
Capítulo 966
Assassino Atemporal
(Continuação da transmissão ao vivo da execução, A Fossa, ponto de vista de Leo)
Leo ainda se lembrava do dia em que infiltrou, de forma audaciosa, na câmara selada da Guilda das Serpentes Negras, passando por várias camadas de segurança feitas para repelir Monarchs e ladrões, até colocar as mãos em uma das técnicas perdidas do Culto, a lendária [Mudança Temporal].
No seu núcleo, [Mudança Temporal] era uma técnica de movimento que impulsionava o corpo a velocidades próximas à metade da da luz.
E, na prática, era uma técnica que não dependia apenas de velocidade bruta, mas que dobrava o espaço ao redor do usuário, comprimindo a distância em algo que podia ser atravessado com um único passo, tornando-se a forma de deslocamento mais rápida que um corpo mortal poderia suportar teoricamente, sem se despedaçar instantaneamente.
Segundo o pergaminho da habilidade, a técnica era tecnicamente utilizável por pessoas do Nível Monarch ou superior, já que seres nesse nível possuíam corpos fortes o suficiente para sobreviver ao retorno catastrófico ao usar a técnica pelo menos uma vez.
Porém, o que realmente deixou Leo perplexo ao estudar os requisitos para o movimento foi como um dos catalisadores mais importantes para desencadear essa explosão de movimento tinha o nome — Essência Divina.
O pergaminho afirmava isso de forma simples, como se fosse óbvio, explicando que o impulso de aceleração necessário para dobrar o espaço e momentaneamente ignorar a inércia só poderia ser alcançado com a ação da Essência Divina, que atuava como o combustível estabilizador e impulsionador por trás da técnica. Na prática, isso tornava [Mudança Temporal] inatingível por anyone abaixo do nível Semi-Deus.
Por muito tempo, foi justamente essa contradição que martelou a mente de Leo, fazendo-o sentir que talvez não pudesse aprender esse movimento como um Monarch.
"Não… isso não pode estar certo", pensou na época, enquanto refletia sobre os segredos da técnica.
"Se esse é o movimento mais forte que um mortal consegue fazer, por que ele depende da Essência Divina para funcionar?"
Ele se questionava, pois a lógica simplesmente não se encaixava. Uma técnica que visa definir os limites superiores da capacidade mortal não deveria, teoricamente, depender de um recurso que os mortais, fundamentalmente, não possuem.
E, ainda assim, apesar de memorizar o padrão de circulação, o método de compressão espacial e cada linha de explicação do pergaminho, Leo nunca conseguiu preencher essa lacuna, nunca conseguiu entender como alguém poderia executar [Mudança Temporal] sem primeiro transcender para a condição de divindade, até o dia em que encontrou o Segundo Ancião e recebeu a Marca do Dragão, que lhe concedeu acesso a uma energia completamente diferente chamada Essência de Vida.
Foi somente após essa marca, e sua exposição à segunda técnica proibida do Culto, que o quebra-cabeça começou a se encaixar, pois a segunda técnica proibida atuava como a chave conceitual necessária para destravar as mecânicas mais profundas por trás da décima quinta técnica, uma realização que só se cristalizou completamente quando Leo começou a treinar sob a tutela de Moltherak.
"As tatuagens no seu corpo são engraçadas, garoto…"
O velho Dragão comentou casualmente um dia, enquanto os dois treinavam para abrir um Portal de Quarta Dimensão, seus olhos enormes traçando as marcas cinzentas sob a pele de Leo.
"Me lembram daqueles jovens seres no nível Rei que ainda não aprenderam a processar a Essência Divina corretamente e acabam tendo descoloração temporária nos circuitos."
O Dragão disse, e embora o comentário parecesse casual à primeira vista, de alguma forma ficou marcado em Leo com a força de uma revelação, porque naquele momento ele finalmente compreendeu o que realmente era a Essência de Vida.
"Talvez… toda Essência Divina seja apenas uma versão mais refinada da Essência de Vida."
Ele pensou, mudando sua percepção de Essência Divina, que agora via como algo etéreo, e começou a enxergá-la como a fonte de energia mais pura possível.
"Se é só uma questão de refinamento, então talvez, ao experimentar diferentes doses de Essência de Vida, eu consiga replicar os efeitos desejados."
Ele teoriza, e embora entendesse que não seria fácil, continuou tentando repetidas vezes, até que finalmente aprendeu a realizar [Mudança Temporal] usando a Essência de Vida como combustível principal.
"Então é por isso que a segunda técnica proibida do Culto foi criada. Não foi feita para dominar outras técnicas mais rápido ou subir de nível mais cedo.
Sempre foi uma fonte de energia…"
Um meio de aprender [Mudança Temporal] como mortal.
Leo percebeu no final, pois só ao desvendar o segredo por si mesmo entendeu a verdadeira intenção do Assassino Atemporal por trás de criar as quinze técnicas proibidas.
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(De volta ao campo de batalha)
De volta ao campo de batalha, ao ver Raymond zombando dele com a maior confiança, Leo não pôde deixar de calcular várias possibilidades para surpreender o Semi-Deus, pois, bem no fundo, sabia que se jogasse suas cartas certas e executasse [Mudança Temporal] de perto… Nem Raymond perceberia a tempo.
"Só preciso criar uma abertura, um único microsegundo de certeza absoluta, onde saiba que posso acabar com ele."
Leo pensou, enquanto seu olhar se aguçava.
*Suspiro*
[Processamento Paralelo]
Deixando escapar um suspiro profundo, Leo ativou o processamento paralelo enquanto o caos do campo de batalha se apagava, dando lugar a uma imagem de Raymond sozinho ocupando sua percepção.
"Não preciso dominá-lo.
Não preciso resistir mais que ele.
Tudo que preciso é de um ataque decisivo.
[Mudança Temporal], junto com [Queda da Coroa], e posso acabar com esse idiota de uma vez por todas…"
Leo pensou, enquanto apertava firmemente suas adagas, exatamente no momento em que Raymond fechou ainda mais sua mão ao redor da própria, ambos se preparando para o que viria a seguir.
Naquele momento, Leo não ligava para o que Raymond dizia.
Não se importava se Veyr realmente tinha traído o Culto ou não.
Não se importava se todo esse esforço para salvar Veyr seria um erro.
O que realmente importava para ele era acabar com a vida de Raymond e vingar Charles, porque essa era a menor homenagem que podia prestar ao seu mentor morto.