Assassino Atemporal

Capítulo 606

Assassino Atemporal

(Domínio dos Sonhos, Ponto de Observação de Leo)

"Então, você quer ver o ápice do meu poder, hein?" O Assassino Atemporal perguntou enquanto coçava o queixo com um leve sorriso, seus olhos cinzentos se estreitando numa mistura de divertimento e paciência.

"Vou te mostrar, mas acho que ainda não vai conseguir compreender tudo o que revelo agora..."

"Só quando você entrar na seara de um Governante e começar a aprender as leis que regem o universo é que será capaz de entender toda a verdadeira extensão do que te mostrei hoje." Ele advertiu, e, com um estalar de dedos, convocou uma maçã na palma da mão, sua casca de vermelho impecável que brilhava suavemente sob a luz dos sonhos que se movimentava.

Sem demora, ele então se inclinou e a colocou cuidadosamente na relva macia aos seus pés, apontando para ela com um sorriso gentil.

"Esta é uma maçã de verdade, criança," explicou, para que Leo não a interpretasse errado posteriormente.

"Não é uma ilusão, nem uma projeção, nem um truque dos seus olhos. O peso, o aroma, o sabor, tudo isso é real. Então me diga, você acha que consegue pegá-la se tentar?"

Leo se ajoelhou lentamente, seus olhos se estreitando enquanto examinava a fruta com mais cautela do que faria com uma lâmina apontada para sua garganta.

Ele permitiu que a [Visão Absoluta] verificasse a forma da maçã, traçando suas curvas, confirmando a maneira como sua sombra se estendia pela relva, como o aroma doce e sutil despertava seus sentidos, garantindo que realmente era verdadeira.

"É, consigo pegar," disse com confiança. "Pelo menos acho que deveria, a menos que você esteja bloqueando ativamente."

O Assassino Atemporal levantou as mãos num gesto inocente, seu sorriso se abrindo um pouco mais.

"Vai lá, então. Não vou te impedir."

Ele encorajou, enquanto Leo se inclinava mais para frente, a mão esticando-se cuidadosamente na direção da maçã, tentando alcançá-la.

Mas então, uma impossibilidade ocorreu.

Apesar de conseguir ver a maçã com clareza, como as linhas da própria palma da mão, sentir seu aroma mais intenso enquanto se aproximava, mesmo a sombra dela tocando as lâminas de grama entre seus dedos — sua pele não tocou nada.

Sua mão fechou-se em puro ar vazio.

A maçã permanecia visível, perfeita e sólida à sua frente, mas de alguma forma, era intocável.

Leo paralisou, atônito. Sua testa se franziu enquanto recuava, olhando fixamente com ainda mais atenção e ativando ao máximo a [Visão Absoluta].

A fruta brilhava com uma realidade inquestionável, cada detalhe mapeado por seus sentidos. Ele a via, sentia o cheiro, podia acreditar nela — mas não conseguia tocá-la.

"O quê—" ele murmurou, enquanto seus instintos gritavam que aquilo não era uma ilusão, mas algo mais profundo, algo totalmente além dele.

O Assassino Atemporal riu suavemente, sua expressão calma, como quem observa uma criança lutando para entender a forma do céu.

"Tente novamente, filho. Pegue, se conseguir."

Ele falou, enquanto a mandíbula de Leo cerrava e ele se estendia novamente, desta vez mais rápido, sua mão se lançando como uma cobra atingindo sua presa.

Por uma fração de segundo, a palma da sua mão pareceu roçar a superfície da maçã, a luz do sonho se curvando ao seu toque — e, mais uma vez, ela escorregou, a maçã desaparecendo no instante em que fez contato, só para reaparecer inteira um suspiro depois no mesmo lugar, intocada, parecendo zombar dele.

A frustração fervia dentro dele enquanto o olho esquerdo tremia. "Ela está aqui," sussurrou. "É real. Sinto o ar ao redor, vejo sua forma, então por que não consigo pegar?"

O Assassino Atemporal abaixou-se numa posição de agachamento ao lado da fruta, os dedos tocando casualmente o talo, como se quisesse lembrar Leo de que aquilo era real, exatamente como tinha dito, enquanto sorria e explicava—

"Porque ela não pertence mais ao seu presente."

*Pegue*

Após pronunciar essas palavras, ele pegou a maçã com facilidade, alongou-a na mão, virou-a lentamente antes de jogá-la suavemente para o alto e pegá-la de novo, cada movimento deliberado, cada ângulo cruelmente simples.

"Eu destrui seu passado, criança. No instante antes de você tocá-la, ela deixa de existir.

No instante após você tocá-la, ela deixa de existir.

O que sobra é apenas um fragmento do momento que você pensa estar vendo — uma maçã suspensa no agora, mas ausente de toda a linha do tempo antes e depois."

Por isso, você não consegue pegá-la. Você está tentando alcançar de uma linha do tempo que não a possui mais."

Os lábios de Leo se abriram, mas nenhuma palavra saiu.

Seu coração pulsava forte no peito quando percebeu que aquilo não era uma questão de velocidade ou ilusão, mas de lei em si.

Não era um truque de visão, mas uma recusa do tempo.

O Assassino Atemporal segurou a maçã na frente do rosto de Leo, depois a esmaga lentamente com a mão fechada. Mas ela não quebrou. O suco não escorreu.

Em vez disso, a fruta se dissolveu como areia escorrendo entre os dedos, despedaçando-se em fragmentos de nada que sumiam antes de alcançar o chão.

"Este é o auge da minha arte. Decidir o que pode existir na corrente do tempo e o que não pode."

Ele se levantou novamente, sacudindo as mãos, seu olhar firme e gentil como se não tivesse acabado de destruir a compreensão de Leo sobre a realidade.

"Você vê a maçã. Você acredita na maçã. Mas nunca a possuirá, porque cortei ela dos lugares onde suas mãos poderiam tocá-la."

As mãos de Leo se cerraram inconscientemente, a pulsação forte nos ouvidos enquanto sussurrava: "Esse poder… não é algo que qualquer um consiga lutar."

O Assassino Atemporal inclinou a cabeça com um sorriso suave. "Exatamente, criança. Ninguém pode lutar contra o que não existe para eles. Uma batalha contra mim não é uma questão de força, nem de velocidade, nem de percepção. É uma luta contra a inevitabilidade. E a inevitabilidade nunca perde."

Leo sentiu a garganta seca ao perceber que tipo de homem estava diante dele. Não era a lâmina afiada, nem a rapidez da passada, que lhe davam o título de Assassino Atemporal.

Era esse domínio incompreensível sobre o rio do tempo, essa habilidade de editar o próprio roteiro da existência que realiza.

Mesmo sem compreender totalmente, a simples sensação disso o deixou pasmo.

Pela primeira vez em muito tempo, Leo se sentiu verdadeiramente impotente, como se ainda tivesse um longo, longuíssimo caminho a percorrer, antes mesmo de vislumbrar o que realmente é o ápice do poder.

*Toque*

O Assassino Atemporal colocou a mão suavemente no ombro de Leo, a calorosa palma lhe dando firmeza. "Não desanime. Você não entenderá esse poder agora. Não é para isso. Mas no dia em que ultrapassar o domínio de um Governante, e os fios do tempo começarem a se curvar suavemente sob sua vontade, você se lembrará deste momento, e então compreenderá de verdade o que te mostrei hoje."

Ele recuou, o ar ao redor dele se curvando levemente, como se o próprio mundo abrisse espaço para sua presença.

"Até lá, concentre-se em construir uma base sólida, e sempre enfrente adversários que estejam um nível acima do seu atual nível de força."

"Pois, se conseguir vencê-los, os do seu mesmo nível nunca mais vão lhe incomodar."

Ele aconselhou, enquanto Leo baixava o olhar, com a adrenalina pulsando nas veias, percebendo que talvez, algum dia, ao final de sua jornada, ele também pudesse alcançar uma maestria sobre o tempo semelhante à do Assassino Atemporal.

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