
Capítulo 216
Tornando-se um Mago da Escola de Magia
"Eu disse carne de boi. Carne de boi, Professor Garcia!"
"...Você realmente mudou a sua personalidade?"
Antes que os olhos da Professora Garcia pudessem se desviar do desprezo, a Professora Parsellet explicou, rápida e freneticamente, os acontecimentos recentes.
Assim, a expressão da Professora Garcia também mudou.
"Sério? Isso é impressionante!"
"Por que essa reação?"
A Professora Parsellet ficou levemente aflita. A resposta era demasiado branda para o seu gosto.
"Ah... sinto muito."
A Professora Garcia parecia envergonhada.
Já tendo visto outros professores reagirem com espanto inúmeras vezes, a reação de Garcia não foi tão surpresa quanto Parsellet havia antecipado.
Enquanto Parsellet poderia pensar, 'O que é isso? Um gênio?!', a reação de Garcia foi mais parecida com, 'Ah, então aconteceu de novo...'
"Ouvi dizer algumas vezes em outras aulas o quão impressionante foi."
"Isso é diferente daquilo!"
A Professora Parsellet falou com uma voz cheia de injustiça, tanto que outra personalidade quase emergiu.
"É diferente de apenas acender fogo bem ou lançar maldições bem..."
"Não era igual em outras aulas... Há algum problema?"
Ao ouvir as palavras da Professora Garcia, Parsellet hesitou.
Fora os sentimentos de injustiça, havia, de fato, um problema.
"Há um."
"Que tipo?"
"Não sei bem como lidar com isso."
"Ah."
A Professora Garcia entendeu imediatamente o que a outra estava dizendo.
A Parsellet era conhecida entre o corpo docente por seu estilo de ensino laissez-faire.
Os alunos para quem ela ensinou magia de adivinhação haviam escolhido estudar com ela depois de descobrirem seus talentos por conta própria, em vez de serem nutridos diretamente pela Parsellet.
"Ah. Bem, a magia de adivinhação é especialmente difícil de detectar talento... Talvez você pudesse prestar mais atenção a isso?"
"Como?"
"Ensine feitiços de adivinação mais poderosos e complexos..."
"Não. É perigoso."
A Professora Parsellet respondeu irritada.
Há um ditado de que um mago talentoso é mais perigoso.
Isso era especialmente verdade no reino da magia de adivinhação.
Não importa quão forte seja a intuição e a inspiração, ou quão bem se pague o custo da magia, o perigo nunca some totalmente.
Mesmo que apenas uma vez em mil tentativas, pagar um custo diferente poderia ser fatal para um mago.
Mesmo magos experientes e habilidosos cometem erros, que dirá os mais jovens.
"Isso faz sentido. Então que tal tratá-lo como você trata seus outros alunos?"
"E se ele perder o interesse pela magia de adivinhação e deixar de se importar?"
"Uh..."
A Professora Garcia ficou sem palavras.
Não porque fosse difícil responder à afirmação, mas porque era surpreendente ouvir algo assim da Parsellet.
Normalmente, Parsellet diria friamente, "Se eles perderem o interesse ou deixarem de se importar, então é o fim da nossa ligação."
"Não seria assim?"
"Como pode dizer isso, Professor Garcia? Mesmo que ele pare de aprender magia de adivinhação, como você poderia?"
"...Eu, eu sinto muito."
A Professora Garcia pediu desculpas, sentindo-se injustamente acusada.
'Pensar que ela sempre diz isso...'
"Pode parecer indiferente, mas não negligencio completamente nutrir meus estudantes."
"Eu sei."
A Garcia sabia que, embora Parsellet parecesse indiferente em aceitar novos alunos, uma vez que aceitava alguém, cuidava muito bem dele.
A atitude aparentemente indiferente de Parsellet pode ter a ver com a própria natureza da magia de adivinhação.
"Embora eu possa fazer muita confusão sempre que minha personalidade muda."
"Ah. Isso é, certamente, um pouco..."
"..."
Com a resposta distraída da Professora Garcia, os lábios da Professora Parsellet protrudiram num biquinho.
"Com tanto talento na magia de adivinhação, é impossível não refiná-la."
"Isso é verdade..."
"Por quê?"
"Não é nada."
Um pensamento passou brevemente pela cabeça da Professora Garcia: 'Não ouvi coisas semelhantes de outros professores?' mas logo desapareceu.
"Que tal a Professora Garcia ensiná-lo de uma maneira que mantenha o seu interesse?"
"Que bobagem você está falando?"
A Professora Garcia respondeu de forma firme.
Não importava o quanto ela fosse grata à Parsellet, isso não era uma opção.
"Mas ainda..."
"Não se preocupe com isso."
Percebendo que a conversa estava tomando um rumo estranho, a Professora Garcia respondeu decisivamente.
"Yi-Han é um estudante excepcionalmente diligente, então mesmo que ele apenas repita magia simples, ele não perderá o interesse nem abandonará o envolvimento dele."
"Sério?"
"Sim, de verdade. Se Yi-Han algum dia perder o interesse pela magia de adivinhação ou parar de se importar, vou conversar com você sobre isso. Ok?"
Ao ouvir essa garantia da Professora Garcia, o rosto da Parsellet se iluminou, aliviado.
Depois de se despedir da alegre professora, a Professora Garcia pausou no meio do passo.
'Ops.'
Uma percepção chegou atrasada.
'A aula à qual Yi-Han está assistindo...'
Yi-Han já estava envolvido em uma quantidade considerável de magia.
'Desculpa, Yi-Han!'
Eu deveria ter intervindo...!
—
"Professor! Olha! O repolho está vivo!!!"
"Sim, sim."
A Professora Uregor ficou tomada pela empolgação que Yi-Han demonstrava.
O mesmo garoto que saía de uma prova com nota máxima e aparência calma, agora exclamava alegremente sobre um repolho vivo no jardim...
"Repolho beijado pela geada tem um gosto melhor. Isso é ótimo."
"Achei que estivesse morto depois de ficar enterrado na neve por quase uma semana."
!"
A Professora Uregor ficou surpresa com essa revelação.
Absorvido pela alegria de Yi-Han, ele havia esquecido o fato de que vegetais enterrados sob a neve por uma semana estarem vivos era extraordinário.
Mesmo com o poder de um cajado concedido por um espírito da árvore...
'Sua magia amplificou a força vital do cajado?'
"Sua magia amplificou a força vital do cajado."
"De fato."
Yi-Han respondeu casualmente e continuou a varrer a neve dos vegetais e colocá-los numa cesta.
"Isso não é algo para responder de forma tão casual!"
"Ah. Não é?"
Yi-Han, segurando uma batata, olhou perplexo.
Não era apenas que a magia dele harmonizava bem com o cajado do espírito da árvore, amplificando sua força vital?
"Tecnicamente sim, mas..."
O Professor Uregor sentiu-se frustrado ao ver que o aluno diante dele era apenas um calouro.
Qualquer outro mago teria reagido, 'Você quer dizer que eu amplifiquei o poder de um cajado dado por um espírito? Mesmo com magia forte, como?'
Afinal, amplificar inconscientemente o poder de um artefato dado por outro ser era significativo!
"...Certo. Saiba apenas que é impressionante. Mas vendo o quanto você se importa com isso, a Professora Willow deve gostar disso."
"Professora Willow?"
Yi-Han virou-se ao ouvir a menção da professora de botânica, Professora Willow.
O Professor Uregor ficou perplexo com a reação.
"Você já a viu? A Professora Willow normalmente não dá aulas para calouros?"
'Ops.'
"Encontrei-a por acaso uma vez."
"Sim. A Professora Willow é uma pessoa admirável."
À altura do estereótipo de um professor de alquimia, o Professor Uregor elogiou a Professora Willow.
Um alquimista à procura de ingredientes acabava inevitavelmente endividado com um botânico.
"Não é apenas porque você conheceu a Professora Willow, mas ela realmente é uma pessoa excepcional. Seu caráter, seu conhecimento sobre árvores..."
"Entendo, Professor. Vou transmitir sua mensagem."
Vendo a resposta perspicaz de seu aluno, o Professor Uregor limpou o nariz com uma expressão constrangida. Era constrangedor para um professor quando o aluno era tão brilhante.
Enquanto Yi-Han se ocupava em limpar a neve do jardim, cortar os vegetais colhidos, fritá-los em óleo e fervê-los com caldo, o Professor Uregor sentava-se a uma mesa em frente à cabana, rabiscando distraidamente com uma pena.
Yi-Han, que apareceu com uma panela de sopa de legumes temperada com sal e pimenta, contendo repolho, batatas, cebolas e cenouras, olhou perplexo para o Professor Uregor.
"O que você está fazendo?"
"Está pronto? Deixa eu ver... Ah, você ainda pode se tornar um chef."
"Isso é elogio demais."
"Não, estou falando sério."
"Ser chef não é tão fácil assim."
"Eu realmente digo sério..."
O Professor Uregor era de fato sincero. Ele havia percebido que as habilidades culinárias de Yi-Han vinham melhorando a cada vez.
"Então, o que você estava fazendo?"
"Ah, esta carta? Você vai descobrir em breve."
O Professor Uregor acenou com seu cajado, e as cartas prontas transformaram-se e começaram a voar para as torres respectivas.
"Você pode ter ouvido, mas a Professora Garcia reuniu pessoas para capturar um monstro conjurado nas partes profundas da biblioteca."
"...Sério?"
Yi-Han, pegando uma colher de sopa de sopa, pausou abruptamente. Um pressentimento súbito o envolveu.
"Agora que podemos retirar os livros necessários, enviei mensagens aos alunos para buscá-los."
"..."
—
Enquanto isso, estudantes dentro da torre encararam confusos o aviso afixado na parede.
Uma lista de livros a serem buscados na biblioteca:
-Introdução à Mineralogia Básica-
-Plantas Comestíveis da Parte Central do Império-
-Magos que Sobreviveram ao Veneno-
-Grandes Visões Alquímicas Nascidas do Fracasso-
…
Assinado, Uregor Gumdar
Surpreendentemente, isso era apenas o começo. Avisos de outros professores começaram a voar pelas janelas.
"Vamos... fechar as janelas!"
Os estudantes estavam tão desorientados que até a sugestão de Gainando parecia atraente.
—
"Ainda assim, não é necessário que cada estudante vá buscar um livro. Um por torre já basta."
Enquanto o Professor Uregor falava com expressão benevolente, Yi-Han lamentou não ter envenenado a sopa que tinha preparado mais cedo.
"...Mas os livros não ficarão muito para dentro, certo?"
"Quem sabe? Normalmente ficam perto da entrada, mas a Biblioteca Einrograd está sempre mudando... Se você tiver azar, pode ter que ir mais para dentro."
"...Não será perigoso demais, certo?"
"É perigoso. Melhor entrar juntos."
"...A sopa parece ter esfriado. Vou reaquecer."
"Espere. Você não está pensando em envenená-la, está?"
"Por que eu faria isso?"
"Fique aí. Eu cozinho desta vez."
O Professor Uregor levantou, bloqueando seu estudante. Não poderia baixar a guarda diante deste aluno imprevisível.
—
"Parabéns."
"???
"O monstro na biblioteca foi capturado."
"Ah..."
Os estudantes ficaram sobrecarregados com os parabéns do diretor-crânio.
Uma subestimação dessas...
"Vocês devem estar pensando em buscar os livros. Deixa comigo."
"Sério? Vocês vão nos emprestar os livros...?"
O aluno que falava fora de hora foi silenciado por um feitiço. O diretor-crânio falou com firmeza.
"Um mago deve ensinar a pescar, não apenas dar o peixe. Nunca diga tal tolice de novo."
'Parece que você está amarrotando uma pedra aos nossos tornozelos e empurrando-nos para a água.'
"Como você pretende ajudar, então?"
"Boa pergunta. A aula de hoje está cancelada. Em vez disso, todos devem retornar às suas torres e se preparar."
"Que tipo de preparação?"
"Preparação para entrar na biblioteca. Este será o primeiro calabouço de todos."
"Mas não é verdade. Eu já fui lá antes com Yi-Han."
Gainando foi silenciado por um feitiço. O diretor-crânio lançou um olhar penetrante a Yi-Han.
'Não é minha culpa.'
Yi-Han sentiu-se injustamente acusado.
Foi o Professor Uregor quem o instruiu!
"Assim que todos estiverem prontos, eles poderão entrar na biblioteca. Apurem-se, antes que escureça demais."
Um estudante, aparentemente confuso, ergueu a mão para perguntar.
"Você vai entrar conosco?"
"Sou eu o estudante, ou você? Por que eu iria?"
"...?"
"Então, como você vai nos ajudar? Ah, talvez esteja fornecendo equipamento ou comida..."
"Vou adiar todas as aulas marcadas para amanhã à noite. Isso permitirá que todos se concentrem na biblioteca."
"..."
Os estudantes, talvez comovidos pela graça do diretor-crânio, ficaram sem palavras.