
Capítulo 112
Tornando-se um Mago da Escola de Magia
Yi-Han não tinha a menor ideia da oportunidade incrível que estava diante dele — a lealdade afetuosa de um grifo.
"Droga!" A professora Bungaegor tossiu de frustração. Yi-Han, com um olhar preocupado, entregou-lhe o cachimbo fumegante e perguntou: "A senhora engasgou com alguma coisa?"
"Não, não é isso!" A professora estava exasperada. Quem estava preocupado com quem? Bungaegor se acalmadou e sugeriu: "Que tal você tentar ser um pouco mais gentil com ele?"
"Como posso ser mais gentil do que já sou?" Yi-Han respondeu com um leve tom de confusão na voz. Sua sinceridade era tão evidente que nem Bungaegor teve uma réplica. Sem que os alunos soubessem, a professora vinha mantendo um olhar atento sobre os estábulos. Era natural, considerando que confiara seus amados cavalos aos cuidados dos calouros.
E Yi-Han cuidava do grifo com toda sinceridade. Era incomum um rapaz de nascimento nobre demonstrar tal dedicação. O afeto do grifo não se devia apenas ao fato de Yi-Han ter salvado sua vida — os cuidados que ele demonstrara antes também tinham um papel significativo.
Mas isso era outra questão. No momento, desconfiar do grifo era um assunto à parte.
"Tem algo errado com a forma como eu o alimento ou escovo?" Yi-Han perguntou.
"Não, não é isso... É uma questão de confiança e fé", Bungaegor explicou.
O cavalo branco assentiu, como se a incentivasse a continuar.
Yi-Han não se convenceu facilmente. "Ser gentil e confiar cegamente são coisas muito diferentes, professora. Não é irresponsável agir assim?"
O silêncio caiu. O rapaz da família Wardanaz estava fazendo observações pertinentes hoje. Treinar um animal ignorando seus instintos e confiando cego nele não era uma boa prática. Confiança e amor eram necessários, mas um certo grau de ceticismo também.
Mas mesmo assim...!
Heehee!
O cavalo branco resfoi de concordância.
"Veja só. Ele já fica bravo na hora", Yi-Han observou.
"Tudo bem. Resolvam vocês mesmos", Bungaegor desistiu, virando-se enquanto a lançava um olhar severo.
Yonaire, curiosa, perguntou: "Qual é o nome desse cavalo? Ele não responde nem quando é chamado."
Os cavalos do estábulo entendiam quando eram chamados pelo nome, mas o cavalo branco parecia se recusar a entender.
Mais precisamente, ele se recusava a entender.
— Não importa o nome que deem a ele, parece que ele não gosta.
— Não é só mau humor?
— Não. Talvez seja porque não é um nome que ele aprecia.
— Não é só mau humor?
— Talvez ele tivesse originalmente outro nome, então vamos perguntar à professora depois.
— Acho que ele simplesmente tem mau humor.
Bungaegor ficou levemente surpresa com a conversa. Por sorte, ela já havia se virado, livrando-se de revelar sua expressão aos alunos.
"Nif... Niffirg", ela disse.
"Niffirg... Esse nome é incomum."
"Niffirg", Yi-Han repetiu, olhando para o cavalo branco. "É isso mesmo, Niffirg?"
O cavalo sacudiu a cabeça, como se reprovasse. Yi-Han, observando aquilo, concluiu: "Ele só tem mau humor."
Graças à persuasão da professora Bungaegor ao espírito do rio, os alunos que chegaram depois conseguiram dar água aos animais sem dificuldade. Os alunos que haviam penado antes resmungaram: "Não é assim que se deve dar água para eles."
"Aqueles caras têm noção de como é difícil dar água quando o espírito da água está furioso? Esse é o verdadeiro desafio."
Yi-Han se aproximou da professora Bungaegor, que estava ocupada registrando as notas e mexendo distraidamente com seu cachimbo.
"O quê? Wardanaz, sua nota está perfeita. Não precisa se preocupar."
"Não é por causa disso, mas tenho uma pergunta. Enquanto lia um livro, encontrei o nome de um monstro que nunca ouvi falar."
"Fala", a professora instigou.
"A senhora conhece um monstro chamado Sharakan?"
"O Rei dos Leopardos", a professora Bungaegor respondeu, batucando o cachimbo para limpá-lo. "De acordo com as lendas dos moradores das montanhas, ele nasceu entre as montanhas rochosas e os leopardos. Por isso é reverenciado pelos leopardos."
"É um monstro perigoso?" Yi-Han não estava preocupado se Sharakan nascera entre montanhas e leopardos ou entre um rei espiritual e leopardos. Sua preocupação era o nível de perigo.
A professora Bungaegor respondeu com um tom de incredulidade: "Como não seria perigoso? Até um leopardo comum é arriscado."
"...E se eu transformasse Sharakan em um morto-vivo e o controlasse?"
"por que arriscar desse jeito? Transformar um monstro em morto-vivo não apaga sua selvageria e ferocidade. Se encontrar uma brecha ou ficar insatisfeito, pode se libertar e atacar."
"Ah..." Yi-Han ponderou se atacaria o professor Mortum com magia ou com espada no próximo encontro.
"Isso não é pior que o diretor?" O diretor não tinha dado um monstro desses de presente!
"Por que pergunta isso? Está ansioso para criar um monstro morto-vivo já?" A professora Bungaegor perguntou com um sorriso maroto. Os rumores sobre o domínio de magia dele entre os professores indicavam que ele era um talento de calibre diferente.
"Não, não é nada disso."
"Não tenha vergonha de falhar. Colocar metas ambiciosas é algo que só se pode fazer como calouro."
"Mas não é isso que eu quero."
"Mesmo que queira criar um monstro morto-vivo, é melhor escolher um adequado com antecedência. Sabe qual foi a terceira causa de morte mais comum entre os magos sombrios do império no ano passado? Foi por convocarem mortos-vivos que não conseguiam controlar."
Yi-Han instintivamente passou a mão no pescoço. "Tenho que tratá-lo melhor no futuro..."
Quando a hora chegou, a professora Bungaegor concluiu sua espera.
"A prova de hoje ensinou muitas coisas. Aqueles que foram preguiçosos aprenderam como a preguiça volta para assombrá-los, enquanto os dedicados viram seu trabalho duro dar frutos."
Yi-Han olhou para Niffirg, o cavalo branco, que piscou com inocência. "Esse sujeito está tramando alguma coisa."
O cavalo bufou de raiva, sentindo a desconfiança de Yi-Han. Claramente, dedicação estava longe de sua natureza.
"Se sentirem que estão devendo, não parem por aí; trabalhem para melhorar. Domar animais não é a única tarefa desafiadora. Magia também não se aprende da noite para o dia."
Os alunos assentir pensativamente, mas Yi-Han refletiu: "Os preguiçosos nem estão aqui, não é? Os que foram atingidos pelas palavras da professora são os dedicados, enquanto os preguiçosos nem chegaram ao rio ainda."
Bungaegor, ciente disso, instruiu: "Transmitam esta mensagem aos preguiçosos. Aula encerrada! Vejo vocês na próxima!"
"Obrigado, professora!"
Enquanto os alunos se preparavam para ir, acalmando seus cavalos, Salko da família Tutanta se aproximou.
"Wardanaz."
"Tutanta."
"O cavalo gostou da cenoura?"
"Sim, gostou. Obrigado por isso."
"Eu dei porque nossos cavalos gostam. Fico feliz em saber que foi bem recebido."
Rowena, passando por ali, olhou para Yi-Han com uma expressão de choque e horror.
O que ele acabou de dizer?
"Eu vim pedir um favor", disse Salko.
"É sobre as cenouras?"
"Não. As cenouras foram um agradecimento pelo que aconteceu da última vez. Isso é outra coisa. Preciso das suas habilidades."
Yi-Han ficou levemente surpreso. Salko, com tanto orgulho, estava pedindo-lhe um favor. O que poderia ser? "Assaltar o depósito do diretor?"
"Diga."
"Preciso das suas habilidades culinárias."
A Torre do Fênix Imortal era uma torre onde sacerdotes de diversas ordens do império se reuniam. Era a mais silenciosa e composta entre as torres da academia de magia.
O anão Muhaddin era um sacerdote da Ordem dos Ciseners.
A Ordem dos Ciseners, dedicada ao conhecimento e à erudição, pesquisava e preservava as diversas disciplinas do império e era muito respeitada. A família Tutanta também era patrona da Ordem dos Ciseners.
"O problema é que o padre Muhaddin mal come."
Yi-Han ainda estava boquiaberto e levou um momento para organizar seus pensamentos.
"Por que veio me procurar com isso?"
"Que pena. Provavelmente por causa das condições precárias da academia de magia. Já falou com o diretor?"
"Não. Não é sobre a comida. Ele naturalmente come pouco. O problema é que, na Ordem, outros sacerdotes cuidavam dele, mas aqui ninguém consegue. Até os sacerdotes da torre tentam, mas há um limite."
Yi-Han estava prestes a dizer "então por que me pergunta", mas Salko continuou: "Enquanto me preocupava, ouvi falar sobre suas habilidades culinárias. Perguntei a outros sacerdotes no Fênix Imortal, e elogiaram sua cozinha."
"É porque os sacerdotes são bondosos."
Yi-Han entendeu o que havia acontecido. Seu exagero nos elogios à sacerdotisa Siana havia se voltado contra ele. Que tipo de elogios ela teria feito...
"Deve ter sido a sacerdotisa Siana. De coração bondoso..."
"Eu também perguntei à sacerdotisa Tijiling e outras. Wardanaz, você é modesto demais."
Os alunos da Tartaruga Negra atrás de Salko asseniam como se não tivessem escolha senão concordar. O ensopado de tomate e legumes que o rapaz da família Wardanaz fez no último mercado negro foi notável. Até um dos alunos da Tartaruga Negra lançou um olhar ressentido a Yi-Han.
"Aqui, Renjid vem de uma família de chefs renomados do império. Mas ele admitiu que não consegue te vencer."
Yi-Han pensou por um momento que o outro estava louco. "Essa não é uma competição justa..."
Afinal, Yi-Han podia usar qualquer ingrediente que quisesse, enquanto o outro tinha limitações.
Mesmo assim!
"Então, quer que eu cozinhe?"
Yi-Han perguntou, recuperando a compostura. Era ridículo, mas não impossível. Não faria mal nenhum deixar Salko em dívida com ele, e servir a um sacerdote da Ordem dos Ciseners não era pouca coisa. É sempre bom cultivar amizades com aqueles que se destacam nos estudos.
"Sim."
"Tudo bem. Já preparou os ingredientes? ou devo ajudar? Posso consegui-los por um bom preço."
Ao ouvir as palavras de Yi-Han, Salko balançou a cabeça.
"Não. Já encontrei os ingredientes necessários. Só precisamos ir buscá-los juntos."
"Ah? Onde estão?"
"Na cozinha."
"?"
Yi-Han fez uma pausa. Havia uma cozinha na torre do dormitório?
"Qual cozinha?"
"A do porão do edifício principal."
"...Entendo. Acabei de lembrar que tenho assuntos urgentes para resolver, então vou indo."
"Espere, Wardanaz! Precisamos da sua ajuda!"
"Sem você, não vai dar! Você é o que infiltrou o Tigre Branco, não foi...?"
Os alunos da Tartaruga Negra se aproximaram freneticamente. Para navegar pelo labirinto que era a parte dos fundos da academia de magia, eles precisavam desesperadamente do rapaz da família Wardanaz, habilidoso em magia.
"Por que estão falando coisas estranhas se precisam das minhas habilidades culinárias? Tragam os ingredientes, e aí eu cozinho."
"Wardanaz. É claro que não planejamos apenas pedir um favor! Você vai mudar de ideia quando vir isso."
Yi-Han estava confuso. O que poderia mudar sua mente? "O que é?"
"É um livro proibido de magia negra."
Um aluno da Tartaruga Negra cautelosamente tirou uma caixa de aço. Ao abrir a tampa, um livro de capa carmesim exalava uma maldição sinistra.
"Fecha isso!"
Bang!
Os alunos rapidamente fecharam a caixa e disseram com uma expressão presunçosa: "E aí? Isso deve fazer você reconsiderar, não é, Wardanaz?"
"...Não?"
"?!?!"