
Capítulo 433
Re: Blood and Iron
O mundo ficou em completo e absoluto espanto, não apenas pelo primeiro evento do dia, mas por todas as provas realizadas posteriormente. Desde o primeiro golpe até o último disparo, a Alemanha havia dominado a competição.
Ouro, prata, bronze — todos foram conquistados por atletas alemães. Em várias ocasiões, o Comitê Internacional interrompeu as provas, investigando suspeitas de fraude, pois os resultados pareciam tão improváveis. Mas, a cada investigação, nenhuma violação das regras era constatada.
A Alemanha e seus atletas eram simplesmente superiores — não por causa de algum suposto benefício genético do "Übermensch", como havia sido falsamente alegado nas Olimpíadas de 1936, na vida passada de Bruno, mas porque Bruno passara quase duas décadas cuidadosamente cultivando os maiores atletas do mundo entre seu próprio povo.
Seu conhecimento sobre futuras evoluções esportivas, o acesso a instalações de treinamento incomparáveis, financiadas pelo Estado, e insights avançados em nutrição e biomecânica humana tinham contribuído bastante. O resultado de criar uma geração inteira sob essas condições agora era inegável.
Os eventos tinham sido mais do que simples demonstrações de domínio atlético; eles revelaram uma esportividade aperfeiçoada entre alemães vitoriosos e seus oponentes derrotados. Uma expressão de cavalheirismo em uma era em que guerras não eram mais travadas pelos velhos métodos — esses conceitos tinham encontrado uma nova vida na arena esportiva civil.
À medida que os acontecimentos do dia se aproximavam do fim, o Kaiser subiu ao palco, aproximando-se de um microfone para proferir um discurso grandioso de fraternidade, fairplay e intercâmbio cultural. Porém, assim que começou, Bruno avançou e sussurrou algo em seu ouvido que só os dois poderiam ouvir.
Mesmo assim, a multidão presente e os ouvintes de transmissões de rádio ouviram claramente a surpresa de Wilhelm:
"O quê? Aqui? Agora? Bem, se você insiste… Acho que pode ser mais uma rodada emocionante de diversão…"
Bruno recuou em direção ao seu assento, enquanto o Kaiser explicava ao público que as festividades do dia ainda não tinham terminado, pois a Alemanha preparara uma exibição atípica para o mundo assistir.
Para surpresa de todos, Bruno parou na frente de sua filha mais velha, que ainda estava sentada, intrigada com a cena que se desenrolava. Sua expressão transparecia orgulho paterno ao estender a mão em convite.
"Eva, minha querida filha, teria a honra de ser minha parceira na dança nesta noite maravilhosa?"
Eva sabia que seu pai não estava se referindo a uma dança convencional, e ficou imediatamente envergonhada ao ver todos os olhos voltados para ela. Ainda assim, buscou uma confirmação e gaguejou sua resposta:
"Você… Você não quer dizer—"
Bruno interrompeu rapidamente com um sorriso e uma promessa:
"Sim, minha pequena. Agora vá buscar sua espada e vamos dançar…"
A multidão aguardava ansiosa, cochichando de confusão e empolgação pelo que poderia acontecer a seguir. Quando as luzes do estádio se acenderam novamente, ficaram surpresos ao ver dois duelistas no palco, equipados com traje de proteção completo, segurando algo que não era florete, sabre ou esgrima, mas rapières antigas — cega de borracha e com a ponta também de borracha por segurança.
Porém, uma coisa ficou imediatamente clara ao os dois duelistas erguerem suas lâminas em uma saudação honrosa: um deles era uma mulher. Surpreendente, pouco ortodoxo e até provocador, para muitos nobres tradicionais presentes.
No entanto, eles não tiveram tempo de protestar, pois o aço chocou-se contra o aço. Não era o ataque brutal dos bárbaros, mas a dança elegante e graciosa dos duelistas renascentistas.
Uma tradição antiga revivida, executada por adversários de sexos opostos. Apesar das vantagens físicas claras de Bruno, Eva manteve-se firme, usando técnicas refinadas para defender, contra-atacar e contrapor os movimentos do pai com perfeição.
Finalmente, sua lâmina acertou em cheio, atingindo o peito de Bruno. O juiz ergueu uma bandeira com decisão definitiva.
"Ponto confirmado, canto azul!"
Bruno sorriu enquanto girava sua espada com um movimento estiloso, orgulho evidente na voz ao elogiar a técnica aprimorada de Eva.
"É minha garotinha — você melhorou desde a última vez que treinamos."
Porém, a postura de Eva tinha uma leve carranca. Muito absorvida na disputa, ela se esqueceu do público que assistia e da audiência global, deixando de lado sua típica postura orgulhosa e formal, adotando o tom de uma criança manhosa, revelando uma verdade que apenas os mais experientes em esgrima presentes tinham percebido:
"Papai, você trapaceou! Não vale se você deixar eu marcar ponto!"
Bruno não confessou culpa; ao contrário, reconheceu o talento da filha lançando um ataque de mestre, mostrando toda sua maestria — uma sequência de golpes que qualquer adversário menos preparado teria sucumbido de imediato.
O público observava, confuso, mas já sem raiva. Estavam testemunhando algo incomum, talvez pouco ortodoxo, mas profundamente inspirador — um pai ensinando sua filha a esgrimir, não por honra ou sangue, mas para fortalecer seus laços.
Embora ninguém soubesse exatamente quem estava por baixo das máscaras, estavam completamente cativados, olhos fixos em cada movimento rápido, temendo perder um detalhe sequer.
Eva respondeu com maestria sob enorme pressão, demonstrando que, apesar das diferenças físicas, sua técnica talvez até superasse a do pai — que, em seus anos acadêmicos, tinha sido o campeão indiscutível de mensur.
No fim, Bruno conquistou a vitória por pouco, apenas um ponto à frente. Quando as espadas baixaram e os cumprimentos foram trocados, a plateia de cem mil pessoas explodiu em aplausos ensurdecedores.
Eva ficou boquiaberta, olhando através da máscara para a multidão que a adorava. Bruno avançou, deu um tapinha suave em seu ombro e sussurrou palavras que ela jamais esqueceria.
"Parabéns. Com elegância e graça, você conseguiu convencer até os mais conservadores de que mulheres pertencem ao esporte — até em uma disciplina tão antiga, nobre e masculina quanto a esgrima. Você acabou de mudar o mundo, minha filha… tenho orgulho de você."
Eva permaneceu em silêncio, sem jeito, inclinando-se na direção do público com o pai ao lado. Os aplausos aumentaram ainda mais, enquanto ela processava cada palavra. Ele usou o esporte que ela amava — uma luta que ela travara na infância, quando Bruno ainda ensinava seu irmão mais novo, Erwin, a arte da espada — como uma lição. Uma lição não apenas para ela, mas para o mundo.
Que, mesmo que as atletas femininas não tivessem a força explosiva de seus colegas masculinos, ou que diferissem em resistência ou agilidade, ainda assim pudessem cativar o mundo — desde que treinadas, aprimoradas e apresentadas com o mesmo respeito, dignidade e nobreza.
Naquele momento, Eva não pôde deixar de admirar a coragem de seu pai. Sem perceber, sua mão deslizou na dele, segurando seu pulso enquanto continuava acenando para a multidão que o adorava.
Ele não podia ouvir suas palavras por causa do barulho dos aplausos, mas ela disse, mesmo assim — suavemente, do fundo do coração:
"Sou tão abençoada por tê-lo como pai..."