de Sundance, observava a cena com um vislumbre de emoções complexas. Enquanto Lucas se deleitava sob os holofotes, um vislumbre de inveja cruzou o rosto de James Franco, um sentimento que ele rapidamente suprimiu. Ele não estava ali para competir, ele se lembrou, apenas para celebrar a arte.

Enquanto isso, Jennifer Lawrence, recém-saída de seu próprio sucesso em Sundance com "Inverno da Alma", observava a cena se desenrolar com uma mistura de diversão e admiração. O jovem que ela inicialmente havia descartado como um civil estava agora atraindo tanta atenção quanto ela. Seu pensamento presunçoso de ser o "jovem talento raro" de Sundance desapareceu quando ela viu Lucas, mal mais velho do que ela. Talvez ela não fosse o único jovem talento raro que Sundance havia descoberto, talvez este recém-chegado despretensioso, mal mais velho do que ela, possuísse uma faísca tão brilhante quanto.

A cerimônia de abertura se aproximava, e a coletiva de imprensa, a contragosto, chegava ao fim. Mas os sussurros persistiam, um coro de antecipação por "127 Horas" e pela atuação do jovem ator que trouxe a história de Aron Ralston à vida.

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