
Capítulo 201
Re: Blood and Iron
afirmar que o mundo estava à beira de uma fogueira após o assassinato do arquduque austríaco Francisco Ferdinando e sua esposa não era exagero. Na vida de Bruno anterior, a Dinastia Habsburgo enviou uma lista de exigências ao Reino da Sérvia, incluindo uma investigação internacional sobre o assassinato de seu herdeiro.
Havia um equívoco comum de que a Sérvia teria concordado com todas essas exigências, exceto uma, que era justamente aquela que obrigaria o país a abrir mão de sua soberania, optando por lutar para permanecer um reino independente.
Na realidade, o ultimato, que “colocava a soberania sérvia em xeque”, era justamente a exigência de que a Áustria pudesse conduzir uma investigação bilateral e internacional sobre o assassinato do herdeiro.
Por que a Sérvia recusaria tal pedido? A resposta tinha três motivos. A Rússia tinha informado previamente que apoiaria o exército sérvio independentemente do que acontecesse, e já começara a mobilizar suas forças para isso.
A França também havia garantido à Rússia que os apoiaria incondicionalmente, e as negociações sobre como vencer a guerra estavam em andamento antes mesmo do prazo estipulado para o ultimato chegar ao fim.
E, por fim, a Sérvia jamais poderia permitir a última exigência do ultimato de seis pontos, que visava desescalar a situação antes que ela se transformasse em guerra, porque seus próprios serviços de inteligência haviam fornecido aos assassinos armas, treinamentos e esconderijos para realizar o ataque.
Eles sabiam que eram culpados, e essa revelação os condenaria aos olhos de seus possíveis aliados. Então, era melhor arrastar o mundo para a guerra do que ser destruído pelo poder combinado da Áustria-Hungria e do Reich alemão.
Quando se soma isso ao fato de que o parlamento alemão havia dado à Áustria-Hungria uma “cheque em branco” para agir como quisessem, enquanto o Kaiser estava de férias, isso culminou no início da Grande Guerra, que levou à destruição da civilização ocidental.
No entanto, nesta linha do tempo, as coisas não se desenrolaram assim. A Áustria-Hungria, é claro, começou a fazer uma série de exigências similares logo após o início das trocas diplomáticas. Enquanto isso, Bruno estava no palácio do Kaiser, junto com o seu Estado-Maior, cada qual com sua opinião sobre o assunto.
Embora o Kaiser não tivesse como aprovar uma ação ofensiva, ele estava sendo informado do que acontecia. E Bruno pretendia ser o diabo no seu ombro. Assim, enquanto os outros generais discutiam a situação, Bruno apoiava-se na parede ao fundo da sala, completamente indiferente, fumando um cigarro.
Quando terminou o tabaco, ele apagou a bituca em um cinzeiro próximo antes de falar, e, ao fazer isso, todos ficaram em silêncio.
"Sabíamos que esse dia chegaria mais cedo ou mais tarde… Não é esse o motivo pelo qual passamos a última década nos preparando para uma eventualidade assim? Há apenas uma solução: devemos declarar guerra! Deus próprio quis assim no momento em que permitiu o assassinato do arquduque Francisco Ferdinando."
"Franceses e britânicos uniram-se aos sérvios. Chegou a hora da Grande Guerra Europeia, como nos alertaram há décadas. Pois bem… Vamos lutar nessa guerra, e, quando vencermos, um novo mundo surgirá. É o nascer de uma nova era, senhores… Uma era alemã!"
Após essa declaração, Bruno se afastou da reunião. Tinha dito o que precisava, e, como o diabo no ombro do Kaiser, a aprovação do financiamento seria concedida, e o exército seria mobilizado.
Era a mesma coisa em todos os países quando um homem dizia à sua família que partiria para a guerra, levando uma bandeira para alguma terra estrangeira. Lágrimas eram derramadas, abraços trocados e orações rezadas.
A partida de Bruno para os Bálcãs não foi diferente. Heidi, e todas as crianças que ela tinha com Bruno, estavam profundamente desanimadas com a partida do pai. Algumas delas eram velhas o suficiente para lembrar quando ele marchou para a Rússia.
Nessa guerra, ele voltou como um herói valente, conquistando um título de nobreza hereditária para todos eles dentro do Império Russo. Mas aquilo não era a mesma coisa… Os filhos mais velhos de Bruno, entre eles sua filha mais velha Eva, que já se aproximava do seu décimo terceiro aniversário, sabiam que aquilo tinha outro peso.
Não se tratava daquela típica guerra civil travada nas regiões congeladas da Rússia, entre um grupo de rebeldes marxistas e o exército russo. Era uma guerra entre as maiores potências do mundo. Quase um mês tinha passado desde o início da Crise de Julho, e as declarações de guerra já haviam sido feitas.
Itália, França, Grã-Bretanha, Sérvia, Império Otomano e diversos outros países balcânicos, como Montenegro, eram os membros iniciais das Potências Aliadas. As relações entre o Reich alemão e o Império Britânico haviam se deteriorado tanto nesta linha do tempo que não havia necessidade de os britânicos aguardarem uma violação da neutralidade belga.
Eles haviam prometido suporte total à França anos antes para qualquer guerra contra alemães e austríacos-húngaros. Naturalmente, pretendiam cumprir essa aliança. Quanto às "Potências Centrais", elas foram substituídas na vida de Bruno pelo que se chamava de "Potências Imperiais".
Uma aliança formada por quatro impérios: Reich alemão, Império Austro-Húngaro, Império Russo e Império do Japão. Outros poderes menores que, na vida anterior de Bruno, tinham se juntado às grandes alianças, como Bulgária, Romênia, Grécia, Sião, Estados Unidos, entre outros, estavam atualmente neutros.
Depois de mobilizarem suas forças conjugadas na fronteira com a Sérvia um ano antes, durante a Segunda Guerra dos Bálcãs, os três impérios europeus demonstraram grande agilidade em agir rapidamente. Já tinham vasta experiência nesse tipo de operação.
Por isso, quase dois milhões de homens foram enviados direto para o Reino da Sérvia, e levaram menos de um mês para chegar, com a mobilização total iniciada imediatamente após o assassinato do arquduque e sua esposa.
A autoridade operacional para a campanha dos Bálcãs foi entregue ao generalfeldmarschall August von Mackensen, que liderava o 11º Exército alemão. Junto a ele, Bruno e seu 8º exército foram destacados para a região.
Esse agrupamento militar também incluía o 4º e 5º exércitos austro-húngaros, assim como o 1º e 2º exércitos russos. Ou seja, na declaração oficial de guerra, 1,8 milhão de soldados representando os três impérios europeus das Potências Imperiais marchesaram em direção à Sérvia, trazendo o inferno com eles…