Re: Blood and Iron

Capítulo 776

Re: Blood and Iron

Nos arredores das montanhas da Sicília, soldados alemães Gebirgsjäger e italianos Alpini estavam lado a lado, resistindo ao avanço americano.

De inimigos na última guerra, homens que uma vez se enfrentaram com baionetas nas trincheiras congeladas dos passos alpinos, versáteis e endurecidos, tornaram-se uma fraternidade de elite de soldados de montanha.

Agora compartilhavam o peso de chumbo e sangue no Monti Sicani.

Era quase risível como inimigos tão fiéis se tornaram irmãos com tanta facilidade quando um novo inimigo apareceu, forçando antigas rixas a serem reaproveitadas contra um inimigo comum.

O rugido ensurdecedor de MG-34 e MG-42 ecoava pelos desfiladeiros rochosos enquanto Panzerfausts atingiam a coluna de blindados americana, lenta e desajeitada.

Os tanques americanos avançavam pelo terreno instável, com os motores superaquecendo, os rolos de esteiras quebrando-se em pedras afiadas, suas formações desmoronando diante da eficiência brutal da infantaria de montanha das Potências Centrais.

Do alto, o céu vibrava com duelos mortais. Caças alemães P.1110, elegantes e velozes, mergulhavam como falcões, perseguindo os ases aliados, enquanto os Macchis e Fiats italianos se esforçavam para acompanhar e oferecer qualquer suporte possível.

Sicília tinha se tornado um campo de carnificina para os americanos, um caldeirão de carne, sangue e ossos. Homens eram sacrificados em massa contra uma força menor, mas muito mais elitizada, tudo na esperança tênue de conseguir uma ponta de terreno de onde lançar uma invasão ao continente europeu.

Imagens e fotos de cinejornais piscavam numa tela de projeção em Washington. O presidente Roosevelt, sentado em sua cadeira de rodas, com a cabeça baixa, cobrindo o rosto com uma mão, como se tentasse se proteger do peso da verdade.

Eles haviam perdido tantos homens na África do Norte, na Sicília, na Espanha — onde foram expulsos antes de conseguir uma cabeça de praia decente — e, acima de tudo, nas Filipinas.

E não era só questão de homens. Divisões inteiras, de infantaria e blindados, tinham sido destruídas. As frotas agora apodreciam no fundo do Atlântico e do Pacífico.

Por mais que a indústria americana exaurisse petróleo e ferro fundido, ela não conseguia acompanhar a demanda imposta.

Se a Alemanha estivesse sozinha, talvez os EUA pudessem derrotá-la. Mas os recursos crus fluíam para Ruhr, Berlim, Danzig e Trieste, vindos do coração da Rússia.

Com essa corrente de ferro ao seu lado, a Alemanha igualava sua taxa de reposição com uma facilidade perturbadora.

Pior ainda, os alemães simplesmente tinham armas melhores. Para cada E-50 americano, custava de cinco a dez Liberties. De dez a quinze tanques médios novos. A matemática, isoladamente, já previa desastre.

E tudo isso apoiado sobre uma base americana instável.

A nação seguia Roosevelt só porque ele reprimiu a dissidência com força brutal, depois que décadas de corrupção e incompetência — que remanesciam desde a administração Hughes — foram expostas ao público.

O medo manteve a União unida, mas até o temor de dor e morte tinha limites, e esse limite agora se avistava no horizonte.

Relatos de unidades inteiras abandonando o serviço nas Filipinas, desaparecendo na selva após a queda de Manila, multiplicavam-se.

As brigadas blindadas na Sicília começaram a levantar bandeiras brancas ao primeiro contato com tanques alemães. O moral quebrava, no campo de batalha e, pior, em casa.

Se os sindicatos voltassem a fazer greve… se revoltas secundárias acontecessem… o governo Roosevelt poderia desabar. E, possivelmente, os Estados Unidos também.

Poucos queriam admitir essa realidade. Roosevelt, ali, sentado, com a cabeça nas mãos, lamentava o abismo em que sua nação agora se encontrava.

O silêncio pairava até que um de seus generais falou. Ele pretendia que fosse uma piada, uma observação amarga recheada de humor negro.

“Às vezes me pergunto se os alemães não nos atacaram diretamente porque estão esperando o momento em que o espírito americano se quebre por conta própria.”

A sala deu uma risada, todos, exceto Roosevelt, compartilharam o instante de humor mórbido como se fosse breve.

Mas para Roosevelt foi uma epifania. Sua cabeça se ergueu de repente, olhos fixos no homem que tinha falado.

“O que você acabou de dizer?”

O general endireitou-se. Os pelos do pescoço dele eriçaram.

“Nada, senhor. Só uma piada… para aliviar a tensão.”

Roosevelt não o repreendeu, não gritou, não descartou o comentário.

Em vez disso, refletiu.

Revisitou cada ação alemã, não só nesta guerra, mas nas décadas anteriores. Antes mesmo dela. Voltou à Grande Guerra. Um padrão surgiu. Uma leve silhueta. E então… clareza.

Foi como uma revelação divina, como se a própria Minerva tivesse aberto a névoa que obscurecia sua mente. Seu queixo caiu. Os demais olharam entre si, nervosos, incertos se o presidente iria explodir de raiva ou chorar.

Ao invés disso, ele sussurrou:

“Meu Deus… esse é o objetivo dele.”

O silêncio se aprofundou.

“Ele não busca uma vitória militar. Nem no sentido convencional. Ele nunca teve intenção de invadir os Estados Unidos ou atacar nosso solo. Seu ataque ao Canadá… foi uma declaração. Uma prova de que poderia fazer isso, quando escolhesse."

Os generais trocaram olhares preocupados.

Roosevelt prosseguiu, a voz elevando-se horrorizada ao compreender.

“Ele quer que nos destruamos. A aquisição silenciosa da indústria americana através de corporações-fantasma. A militarização da mídia para influenciar nossas eleições e nossa política exterior. Escutas ilegais em órgãos governamentais, depois que, ingenuamente, contratamos uma de suas empresas de fachada para instalar nossas linhas telefônicas. Esse homem tem planejado destruir os Estados Unidos há quarenta anos.”

Ele se inclinou para frente, com os olhos arregalados pela revelação.

“Até a revolta anterior, quando precisei abraçar a tirania para preservar a União… tudo fazia parte do plano dele. Esse tempo todo… estivemos dançando na palma da mão dele. Peças de xadrez movidas por um homem que luta contra o próprio destino para moldar o mundo.”

O ambiente parecia mais frio.

Os oficiais e assessores não compartilhavam da revelação de Roosevelt. Para eles, era uma loucura nascida do cansaço, paranoia e tensão.

Mas nenhum teve coragem de dizer isso. Roosevelt era presidente por nome, tirano na prática. Um olhar de desagrado poderia acabar com suas carreiras, ou com suas vidas.

Por isso, permaneceram calados.

E Roosevelt ficou ali, respirando fundo, convencido de que finalmente havia vislumbrado a verdade por trás da guerra que consome sua nação.

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