
Capítulo 58
Ator Magnata em Hollywood
O silêncio abafado do quarto de hotel em Londres era quebrado apenas pelo farfalhar das páginas virando. Joseph Gordon-Levitt, imerso no roteiro, traçava as palavras com as pontas dos dedos, seus sulcos gastos como uma melodia familiar em sua pele.
A promessa de incorporar este personagem complexo ressoava profundamente dentro dele, uma emoção tingida com a deliciosa ansiedade da competição.
Ele não podia ignorar a sombra de seu formidável rival, Lucas Knight. Um jovem talento que tivera o privilégio de testemunhar em primeira mão, Lucas possuía uma energia crua e elétrica que impressionara a equipe de elenco.
Embora tivesse apenas vislumbrado algumas cenas da performance de Lucas na audição, Joseph não podia negar o talento bruto do jovem ator. Não era um impedimento, contudo. Isso acendeu um fogo no espírito competitivo de Joseph, um voto silencioso de mergulhar mais fundo em Arthur, para fazer o personagem seu.
Então, o telefone zumbiu. Joseph, perdido no roteiro, pensou que não era nada urgente. Mas o nome na tela, John Papsidera, o diretor de elenco, enviou um choque através dele. Ele atendeu, sua voz uma mistura de antecipação e apreensão.
A notícia foi direta. A voz de John, gentil mas firme, confirmou os medos de Joseph. Ele não fora escolhido para ser Arthur. A decepção se instalou em seu estômago, um peso pesado apesar do sorriso ensaiado que ele ofereceu.
Lucas, ele pensou, deve tê-los verdadeiramente deslumbrado. Um jovem talento, escolhido para um papel que havia cintilado como uma estrela distante nos próprios olhos de Joseph. Ele suspirou, uma exalação profunda e cansada que ecoou no silencioso quarto de hotel.
Ele guardou o telefone no bolso, um suspiro escapando de seus lábios. "Lucas deve tê-los impressionado muito," ele murmurou.
O burburinho acolhedor do café envolveu Lucas enquanto ele se sentava em uma cabine em frente a Christopher Nolan e John Papsidera. Um alívio tingia seu sorriso; antes, eles haviam confirmado sua seleção para o papel de Arthur. Superar Joseph Gordon-Levitt havia sido intimidante, mas a vitória ressoava docemente.
A conversa fluía facilmente, pontuada pelo tilintar de xícaras de café contra os pires. Lucas aprofundou-se em suas interpretações de Arthur, sua voz animada enquanto dissecava as complexidades do personagem. Nolan ouvia atentamente, balançando a cabeça ocasionalmente, seus olhos penetrantes parecendo atravessar o entusiasmo de Lucas, buscando algo mais profundo.
"Fevereiro para as filmagens," John Papsidera interveio, quebrando o feitiço da discussão. "Teremos bastante tempo para refinar tudo antes disso."
Lucas, ainda exultante com seu sucesso recém-descoberto, sorriu em agradecimento e se desculpou. Ele saiu para a movimentada rua de Londres, as luzes da cidade pintando um halo dourado em torno de sua cabeça.
Nolan o observou partir, um vestígio de dúvida pairando em seu rosto. Ele murmurou, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa, "Espero que você consiga manter essa centelha, Lucas. Arthur precisa dela."
O café londrino zumbia com o brilho pós-vitória de seu triunfo. Lucas, ainda surfando na onda de excitação por ter conseguido o papel de Arthur, sabia que sua celebração não duraria muito. Uma breve temporada filmando seu papel em "Modern Family" o aguardava em Los Angeles, mas, dado seu tempo de tela limitado, Lucas não sentia a pressão imediata para voar de volta.
No momento em que ele estava prestes a chamar um táxi, seu telefone zumbiu com uma ligação inesperada. "Parabéns, garoto! Não pensei que você ofuscaria Joseph Gordon-Levitt para Arthur," a voz de Vincent trovejou, a aspereza usual de seu agente suavizada por uma surpresa genuína.
Lucas riu, um toque de surpresa ainda persistindo. "É, a audição foi… intensa."
"Intensa o suficiente para impressionar Christopher Nolan," Vincent riu por sua vez, o orgulho evidente em sua voz. "Você continua me surpreendendo, garoto. E as surpresas ainda não acabaram."
A testa de Lucas se franziu em curiosidade. "O que você quer dizer?"
"Lembra daquele filme que você aceitou, 127 Horas? Aquele com o alpinista preso em um cânion?" Vincent fez uma pausa, saboreando a antecipação. "Bem, ele foi selecionado para Sundance! Você está indo para lá com o elenco e o diretor."
Os olhos de Lucas se arregalaram. "Sundance? Sério?"
"De fato," Vincent confirmou. "Você está programado para comparecer com o elenco e o diretor. Prepare-se para o tapete vermelho."
A ligação de Vincent ecoou no ouvido de Lucas muito depois de eles desligarem. Sundance. O prestigiado festival de cinema, a chance de celebrar "127 Horas" e um vislumbre do mundo de Aron – era uma mistura inebriante. O filme, terminado apenas no final de setembro, de alguma forma havia conquistado uma vaga cobiçada. Embora como a Fox Searchlight conseguiu isso permanecesse um mistério, para Lucas, a emoção de compartilhar seu trabalho com os cinéfilos superava os detalhes logísticos.
Dezembro se estendia à sua frente, um jogo de espera agonizante até janeiro e Sundance. Ele imaginava a atmosfera elétrica do festival, o ar fresco da montanha e a respiração compartilhada de antecipação em cinemas escuros.
De sua vida passada, ele se lembrava do burburinho em torno de "Inverno da Alma" (Winter's Bone), o filme de Debra Granik estrelado por Jennifer Lawrence, e outros queridinhos de Sundance. Mas a antecipação, não a ansiedade, alimentava sua energia. Ele ansiava por testemunhar o impacto do filme, os murmúrios e aplausos, o suspiro coletivo em uma cena crucial.
Os ecos das instruções finais de John Papsidera para Arthur ainda pairavam nos ouvidos de Lucas enquanto ele se acomodava em seu assento no avião. Londres recuava abaixo, um mosaico de concreto e áreas verdes diminuindo na distância. A cada pé de altitude, uma onda de relaxamento o envolvia. A pressão da audição para Arthur, a energia ansiosa de Londres, tudo se dissolvendo no suave zumbido dos motores.
Ele olhou pela janela, as paisagens de nuvens se transformando em esculturas abstratas contra a tela azul-celeste.
A breve participação especial em "Modern Family" o aguardava, apenas um pequeno ponto em seu radar.
A cena de Dylan, encaixada no episódio como um ovo de Páscoa escondido, não exigiria a presença física de Lucas no set. Era uma participação especial via laptop, um truque narrativo conveniente para mantê-lo informado. Mas o verdadeiro atrativo, o canto da sereia sussurrando em seu ouvido, era Sundance. O pensamento de sua atuação agraciando aquele palco prestigiado enviou um choque de antecipação através dele, uma deliciosa mistura de excitação e saudável apreensão.
O retorno a Los Angeles era uma parada, um desvio necessário antes do evento principal. Lucas sabia que o cenário do festival era uma fera inconstante, mas por enquanto, ele se entregava ao simples prazer da antecipação. A jornada para Sundance, com sua promessa de histórias compartilhadas e cinemas escuros, era uma vitória em si.