Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

Capítulo 123

Me Tornei um Mago de Fantasia Medieval

Na escuridão.

Takarion abriu os olhos.

— Estou... vivo?

Ele tateou ao redor. A área estava repleta de neve fria.

Takarion limpou a neve e colocou a cabeça para fora.

— Ah...

Um campo de neve expansivo surgiu à sua vista.

A avalanche havia transformado os arredores em uma paisagem branca e intocada.

Takarion cambaleou e deu um passo na neve branca.

Um passo, depois outro.

Ele deu passos instáveis.

— Eu...

Takarion fechou os olhos.

A luz do sol da tarde refletia na neve, tornando difícil manter os olhos abertos.

Mas o brilho era apenas uma desculpa.

Na verdade... ele simplesmente queria esquecer tudo mais uma vez.

— O que... eu fiz?

Memórias ressurgiram na escuridão.

Takarion tentara correr até Ian, mas tropeçara e caíra.

Foi uma ação verdadeiramente patética.

— Eu...

Takarion respirou fundo.

Ele tentou se acalmar, mas seus membros trêmulos se recusavam a parar.

Por causa de seu erro estúpido, Takarion quase perdera a vida.

Se Ian tivesse corrido para salvá-lo, a vida de Ian também estaria em perigo.

Ele colocara em risco a vida de um companheiro.

— Eu... Eu...

Um nó subiu na garganta de Takarion.

Foi um soluço miserável.

— Heugh, heuuugh...!

Lágrimas quentes escorreram pelas bochechas de Takarion.

Uma vez que começou a chorar, não havia como parar.

Takarion desabou no local, soluçando incontrolavelmente.

— Waaah!

Aquelas não eram lágrimas de alegria.

Apesar de sobreviver a um milagre, Takarion não sentia felicidade.

— Por que sou... tão patético!

A emoção que levou Takarion às lágrimas foi o autodesprezo.

Como os outros, ele queria se destacar com um talento notável como Belenka, Kira ou Pyra, e cumprir seu papel perfeitamente.

Takarion sonhava com uma vida de herói desde pequeno.

Ele queria ser uma pessoa maravilhosa, respeitada pelos outros.

Mas.

Embora seus sonhos fossem grandiosos, a realidade era uma confusão.

Em vez de se tornar um herói, Takarion era intimidado, sujeito a violência e ridicularização pelos outros órfãos no mosteiro.

Eram suas limitações inerentes, uma falta de talento.

No entanto, Takarion admirava constantemente os heróis e encontrava sucesso ao escrever evangelhos descrevendo os feitos dos santos.

Takarion só queria se tornar uma pessoa melhor.

Ele pensou que seria respeitado se alcançasse uma posição elevada.

Embora não pudesse se tornar um herói do campo de batalha, ele acreditava que poderia receber elogios religiosos.

Então, ele deixou o mosteiro.

Ele pensou que poderia se tornar algo se deixasse o mosteiro.

Mas tudo o que aconteceu com Takarion foi horrível.

Ele mal escapou após ser sequestrado.

Ele foi pego em uma avalanche e ficou preso...

Uma série de erros.

Sem habilidade, com nada além de resultados patéticos.

— Sou... um tolo inútil que nem consegue andar direito? É isso que eu sou?

Takarion agarrou a carta Arcano e chorou.

O mago Ian.

Ao contrário de Takarion, Ian era incrivelmente habilidoso e sempre produzia resultados incríveis.

Em certo ponto, Takarion teve inveja das habilidades de Ian.

Agora, parecia risível.

Takarion era tão patético que nem podia ser comparado a Ian.

— Devo apenas morrer?

Takarion olhou para o campo de neve vazio com olhos secos.

Ele sempre falava sobre as histórias de heróis, mas não era nada comparado ao Santo Marcus.

Que falta de vergonha, Takarion.

Rabiscar sobre os grandes feitos de um santo com seus dedos gordos e feios!

Vergonha e autodesprezo envolveram o corpo de Takarion como uma cobra.

Se ele se rendesse a esses sentimentos e desistisse de tudo, parecia que encontraria paz.

Mas então, Takarion brincou com a carta Arcano.

Era uma carta com a ilustração de uma garota de cabelos azul-escuros sorrindo alegremente.

— Linda...

Cativado pela bela ilustração desenhada por um deus, Takarion esqueceu temporariamente seus pensamentos de morrer.

Otakus eram naturalmente fracos diante de ilustrações bonitas...

— O que é isto?

Takarion examinou a carta.

Ela estava marcada com letras rúnicas que diziam [Número 17, Estrela], mas Takarion não conseguia entender. Mesmo um monge não conheceria necessariamente as runas do norte.

Takarion não sabia o significado da carta [Estrela].

O Número 17, Estrela, é uma carta que simboliza a esperança.

A estrela é um guia para os perdidos, um símbolo que sussurra sabedoria e inspiração.

No momento em que Takarion estava absorto na bela ilustração.

Ele se lembrou do último grito de Ian.

[Sobreviva! Takarion!]

[Quando nos encontrarmos novamente, eu definitivamente mandarei você de volta para o império!]

— Ah...

Takarion esfregou seus olhos manchados de lágrimas.

Ele era um humano patético, cheio de erros.

Mas se jogasse sua vida fora aqui, seria um lixo irrecuperável.

— Eu não posso morrer em um lugar como este.

Takarion caminhou pelo campo de neve com todas as suas forças.

Seus passos eram instáveis, mas ele nunca caiu.

Pelo bem de Ian, que até ajudou alguém tão patético quanto ele mesmo.

Takarion sobreviveria a qualquer custo.

— ... Huh?

Takarion, ao subir uma colina coberta de neve, viu uma cena que o deixou de boca aberta.

— Ian!

Era o grupo de Ian lutando contra monstros.

— O que devo fazer...? O que devo fazer...!

O número de monstros era avassalador.

Mesmo com um grupo que incluía um mago, um xamã e um cavaleiro, seria difícil repelir dezenas de monstros atacando todos de uma vez.

— Se Santo Marcus estivesse aqui...

Takarion acalmou seus membros trêmulos.

Por um momento, ele imaginou Santo Marcus descendo e varrendo aqueles monstros malignos.

Mas Takarion sabia muito bem que tais pensamentos eram fúteis.

Desde a infância até agora.

O herói de sua imaginação nunca tinha corrido para salvar Takarion.

— Se há alguém que pode ajudar Ian...

Takarion endireitou as costas.

— ... Sou eu!

Apenas a ação pode mudar a realidade.

Takarion olhou para baixo da colina.

— Como Santo Marcus.

Takarion respirou fundo.

Com uma voz estrondosa, ele repreendeu os monstros!

— Suas criaturas tolas do submundo! Para quem vocês pensam que estão mostrando os dentes!!!

— Kieek...?

— O sol brilha tão intensamente! Vocês não têm medo da ira do céu?!

É sempre difícil falar no início.

Uma vez que começou a elevar a voz, Takarion usou seu vocabulário abundante, aprimorado através de suas habilidades de escrita, para atrair a atenção da horda de monstros!

— Craaah!

Cerca de metade dos monstros foi atraída para Takarion.

Enquanto os monstros corriam colina acima, Takarion sentiu um arrepio emocionante.

— Eu consegui! Eu consegui!

Ele estava encantado porque conseguiu provocar os monstros.

— ... Mas o que eu faço agora?

Ele estava aterrorizado porque agora estava sendo perseguido por monstros!

— Apenas corra!

Takarion começou a correr pelo campo de neve com todas as suas forças.


Ian amaldiçoou o Norte com entusiasmo.

— Maldito seja este inferno do norte!

Pouco antes de serem atacados por monstros.

Seu emocionante snowboard durou pouco.

Ian descobrira o túmulo congelado e sentira que algo estava seriamente errado.

— Pyra, se dissermos que o Rei da Montanha atacou os nortistas para esconder isso... é muito absurdo?

— Não. É perfeitamente possível.

Pyra murmurou com uma expressão de choque.

O Rei da Montanha não tinha interesse nos Yagons. Os Grendels os caçavam por carne, mas a maior parte era para humanos.

No entanto, um túmulo Yagon foi descoberto profundamente no território do Rei da Montanha.

E havia um número enorme de cadáveres.

— Precisamos de um conselho tribal.

Pyra disse com um rosto sombrio.

Se o Rei da Montanha começasse a interferir no suprimento de comida humana, ele não poderia mais coexistir com humanos.

Ele tinha que ser caçado.

— Vamos buscar Takarion e sair daqui rapidamente.

— Você tem um jeito de encontrá-lo?

Pyra perguntou da perspectiva do senso comum do Norte. Ao lidar com bárbaros ignorantes, tais perguntas eram essenciais.

Mas o outro grupo era um mago do império.

— Nós o encontraremos com magia.

— ...

Oh. Eu não pensei nessa solução simples.

Pyra olhou para Ian com uma expressão pasma.

Ian tinha dado a Takarion uma carta Arcano, sabendo que ele estava vivo em algum lugar.

Para procurar Takarion, havia muitas maneiras: perguntar aos mistérios do gelo ou enviar Oberon para encontrá-lo.

Mas antes disso, os monstros chegaram.

— Kaaargh!

— Kyah!

Era a horda de Grendels, os sentinelas do Rei da Montanha.

— Ian! Inimigos!

— Sim. Aquelas malditas coisas!

Mistérios azuis brilharam nos olhos de Ian.

Pyra deu tapinhas preocupados no ombro de Ian.

— Você está... bem?

— E se eu não estiver!

A típica rabugice de mago de Ian ressurgiu.

Ian usara magia demais hoje.

Mesmo quando ele tocava nas cartas Arcano, ele não conseguia sentir nenhum mistério.

Em vez disso, ele tinha que sobrecarregar seu corpo.

Em troca de beber o elixir, parecia que ele tinha que trabalhar até a morte.

— [Gelo!]

Ian invocou os mistérios do gelo e enfrentou os inimigos.

— [Levante-se!]

Pedaços de gelo surgiram, criando uma passagem estreita.

Ficando lá, pelo menos eles não seriam cercados.

— Círculo mágico! Precisamos desenhar um círculo mágico!

Ian decidiu pedir a ajuda do mistério profano mais uma vez.

Mas ao contrário da última vez, quando ele usou a carta Arcano, ele tinha que desenhar um círculo de invocação desta vez.

O mistério profano era muito poderoso.

Ele precisava ser devidamente invocado e enviado de volta pacificamente para evitar problemas futuros.

— Entendido! Nós compraremos tempo para você!

Enquanto os outros lutavam contra os monstros, Ian desenhou apressadamente o círculo mágico.

— Rapidamente... rapidamente...!

— Ian!

— Só mais um pouco!

O tempo estava acabando.

O problema era o grande número de inimigos.

Mas então, um grito estrondoso atingiu a horda de monstros de longe!

— Suas criaturas tolas do submundo! Para quem vocês pensam que estão mostrando os dentes!!!

— ... Takarion?

Ian olhou para cima para encontrar a fonte da voz.

Ele viu Takarion de pé na colina.

O sol da tarde brilhava intensamente sobre Takarion.

Parecia quase como se ele estivesse cercado por uma auréola...

Ian se perguntou se Takarion tinha se tornado um santo, mas rapidamente balançou a cabeça.

— Que pensamento louco.

Ian afastou os pensamentos distrativos e focou no círculo mágico.

[Quem me chama?]

— [Sou eu! Desculpe! Você pode me ajudar mais uma vez?]

O mistério profano demonstrou relutância, mas não recusou o pedido de invocação de Ian.

[Kiaaaaak!]

Ian usou o mistério profano para expulsar os Grendels.

Então ele imediatamente correu para Takarion.

— Ahhh! Me salve!!!

— ...

Ele tinha gritado tão galantemente do topo da colina.

Assim que ele desceu, Takarion estava sendo perseguido por um monstro.

Ian expulsou os Grendels restantes e se aproximou de Takarion.

Takarion estava sentado no chão, ofegante.

— Ei, Takarion. Você parecia um pouco com um santo mais cedo.

— V-Verdade...?

Fisicamente, com uma auréola de luz.

Ian engoliu suas últimas palavras e estendeu a mão.

— Sim, verdade.

Takarion sorriu e pegou a mão de Ian.

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