Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

Capítulo 174

Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

'Parece uma masmorra.'

Esse pensamento passou pela mente de Ian ao entrar no castelo do barão.

Ian havia reencarnado em um mundo de fantasia medieval, não em um mundo de jogo. Ele nunca tinha visto uma masmorra cheia de monstros. Se tivesse que comparar, o cemitério do Barão Talian era a coisa mais próxima de uma masmorra. Mas aquele lugar parecia ainda mais uma masmorra do que aquilo.

Primeiro, não havia pessoas.

Não. Havia, mas...

'Cadáveres.'

Havia pessoas mortas.

Corpos brutalmente assassinados jaziam espalhados pelos corredores. Alguns tinham buracos no peito. Outros estavam sem partes do corpo.

"Ugh..."

"O que diabos..."

Os magos fizeram uma careta diante da cena horrível. Era revoltante, mas havia algo ainda mais preocupante.

"Isso é obra de demônios?"

"Magos negros! Devem ser magos negros!"

"...Pode ser obra do barão também."

O culpado que transformou o castelo nessa bagunça não estava em lugar nenhum.

Ian sentiu ainda menos vontade de resgatar Inglan...

'Devo simplesmente fugir?'

Dar no pé era uma opção.

Mas Ian balançou a cabeça.

Com quatro magos reunidos em um só lugar, fazia sentido resolver as coisas ali. O que mudaria se ele fugisse agora? Os magos negros teriam apenas mais liberdade.

"Hum, seniores? E se a gente apenas fugir..."

"Essa não é uma opção, Krysus. Você está sugerindo que fechemos os olhos para essa carnificina?"

"Você está me dizendo para fugir com o rabo entre as pernas?"

'...Ainda bem que não disse nada.'

Krysus, que tolamente sugeriu fugir, levou uma bronca dos magos veteranos. Anton e Herta também não tinham intenção de fugir.

Foi então que aconteceu.

"A-ajuda..."

Um cadáver agarrou o tornozelo de Ian.

Não. Não era exatamente um cadáver, já que ainda estava vivo. Embora fosse se tornar um em cerca de 10 minutos.

'Não é bom.'

Ian tentou rezar, só por precaução.

Mas sua vontade não conseguia alcançar o Deus do Céu. Ele havia distorcido demais a vontade do mundo ao curar Anton.

"..."

Herta mordeu o lábio inferior com força.

Ela nem conseguia formular um vazio "Você está bem?". Não era algo que se dizia a alguém com um buraco no estômago, com as entranhas para fora.

"M-monstro...! Monstro...!"

"Acalme-se e fale."

Ian ouviu atentamente a voz da mulher que parecia uma criada.

"Um monstro amaldiçoado pelos céus...! Ahhh! Salve-me!"

Thud.

A mulher desmaiou.

Provavelmente ela não recuperaria a consciência antes de morrer. Então, era seguro considerá-la morta.

"Maldito demônio."

Anton murmurou.

Ele já tinha sido atacado por um demônio antes.

"Mas Anton. Esse demônio é tão aterrorizante? O suficiente para ser chamado de amaldiçoado pelos céus?"

"..."

Anton ficou em silêncio diante do argumento de Herta.

Ela tinha razão.

Demônios pareciam apenas demônios, não monstros aterrorizantes.

"Pode haver outro monstro."

Esse foi o palpite de Ian.

E logo depois, o palpite de Ian provou ser verdadeiro.

Crunch... Crunch... Crunch...

Um som estranho ecoou pelo corredor frio.

O som de ossos quebrando e músculos se retorcendo.

O som de uma pessoa sendo devorada.

"Que p*rra... é essa?"

Anton exclamou em choque.

Foi uma afirmação que falou por todos os membros do grupo.

O monstro diante de seus olhos só poderia ser descrito como um 'monstro'.

Era enorme, preenchendo todo o corredor com suas oito pernas longas e corpo gordo. E... tinha cabeça de mulher humana com olhos de inseto.

Nojento e horrível...

Especialmente porque tinha acabado de comer entranhas humanas!

"Eeeeek!"

Krysus soltou um grito que quase a fez engasgar.

Mas ninguém a culpou.

Aquela coisa era tão monstruosa que não gritar pareceria anormal.

"Oh? Vocês não são magos?"

O monstro parecido com uma aranha falou com uma voz grotesca.

Era uma voz hedionda que parecia que ia romper seus tímpanos.

"Se vocês estão procurando por Inglan, vão para aquela torre ali."

"S-sim! Vamos agora mesmo!"

Krysus respondeu prontamente!

Ian ficou tão pasmo que deu um tapa na nuca de Krysus.

"Eek!"

"Desculpe, veterana. Mas! O que diabos você está pensando, ouvindo um monstro desses!"

"Ah... Ah! C-certo!"

Krysus voltou a si.

Ela estava tão aterrorizada e angustiada que quase agiu exatamente como o monstro ordenou. Mas, pensando bem, foi uma ação tola. Quem, em sã consciência, seguiria as ordens de um monstro desses!

"Hahaha!"

"Ugh...!"

"Que voz terrível...!"

Enquanto o monstro aranha ria alegremente, uma onda de choque que sacudiu o cérebro atingiu a todos.

"Peço desculpas pela minha apresentação tardia. Sou Karenne, uma maga transmutadora. Sou sua amiga?"

"..."

Ian estava totalmente pasmo.

Quem diabos decidiu que éramos amigos? Esse bastardo louco?

"O Inglan que vocês estão procurando foi para ser morto por um demônio chamado Pentagon. Então, vão por ali."

"Ah. É mesmo?"

Ian retrucou sarcasticamente.

"Mas que p*rra de bagunça é essa? Amiga? Por que você está comendo pessoas?"

"Isso? Eu os comi porque são deliciosos. Também é bom para repor carne. Transmutação não é uma magia que cria algo do nada, sabe."

"..."

"Eles são todos apenas servos, de qualquer maneira. Não se preocupem com esses plebeus, vamos continuar nossa conversa. Magos. Eu quero ajudá-los. Na verdade, o culpado que feriu vocês, magos, é Pentagon..."

Ian sacou Anor-lsil e a balançou.

Chamas flamejantes seguiram a trajetória da espada.

O monstro aranha, Karenne, fez uma expressão estranha.

"Amiga. Você poderia calar a p*rra da boca? Não. Não há necessidade. Eu mesmo farei você calar a boca."

"Seu bastardo tolo. Eu te disse, não disse? Você deveria capturar Pentagon, não a mim..."

"Como se alguém fosse ser convencido por essa aparência."

Ptui. Ian cuspiu saliva contaminada pelo ar nojento.

Karenne parecia desesperada para enviar Ian ao demônio chamado Pentagon, mas Ian não tinha absolutamente nenhuma razão para ouvir Karenne. Por que ele ouviria um monstro comedor de homens?

Ian não deu ouvidos às palavras do monstro maligno.

Como mago, ele aprendeu uma coisa claramente. Monstros com comportamento de m*rda invariavelmente têm personalidades de m*rda.

"Ha. Você... demônio inútil!"

Karenne direcionou sua raiva não a Ian, mas ao demônio.

Mas, deixando a raiva de lado.

Karenne balançou sua enorme perna dianteira, parecida com um tronco.

Agora que as coisas chegaram a esse ponto, ela decidiu eliminar Ian diretamente!

"Perigoso!"

Jubal saltou e agarrou a perna de Karenne.

Quando o humano-troll de 2 metros de altura exerceu sua força, surpreendentemente, a perna parou.

"Monstro...! Arrancar perna...!"

Crack!

Jubal torceu a perna da aranha com uma força surpreendente.

O som das juntas se retorcendo e dos exoesqueletos rachando ecoou.

"Seu bastardo louco?!"

Karenne gritou surpresa com a força monstruosa de Jubal.

Sua força era tão incrível que a fez suspeitar que ele havia aprimorado seu corpo com transmutação.

Mas foi apenas isso que a surpreendeu.

Karenne não era uma maga tola o suficiente para perder uma perna tão estupidamente.

Ela tinha oito pernas.

Thump!

Karenne balançou outra perna, atingindo a cabeça de Jubal.

"Jubal!"

A testa de Jubal se abriu, o sangue escorrendo e encharcando seus olhos.

Mas Jubal nem piscou.

Embora ele fosse incrivelmente fraco contra fantasmas ou demônios sem forma física...

Ele não se encolheria diante de monstros com corpos físicos!

"Hraaah!"

Jubal estendeu a mão e agarrou uma segunda perna.

O movimento de Karenne parou mais uma vez.

Foi desconcertante.

Uma única pessoa parando o movimento de um monstro de 3 metros de altura!

Não era nem um humano fortalecido por magia ou bênçãos.

Ele era apenas incrivelmente forte em seus braços e pernas!

"Perna de monstro! Arrancar as duas!"

Jubal exerceu toda a sua força.

Mas, ao contrário de antes, as pernas de Karenne não quebraram.

Nem mesmo Jubal conseguia destruir duas pernas simultaneamente.

"Seu inseto!"

Crack!

Karenne estava furiosa por ser contida por um mero humano.

Usando sua massa monstruosa, ela pressionou Jubal como um peso esmagador.

Enquanto as seis pernas restantes se apoiavam nas paredes do corredor, nem mesmo o hercúleo Jubal conseguiu aguentar por mais tempo.

As solas de seus sapatos se despedaçaram enquanto ele era empurrado dezenas de metros para trás.

Um longo rastro de sangue vermelho seguiu suas marcas de derrapagem.

A pele de seus pés havia sido arrancada, deixando-os sangrando.

"Ugh...!"

"Droga, Jubal!"

Belenka balançou apressadamente sua espada longa.

Mas Karenne não era um oponente que pudesse ser enfrentado com uma única espada longa.

O monstro era grande demais e resistente demais.

"Ian! As chamas!"

Kira pediu pelas chamas.

Mas Ian respondeu imediatamente.

"Não! Não podemos queimar Jubal também!"

"Então o que fazemos!"

Ian cerrou os dentes.

Ele precisava de força física.

Uma força física avassaladora que pudesse empurrar até o corpo daquele monstro enorme!

'Pense.'

A batalha estava a todo vapor.

Jubal estava até em uma encruzilhada de vida ou morte.

"Arrrgh! Kuh!"

"Hahaha! Lute o quanto quiser! Seu inseto!"

Se ninguém ajudasse, Karenne estouraria o corpo de Jubal como um balão.

'Pense, Ian!'

Mas Ian observava o campo de batalha com a cabeça fria.

O que um mago precisava era de uma mente afiada para encontrar a melhor solução.

'Existem muitos magos.'

A vantagem favorecia esmagadoramente Karenne.

Depois de esmagar Jubal até a morte, logo seria a vez de Ian.

Mas havia magos ao lado de Ian.

Eles tinham que encontrar um jeito antes do último suspiro de Jubal.

"Congelar!"

"...?"

Justo então, uma maga de cabelos prateados passou pelos olhos de Ian.

Era Krysus!

'Magia de gelo?'

Surpreendentemente, Krysus usou magia de gelo.

'Poderia ser, da caverna de gelo?'

Seu veterano, o mago do gelo Victor, havia reunido uma enorme quantidade de magia de gelo pouco antes de morrer.

Krysus deve ter pego a magia de gelo restante antes de sair da caverna!

Krysus esticou a mão em direção às pernas de Karenne.

"Congele e estilhace! Seu monstro!!!"

Um frio arrepiante jorrou.

Foi uma tempestade de gelo tão intensa que deixou todo o corredor gélido.

O trunfo de Krysus.

Mas...

"Oh ho. Minha perna está congelada?"

A magia de gelo de Krysus não era poderosa o suficiente para congelar Karenne completamente.

Nada mudaria apenas congelando uma perna.

Karenne balançou a perna congelada como um porrete.

"Veterana!"

"Kyaa!"

Por um triz, Ian abraçou a cintura de Krysus e rolou no chão.

A ação de Krysus foi imprudente.

Mas deu a Ian uma inspiração.

"Veterana! Você está bem?"

"Ian...! Eu... minha magia de gelo...!"

Krysus gritou, quase em lágrimas.

"Acho que não ajuda em nada...! Desculpe! Ian!"

Ian rapidamente balançou a cabeça.

Como esperado.

A magia de gelo de Krysus era excelente.

Só não foi utilizada no lugar e hora certos!

"Você deveria ter me dito que podia usar magia de gelo antes!"

"O quê...?"

"Tem algo que você precisa fazer, veterana."

Nem mesmo Ian conseguia realizar magia de gelo tão bem quanto Krysus.

Não era inverno agora...

Então, apenas Krysus poderia liberar a magia de gelo adequadamente.

"Vamos tentar congelar aquele bastardo mais uma vez."

"C-como?!"

"Você consegue fazer isso? Veterana? Apenas me diga se consegue ou não!"

Diante da expressão firme e resoluta de Ian.

Krysus viu-se assentindo como se estivesse em transe.

Ela havia falhado sozinha, mas...

Talvez. Se Ian ajudasse.

Poderia ser possível congelar aquele monstro enorme.

Ela apenas sentiu isso.

"E-eu consigo!"

"Ótimo. Veterana. Vamos tentar."

Ian estalou os dedos.

Agora, o tempo dos magos havia começado.

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