Assassino Atemporal

Capítulo 955

Assassino Atemporal

(Continuação da Transmissão ao Vivo da Execução, A Fossa, Ponto de Vista de Leo)

Por um momento, até Leo não conseguiu acompanhar o que acontecia diante de seus olhos, pois a velocidade com que os Deuses se movimentavam era algo muito além da compreensão mortal dele.

Ao contrário dos outros, ele não foi cegado pelo grande flash nem abalado pelo terremoto gigantesco que agarrava o planeta, e mesmo assim, ainda não conseguia entender tudo que se desenrolava diante dele, pois essa era a condição caótica ao seu redor.

Por breves instantes, ele teve a sensação de ter visto Soron escorregando para o chão sólido bem perto do núcleo do Chakravyuh.

No entanto, na fração entre esse pensamento e seu próximo piscar de olhos, tudo mudou: Soron e todos os outros Deuses desapareceram do campo de batalha, já envolvidos em um confronto que se desenrolava na própria borda da realidade.

*SHLICK*

*BOOM*

*EXPLOSÃO*

Em um piscar de olhos, uma cadeia de explosões surgiu a dezenas de quilômetros além do núcleo destruído, atraindo o olhar de Leo instintivamente, mas quando seus olhos focaram na devastação, o campo de batalha já tinha mudado novamente, deixando para trás apenas terra queimada, terreno fragmentado e rastros persistentes de aura divina pendendo no ar.

*Suspiro*

'Manda ver, Mestre do Culto.'

Leo pensou, sem perder tempo tentando acompanhar a batalha entre Deuses, pois logo virou sua atenção para Veyr, que agora, ajoelhado sozinho na plataforma de execução abandonada, era totalmente ignorado no meio do caos que consumia o campo de batalha.

Da expressão atônita congelada no rosto de Veyr, era claro que o Dragão do Culto não fazia ideia de como processar essa súbita reversão de sorte, pois, enquanto uma vez tinha esperança e rezava para que, de algum modo, alguém viesse salvá-lo, ele já aceitara há muito tempo que nenhum milagre viria.

Ele já tinha feito as pazes com a morte.

Por isso, quando finalmente viu Leo correndo em sua direção para quebrar suas correntes, o peso emocional daquele momento caiu de uma só vez, e, antes que pudesse se conter, lágrimas começaram a escorrer livremente enquanto sua mente lutava para entender que ainda estava vivo.

'Eu— posso ser salvo?'

Veyr pensou, enquanto a realização se instalava suavemente em sua mente, não como um choque, mas como uma sensação de calor se espalhando por um corpo que há muito havia se esfriado.

As palavras se repetiram várias vezes, cada vez soando menos impossíveis que antes, enquanto a incredulidade lentamente dava lugar a algo frágil e brilhante.

'Ainda vivo.'

Só o pensamento já apertava seu peito, a respiração ficava presa enquanto emoções que ele cuidadosamente tinha guardado começavam a escapar pelos vazios.

Por dias—não, por muito mais tempo do que isso—ele viveu com a certeza silenciosa de que morreria naquela plataforma, que o universo já tinha decidido seu fim e apenas atrasava o momento da execução.

Ele tinha feito as pazes com isso.

Ele dizia a si mesmo que aceitar era força.

Mas agora, essa força vacilava.

Sua visão turvou, não por medo, mas por uma sensação de alívio tão repentina e esmagadora que sua mente teve dificuldades para administrá-la, lágrimas surgindo apesar de seus esforços para se manter firme enquanto o peso que carregava sozinho começava, finalmente, a se aliviar.

'Eu… ainda não acabei.'

Ele pensou, enquanto seu corpo tremia de excitação, mas antes que pudesse processar completamente esse pensamento, Leo já estava ao seu lado, pronto para romper suas correntes.

'Hã?'

Veyr pensou, confuso, quase sem perceber a distância sendo ultrapassada, apenas notando que Leo de repente estava ali, próximo o bastante para ver o cansaço sob a calma, o sangue seco em sua armadura e a certeza silenciosa em seus olhos que fazia o mundo parecer mais real novamente, enquanto Leo estendia a mão para a primeira corrente.

*CRACK*

A restrição quebrou limpidamente, dissipando-se em nada, enquanto a liberdade retornava ao braço de Veyr, uma sensação leve e quase irreal, como acordar de um sonho do qual nem tinha consciência de estar preso ainda.

Depois a segunda.

*CRACK*

E a terceira.

*CRACK*

Cada corrente caiu sem dor, sem resistência, como se o próprio universo já tivesse aceitado que aquela execução tinha acabado, que a sentença havia sido revertida.

Veyr permaneceu em silêncio, com os lábios entreabertos, porém a voz perdida sob a enxurrada de emoções que inundavam seu peito, suas mãos tremendo levemente enquanto observava Leo trabalhar com silêncio eficiente.

Quando a quarta e última corrente quebrou—

*CRACK*

—Veyr finalmente conseguiu reunir forças para levantar a cabeça.

Ele olhou para Leo, realmente olhou, os olhos brilhando e sem guarda, expressão desprovida de orgulho, medo ou dúvida, deixando apenas algo cru e puro.

"Você veio me buscar… irmão."

As palavras saíram trêmulas, a voz cortada e desigual, como se só de falá-las o momento finalmente se tornasse real.

Leo piscou, levantou levemente a sobrancelha, um pequeno sorriso gentil se formando no canto dos lábios enquanto passava o olhar por Veyr, em direção ao Exército do Culto que agora avançava na plataforma como uma maré de devoção e fúria.

"Claro que sim," disse com calma, voltando seu olhar para Veyr.

"Todos nós fizemos."

Ele fez um gesto leve apontando para as figuras que se aproximavam, sua voz firme e acolhedora.

"Você é o nosso Dragão, não é?"

Naquele momento, de pé, livre sob um céu destruído, Veyr percebeu que não estava mais sozinho.

Que ele não era mais órfão.

Era Aegon Veyr do Culto.

Ele era o Dragão.

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(Enquanto isso, Raymond)

Enquanto Leo quebrava as correntes de Veyr, Raymond silenciosamente se mexia nas proximidades.

O esforço de manter o Chakravyuh por tanto tempo tinha deixado o corpo do Semi-Deus em rebelião, cada circuito doendo e cada respiração superficial, enquanto ele se forçava a ficar de pé por pura teimosia, não por força.

*Tremor*

Sua perna tremeu, a visão oscilando por um momento antes de ele se estabilizar, o maxilar travado enquanto a humilhação queimava mais forte que a dor.

Ele assistiu à última corrente cair.

Veyr finalmente se libertar.

E algo feio se torceu dentro do seu peito.

A Fúria veio à tona, bruta e impura, ofuscando a tontura remanescente enquanto suas unhas arranhavam as palmas das mãos com força suficiente para sangrar, algo nele ofendido por aquilo que acreditava ser fundamental.

'Como você ousa tentar libertar minha prisioneira?'

Raymond pensou, com os dentes rangendo enquanto sua aura respondia à sua raiva, oscilando de forma instável, mas tão violenta quanto.

'Como ousa tentar derrubar a ordem divina?'

Seu olhar se fixou em Leo, o ódio intensificando sua concentração enquanto o peso do que acabara de acontecer finalmente se firmava.

Salvando Veyr, Leo não agiu de forma simples.

Para o Culto chegar à Fossa e salvar Veyr diante de toda a humanidade assistindo, não foi apenas um resgate, mas uma humilhação pública ao Governo Universal, uma bofetada tão severa à sua autoridade e honra que nenhuma propaganda ou retaliação conseguiria apagar completamente.

'Isso ainda não acabou. Ainda vai acontecer.'

Raymond pensou, forçando-se a se erguer por completo, a coluna reta, pois seu orgulho não permitia que permanecesse de joelhos por mais tempo, mesmo que seu corpo protestasse.

'Você acha que é forte porque matou alguns mortais?'

A ideia se transformou em desprezo, quando seus olhos deram uma rápida olhada nos destroços do Quarto Anel, corpos espalhados como ferramentas abandonadas.

'Vou mostrar para você como se costuma usar o verdadeiro poder.'

Seus lábios se contorceram em um sorriso venenoso e fino, a determinação se fortalecendo enquanto a fúria substituía o cansaço.

'Vou destruir seus sonhos antes mesmo de você concluí-los, só para lembrar ao universo que o Governo Universal não é fraco… que 'EU', Raymond, não sou fraco.'

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