Re: Blood and Iron

Capítulo 836

Re: Blood and Iron

No interior de Genebra, homens e mulheres se reuniam dentro de um antigo e abandonado prédio de cabaré. Encerrado em 1939, quando o atual presidente da Suíça, Philipp Etter, assumiu o poder, e seu Partido Católico-Conservador tomou o controle junto com ele.

O prédio tinha visto dias melhores, com seus palcos outrora altos, dedicados ao vício e à vilania, agora apodrecendo por desleixo e abandono. Água vazava pelo teto, enchendo o ambiente de fungos e mofo de toda espécie.

Se não fosse o fato de ninguém ter colocado os pés ali dentro há anos, esse carcasse apodrecida de um templo malfeito certamente teria sido condenado e demolido pelo Estado há muito tempo.

Porém, felizmente para os que estavam reunidos, o local foi simplesmente abandonado, e por isso puderam se encontrar clandestinamente em suas profundezas, como faziam agora.

Uma mulher na casa dos trinta anos, com uma cicatriz atravessando o olho, jogava uma granada na mão. Isso deixava seus companheiros nervosos, um deles até pondo a mão no rosto toda vez que ela a pegava de volta.

Ela carregava um velho submetal de ombro, um MAS-38 francês. Uma arma que teve uso limitado na guerra de três dias travada pelos franceses contra o Reich alemão.

Poucas unidades haviam sido produzidas antes do conflito começar, pois a arma foi adotada no mesmo ano para uso militar.

Inúmeras poucas sobreviveram após a capitulação da República. A maioria foi destruída por serem reaproveitadas como matéria-prima ou recrutadas para a recém-formada Gendarmaria Real Francesa.

O fato de ela portar uma arma dessas indicava que provavelmente tinha alguma ligação com um dos poucos membros do regime de de Gaulle que conseguiram fugir para a Suíça como refugiados antes que o Exército alemão os capturasse.

No entanto, o homem que parecia liderar aquele grupo claramente não tinha respeito suficiente por ela para ficar de braços cruzados assistindo-a brincar com uma granada pronta para explodir, como se fosse uma bola de futebol.

"Por favor, senhora, pare com isso, pelo amor de Deus! Você está deixando o Phillippe ali ao lado suando frio! E já temos poucas balas para completar essa missão!"

A mulher olhou com intenso desprezo para o homem que a repreendia. Seus olhos franziam a testa, e ela apertou a granada de fragmentação com mais força na mão.

Porém, ao final, respirou fundo, jogou a granada para o homem, que se apressou no meio do pulo para pegá-la, e virou a mão para trás, dando um passo de costas com expressão resoluta.

"Se vocês querem brincar de pega-pega, tudo bem. Mas ouçam bem o que eu digo... quando os alemães chegarem, o Kaiser e o Chanceler alemão vão estar mortos, tanto faz!"

Depois que ela se foi, o homem que pegou a granada — e que parecia ser o líder daquele bando — soltou um suspiro pesado, guardando a bomba no bolso, e direcionou seu olhar aos demais reunidos.

"Não liguem para ela; ela ainda está de cara fechada com o que aconteceu com o irmão dela no mês passado. Coitado... Enfim, o importante é o seguinte: minha infiltrada que trabalha como empregada no Palácio Federal confirmou que os alemães vão enviar uma delegação para se reunir com representantes de várias nações aliadas, para discutir o fim das hostilidades, na próxima semana. Nosso tempo é curto, mas o objetivo é claro. Vamos matar o Kaiser e o Chanceler alemão. Sem exceções, ambos têm que morrer!"

Os refugiados franceses e radicais franco-suíços que haviam se reunido para participar do atentado concordaram com a cabeça silenciosamente, continuando a escutar o plano enquanto o líder detalhava cada ponto minuciosamente.

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Bruno saiu de seu transporte pessoal e foi até as ruas de Berlim, onde encontrou um carro de oficiais esperando por ele. Entrou na parte de trás do veículo e não ficou surpreso ao ver o Kaiser Guilherme II e o Príncipe Herdeiro Guilherme já sentados lá dentro.

"Majestade, Sua Alteza, há tempo demais…"

O Príncipe Herdeiro Guilherme ia falar quando seu pai, Kaiser Guilherme II, levantou a mão e o interrompeu com suas palavras.

"Agora não é hora de formalidades, Bruno; você estava certo. Recebi informações de inteligência de que algo está se movimentando em Genebra. Um grupo de exilados franceses e radicais franco-suíços, chamados Réveil de France, planeja atacar nossa delegação. E, como você disse, o governo suíço está limitando a segurança que podemos oferecer."

Bruno concordou com a cabeça; ele já sabia de tudo isso há bastante tempo. Na verdade, a organização terrorista que usava a insurreição liderada por de Gaulle — que ele mesmo comandou décadas atrás, durante a Guerra Civil Francesa — era indiretamente influenciada pelos esforços de Bruno para minar a Suíça.

Talvez por isso sua expressão estivesse tão fria e impassível quanto a de uma estátua de mármore.

"Claro… Os franceses não são exatamente conhecidos por sua criatividade. Copiar o nome de de Gaulle é exatamente o que eu esperaria de um povo assim. Como falei ao telefone, posso garantir minha própria proteção, mas quanto aos demais, eles estão sob responsabilidade da Polícia Nacional Suíça e de nosso Pai Celestial."

O Kaiser Guilherme II assentiu. Apesar de envelhecido, não parecia de forma alguma doente. Graças aos pesados investimentos de Bruno na área da medicina, ele tinha sobrevivido mais um ano do que na sua vida passada. Ainda forte, continuava firme.

No entanto, ninguém teria estranhado se alguém, recém-completado seus 83 anos, dissesse que por motivos de saúde não poderia comparecer a Genebra.

Mesmo assim, uma expressão de prenúncio sombrio pairava nos olhos de Guilherme. Como se algo terrível fosse acontecer com aquela reunião.

Bruno suspirou ao perceber o estresse que o velho imperador estava sofrendo e rapidamente tentou afastar a preocupação.

"Se algo acontecer com alguém da nossa delegação, a responsabilidade será toda de Suíça. E podemos usá-la como pressão para forçar a anexação mais tarde. E, se Deus quiser, caso haja uma conspiração interna envolvendo esses terroristas…”

Guilherme olhou para Bruno com um sorriso irônico. Imagens das tensões antecedentes à Guerra Mundial passaram por sua cabeça, mostrando como elas se pareciam com a situação atual em Genebra.

Mas, ao invés de se desesperar com um futuro tão sombrio, o Kaiser balançou o dedo na direção de Bruno, repreendendo-o como se fosse uma criança que aprontou alguma.

"Você só fica conhecido por arrasar uma cidade, Bruno…"

Bruno soltou uma gargalhada diante dessa observação tão sombria, enquanto o Kaiser também riu. Enquanto isso, o Príncipe Herdeiro Guilherme observava os dois como se estivesse perdendo algum detalhe crucial, o que tornava toda a cena ainda mais engraçada para os outros dois.

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